
quinta-feira, 5 de novembro de 2026
O Carnaval de Buarcos precisa de se reinventar?
Isabel Maia, via Diário as Beiras: "Reinventar não é descaracterizar"
"SIM. Não porque tenha perdido identidade, mas porque, para continuar a ser uma referência cultural e popular da Figueira, precisa de responder melhor às atuais exigências económicas, culturais e a imprevistos do presente. O exemplo do Carnaval de 2026 é claro. O mau tempo obrigou a reduzir os dias de cortejo, tendo tido um impacto financeiro negativo, que foi assumido pela entidade organizadora. Menos desfiles significam menos bilheteira, menor retorno para comerciantes, restauração, alojamento e menor capacidade de compensar os custos de produção, logística e segurança. O Carnaval local depende do estado do tempo e, por isso, é muito vulnerável. Reinventar não é descaracterizar. É proteger as raízes e tradições do Carnaval da Figueira criando soluções mais robustas. Será necessário prever programas alternativos para dias de chuva, em espaços cobertos, espetáculos variados, animação infantil e eventos gastronómicos. Será necessário alargar a programação, distribuindo a festa por mais dias e envolvendo mais o comércio local e as coletividades. Inovação a partir da tradição, destacando os grupos locais, a sátira e os temas ligados à vida do concelho. É preciso intensificar a comunicação digital para atrair públicos jovens, procurar novos patrocínios e criar um modelo financeiro menos dependente do desfile de rua. O desafio do Carnaval de Buarcos é inovar na forma, reinventar com alma, garantindo o espírito irreverente e comunitário, a continuidade cultural e a sustentabilidade económica."Hoje, pelas 10 horas e 15 minutos, realiza-se a primeira reunião de câmara de Novembro
"Realiza-se esta manhã, pelas 10h15, no Salão Nobre dos Paços do Concelho, a primeira reunião de câmara ordinária do mês de novembro."
Link para consulte a ordem de trabalhoshttps://www.cm-figfoz.pt/.../ordem_de_trabalhos_2026_11...
Link para assistir à reunião https://cm-figfoz.webex.com/cm-figfoz-pt/j.php...
"Pincho e Variante Ricardo Silva na reta final"
Via Diário as Beiras
«A infraestruturação e os acessos da Área Industrial e Empresarial do Pinhal da Gandra, no Pincho, freguesia de Alhadas, e a Variante de Quiaios, ambas obras lançadas pelo Município da Figueira da Foz, encontram-se na fase final.Segundo adiantou ontem ao DIÁRIO AS BEIRAS o vereador das Obras Municipais, a empreitada da nova zona industrial, todas ela adquirida pela germânica Hennig, ficará concluída no fim de janeiro ou início de fevereiro.»
"Estudo sobre envelhecimento ativo, de Joana Bernardo Loureiro, professora na Universidade de Leiria e Oeste, distinguido pela Região Metropolitana de Coimbra"
Via Diário as Beiras"O Prémio João
Ataíde 2024 – a edição
de 2025 não se realizou
devido às eleições autárquicas - foi entregue
ontem a Joana Bernardo
Loureiro, natural de Oliveira do Hospital, enfermeira e investigadora e
professora na Universidade de Leiria e Oeste.
A distinção atribuída pela Região Metropolitana de Coimbra (RMC), com valor pecuniário de cinco mil euros, reconhece o mérito do estudo da doutoranda da Universidade de Coimbra AtiVida - Desenvolvimento de uma Intervenção de Enfermagem com Recurso Digital para um Envelhecimento Ativo e Saudável."
A distinção atribuída pela Região Metropolitana de Coimbra (RMC), com valor pecuniário de cinco mil euros, reconhece o mérito do estudo da doutoranda da Universidade de Coimbra AtiVida - Desenvolvimento de uma Intervenção de Enfermagem com Recurso Digital para um Envelhecimento Ativo e Saudável."
Helena Roseta ontem em Cantanhede defendeu a participação cívica nas políticas de habitação. “As famílias devem ter uma habitação adequada às suas necessidades”.
Revista Visão: “A vida vai dar-nos muitas lições. O povo não está a dormir”. Aos 79 anos, Helena Roseta continua “muito à frente”.
