quinta-feira, 7 de maio de 2026

“Mais além”, o novo livro de Miguel Cadilhe

"Escritor e jornalista de viagens figueirense, Gonçalo Cadilhe tem mais de dezena e meia de livros publicados.

Depois de “Mais além”, editado pela Contraponto, da Bertrand Editora, até onde é que as próximas viagens literárias levarão Gonçalo Cadilhe? “Continuarei a olhar à volta da história de Portugal e do mundo nas minhas viagens, para ver o que é que poderá ser a inspiração da próxima obra”, respondeu, em declarações ao DIÁRIO AS BEIRAS. Gonçalo Cadilhe, natural da Figueira da Foz, onde reside quando não está a viajar, tem mais de uma dezena e meia de livros publicados. Viaja pelo mundo há três décadas, é licenciado em gestão de empresas, escritor, documentarista, jornalista e fotógrafo. 

 Gonçalo Cadilhe leva o nome da Figueira da Foz a todo o mundo há mais de 30 anos. Os seus livros são sucesso vendas e uma inspiração para novas gerações de viajantes. A sua nova obra, “Mais além”, apresentada hoje no Porto, terá também apresentação na Feira do Livro de Lisboa - de 27 de maio a 14 de junho. O autor adiantou que também deverá realizar um encontro com leitores na sua cidade-natal, como aliás tem feito sempre que publica uma nova obra. “Mais além” percorre cinco continentes e 50 países e conta histórias sobre viagens e viajantes que marcaram o mundo."

Pelas Freguesias: novas datas Festas de Tavarede

A Junta de Tavarede adiou as Festas de Tavarede, que deveriam decorrer este fim de semana, para os próximos dias 15, 16 e 17, devido às previsões meteorológicas. Mantém-se, contudo, a sessão solene do Dia de Tavarede, este sábado, pelas 18H00, no Clube Desportivo e Amizade do Saltadouro.

Pelas freguesias: Santana

Via Diário as Beiras 


quarta-feira, 6 de maio de 2026

Tropeção no SNS: ano arranca com menos cirurgias e consultas e mais tempo de espera para os doentes

"A saúde deve ser avaliada e discutida de uma forma séria. Defendendo sempre a aproximação dos cuidados a quem mais precisa de uma forma digna e equitativa."

Via Jornal Público: «Até Fevereiro, com mais médicos, mais enfermeiros e mais trabalho extraordinário, SNS reduziu a resposta assistencial. “É decepcionante”, lamenta o presidente dos administradores hospitalares.»

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Como o prometido é devido, fica o registo: vai ser retomado o transporte de bicicletas nas ligações fluviais entre as duas margens do Mondego a partir de amanhã

"O Município da Figueira da Foz informa que, no âmbito do novo aluguer de embarcação, a mesma iniciará as suas travessias fluviais a partir de amanhã, dia 7 de maio.

As ligações serão asseguradas entre as 12h00 e as 19h45, no Cais Sul, mantendo-se o horário atualmente em vigor para as travessias fluviais.
A nova embarcação permitirá, igualmente, o transporte de bicicletas pelos passageiros.
Nos restantes horários poderão verificar-se algumas alterações, que serão oportunamente comunicadas."

A missão "quase impossível" de Rascão Marques: "reorganizar" o partido

Rascão Marques, presidente da concelhia do PSD/Figueira, tem pela frente uma missão complicada: gerir a mistura, potencialmente explosiva, entre a combinação e o declínio da importância dos partidos, no que respeita às suas relações com a sociedade civil e, em simultâneo, o fortalecimento e crescimento da estrutura que dirige, para que cumpra outro tipo de funções, nomeadamente, a distribuição de lugares no preenchimento dos cargos políticos disponíveis.

