sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Centenário de Camilo Pessanha na biblioteca: comemorações do centenário na Biblioteca Municipal

A Biblioteca Pública Municipal PedroFernandes Tomás inaugura no dia 2 de novembro, pelas 17H00, uma exposição documental dedicada à vida e à obra de Camilo Pessanha, no âmbito das comemorações do centenário da sua morte. 
A sessão contará com a presença dos curadores António Apolinário Lourenço e Manuel Seixas. A exposição é constituída por 16 painéis, propondo uma “aproximação ao percurso pessoal e literário do poeta conimbricense, reconhecido como um dos principais expoentes do simbolismo português”.. 
A mostra estará patente ao público até 4 de dezembro deste ano.

quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Que tem a dizer acerca do dossiê Bioadvance?

Isabel Maia, via Diário as Beiras: "Há muito ruído em torno da BioAdvance"
«Há muito ruído em torno da BioAdvance, mas os factos são claros. A empresa instalou-se no porto da Figueira através de uma concessão da Administração do Porto, tendo sido um Projeto avaliado favoravelmente por diversas entidades de âmbito nacional responsáveis por atribuir a designação de Potencial Interesse Nacional (PIN).
Sendo um PIN, esta “certificação” asseguraria o interesse regional e local, quer no âmbito legal, quer ambiental. Acresce que o projeto é compatível com o PDM, logo, não havia fundamento legal para uma decisão municipal desfavorável. A autarquia condicionou a licença de construção à obtenção dos títulos industriais e ambientais exigidos, como precaução. Autorizar uma obra não é autorizar a laboração da empresa. 
O licenciamento urbanístico industrial, o licenciamento da avaliação de impacte ambiental, a autorização da AP são competências de várias entidades diferentes, entre elas a CCDRC, a APA e a Administração Portuária. 
Mais tarde, uma Declaração de Impacte Ambiental desfavorável fez com que a CCDRC revisse o dossier e extinguisse o procedimento do Título de Instalação. A instalação de qualquer unidade industrial não dispensa a lei nem as exigências ambientais. Cada entidade tem que saber responder pelas decisões que toma e só a ela compete. 
O interesse público, a saúde das populações, presentes e futuras, e a sustentabilidade do território devem ser as prioridades de todos os decisores, assumindo erros se necessário.»

"O xerife tramou o polícia"

João Paulo Batalha, via Revista Sábado: "O novo diretor nacional da PSP arruinou-se com os fretes que fez ao Governo."

Quando alguém perde a cabeça, é mau para ele. Quando quem perde a cabeça é a força armada, é mau para todos. Na saga das manifestações pela habitação, a PSP está de cabeça perdida. Depois do Presidente da República (após silêncio prolongado e com muitas cautelas) ter dito que não gostou do que viu com as cargas policiais sobre os manifestantes, a Polícia de Segurança Pública veio defender-se nas redes sociais, com uma publicação que mostra, com imagens de várias fontes, manifestantes a atirar objetos à polícia. Curiosamente, todas as agressões mostradas no vídeo da PSP ocorreram depois de se terem iniciado as cargas policiais, não antes. Quando a polícia traz violência para a rua, há quem reaja com violência na rua. Não é admissível, claro, mas é inevitável.

A publicação da PSP é um desafio óbvio e grave a António José Seguro. É a polícia a dirigir-se ao tribunal da opinião pública para desautorizar o chefe do Estado pela crítica (leve e prudente) que fez à atuação desproporcionada das forças de segurança nas manifestações do último fim-de-semana. O desplante abre uma crise institucional séria: a polícia não pode entrar em discussão com o Presidente da República, através de vídeos incendiários nas redes sociais. Muito menos em relação a uma atuação que está sob escrutínio da Inspeção-Geral da Administração Interna, motivou a abertura de um inquérito do Ministério Público e uma intervenção urgente da Provedora de Justiça. Mais de 200 advogados, juristas e profissionais da Justiça publicaram uma carta – entretanto já assinada por mais de mil juristas – apontando ataques ao direito de reunião e manifestação. A velha anedota sugere que, onde há 200 advogados, há 400 opiniões. Ver mais de mil a assumirem a mesma posição é significativo: a PSP está na defensiva.