Helena Roseta, arquiteta,
política e uma das
cidadãs mais ativas
na defesa do direito
à habitação, reconhecida
pela intervenção cívica e institucional no
âmbito das politicas
urbanas inclusivas e
sustentáveis, deputada na Assembleia Constituinte e na Assembleia
da República em diferentes legislaturas.
Desempenhou também cargos relevantes no poder local (vereadora na Câmara
Municipal de Lisboa
(1976-1979 e 2007-
2013) e presidente da
Câmara Municipal de
Cascais (1982-1985),
tornando-se uma das
primeiras mulheres a
liderar um município), esteve ontem em Cantanhede.
Via Diário as Beiras fica o registo do muito que disse no decorrer na conferência “Cidade, Cidadania e Democracia: Participar para Transformar”, promovida pela autarquia local.
«A antiga
deputada
da Assembleia
da República
e ex-presidente
da Ordem dos
Arquitetos,
Helena Roseta,
afirmou ontem,
em Cantanhede,
que a habitação
“é uma
dimensão
que está a
perder espaço
na ação dos
responsáveis
políticos”.
«O direito à habitação, a responsabilidade do Estado e a
importância da participação dos cidadãos na
construção dos territórios estiveram no centro da intervenção da
arquiteta e política Helena Roseta, que ontem,
esteve em Cantanhede,
na conferência “Cidade,
Cidadania e Democracia:
Participar para Transformar”, promovida pela
autarquia local.
Durante a sessão, a antiga deputada recuperou o artigo 65 da Constituição da República Portuguesa para sustentar “a importância de garantir a todas as pessoas e famílias o acesso a uma habitação adequada às suas necessidades”.
Helena Roseta recordou que foi “depois do 25 de Abril que o direito à habitação passou a estar consagrado na Constituição”, sublinhando que “todos têm direito, para si e para a sua família, a uma habitação de dimensão adequada, em condições de higiene e conforto e que preserve a intimidade pessoal e a privacidade familiar”.
“As famílias devem ter todas uma habitação adequada às suas necessidades”, apontou.
A oradora destacou também a “importância da participação das populações nas políticas de habitação e no planeamento”.
“É uma dimensão que está a perder espaço na ação dos responsáveis políticos. Não vejo nos governos atuais, a palavra participação. Desapareceu do mapa”, lamentou.
A conferencista abordou ainda a realidade habitacional portuguesa, chamando a atenção para o número de habitações existentes no país em comparação com o número de famílias. “Segundo dados divulgados pelo INE, existem 5,9 milhões habitações para 4,1 milhões de famílias. Tem que haver aqui uma estratégia clara de habitação para que os problemas sejam resolvidos”, salientou Helena Roseta, considerada uma das maiores defensoras do direito à habitação.
Durante o evento, a presidente da Câmara de Cantanhede, Helena Teodósio, agradeceu a presença da oradora e disse que a habitação é hoje um problema muito complexo, que deve ser resolvido.»
Durante a sessão, a antiga deputada recuperou o artigo 65 da Constituição da República Portuguesa para sustentar “a importância de garantir a todas as pessoas e famílias o acesso a uma habitação adequada às suas necessidades”.
Helena Roseta recordou que foi “depois do 25 de Abril que o direito à habitação passou a estar consagrado na Constituição”, sublinhando que “todos têm direito, para si e para a sua família, a uma habitação de dimensão adequada, em condições de higiene e conforto e que preserve a intimidade pessoal e a privacidade familiar”.
“As famílias devem ter todas uma habitação adequada às suas necessidades”, apontou.
A oradora destacou também a “importância da participação das populações nas políticas de habitação e no planeamento”.
“É uma dimensão que está a perder espaço na ação dos responsáveis políticos. Não vejo nos governos atuais, a palavra participação. Desapareceu do mapa”, lamentou.
A conferencista abordou ainda a realidade habitacional portuguesa, chamando a atenção para o número de habitações existentes no país em comparação com o número de famílias. “Segundo dados divulgados pelo INE, existem 5,9 milhões habitações para 4,1 milhões de famílias. Tem que haver aqui uma estratégia clara de habitação para que os problemas sejam resolvidos”, salientou Helena Roseta, considerada uma das maiores defensoras do direito à habitação.