Via DIÁRIO AS BEIRAS: Rascão Marques, "o novo presidente da Concelhia tem como principal missão garantir que o partido ganhe as eleições autárquicas em 2029.
 O novo líder da Concelhia do PSD, Manuel Rascão Marques, fez parte da equipa liderada pela sua antecessora nos dois mandatos em que a deputada à Assembleia da República liderou o partido no concelho. Desde a campanha das eleições autárquicas de 2025 que as relações políticas entre os dois não são o que eram. Mas ambos desvalorizaram o afastamento, negando-o. Questionados pelo DIÁRIO AS BEIRAS, recusaram-se a abordar o assunto. 
Ana Oliveira deixou de integrar os órgãos locais do PSD com o partido de novo no poder na Figueira da Foz, mas não se afastou da atividade partidária, ao passar a fazer parte da Distrital de Coimbra.
Manuel Rascão Marques afirmou ainda ao DIÁRIO AS BEIRAS que o PSD continuará a apoiar o presidente da Câmara da Figueira da Foz, o independente Santana Lopes, eleito pela lista da coligação FAP (PPD/PSD – CDS/ PP). Não obstante, ressalvou: “Também lhe diremos que não concordamos quando não concordarmos. Mas iremos dar todo o apoio possível à liderança do doutor Pedro Santana Lopes na autarquia, para que a Figueira da Foz se desenvolva e seja cada vez melhor”. Santana Lopes cumpre o segundo mandato consecutivo. No anterior mandato (2021 – 2025), foi eleito pelo movimento independente FAP."

Tortura e violações filmadas em esquadra da PSP: mais 15 polícias e um segurança detidos

Exercer a força sobre quem já está enfraquecido é pura vontade de humilhar. 
Ser agente de segurança não é poder fazer o que entende dentro da esquadras. 
"Há já dois agentes acusados neste processo, mas o caso continua a resultar em novas detenções.
Quinze agentes da PSP estão desde o final da manhã desta terça-feira a ser detidos por crimes como tortura, ofensas graves à integridade física e violação cometidos no interior das esquadras do Rato e do Bairro Alto, em Lisboa, sobre pessoas particularmente vulneráveis, como sem-abrigo, toxicodependentes e estrangeiros - no âmbito da mesma investigação liderada pelo DIAP de Lisboa, em articulação com a PSP, em que já estão outros nove polícias em prisão preventiva, apuraram a TVI e a CNN Portugal."

terça-feira, 5 de maio de 2026

Morreu um ícone do jornalismo figueirense

Carlos Paivaum jornalista., "depois de algumas semanas internado no Hospital da Figueira da Foz, foi transferido recentemente para Cantanhade, para uma unidade de cuidados continuados, onde faleceu ontem, por volta das 17h00. 
O funeral em princípio será amanhã, quarta feira."

O "consenso", sem "marcas ideológicas" já ficámos a saber onde levam o Presidente Seguro

François Chateaubriand escreveu um dia: "a ameaça do mais forte faz-me sempre passar para o lado do mais fraco."
Por outro lado, há quem perante a fraqueza do mais fraco, se passe para o lado do mais forte, mesmo que isso implique ir contra a "sua" maioria.

O Presidente da República promulgou este domingo o decreto do parlamento que altera a Lei da Nacionalidade, aprovado por PSD, Chega, IL e CDS-PP, mas desejava que tivesse assentado "num maior consenso", sem "marcas ideológicas do momento".

Será que Seguro vai continuar a exercer o seu mandato do lado contrário à maioria que o elegeu?

O ferry de Timor Leste e a indignação de Santana...

O anterior bota-abaixo na Figueira da Foz foi o de um ferry encomendado pelo Estado de Timor-Leste, em 2017. 
O navio ainda não foi concluído porque o Governo timorense não desbloqueou as verbas destinadas à sociedade criada para reabilitar os estaleiros Atlanticeagle, na qual é sócio maioritário. 
“É incompreensível”, afirmou Santana Lopes, exortando os governos de ambos os países a resolverem o problema. “Temos de começar a fazer disto uma causa pública”, propôs ontem o autarca. 
“Também considero inaceitável”, concordou o ministro José Manuel Fernandes. 
E Bruno Costa sente-se abandonado por Timor.
O assunto, para o Presidente Santana Lopes, não é uma indignação de ontem.
Registe-se: na reunião de  Câmara da Figueira da Foz realizada no dia 21 de Fevereiro de 2025 (há mais de um ano), o presidente Santana Lopes disse que está a tentar resolver os problemas associados à construção do ferry “Haksolok”, encomendado por Timor-Leste aos estaleiros navais Atlanticeagle, detidos em 95% pelo Estado timorense. 
“Tenho desenvolvido muitas diligências [junto do Governo de Timor e de ministros portugueses] em relação ao barco de Timor que está nos estaleiros, para resolvermos isto de uma vez”, revelou Santana Lopes. 
A construção da embarcação parou em 2018 e foi retomada em 2024. 
Entretanto, a mudança política em Timor afetou a transferência de verbas para os estaleiros, comprometendo a conclusão do ferry. 
Agora é que vai. Conforme disse ontem no seu programa televisivo das noites de segunda-feira, Santana Lopes "não vai largar o assunto em público".

