quarta-feira, 28 de outubro de 2026

A crise habitacional

Via Diário as Beiras

 "Há uma crise habitacional séria e muito grave. Claro que há. Tudo o que possa ser dito em contrário revela uma inconsciência fora dos limites do admissível. Esta crise não teve origem neste governo, claro que não. Mas isso não pode nem não deve ser motivo para o atual governo a desvalorizar e se pôr violentamente contra as pessoas que se manifestam. Manifestam-se, sim, e muito bem. São jovens que olham para o seu futuro e não conseguem sequer imaginar a possibilidade de vir um dia a habitar um local a que possamos chamar casa. Não é possuí-la, é habitá-la, é deixar de estar a dormir na rua, ou num quarto mínimo a pagar mais no fim do mês do que conseguiram auferir no trabalho.

Foi com grande indignação que ouvi as alocuções da direita no Parlamento, vindas de alguns membros do grupo de possuidores de mais de mil casas. Sim, um jornal publicou um estudo credível que nos informava que, entre os deputados da AD, da IL e do Chega, em conjunto com os membros do Governo, podemos contar com um património estimado em mais de mil casas.

As declarações das bancadas do Chega, da IL e da AD não foram agressivas, foram mais do que isso. Foram do domínio do escatológico, capazes de indignar a mais insensível das criaturas. Foram oratórias incendiárias, apelos à violência gratuita. Foi um espetáculo muito triste. Pareceu-me mais uma forte tentativa de banalização do mal, como tenho escrito nestas colunas. Estão quase a atingir esse objetivo.

Repito, a crise da habitação em Portugal não começou na data de posse desde governo. Mas isso não pode ser razão para se demitirem liminarmente da tarefa de a tentar minimizar, pelo menos.

Esta crise não se resolve, nem sequer se atenua, só com um dos lados da solução. Não se resolve somente com políticas de penalização dos proprietários de imóveis devolutos, não se resolve somente com medidas de controlo das rendas, não se resolve somente com a iniciativa municipal para a construção de conjuntos a custos controlados e rendas acessíveis.

Resolve-se com tudo isso e também com a nova edificação urbana, com a intensificação da oferta para baixar o preço da procura. Claro que tem de ser assim. Não é “isto” ou “aquilo”. É “isto” e “aquilo”. A gravidade da crise diz-nos que é tudo em conjunto.

Há muita, mas mesmo muita, coisa a fazer. Neste momento, por exemplo, há que ajudar os municípios a livrar-se das camisas de forças que designam por Plano Diretor Municipal. Um dos principais bloqueios à construção de cidades e, por consequência, de habitação coletiva com qualidade. Mas isso será matéria para outra crónica.

O que é aqui de realçar é que o atual governo, em vez de entrar em joguinhos de tiktok ou em bailados eleitoralistas, do género “não fui eu que comecei”, ou a “esquerda é que tem a culpa disto tudo”, deveria era estar a trabalhar em conjunto com todas as forças que querem realmente atenuar e resolver o grave problema habitacional. Devia procurar um pacto de regime e eleger o problema como uma prioridade. Mas aliando-se àquelas forças que estão verdadeiramente interessadas em o resolver. Não àquelas cujos únicos interesses são meramente propagandísticos e eleitorais, são prolongar o tacho e proteger os interesses dos seus patrocinadores multimilionários."

Que tem a dizer acerca do dossiê Bioadvance?

José Couto, via Diário as Beiras: "Parece ser um enorme equívoco"

"Parece ser um enorme equívoco. Parece que as instituições que deviam contribuir para que o projeto pudesse decorrer de forma correta, dentro do quadro legal e regulatório dos incentivos e fundos europeus, se estorvaram e permitiram que este caos se instalasse.
Não podemos esquecer que a avaliação do AICEP, considerou este projeto da Bioadvance um PIN. O enquadramento no conjunto de pressupostos definidos – entre eles a relevância estratégica e valor do investimento –, proporcionou um tratamento especial e prioritário em termos de prossecução administrativa e forneceu aos vários órgãos da tutela uma áurea de credibilidade.
Porém, a avaliação do projeto sob perspetiva económica e financeira, considerou-o viável para obter os incentivos e fundos da UE que eram destinados à Inovação Industrial e Transição Energética, não sendo exigível o estudo de impacto ambiental, apenas provar que o tinha iniciado.
O que temos: uma obra realizada, um investimento que poderá estar perto das duas dezenas de milhões de euros, mais de três milhões de euros de fundos já adiantados e uma fábrica parada. Há, provavelmente, um aproveitamento da empresa, num contexto pouco claro de falta de coordenação e de responsabilidades pouco esclarecidas, que permitiu que várias entidades públicas não detetassem irregularidades e permitindo este desfecho.
Aliás a deteção destas brechas determinou alterações no PR2030, para que não sucedam este tipo de erros e se garanta a sustentabilidade ab initio. Resta saber quem vai desmontar aquele equipamento. Esperamos que se entendam no tempo curto e certo."