Não foi isto que nos prometeram. O novo diretor nacional da Polícia de Segurança Pública, o superintendente-chefe Pedro Moura, tomou posse há duas semanas lembrando que “a autoridade da PSP emana da lei, mas a sua legitimidade nasce da confiança depositada pelos cidadãos”. Na altura, prometeu que “a nossa proximidade será real, empática e inclusiva, consolidando uma cultura de transparência e respeito absoluto pelos direitos humanos”. Era uma promessa urgente, depois de casos reiterados de violência policial que culminaram com o escândalo vergonhoso da esquadra do Rato (e, não sejamos ingénuos, não é só nessa esquadra que há ratos). O anúncio de uma nova era durou nem dois dias: no dia 15, foi a primeira grande carga policial no Porto. Daí para cá, é o que se vê.

Pedro Moura está cercado, não por maus polícias com gosto pela violência, mas pela sua própria obediência a um Governo que lhe exige fretes. Todos ouvimos o xerife Luís Neves proclamar que as acampadas iam acabar. Foi o Governo, não a PSP, que descobriu agora uma interpretação legalista, nova e ilegítima do decreto-lei que regula o direito de manifestação e que nunca, em 52 anos, serviu para impedir vigílias ou acampadas que duraram vários dias ou várias semanas. O problema não está na lei, está num Governo que decidiu que não queria estes manifestantes, com esta causa, nas ruas neste momento – ou porque tem medo de que Portugal se torne na França (a ponto de ser o próprio Estado a promover a escalada de violência) ou porque não tem (como não têm os outros partidos) nada a apresentar no problema da habitação que não seja apontar culpas ao vizinho.

O diretor nacional da PSP fez suas as dores do Governo e assumiu a missão de limpar as ruas e provocar os manifestantes. Justifica as bastonadas com um crime de desobediência a que o próprio Ministério Público dá tanto relevo que propôs de imediato a suspensão dos processos a todos os detidos. Como notou o advogado dos manifestantes, Ricardo Sá Fernandes, “é evidente que isto foi uma ordem que veio do Governo, que veio do ministro da Administração Interna, e é lamentável que isso tenha acontecido”. Igualmente lamentável é que o mais alto responsável da PSP tenha aceitado fazer esta figura, degradando a polícia e sujando as mãos dos seus agentes.

O que devia Pedro Moura ter feito? O mesmo que o ministro que lhe deu posse fazia (ou proclamava que fazia) quando era diretor nacional da Polícia Judiciária: recusar fretes ao poder político, custe a quem custar. E, por muito que o Governo queira inventar interpretações inovadoras de decretos cinquentenários, deixar claro que, em nenhuma circunstância a polícia usaria força contra quem não estivesse a usá-la. Agora, o diretor nacional que tomou posse há duas semanas prometendo o “respeito absoluto pelos direitos humanos” torna-se o justiceiro que manda bater de madrugada para fazer as vontadinhas a quem o nomeou. Eis o que resta do promissor Pedro Moura: um sabujo obediente, cujo crédito e carácter não resistiram 15 dias.»

"Nova ponte concluída em Novembro"...

Tantas são as notícias que já saíram sobre este evento, para não dizerem nada de novo, que isto já cheira a propaganda.
Quem faz propaganda faz como pode, manda e sabe. 
Neste caso, quem pode e manda, sabe o que sabe e, quem não costuma falar gratuitamente, neste caso fala - e muito. 
Contudo, depois ficamos com a sensação de que nada aconteceu.
Nada de novo, sublinhe-se. Como sempre.

quarta-feira, 28 de outubro de 2026

A crise habitacional

Via Diário as Beiras

 "Há uma crise habitacional séria e muito grave. Claro que há. Tudo o que possa ser dito em contrário revela uma inconsciência fora dos limites do admissível. Esta crise não teve origem neste governo, claro que não. Mas isso não pode nem não deve ser motivo para o atual governo a desvalorizar e se pôr violentamente contra as pessoas que se manifestam. Manifestam-se, sim, e muito bem. São jovens que olham para o seu futuro e não conseguem sequer imaginar a possibilidade de vir um dia a habitar um local a que possamos chamar casa. Não é possuí-la, é habitá-la, é deixar de estar a dormir na rua, ou num quarto mínimo a pagar mais no fim do mês do que conseguiram auferir no trabalho.

Foi com grande indignação que ouvi as alocuções da direita no Parlamento, vindas de alguns membros do grupo de possuidores de mais de mil casas. Sim, um jornal publicou um estudo credível que nos informava que, entre os deputados da AD, da IL e do Chega, em conjunto com os membros do Governo, podemos contar com um património estimado em mais de mil casas.

As declarações das bancadas do Chega, da IL e da AD não foram agressivas, foram mais do que isso. Foram do domínio do escatológico, capazes de indignar a mais insensível das criaturas. Foram oratórias incendiárias, apelos à violência gratuita. Foi um espetáculo muito triste. Pareceu-me mais uma forte tentativa de banalização do mal, como tenho escrito nestas colunas. Estão quase a atingir esse objetivo.