Durante o evento, a presidente da Câmara de Cantanhede, Helena Teodósio, agradeceu a presença da oradora e disse que a habitação é hoje um problema muito complexo, que deve ser resolvido.»
quarta-feira, 4 de novembro de 2026
"É oficial: Francisco Rodrigues dos Santos decidiu deixar o CDS"
Sem deixar de ser democrata-cristão, Rodrigues dos Santos sai do CDS
Rodrigues dos Santos é o quarto presidente do CDS que se desfilia do partido depois de, no passado, o terem feito Diogo Freitas do Amaral, Francisco Lucas Pires e Manuel Monteiro (que, entretanto, regressou ao partido durante a liderança de Rodrigues dos Santos)."Não tenho dúvidas sobre o lugar em que eu próprio me encontro, nem de que esse lugar deixou
de ser compatível com a minha filiação no CDS", alega o ex-presidente do partido.
O Carnaval de Buarcos precisa de se reinventar?
José Couto, via Diário as Beiras: "O Carnaval já não
espelha as tradições""O Carnaval de Buarcos e / ou da
Figueira da Foz
resulta de uma
evolução relativamente recente,
que concentra
na avenida uma
atividade festiva, virada para
o Turismo, para a captação de
visitantes que vêm assistir a um
desfile que é mais de entretenimento do que ligado a qualquer
memória local. Hoje o Carnaval
já não espelha as tradições das
comunidades do Concelho porque o peso do modelo brasileiro
e da cenografia das escolas de
samba, acabam por impor um
formato que afasta a presença
das tradições e dos valores etnográficos da comunidade.
Se o modelo a seguir é o atual, não estamos a falar de recuperar e proteger tradições das comunidades, onde se impunham costumes e rituais, que hoje não cabem na festa que leva espetadores à avenida. Neste caso, estamos a pensar em como tornar mais atrativa a festa existente, introduzir elementos alegóricos diferenciadores que podem criar a curiosidade dos espetadores e fazerem-nos vir aqui em vez de irem a um outro Carnaval. Se esta for a opção, uma solução na continuidade, então prepare-se o dinheiro para comprar os que mais vendem, para acrescentar glamour à festa e oferecer um programa intenso, que faça, por momentos, parecer que estão no Rio. Mas há a opção de voltar a envolver as associações culturais e recreativas e trazê-las para a festa, oferecendo um lugar onde a comunidade local se reveja, sem que isso signifique desfilar na avenida. A oferta seria mais rica e diversificada, contudo festas como a do Carnaval são autofágicas e não permitem que outras se afirmem, pelo que será difícil alterar o percurso deste carnaval."
Se o modelo a seguir é o atual, não estamos a falar de recuperar e proteger tradições das comunidades, onde se impunham costumes e rituais, que hoje não cabem na festa que leva espetadores à avenida. Neste caso, estamos a pensar em como tornar mais atrativa a festa existente, introduzir elementos alegóricos diferenciadores que podem criar a curiosidade dos espetadores e fazerem-nos vir aqui em vez de irem a um outro Carnaval. Se esta for a opção, uma solução na continuidade, então prepare-se o dinheiro para comprar os que mais vendem, para acrescentar glamour à festa e oferecer um programa intenso, que faça, por momentos, parecer que estão no Rio. Mas há a opção de voltar a envolver as associações culturais e recreativas e trazê-las para a festa, oferecendo um lugar onde a comunidade local se reveja, sem que isso signifique desfilar na avenida. A oferta seria mais rica e diversificada, contudo festas como a do Carnaval são autofágicas e não permitem que outras se afirmem, pelo que será difícil alterar o percurso deste carnaval."
Drama
Via Diário as Beiras: "aluno brasileiro foi impedido no aeroporto de reentrar em Portugal quando chegava de um estágio escolar na Irlanda".
Para ler melhor clicar na imagem.
Estados Unidos mudaram de cor: Trump sofre derrota devastadora e democratas conquistam o Congresso
"Luís Montenegro falou ao País. E valeu a pena?"
Luís Montenegro, um político cheio de manhas, malicioso, astuto, finório e hábil, mais um da história da democracia portuguesa, parou ontem o país para se auto elogiar.
Diz que não é político, que tem de falar verdade aos portugueses e que tem de ser transparente.
E disse isto tudo sem se rir...