O Paço de Maiorca...

O processo "Paço de Maiorca", é extenso e longo. OUTRA MARGEM, tem muita coisa escrita que pode ser conferida aqui. Tudo começou há cerca de 25 anos. Hoje, via Diário as Beiras, mais um capítulo de uma "estória" que está bem longe de terminar.

"A Autoridade Tributária não recorreu do acórdão desfavorável sobre o pagamento do IVA relativo às obras da transformação do Paço de Maiorca em unidade hoteleira, cerca de um milhão de euros, mais juros de mora, que reclamava há vários anos. Com aquela decisão, e assim que o acórdão transitar em julgado, o imóvel municipal classificado deixa de estar sujeito à hipoteca acionada pelo Fisco, abrindo as portas ao futuro que o Município da Figueira da Foz lhe reserva. No entanto, os planos que o executivo camarário liderado por Santana Lopes tem para o Paço de Maiorca terão de aguardar ainda pela conclusão do processo da insolvência da sociedade mista, com capitais municipais e privados, constituída no mandato autárquico de 2005 – 2009."

QUEM CONTROLA A INFORMAÇÃO EM PORTUGAL

Via Carlos Fino, um texto de Ricardo Graça - Advogado

"Todos os dias, milhões de portugueses ligam a televisão, abrem o telemóvel ou folheiam um jornal a pensar que estão a ser informados. Mas não estão! Estão a receber uma versão da realidade escolhida por um punhado de pessoas que a maioria nunca ouviu falar.
Em Portugal, quase toda a informação que chega ao cidadão passa por três ou quatro grupos privados. A Impresa, de Francisco Pinto Balsemão, detém a SIC e o Expresso. A Media Capital, controlada pelo empresário Mário Ferreira, dono da Douro Azul, detém a TVI e a CNN Portugal. A Medialivre, antigo grupo Cofina, detém o Correio da Manhã, a CMTV, o Jornal de Negócios e a Record. A Global Media, detém o Diário de Notícias, o Jornal de Notícias e a TSF. E depois há a RTP, que é pública, financiada com dinheiro dos contribuintes, e que muda de direcção cada vez que muda o Governo.
E a concentração não pára. Pelo contrário, acelera. A Cofina tentou comprar a Media Capital. A família Berlusconi negociou a compra da Impresa. Os grupos compram-se, fundem-se, absorvem-se. Cada fusão significa menos vozes. Cada aquisição significa menos pluralidade. E cada despedimento numa redacção significa menos olhos a vigiar quem precisa de ser vigiado.
Toda a informação que o país consome é filtrada por meia dúzia de grupos, controlados por meia dúzia de pessoas, com meia dúzia de interesses. Não é teoria. É facto. Está publicado e basta uma simples pesquisa na internet.
Agora pergunte-se: quando um empresário que tem interesses na construção, no turismo, nos navios de cruzeiro e nos negócios internacionais é dono de uma televisão, acha que essa televisão vai noticiar livremente contra os interesses dele? Quando o dono de um jornal tem dívidas a bancos, acha que esse jornal vai investigar esses bancos? Quando um grupo de Comunicação Social depende de publicidade institucional do Estado, acha que vai fazer jornalismo a sério sobre a incompetência do Governo?
A resposta é óbvia. E toda a gente a sabe. Mas ninguém a diz em horário nobre.
Mas o problema não é só quem é dono. É como funciona a máquina.
A maior parte das notícias que aparecem nos jornais e nas televisões não nascem de investigação jornalística. Nascem de comunicados de imprensa, de notas de assessores de comunicação, de agências de relações públicas que fabricam histórias e as servem prontas à redacção. O jornalista recebe, edita e publica. Às vezes nem edita. E o leitor consome aquilo como se fosse jornalismo quando, na verdade, é publicidade disfarçada.
Há empresas inteiras dedicadas a isto. Chamam-lhes agências de comunicação. O trabalho delas é garantir que certas notícias aparecem e que outras desaparecem. Que certos nomes são protegidos e que outros são destruídos. Que certos problemas nunca chegam ao público e que outros são amplificados até à exaustão.
Tudo isto é feito de forma profissional, organizada e bem paga. E o cidadão comum nunca sabe que está a ser manipulado.
E já agora: repare nas notícias que nunca aparecem. Já viu um telejornal investigar a fundo os contratos entre o Estado e as grandes construtoras? Já viu uma reportagem séria sobre os lucros da banca enquanto as famílias pagam juros que não conseguem suportar? Já viu uma peça sobre os benefícios fiscais que as multinacionais recebem em Portugal enquanto o cidadão comum paga IRS até ao último cêntimo? Estas notícias existem, estes factos são públicos. Porque as empresas que beneficiam desses contratos, desses lucros e desses benefícios são as mesmas que compram publicidade nos jornais e nas televisões. E ninguém morde a mão que o alimenta.
Depois há a propaganda do medo.
Ligue a televisão num dia qualquer. O que encontra? Assaltos, violência, crises, catástrofes, doenças, ameaças. Tudo urgente. Tudo dramático. Tudo desenhado para manter as pessoas com medo, coladas ao ecrã, a consumir publicidade entre dois blocos de pânico.
O medo vende. O medo gera audiências. O medo faz com que as pessoas não pensem, não questionem, não se revoltem. Uma população com medo é uma população obediente. E uma população obediente é fácil de governar.
Já reparou que as boas notícias quase nunca passam? Que as soluções que funcionam noutros países nunca são noticiadas? Que os movimentos de cidadãos que se organizam e resolvem problemas nunca têm cobertura? Não é por acaso. O cidadão informado e confiante não serve os interesses de quem precisa que ele tenha medo.
E quando alguém levanta estas questões, sabe o que acontece? É chamado de "teórico da conspiração". Como se questionar quem controla a informação fosse loucura. Como se perguntar a quem serve uma notícia fosse delírio. Como se exigir transparência sobre quem decide o que é notícia e o que não é fosse paranóia.
O rótulo "teoria da conspiração" é uma das ferramentas mais eficaz de censura dos nossos tempos. Não é preciso proibir ninguém de falar. Basta descredibilizar quem fala. E o sistema faz isso com uma eficiência impressionante. Quem questiona é maluco. Quem duvida é radical. Quem investiga é perigoso. E quem aceita tudo sem questionar é cidadão responsável e bem informado.