Repito, a crise da habitação em Portugal não começou na data de posse desde governo. Mas isso não pode ser razão para se demitirem liminarmente da tarefa de a tentar minimizar, pelo menos.

Esta crise não se resolve, nem sequer se atenua, só com um dos lados da solução. Não se resolve somente com políticas de penalização dos proprietários de imóveis devolutos, não se resolve somente com medidas de controlo das rendas, não se resolve somente com a iniciativa municipal para a construção de conjuntos a custos controlados e rendas acessíveis.

Resolve-se com tudo isso e também com a nova edificação urbana, com a intensificação da oferta para baixar o preço da procura. Claro que tem de ser assim. Não é “isto” ou “aquilo”. É “isto” e “aquilo”. A gravidade da crise diz-nos que é tudo em conjunto.

Há muita, mas mesmo muita, coisa a fazer. Neste momento, por exemplo, há que ajudar os municípios a livrar-se das camisas de forças que designam por Plano Diretor Municipal. Um dos principais bloqueios à construção de cidades e, por consequência, de habitação coletiva com qualidade. Mas isso será matéria para outra crónica.

O que é aqui de realçar é que o atual governo, em vez de entrar em joguinhos de tiktok ou em bailados eleitoralistas, do género “não fui eu que comecei”, ou a “esquerda é que tem a culpa disto tudo”, deveria era estar a trabalhar em conjunto com todas as forças que querem realmente atenuar e resolver o grave problema habitacional. Devia procurar um pacto de regime e eleger o problema como uma prioridade. Mas aliando-se àquelas forças que estão verdadeiramente interessadas em o resolver. Não àquelas cujos únicos interesses são meramente propagandísticos e eleitorais, são prolongar o tacho e proteger os interesses dos seus patrocinadores multimilionários."

Que tem a dizer acerca do dossiê Bioadvance?

José Couto, via Diário as Beiras: "Parece ser um enorme equívoco"

"Parece ser um enorme equívoco. Parece que as instituições que deviam contribuir para que o projeto pudesse decorrer de forma correta, dentro do quadro legal e regulatório dos incentivos e fundos europeus, se estorvaram e permitiram que este caos se instalasse.
Não podemos esquecer que a avaliação do AICEP, considerou este projeto da Bioadvance um PIN. O enquadramento no conjunto de pressupostos definidos – entre eles a relevância estratégica e valor do investimento –, proporcionou um tratamento especial e prioritário em termos de prossecução administrativa e forneceu aos vários órgãos da tutela uma áurea de credibilidade.
Porém, a avaliação do projeto sob perspetiva económica e financeira, considerou-o viável para obter os incentivos e fundos da UE que eram destinados à Inovação Industrial e Transição Energética, não sendo exigível o estudo de impacto ambiental, apenas provar que o tinha iniciado.
O que temos: uma obra realizada, um investimento que poderá estar perto das duas dezenas de milhões de euros, mais de três milhões de euros de fundos já adiantados e uma fábrica parada. Há, provavelmente, um aproveitamento da empresa, num contexto pouco claro de falta de coordenação e de responsabilidades pouco esclarecidas, que permitiu que várias entidades públicas não detetassem irregularidades e permitindo este desfecho.
Aliás a deteção destas brechas determinou alterações no PR2030, para que não sucedam este tipo de erros e se garanta a sustentabilidade ab initio. Resta saber quem vai desmontar aquele equipamento. Esperamos que se entendam no tempo curto e certo."

O Paço de Maiorca...

O processo "Paço de Maiorca", é extenso e longo. OUTRA MARGEM, tem muita coisa escrita que pode ser conferida aqui. Tudo começou há cerca de 25 anos. Hoje, via Diário as Beiras, mais um capítulo de uma "estória" que está bem longe de terminar.

"A Autoridade Tributária não recorreu do acórdão desfavorável sobre o pagamento do IVA relativo às obras da transformação do Paço de Maiorca em unidade hoteleira, cerca de um milhão de euros, mais juros de mora, que reclamava há vários anos. Com aquela decisão, e assim que o acórdão transitar em julgado, o imóvel municipal classificado deixa de estar sujeito à hipoteca acionada pelo Fisco, abrindo as portas ao futuro que o Município da Figueira da Foz lhe reserva. No entanto, os planos que o executivo camarário liderado por Santana Lopes tem para o Paço de Maiorca terão de aguardar ainda pela conclusão do processo da insolvência da sociedade mista, com capitais municipais e privados, constituída no mandato autárquico de 2005 – 2009."