Quanto ao primeiro dia da safra da sardinha...


Teve início mais uma safra da sardinha.
Nuno Lé disse ao DIÁRIO AS BEIRAS,  que se confirmou que “há muita sardinha” no mar. 
Contudo, ontem estava demasiado perto da costa, a uma distância onde as embarcações da pesca do cerco não podem operar. 
Por isso, a faina de ontem foi mais simbólica do que lucrativa. 
Segundo apurou o DIÁRIO AS BEIRAS, o preço do quilo, ontem, em lota, foi de 1,85€ – mais 85% do que há um ano, também no primeiro dia da safra, quando a sardinha foi vendida a 1€/quilo. 
Quanto aos os contratos já assinados pela Cooperativa, Nuno Lé frisou que o preço da sardinha “valorizou cerca de 30%”, em relação à safra do ano passado.

segunda-feira, 4 de maio de 2026

Seguro, vai ser sempre Seguro

 Via jornal Público

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Fado... mas em bom!..

 Via Daniel Santos

Chama-se a isto "governo de proximidade"...

"Ministro da Agricultura e Pescas esteve mais de 8 horas no mar na primeira safra da sardinha".

«O ministro da Agricultura e Pescas disse ter excelentes perspectivas para a safra da sardinha deste ano, que arrancou hoje oficialmente na Figueira da Foz, no litoral do distrito de Coimbra.
“Temos 33.400 toneladas, o que, se compararmos com 2025, é ligeiramente inferior, mas se olharmos para 2023 são mais 8.400 toneladas”, salientou hoje José Manuel Fernandes à agência Lusa.
O governante, que esteve mais de oito horas no mar numa embarcação que participou no arranque da safra, frisou que a quota ibérica de Portugal e Espanha são 50 mil toneladas para os dois países.
José Manuel Fernandes referiu que, “às vezes, não se tem a percepção de que Portugal e Espanha gerem a quota ibérica da sardinha, na qual Portugal tem 66,5%, muito mais do que Espanha”.
“Portugal tem 33.440 toneladas da quota ibérica”, sublinhou.
Além disso, o ministro a Agricultura e Pescas destacou a certificação da sustentabilidade da sardinha, “que acrescenta valor, não só para a venda do pescador, mas para as próprias indústrias conserveiras”.
“É um selo de garantia, de qualidade, que dá confiança e alarga o mercado. Portanto, temos todas as condições para triunfar, embora vá haver dias, como este primeiro, em que o pescador tem um grau de incerteza, em que traz menos ou não traz nada”, disse.
O governante mostrou-se convicto de que 2026 será “um bom ano para os pescadores, para os portugueses que têm na sardinha um superalimento", e para a indústria conserveira nacional.
Sobre os eventuais impactos no setor da atual conjuntura internacional, que fez disparar os preços dos combustíveis, José Manuel Fernandes disse que os pescadores “não podem perder dinheiro”.
“Além disso, o pescador tem uma incerteza, pois quando vai ao mar nem sempre traz o retorno que lhe permite inclusivamente pagar as despesas de saída”, referiu.
Para o ministro da Agricultura e Pescas, “será sempre um preço justo e acessível”, já que não se pode esquecer o aumento de custos que os pescadores têm tido e o “rendimento digno e justo que precisam face ao trabalho duro que têm“.
O ministro da Agricultura e Pescas participou hoje no almoço de abertura da safra da sardinha na Figueira da Foz, organizado pela Marine Stewardship Council (MSC), organização internacional sem fins lucrativos, cuja missão é pôr fim à sobrepesca e garantir a preservação dos recursos aquáticos.
Durante o almoço foi apresentado, pela primeira vez, o documentário sobre o processo de certificação MSC da sardinha ibérica, iniciado em julho de 2025, depois da pesca da sardinha ter estado à beira do desaparecimento há cerca de uma década."

Durante a manhã, o ministro visitou, acompanhado pelo presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz, Pedro Santana Lopes, os estaleiros navais Atlânticeagle, onde decorreu o “bota-abaixo” da embarcação Fernando Lé.