"Pressionado pelos protestos na rua que duram há semanas, bem como pela insistência do Presidente da República na necessidade de diálogo no tema da habitação, o primeiro-ministro anunciou ter convidado os líderes dos dois maiores partidos da oposição para tentar encontrar soluções nesta matéria. Numa comunicação ao país, em que recusou falar sobre as cargas policiais ou o acórdão judicial sobre a acampada, Montenegro pediu tempo para que as políticas funcionem e não deu sinais sobre se cederá na nova lei do arrendamento.
Luís Montenegro falou ao país. E valeu a pena?"
Diz que não é político, que tem de falar verdade aos portugueses e que tem de ser transparente.
E disse isto tudo sem se rir...
"Pressionado pelos protestos na rua que duram há semanas, bem como pela insistência do Presidente da República na necessidade de diálogo no tema da habitação, o primeiro-ministro anunciou ter convidado os líderes dos dois maiores partidos da oposição para tentar encontrar soluções nesta matéria. Numa comunicação ao país, em que recusou falar sobre as cargas policiais ou o acórdão judicial sobre a acampada, Montenegro pediu tempo para que as políticas funcionem e não deu sinais sobre se cederá na nova lei do arrendamento.
Luís Montenegro falou ao país. E valeu a pena?"
terça-feira, 3 de novembro de 2026
Casa da Praça e respetivo logradouro vão ser transformados em habitação pública
Via Diário as Beiras: "Escoteiros de Maiorca podem
ter de ir para
Bom Sucesso"
«“Neste momento, sentimos que existe uma diferenciação de tratamento entre as associações que existem na freguesia. Em termos de apoios monetários, há a justificação de as associações levarem o nome de Maiorca para fora da freguesia”, disse a presidente da direção dos Escoteiros de Maiorca, referindo-se ao atual executivo da Junta de Maiorca."
“Lamento as declarações [de Dulcínia Roque], pois não correspondem à forma como tenho procurado trabalhar com todas as associações da freguesia”, afiançou o presidente da Junta de Maiorca, reagindo às afirmações da dirigente dos Escoteiros de Maiorca.»
«“Neste momento, sentimos que existe uma diferenciação de tratamento entre as associações que existem na freguesia. Em termos de apoios monetários, há a justificação de as associações levarem o nome de Maiorca para fora da freguesia”, disse a presidente da direção dos Escoteiros de Maiorca, referindo-se ao atual executivo da Junta de Maiorca."
“Lamento as declarações [de Dulcínia Roque], pois não correspondem à forma como tenho procurado trabalhar com todas as associações da freguesia”, afiançou o presidente da Junta de Maiorca, reagindo às afirmações da dirigente dos Escoteiros de Maiorca.»
O Carnaval de Buarcos precisa de se reinventar?
Carlos Beja, via Diário as Beiras: "É um caminho possível""Nascido na
Grécia Antiga, renovado no Império
Romano, desenvolvido na Europa
da Idade Média,
controlado p ela
Igreja Católica e
exportado pelos impérios coloniais, o Carnaval foi-se reinventando ao longo de séculos.
Dos mais célebres, do Brasil a Veneza, aos mais humildes, o Carnaval é verdadeiramente uma festa popular, de crítica social, em que, durante alguns dias, podemos transgredir as normas sociais vigentes.
O Carnaval de Buarcos, que atrai milhares de cidadãos, tem vindo paulatinamente a degradar-se. Não é fácil reinventar um festejo como o Carnaval. A vinda de atrizes e atores brasileiros já foi ensaiada com poucos resultados. E a característica popular do Carnaval “trapalhão” também foi lentamente decrescendo. Mantêm-se, e louvem-se as escolas de samba, que trabalham todo o ano, e alguns poucos carros alegóricos. Posto isto, que fazer? Podemos não fazer nada, nomear, como os governos, um grupo de trabalho e, dentro de três anos, teremos um extenso relatório sobre o Carnaval de Buarcos, que, entretanto, foi definhando.
A solução, na minha opinião, de não folião, poderá passar por interessar e apoiar as nossas coletividades, para que todas as freguesias do concelho participem com carros alegóricos, música, dança e, sobretudo, com a vivacidade do Carnaval “trapalhão”, que é a essência da festa popular.
Será fácil? Fácil não será, mas é um caminho possível face ao progressivo e inexorável esgotamento do modelo atual.