Eu não estou a dizer que existe um comité secreto que decide as notícias. Não precisa de existir. O sistema funciona sozinho. Quando os donos da Comunicação Social têm interesses económicos e políticos, quando as redacções dependem de publicidade para sobreviver, quando os jornalistas trabalham em condições precárias e sem tempo para investigar, quando as agências de comunicação fornecem notícias prontas a publicar, o resultado é sempre o mesmo: uma informação filtrada, enviesada e ao serviço de quem paga. E quem paga nunca é o cidadão.
Há outro truque que o cidadão comum não vê: o conteúdo patrocinado. Os grandes grupos de Comunicação Social vendem espaço nos seus jornais e nos seus sites a empresas que querem parecer notícia sem o ser. Chamam-lhe “branded content”, “conteúdo de marca” ou “publicidade nativa”. Na prática, é uma peça escrita para parecer jornalismo, publicada ao lado de notícias reais, com um aviso tão discreto que a maioria das pessoas não repara. O leitor lê aquilo a pensar que é informação. É publicidade. E o jornal cobra por isso.
Os próprios grupos de Comunicação Social já têm divisões inteiras dedicadas a produzir este conteúdo. Não são as redacções. São departamentos comerciais com outro nome. Mas o produto aparece no mesmo jornal, no mesmo site, na mesma aplicação. E o cidadão, que confia no nome do jornal, consome sem questionar.
E repare nos “especialistas”. Quantas vezes ouviu os mesmos comentadores, os mesmos analistas, as mesmas caras a dizer as mesmas coisas em canais diferentes? São sempre os mesmos. Rodam entre estúdios como actores de telenovela. Estão na SIC de manhã, na TVI à tarde e na CNN à noite. Dizem o que se espera que digam. Confirmam a narrativa do dia. E criam no cidadão a ilusão de que ouviu várias opiniões quando, na verdade, ouviu a mesma três vezes com gravatas diferentes.
Falemos agora de quem faz as notícias. Dos jornalistas. A maioria dos jornalistas em Portugal trabalha em condições que ninguém aceita em 2026. Contratos precários, salários baixos, horários impossíveis e redacções cada vez mais pequenas. Um jornalista que há dez anos cobria um tema e tinha tempo para investigar, hoje cobre três temas ao mesmo tempo e tem de publicar antes do almoço para alimentar o site. Não tem tempo para confirmar, para cruzar fontes, para ir ao terreno. Tem tempo para reescrever o comunicado que lhe chegou e pôr um título que gere cliques.
Isto não é culpa dos jornalistas. É culpa de um modelo de negócio que substituiu a qualidade pela velocidade e a investigação pelo volume. Os bons jornalistas existem. Muitos deles sabem exactamente o que está mal. Mas estão presos num sistema que os obriga a produzir em quantidade o que devia ser produzido com rigor. E quando tentam investigar a sério, muitas vezes são travados. Não por censura formal. Por falta de meios, por pressão editorial, por medo de perder anunciantes. A auto censura é a forma mais eficiente de controlo: o jornalista aprende sozinho o que pode e o que não pode dizer.
E depois há a informação que já não passa sequer pelos jornais. Passa pelos algoritmos. Hoje, a maioria das pessoas não vai ao site de um jornal procurar notícias. Recebe-as no telemóvel, escolhidas por um algoritmo que não sabe o que é verdade, sabe o que gera reacção. O algoritmo não distingue jornalismo de propaganda. Não distingue factos de opinião. Não distingue informação de manipulação. Mostra-lhe o que o mantém mais tempo a olhar para o ecrã. E o que mantém as pessoas a olhar é, quase sempre, o que as assusta, o que as indigna ou o que confirma o que já acreditavam.
Há ainda outro fenómeno que merece atenção: a porta giratória entre a política e a Comunicação Social. Quantos antigos políticos, assessores e secretários de Estado passaram para direcções de comunicação de grandes empresas, para agências de lobbying ou para cargos na Comunicação Social? E quantos jornalistas foram para gabinetes ministeriais e voltaram como se nada fosse? Esta circulação cria uma rede de cumplicidades em que quem informa e quem é informado se confundem. O jornalista que amanhã quer ser assessor não vai incomodar hoje o ministro que lhe pode dar o lugar. E o antigo assessor que agora é comentador vai proteger quem o pôs onde está.
Em Portugal, temos a Entidade Reguladora para a Comunicação Social, a ERC. Deveria ser uma entidade reguladora da informação livre. Mas na prática, é um organismo que emite pareceres, publica relatórios e assiste a tudo sem poder real de intervenção. Quando a concentração da propriedade dos media ameaça a pluralidade, a ERC opina. Quando um órgão de comunicação viola regras deontológicas, a ERC lamenta. Quando os interesses económicos dos donos contaminam a informação, a ERC analisa. E o cidadão continua a ser tratado como espectador de uma peça de teatro onde o guião já foi escrito.
A Constituição garante a liberdade de imprensa. Artigo 38.º. Garante que o Estado não pode censurar. A censura moderna não vem do Estado. Vem do mercado. Vem de quem é dono. Vem de quem paga. Vem de quem decide o que é notícia e o que não é.
A censura de hoje não proíbe. Ignora. Não apaga. Abafa. Não prende jornalistas. Despede-os.
O cidadão que quer ser informado em Portugal tem de fazer um esforço activo. Tem de ler várias fontes. Tem de comparar versões. Tem de procurar quem escreve e para quem. Tem de perceber que a notícia que lhe aparece no telemóvel não é um acto de serviço público, é um produto. E como todo o produto, serve quem o produz, não quem o consome.
A pergunta que fica é simples: num país onde meia dúzia de empresários controla quase toda a informação, onde as redacções vivem de publicidade e comunicados, onde o medo é modelo de negócio e onde questionar tudo isto dá direito ao rótulo de teórico da conspiração, pode dizer-se que existe liberdade de informação?
A resposta, essa, nunca vai passar no telejornal. Tal como as verdades que não servem os interesses de quem o paga."