Um Prémio LeYa apresentou um dia destes um novo livro de ficção


Imagem: Câmara Municipal da Figueira da Foz
Se Portugal tem um Prémio Nobel - e disso  deveria ter o maior orgulho -, a Figueira tem um LeYa que publicou recentemente mais um livro - e isso tem de ser devidamente noticiado
Um dia destes, no Auditório Madalena Biscaia de Azeredo Perdigão ocorreu a apresentação do mais recente romance do escritor figueirense António Tavares, “A Arte Pendular do Baloiço”, que foi feita pela professora Graça Capinha e contou com a presença da editora e também escritora, Maria do Rosário Pedreira. 
Vencedor do Prémio LeYa 2015, António Tavares, natural da Figueira da Foz, é uma personagem de relevo na ficção e protagonista de acontecimentos marcantes da história recente nesta cidade da foz do Mondego. 

Friederich Nietzsche, escreveu isto: “A verdade e a mentira são construções que decorrem da vida no rebanho e da linguagem que lhe corresponde. O homem do rebanho chama de verdade aquilo que o conserva no rebanho e chama de mentira aquilo que o ameaça ou exclui do rebanho. [...] Portanto, em primeiro lugar, a verdade é a verdade do rebanho.” 

O António Tavares que eu conheci, era mestre numa prática que se tornou habitual na política: a gestão dos silêncios
Não dizer nada e manter uma certa pose, que se diz ser de Estado, foi meio caminho andado para chegar a vereador da Cultura.
Diga-se, sem reservas mentais nem ironia: na Figueira, seria difícil haver um vereador da  Cultura tão perfeitamente identificado com o mundo cultural como António Tavares
O seu currículo é o do perfeito agente cultural: o indivíduo que tudo converte à linguagem da cultura e a amplifica nas suas estudadas e competentes astúcias. 
Escritor, o seu mundo é o da cultura literária. Ex-director de um jornal, a cultura foi, porém, desde que o conheço o seu verdadeiro sacerdócio.
Na Figueira, não existe ninguém que encarne tão perfeitamente a síntese total com que sempre sonharam os espíritos iluminados pela chama da cultura. 
A sua vocação de agente cultural foi sempre um percurso de santidade, que  é uma capacidade pacificadora que consiste não apenas em conviver com tudo, mas em fazer com que tudo conviva com tudo, sem exclusões nem conflitos.

Com a passagem do tempo, tornou-se num político azedo. Talvez, porque o tempo foi passando e o político ficou mais desabrigado e exposto. Um dia disse: «já dei aquilo que é exigido a um cidadão médio». E acrescentou: «trata-se da retirada de um cidadão que está na casa dos 60 e que o que quer é paz e descanso e fazer outras coisas. Já não tenho pachorra para jogos de poder e guerras de alecrim e manjerona».
António Tavares apelou aos que gostam dos jogos de poder que o esqueçam. «Deixem-me em paz. Não quero saber de nada».
Como escreveu Fernando Assis Pacheco:
"Um dia
o homem é posto à prova, interrogado
pelas areias moventes;
desaba sobre ele a tempestade
que o quer afogar.
Cautela com os animais de fogo!"

Apesar de não esquecer António Augusto Menano, a meu ver, António Tavares, foi o vereador da Cultura, na Figueira, com maior  “vida e obra literária e cultural”, para além da política.
Porém, a maioria dos figueirenses sabe quem é Tavares? 
Penso que não. Tem dele uma imagem: mais ou menos brilhante, mais ou menos esbatida. 
Porventura, amanhã uma sombra. 
Porém, nada mais do que uma imagem.
Por isso, compreendi a preocupação tão grande (quase obsessiva...) com a gestão da sua imagem.
 
Para a esmagadora dos figueirenses Tavares é só isso: imagem. E ele sabe.
O seu  “percurso” político (só, por ironia,  motivo de orgulho...) foi, para António Tavares, apenas um apêndice, algo meramente instrumental para o que realmente lhe importava: uma carreira literária
E não o contrário...
Seja, portanto, feita justiça à competência de António Tavares.
Sem reservas mentais nem ironia: quem conseguiu aceder a vereador da Cultura na Figueira, tem obrigação de saber, das argúcias culturais e políticas, tudo o que há a saber.

