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“O que impede de saber não são nem o tempo nem a inteligência, mas somente a falta de curiosidade.”
- Agostinho da Silva

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Porque "não pode nem deve haver julgamentos na praça pública"*, a PSP tem muito que averiguar...

Tinha e continuo a ter boa opinião sobre a PSP.
Mas a ideia de viver num País onde todos teríamos de gostar de tudo chateia-me.
Eu não gosto do Oliveira e Costa, do Ricardo Salgado, do Sócrates, do Cavaco, do Dias Loureiro, do Proença, do Portas, do Passos, do Costa, e de todos aqueles, que em minha opinião, contribuíram para a situação actual do meu País, do meu concelho e da minha Aldeia.
Quando se olha para a PSP, uma Instituição que devia merecer o apoio da maioria dos Portugueses, deveríamos vê-la sempre a funcionar com  valores que  unissem  quem se revê  nesses valores.
Hoje, mais que nunca, sabemos muito bem quem quer que o País se desenvolva através da educação e da cultura e de quem quer transformar o País numa selva.
Li no jornal, que o principal protagonista do último fim de semana, em Portugal e não só, é visto como um durão ao estilo Rambo por alguns dos homens que comanda. O subcomissário de apenas 30 anos é, também, uma "referência de liderança" no anterior posto que teve, há quase um ano, como comandante da Esquadra de Investigação e Intervenção Policial de Braga. Foram vários os polícias dessa esquadra que quiseram testemunhar ao DN sobre as qualidades de Filipe Silva como líder, um oficial jovem que granjeou o respeito dos subordinados mais velhos. "É exigente com ele e com os outros. Para o Filipe Silva a lei é para cumprir", contou um desses agentes.
O Ministério da Administração Interna vai abrir um inquérito ao caso da família de adeptos corrida à bastonada, após o jogo do título do Benfica, junto ao Estádio D. Afonso Henriques, em Guimarães.
Não podia ser de outra maneira: está filmado.
A mesma CMTV,  que filmou e colocou no ar as bastonadas dadas pelo “tal durão ao estilo Rambo”, emitiu ontem uma excelente reportagem sobre agentes da PSP que enfrentaram perigo de vida para garantir a segurança de cidadãos.
Felizmente que a regra, entre os homens e mulheres que compõem a PSP, é o profissionalismo, a honestidade, a coragem e a ponderação. Na sua esmagadora maioria, são pessoas de valores, em quem se pode confiar.
Felizmente que a regra,  entre os homens e mulheres que compõem a PSP, não é quem entende que a lei se cumpre com abuso de poder e  violência gratuita.
Continuo a ter boa opinião sobre a PSP. Mas, a ideia de ter de viver num País onde todos temos de gostar de tudo chateia-me.
Espero que o dia 17 de maio de 2015 não venha ser esquecido tão cedo por Filipe Silva, subcomissário da PSP de Guimarães. 
Anabela Rodrigues só disse e repetiu  que ordenou
 a abertura de dois inquéritos  relativamente aos incidentes
 de domingo com adeptos do Benfica. E não disse mais nada.
Além de ter sido filmado e fotografado a agredir uma família à frente dos filhos menores, era o responsável pela segurança na bancada Norte do Estádio D. Afonso Henriques onde ocorreu o saque ao armazém do Vitória.

*Em tempo. 
A meu ver, o que vi em Guimarães, foi um julgamento na praça pública. 
Um senhor subcomissário da PSP ouviu, julgou e condenou o arguido a vergastadas humilhantes e ele próprio as executou sem qualquer direito a defesa.
Presumo que a senhora ministra e ilustre catedrática se estava a referir a este, quando afirmou:
"Não pode nem deve haver julgamentos na praça pública".

3 comentários:

Anónimo disse...

Camarada assim escreve quem sabe escrever parabéns pelo texto.
Já agora deixa-me dizer-te que o subcomissário só fez aquilo por que apanhou o Dom Afonso Henriques de costa.
Porque se o Dom Afonso Henriques tivesse visto ter-lhe-ia acertado o passo e feito a folha como fez á mão .
Abraço

A Arte de Furtar disse...

Não vamos tentar esconder o sol com a peneira.

A violência está latente na sociedade portuguesa e é no futebol que melhor se manifesta. Quando em democracia as forças policiais têm o poder de agir assim, é porque já não há nem democracia, nem valores cívicos, nem agentes capazes de os sentir ou pelo menos entender. Estamos a viver um dos tempos mais vazios de moral da nossa história recente.

É bom ver e meditar sobre a capa do JN (dia 19 Maio). Foi decisão editorial, de fazer capa, com a fotografia que nos mostra o gesto de um polícia de choque a proteger uma criança. O JN devia colocar as duas fotos lado a lado na primeira página (com a do outro a bater), tratando de forma diferente o que são duas histórias diferentes.
De onde vem tanta violência, aquela que encheu os ecrãs nas últimas duas semanas!?
Que sociedade, que pais, que húmus é este de onde brota tanta bestialidade!?
O que está por detrás disto? A miséria, a austeridade?

É bom que alguém pense nisso... porque este esboroar da condição humana tende a não parar sozinho... e, sendo bonito, mesmo bem intencionado, o JN não contribui para uma solução ao branquear o lado negro desta história de Guimarães...

Anónimo disse...

Ainda não foi inventada a palavra para definir aquilo que eu vi.
Um subcomissário de policia espancar com um bastão de aço um cidadão indefeso e esmurrar um idoso na frente dos netos.
Lideres como este creio que todos nós dispensamos.
Que dirá o mundo destas imagens?