Que tem a dizer acerca do dossiê Bioadvance?

Carlos Beja, via Diário as Beiras: "O mais certo é a culpa morrer solteira"
«No início deste século, se a memória me não falha, e naquele mesmo espaço, foi instalado um terminal de asfaltos líquidos. E foi assim que tudo começou… Apoiado como Projecto de Interesse Nacional pela AICEP, receptor de Fundos Comunitários, viabilizado pela CCDRC licenciado pela Administração Portuária, a Bioadvance instalou-se. 
Todos reconhecemos a necessidade de reciclar. Mas naquela localização nunca! Tarde e a más horas começou a desenrolar-se o novelo. Agora a APA já se demarca! A CCDRC já mudou de opinião! A AICEP já retirou o PIN! 
 A Administração Portuária assobia para o lado num silêncio ensurdecedor! Afinal o grande responsável era o Município que, como sabemos, não tem a ver com o licenciamento de áreas portuárias. Não tem mas devia ter. 
É inadmissível que as Administrações Portuárias sejam estados dentro do Estado. Que ponham e disponham do espaço público sem consultar e colher o aval dos eleitos pelo povo. Povo que não elegeu as Administrações Portuárias, as CCDR’s, a APA ou a AICEP. 
Tivessem os diversos poderes em causa consultado e obtido o aval prévio do Município e, naturalmente, não teríamos este problema para resolver. Tivesse o Porto da Figueira da Foz uma Administração exclusiva, permanentemente articulada com o Município e certamente não teríamos esta situação deplorável. 
E agora? Agora, é tempo de desmantelar e pedir responsabilidades a quem, levianamente, foi cúmplice desta situação. O mais certo é a culpa morrer solteira como é habitual com uma rara e honrosa excepção protagonizada pelo saudoso Jorge Coelho.»