"A Praia do Hospital ficou de fora, mas a Figueira da Foz continua a ser a rainha regional das praias com Bandeira Azul"

 Via Diário as Beiras

Presidente da APA garante que "obras nas comportas da Maria da Mata no vale do Mondego avançam este ano"

Via Diário as Beiras a boa notícia. 
"O concurso para as obras de reabilitação das comportas da Maria da Mata, no vale do Mondego, será lançado dentro de dias e a intervenção avança este ano, disse no passado dia 29 de abril o presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA). 
A reabilitação do sistema de comportas, localizado no rio Pranto (afluente da margem esquerda do Mondego), na freguesia de Alqueidão, na Figueira da Foz, é uma ambição antiga de agricultores, associações do setor e autarcas locais, para impedir que a água salgada entre nos campos agrícolas. Em declarações à agência Lusa, Pimenta Machado frisou que a APA irá lançar o concurso, no valor de 1,968 milhões de euros, “dentro de dias, uma semana, não mais”
O presidente da entidade ambiental adiantou ainda que procedimentos prévios ao lançamento do concurso – entre outros a revisão do projeto e assinatura do contrato de financiamento com o Programa Regional de Ordenamento do Território do Centro – já foram realizados. “O concurso deverá demorar dois meses e vamos começar a obra este ano, isso é óbvio, para estar concluída em 2027”, afiançou. 
O sistema de comportas da Maria da Mata está sem funcionar há cerca de seis anos, desde 2018, tendo a situação sido alvo de sucessivas reclamações de intervenção por parte de entidades como a Associação Distrital dos Agricultores de Coimbra ou a Junta de Freguesia de Alqueidão."
Imagem de fevereiro de 2021 (Diário de Coimbra), sacada daqui

"O colapso das comportas de Maria da Mata e do Alvo, perto da estação de bombagem das celuloses, no Alqueidão, representa um problema  grave."  
"A obra é da APA. O problema foi causada pela tempestade Elsa"A depressão Elsa aconteceu em meados de Dezembro de 2019
Entretanto, passaram mais de 6 anos.

domingo, 3 de maio de 2026

O chega é isto

Fernando Pessoa, que tinha aquela natural curiosidade que o levava a querer perceber tudo, escreveu que "cultura é o aperfeiçoamento subjectivo da vida, dividido entre arte (aperfeiçoamento directo) e ciência (aperfeiçoamento do conceito do mundo), sendo mais do que erudição; é uma atitude de espírito que extrai sabedoria das experiências, cultivando a curiosidade e o aprofundamento, e não apenas o acúmulo de saber."
Natália Correia, em carta enviada a José Afonso, depois de o ter visto e apreciado num programa televisivo, escreveu isto: "temos que perceber a cultura dos incultos". Era já então a preocupação com a evidente ocupação do espaço mediático pelos arautos do populismo cultural e político. 
Mais pessimista, Nelson Rodrigues achava que "os idiotas vão tomar conta do mundo; não pela capacidade, mas pela quantidade. Eles são muitos." 
A absorção cega de tretas vagas ou mentirosas não são documentação cultural. 
A curiosidade intelectual não cega: alarga a visão. 
Os cargos políticos deveriam ser ocupados por quem assume valores e tem ideias. Por quem tem cultura. 
Em democracia deveríamos sempre tentar eleger com critério.
Que cultura teria a Figueira Capital da Cultura para mostrar?

Na quinta-feira passada o líder do Chega manifestou disponibilidade para negociar com o Governo a reforma laboral e colocou como uma das exigências a descida da idade da reforma.
Quando André Ventura coloca como condição única para aprovar o pacote laboral, baixar a idade da reforma sabe bem que isso é inaceitável. 
Por uma simples razão: para tentar tomar conta do regime ficou mais uma vez visível aquela coerência "chegana", trapalhona e demagógica de quem defende tudo e o seu contrário e de quem pede "sol na eira e chuva no nabal".
Está-se a discutir a reforma laboral (banco de horas e coisas assim) e de repente, há um Ventura (o partido não conta. Ele é o partido...) que diz que aprova tudo desde que se desça a idade da reforma.
Mas o que é que a idade da reforma tem a ver com a reforma laboral?
Sim: o que é que uma coisa tem a ver com a outra?
A lei laboral diz respeito e tem a ver com a forma como se exerce o trabalho.
A reforma tem a ver como se vive a vida pós-emprego e com quem paga o seu custo.
No primeiro caso, pagam os patrões.
No segundo caso, pagam os jovens.
Esses mesmos, que já pagam as casa mais caras e que se a vontade de Ventura fosse viabilizada, teriam de pagar mais pelas reformas dos seus pais e dos avós, em prejuízo da sustentabilidade das próprias e futuras reformas.
Tenham juízo "cheganos".
Haja um mínimo de seriedade...