Aliás, como o modelo económico, social e político do país, que também ele precisa urgentemente de se reinventar."
Dos mais célebres, do Brasil a Veneza, aos mais humildes, o Carnaval é verdadeiramente uma festa popular, de crítica social, em que, durante alguns dias, podemos transgredir as normas sociais vigentes.
O Carnaval de Buarcos, que atrai milhares de cidadãos, tem vindo paulatinamente a degradar-se. Não é fácil reinventar um festejo como o Carnaval. A vinda de atrizes e atores brasileiros já foi ensaiada com poucos resultados. E a característica popular do Carnaval “trapalhão” também foi lentamente decrescendo. Mantêm-se, e louvem-se as escolas de samba, que trabalham todo o ano, e alguns poucos carros alegóricos. Posto isto, que fazer? Podemos não fazer nada, nomear, como os governos, um grupo de trabalho e, dentro de três anos, teremos um extenso relatório sobre o Carnaval de Buarcos, que, entretanto, foi definhando.
A solução, na minha opinião, de não folião, poderá passar por interessar e apoiar as nossas coletividades, para que todas as freguesias do concelho participem com carros alegóricos, música, dança e, sobretudo, com a vivacidade do Carnaval “trapalhão”, que é a essência da festa popular.
Será fácil? Fácil não será, mas é um caminho possível face ao progressivo e inexorável esgotamento do modelo atual.
Aliás, como o modelo económico, social e político do país, que também ele precisa urgentemente de se reinventar."
Mais 632 ficaram sem emprego, depois de pacotes públicos e isenções através do Portugal e do Programa COMPETE dados à multinacional
Enquanto o pagode anda entretido com as ajudas sociais da vizinha, mãe de três filhos, que anda sempre bem vestida e vai ao café todas as manhãs, acontecem coisas destas.
Imagem: daqui
"O encerramento total e definitivo da fábrica da multinacional dinamarquesa Ecco em São João de Ver, que deixa 632 trabalhadores no desemprego, expõe de forma crua as assimetrias éticas do investimento estrangeiro globalizado.
Este caso não é um evento isolado, mas sim o culminar de um modelo de atração de capital altamente dependente do erário público, onde o risco financeiro é socializado pelos contribuintes e o lucro permanece estritamente privado.
Historicamente, a fixação e expansão da Ecco no concelho de Santa Maria da Feira assentaram num fluxo contínuo de estímulos estatais e europeus.
Durante o Quadro de Apoio Comunitário III, a marca garantiu mais de 5 milhões de euros em incentivos financeiros provenientes do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER).
Numa fase posterior, a pretexto de assegurar a transição para a robótica e sistemas avançados de eficiência ambiental, a empresa mobilizou um ciclo de modernização orçado em 20 milhões de euros, fortemente alavancado por novos pacotes de subsídios públicos e isenções através do Portugal 2020 e do Programa COMPETE. Apenas num único ano fiscal analisado por auditorias parlamentares (2016), a marca usufruiu diretamente de 445.000 euros em puros benefícios fiscais em Portugal.
A contrapartida exigida para esta massiva injeção de fundos públicos era, teoricamente, a estabilidade económica e a fixação de emprego qualificado num concelho que viu a Ecco atingir um pico de 1.500 postos de trabalho diretos. Contudo, a mecânica das multinacionais opera à margem dos compromissos sociais com os territórios que as financiam.
À escala global, bastou uma retração de mercado e um excesso de capacidade produtiva de 65% na rede do grupo para que a administração ativasse um corte de custos implacável.
A lealdade aos mais de 40 anos de história produtiva em Portugal evaporou-se, resultando na eliminação cirúrgica da unidade, em paralelo com a destruição de 1.400 empregos no Vietname e 400 na Dinamarca.
Este cenário reitera a necessidade urgente de uma reforma profunda nas regras de concessão de fundos europeus e benefícios fiscais territoriais. Enquanto a regulação não estipular cláusulas de salvaguarda agressivas — exigindo a devolução integral e indexada dos milhões de euros recebidos sempre que uma empresa rentável decida deslocalizar ou encerrar operações por conveniência acionista, o erário público continuará a servir de almofada financeira gratuita para o grande capital, deixando para trás custos sociais dramáticos e concelhos inteiros desprotegidos."
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