terça-feira, 27 de outubro de 2026

Cenas do quotidiano de um "tio de Cascais ou da Foz"... (crónicas de 1 a 30)

Crónica nº 1: a vida

Crónica nº. 2: a festa do futebol

Crónica nº. 3: lucidez

Crónica nº. 5: saudade

Crónica nº. 6: teimosia

Crónica nº. 7: Cantanhede

Crónica nº. 8: “Dá Deus nozes a quem não tem dentes”

Crónica nº. 9: razão!

Crónica nº. 10: ... um "tio" privilegiado

Crónica nº. 11: despromoção

Crónica nº. 12: "maldizente"

Crónica nº. 13: rigor

Crónica nº. 14: tempo

Crónica nº. 15: Gente do Mar…

Crónica nº. 16: Provedor

Crónica nº. 17: Liberdade Individual

Crónica nº. 18: um ano

Crónica nº. 19: Passos

Crónica nº. 20: estes "autarcas comunistas"...

Crónica nº. 22: "caridadezinha"

Crónica nº. 23: cultura falida (a minha, não a da Figueira)...

Crónica nº. 24: OUTRA MARGEM

Crónica nº. 25: desculpem qualquer coisinha.

Crónica nº. 26: a malta andava desalentada...

Crónica nº. 27: a folha em branco

Crónica nº. 28: "ilegalidades"

Crónica nº. 29: mais do mesmo - como é difícil ser Sportinguista!..

Crónica nº. 30: Pacheco Pereira

Flávio Bolsonaro fugiu

Aliados de Flávio Bolsonaro dizem que ele fugiu do Brasil para a Flórida

"Governo norte-americano terá participado ativamente no plano de fuga do senador. Administração Trump prepara-se para conceder asilo ao político que foi derrotado na eleição presidencial no domingo".

A grandeza do Brasil

"Foi uma grande vitória de Lula e uma grande derrota de Bolsonaro. E é por esta grandeza – e a grandeza maior – que nos devemos ficar." Via Jornal Público
«Fico sempre comovido quando vejo eleições em países muito grandes, como a Îndia e o Brasil. Só se veem problemas, dificuldades e diferenças gigantescas - nenhuma das quais parece ter solução - e, no entanto, todos aqueles eleitores aceitaram e conseguiram transformar todas as opiniões que têm sobre os males da Índia e do Brasil num único voto. 
Ganhar é fácil, mas como é que as vastas multidões que perderam aceitam seguir a decisão dos adversários, só por ser numericamente superior? 
É nessa aceitação - que é uma recusa do reflexo totalitário de tomar o poder pela violência, para vingar a derrota nas urnas - que estão a beleza e a eficácia da democracia. 
É o tamanho destes países, e os problemas colossais que têm, que devem dar alento aos países mais pequenos: o voto é mesmo a melhor maneira de influenciar a maneira como o nosso país é governado. Vale mesmo a pena investir tudo nas escolhas eleitorais. 
O voto é cada vez mais decisivo. Foram tantas pessoas a votar em Lula ou Bolsonaro - cada uma capaz de estar uma semana inteira a falar do que está mal no Brasil e do que se deveria fazer quanto antes - que o "chororô de Flávio" parece ser mais uma imitação de Trump. 
Se calhar, lembra-se do mau perder e da fita de Trump quando perdeu contra Biden e acha que esse mau perder e essa fita depois contribuíram para a eleição posterior de Trump. Só não sei se isto revela mais falta de respeito pela democracia brasileira ou pela americana. 
A democracia tem muitos inimigos e está sempre em perigo. Cada eleição, seja qual for o resultado, já é uma vitória. É uma vitória contra as multidões imensas - onde nem todos são poderosos - que acham que é uma aberração que o destino de um país dependa da acumulação e da contagem das opiniões de toda a gente, seja ignorante, maldosa, estúpida, comprada ou frívola. 
Foi uma grande vitória de Lula e uma grande derrota de Bolsonaro.
E é por esta grandeza - e a grandeza maior - que nos devemos ficar.»

"Muro da vergonha" vai ser derrubado para repor rampa da APPACDM

 Via Diário as Beiras (para ler melhor clicar na imagem)

Santana Lopes, um ano depois do seu terceiro mandato (segundo seguido) como presidente de câmara da Figueira da Foz: balanço

Fez ontem um ano que este executivo iniciou o segundo mandato seguido. 
É natural que apareçam balanços sobre estes 365 dias. 
Ricardo Silva, até ao momento, está igual a si próprio: a gerir o silêncio. 
Fico a aguardar os balanços da oposição: PS e Chega.
E outros...
Para já, fica o balanço OUTRA MARGEM a estes 365 dias deste segundo mandato seguido de Santana Lopes como presidente de câmara da Figueira da Foz. 
Pouco difere do balançao feito por Santana Lopes, Olga Brás, Cláudia Rocha, Manuel Domingues e João Martins. 
Ricardo Silva, até ao momento, continua igual a si próprio: a gerir o silêncio. 

Polícias e militares da GNR vão manifestar-se esta quinta-feira por melhores salários e condições de trabalho - sem esquecer a habitação

Noutro momento de contestação, dormiram ao relento e em tendas à porta da Assembleia da República. Desta vez, não deverá haver acampada.

Via SICN

«Os polícias estão a preparar uma manifestação para esta quinta-feira, em Lisboa, para exigir melhores condições de trabalho e salários. Os sindicatos alertam também para o impacto dos preços da habitação na capacidade de atrair profissionais para as forças de segurança.~

O protesto será o culminar de vários momentos de contestação que decorreram ao longo do ano. Agentes da PSP e militares da GNR voltam a exigir o cumprimento do acordo assinado com o Governo em 2024.

O acordo contemplava o aumento do subsídio de risco e a negociação de outras reivindicações, nomeadamente a reestruturação de suplementos e das tabelas remuneratórias.

"Em 2024, acertou-se o valor do subsídio de risco, mas todas as outras variáveis ficaram por cumprir. Andamos em negociações há muito tempo e com muita paciência, mas o Governo não está a tratar esta matéria com o que era expectável da parte dos polícias", afirma Paulo Santos, da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia.

Organizada pela Associação Sindical dos Profissionais da Polícia e pela Associação de Profissionais da Guarda, a manifestação começa ao fim do dia, no Largo de Camões, em Lisboa, e seguirá até à residência oficial do primeiro-ministro.

As estruturas sindicais alertam que a crise na habitação também afeta as forças de segurança, sobretudo os profissionais em início de carreira.

"Uma das questões que onera os polícias é a habitação. Quem está a par dos valores praticados em Lisboa ou zonas limítrofes sabe bem que essa fatia é muito relevante para um polícia em início de carreira", sublinha Paulo Santos.

As dificuldades financeiras tornam a carreira menos atrativa. Segundo as associações sindicais, os concursos de recrutamento de polícias ficaram, nos últimos quatro anos, abaixo do necessário.

Paulo Santos aponta também para a perceção de insegurança sentida por autarcas e empresários, que associa à falta de efetivos nas ruas.

"Temos muitos autarcas e empresários com um grau de insatisfação e perceção de insegurança bastante considerável. Isto, para nós, é falta de polícias na rua", afirma.

É neste contexto que a manifestação desta quinta-feira tem como lema "Um Portugal seguro para todos".

A contestação dos profissionais das forças de segurança tem ficado marcada por várias iniciativas. Num dos últimos protestos, em 2024, os polícias cercaram o Capitólio durante o debate das legislativas entre Luís Montenegro e Pedro Nuno Santos.»

segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Está em causa o normal funcionamento da democracia

"Luís Neves já era um destroço, mas um destroço com o poder de mandar a polícia de choque para a rua pode rebentar com o regime. Está em causa o regular funcionamento das instituições democráticas." 

Crónica de Ana Sá Lopes. Para ler melhor, clicar na imagem.

A CARGA

"Em dez dias, a polícia de intervenção carregou três vezes sobre pessoas que acampavam pacificamente pelo direito à habitação. Esta página reúne tudo o que se passou, porque é que é ilegal, porque é que é imoral, e o que tu podes fazer."

A cabeça do ministro já está na bandeja?

Via Diário de Notícias
"A carga policial contra uma multidão de manifestantes foi uma prova de fragilidade do Governo e marca o princípio de uma crise com consequências imprevisíveis. Ver as imagens dos polícias, de viseira e bastão, a bater em miúdos provoca uma sensação de repugnância.
Não menorizo os avisos que não foram respeitados, as provocações ou a instrumentalização política por parte dos partidos à esquerda do PS, mas a resposta do Estado foi desproporcional e chocante.
A democracia não pode travar manifestações não-violentas com violência – quando tal acontece é por já estar em agonia ou por já não ser uma democracia. Existiam mil formas de tratar o assunto, algumas até musculadas, e todas eram melhores do que a ordem do ministro da Administração Interna com o beneplácito do primeiro-ministro. Mostrou cobardia quando desejava mostrar força – a cobardia de mostrar os dentes a jovens que reivindicavam sem violência por uma causa justa e a mediocridade de avançar com as agressões de madrugada, pela calada da noite, quando o país estava a dormir.
O que acontecerá a seguir é difícil de prever, mas a situação piorará antes de melhorar. As manifestações ganharão força e terão agora o dobro dos contestatários.
E o Presidente da República pedirá discretamente a cabeça de Luís Neves e clamará pela urgência de um plano de ataque ao problema da habitação.
Se tal não acontecer o PS não poderá aprovar o Orçamento de Estado, julgo que José Luís Carneiro estará ciente disso." 

Elementos da Comissão de Honra de António José Seguro pedem intervenção do Presidente da República

Imagem daqui

Murar o medo

"O medo foi um dos meus primeiros mestres. Antes de ganhar confiança em celestiais criaturas, aprendi a temer monstros, fantasmas e demônios. Os anjos, quando chegaram, já era para me guardarem. Os anjos atuavam como uma espécie de agentes de segurança privada das almas.
Nem sempre os que me protegiam sabiam da diferença entre sentimento e realidade. Isso acontecia, por exemplo, quando me ensinavam a recear os desconhecidos. Na realidade, a maior parte da violência contra as crianças sempre foi praticada, não por estranhos, mas por parentes e conhecidos. Os fantasmas que serviam na minha infância reproduziam esse velho engano de que estamos mais seguros em ambiente que reconhecemos.
Os meus anjos da guarda tinham a ingenuidade de acreditar que eu estaria mais protegido apenas por não me aventurar para além da fronteira da minha língua, da minha cultura e do meu território. O medo foi, afinal, o mestre que mais me fez desaprender. Quando deixei a minha casa natal, uma invisível mão roubava-me a coragem de viver e a audácia de ser eu mesmo. No horizonte, vislumbravam-se mais muros do que estradas.
Nessa altura algo me sugeria o seguinte: que há, neste mundo, mais medo de coisas más do que coisas más propriamente ditas.
No Moçambique colonial em que nasci e cresci, a narrativa do medo tinha um invejável casting internacional. Os chineses que comiam crianças, os chamados terroristas que lutavam pela independência e um ateu barbudo com um nome alemão. Esses fantasmas tiveram o fim de todos os fantasmas: morreram quando morreu o medo.
Os chineses abriram restaurantes à nossa porta, os ditos terroristas são hoje governantes respeitáveis e Carl Marx, o ateu barbudo, é um simpático avô que não deixou descendência. O preço dessa construção de terror foi, no entanto, trágico para o continente africano. Em nome da luta contra o comunismo, cometeram-se as mais indizíveis barbaridades.
Em nome da segurança mundial, foram colocados e conservados no poder alguns dos ditadores mais sanguinários de toda a história. A mais grave dessa longa herança de intervenção externa é a facilidade com que as elites africanas continuam a culpar os outros pelos seus próprios fracassos.
A Guerra Fria esfriou, mas o maniqueísmo que a sustinha não desarmou, inventando rapidamente outras geografias do medo: a Oriente e a Ocidente e, por que se trata de entidades demoníacas, não bastam os seculares meios de governação. Precisamos de intervenção com legitimidade divina.
O que era ideologia passou a ser crença. O que era política, tornou-se religião. O que era religião, passou a ser estratégia de poder.
Para fabricar armas, é preciso fabricar inimigos. Para produzir inimigos, é imperioso sustentar fantasmas.
A manutenção desse alvoroço requer um dispendioso aparato e um batalhão de especialistas que, em segredo, tomam decisões em nosso nome. Eis o que nos dizem: para superarmos as ameaças domésticas, precisamos de mais polícia, mais prisões, mais segurança privada e menos privacidade. Para enfrentarmos as ameaças globais, precisamos de mais exércitos, mais serviços secretos e a suspensão temporária da nossa cidadania.
Todos sabemos que o caminho verdadeiro tem que ser outro. Todos sabemos que esse outro caminho poderia começar, por exemplo, pelo desejo de conhecermos melhor esses que, de um e de outro lado, aprendemos a chamar de “eles”. Aos adversários políticos e militares juntam-se agora o clima, a demografia e as epidemias. O sentimento que se criou é o seguinte: a realidade é perigosa, a natureza é traiçoeira e a humanidade, imprevisível.
Vivemos como cidadãos, e como espécie, em permanente situação de emergência. Como em qualquer outro estado de sítio, as liberdades individuais devem ser contidas, a privacidade pode ser invadida e a racionalidade deve ser suspensa. Todas essas restrições servem para que não sejam feitas perguntas, como por exemplo, estas: por que motivo a crise financeira não atingiu a indústria do armamento? Por que motivo se gastou, apenas no ano passado, um trilhão e meio de dólares em armamento militar? Por que razão os que hoje tentam proteger os civis na Líbia são exatamente os que mais armas venderam ao regime do coronel Kadafi? Por que motivo se realizam mais seminários sobre segurança do que sobre justiça? Se queremos resolver e não apenas discutir a segurança mundial, teremos que enfrentar ameaças bem reais e urgentes.
Há uma arma de destruição massiva que está sendo usada todos os dias, em todo o mundo, sem que seja preciso o pretexto da guerra.
Essa arma chama-se fome. Em pleno século XXI, um em cada seis seres humanos passa fome.
O custo para superar a fome mundial seria uma fração muito pequena do que se gasta em armamento. A fome será, sem dúvida, a maior causa de insegurança do nosso tempo.
Mencionarei ainda uma outra silenciada violência: em todo o mundo, uma em cada três mulheres foi — ou será — vítima de violência física ou sexual durante o seu tempo de vida. É verdade que, sobre uma grande parte do nosso planeta, pesa uma condenação antecipada pelo fato simples de serem mulheres.
A nossa indignação, porém, é bem menor que o medo. Sem darmos conta, fomos convertidos em soldados de um exército sem nome e, como militares sem farda, deixamos de questionar. Deixamos de fazer perguntas e discutir razões. As questões de ética são esquecidas, porque está provada a barbaridade dos outros e, porque estamos em guerra, não temos que fazer prova de coerência, nem de ética nem de legalidade.
É sintomático que a única construção humana que pode ser vista do espaço seja uma muralha. A Grande Muralha foi erguida para proteger a China das guerras e das invasões. A Muralha não evitou conflitos nem parou os invasores. Possivelmente morreram mais chineses construindo a muralha do que vítimas das invasões que realmente aconteceram. Diz-se que alguns trabalhadores que morreram foram emparedados na sua própria construção.
Esses corpos convertidos em muro e pedra são uma metáfora do quanto o medo nos pode aprisionar.
Há muros que separam nações, há muros que dividem pobres e ricos, mas não há hoje, no mundo um muro, que separe os que têm medo dos que não têm medo. Sob as mesmas nuvens cinzentas vivemos todos nós, do sul e do norte, do ocidente e do oriente. Citarei Eduardo Galiano acerca disto, que é o medo global, e dizer:
“Os que trabalham têm medo de perder o trabalho; os que não trabalham têm medo de nunca encontrar trabalho; quando não têm medo da fome têm medo da comida; os civis têm medo dos militares; os militares têm medo da falta de armas e as armas têm medo da falta de guerras.
E, se calhar, acrescento agora eu: há quem tenha medo que o medo acabe."

Comprada há cerca de um ano pela Câmara, antiga Casa de Saúde foi vendida a um particular

"A antiga Casa da Saúde foi adquirida há cerca de um ano pelo Município da Figueira da Foz, por 435 mil euros, tendo como finalidade a reabilitação para habitação a custos controlados e arrendamento acessível. Foi agora vendido por 459.100 euros a um particular, que vai transformar o imóvel em habitação própria e espaço expositivo".
"Os críticos políticos da alienação da antiga Casa da Saúde argumentaram que o imóvel foi adquirido pelo Município da Figueira da Foz para ser transformado em apartamentos na modalidade de custos controlados e arrendamento acessível".
Esta mudança de agulha do Município figueirense em tão pouco tempo, foi justificada assim pelo executivo camarário": "entretanto, o mundo mudou e a autarquia deparou-se com a necessidade de gerar receitas para fazer face a investimentos igualmente relevantes para o concelho".

Lula reeleito

Canta Brasil.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), bateu o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Foi reeleito para o seu quarto mandato, feito inédito na história brasileira.