QUEM CONTROLA A INFORMAÇÃO EM PORTUGAL

Via Carlos Fino, um texto de Ricardo Graça - Advogado

"Todos os dias, milhões de portugueses ligam a televisão, abrem o telemóvel ou folheiam um jornal a pensar que estão a ser informados. Mas não estão! Estão a receber uma versão da realidade escolhida por um punhado de pessoas que a maioria nunca ouviu falar.
Em Portugal, quase toda a informação que chega ao cidadão passa por três ou quatro grupos privados. A Impresa, de Francisco Pinto Balsemão, detém a SIC e o Expresso. A Media Capital, controlada pelo empresário Mário Ferreira, dono da Douro Azul, detém a TVI e a CNN Portugal. A Medialivre, antigo grupo Cofina, detém o Correio da Manhã, a CMTV, o Jornal de Negócios e a Record. A Global Media, detém o Diário de Notícias, o Jornal de Notícias e a TSF. E depois há a RTP, que é pública, financiada com dinheiro dos contribuintes, e que muda de direcção cada vez que muda o Governo.
E a concentração não pára. Pelo contrário, acelera. A Cofina tentou comprar a Media Capital. A família Berlusconi negociou a compra da Impresa. Os grupos compram-se, fundem-se, absorvem-se. Cada fusão significa menos vozes. Cada aquisição significa menos pluralidade. E cada despedimento numa redacção significa menos olhos a vigiar quem precisa de ser vigiado.
Toda a informação que o país consome é filtrada por meia dúzia de grupos, controlados por meia dúzia de pessoas, com meia dúzia de interesses. Não é teoria. É facto. Está publicado e basta uma simples pesquisa na internet.
Agora pergunte-se: quando um empresário que tem interesses na construção, no turismo, nos navios de cruzeiro e nos negócios internacionais é dono de uma televisão, acha que essa televisão vai noticiar livremente contra os interesses dele? Quando o dono de um jornal tem dívidas a bancos, acha que esse jornal vai investigar esses bancos? Quando um grupo de Comunicação Social depende de publicidade institucional do Estado, acha que vai fazer jornalismo a sério sobre a incompetência do Governo?
A resposta é óbvia. E toda a gente a sabe. Mas ninguém a diz em horário nobre.
Mas o problema não é só quem é dono. É como funciona a máquina.
A maior parte das notícias que aparecem nos jornais e nas televisões não nascem de investigação jornalística. Nascem de comunicados de imprensa, de notas de assessores de comunicação, de agências de relações públicas que fabricam histórias e as servem prontas à redacção. O jornalista recebe, edita e publica. Às vezes nem edita. E o leitor consome aquilo como se fosse jornalismo quando, na verdade, é publicidade disfarçada.
Há empresas inteiras dedicadas a isto. Chamam-lhes agências de comunicação. O trabalho delas é garantir que certas notícias aparecem e que outras desaparecem. Que certos nomes são protegidos e que outros são destruídos. Que certos problemas nunca chegam ao público e que outros são amplificados até à exaustão.
Tudo isto é feito de forma profissional, organizada e bem paga. E o cidadão comum nunca sabe que está a ser manipulado.
E já agora: repare nas notícias que nunca aparecem. Já viu um telejornal investigar a fundo os contratos entre o Estado e as grandes construtoras? Já viu uma reportagem séria sobre os lucros da banca enquanto as famílias pagam juros que não conseguem suportar? Já viu uma peça sobre os benefícios fiscais que as multinacionais recebem em Portugal enquanto o cidadão comum paga IRS até ao último cêntimo? Estas notícias existem, estes factos são públicos. Porque as empresas que beneficiam desses contratos, desses lucros e desses benefícios são as mesmas que compram publicidade nos jornais e nas televisões. E ninguém morde a mão que o alimenta.
Depois há a propaganda do medo.
Ligue a televisão num dia qualquer. O que encontra? Assaltos, violência, crises, catástrofes, doenças, ameaças. Tudo urgente. Tudo dramático. Tudo desenhado para manter as pessoas com medo, coladas ao ecrã, a consumir publicidade entre dois blocos de pânico.
O medo vende. O medo gera audiências. O medo faz com que as pessoas não pensem, não questionem, não se revoltem. Uma população com medo é uma população obediente. E uma população obediente é fácil de governar.
Já reparou que as boas notícias quase nunca passam? Que as soluções que funcionam noutros países nunca são noticiadas? Que os movimentos de cidadãos que se organizam e resolvem problemas nunca têm cobertura? Não é por acaso. O cidadão informado e confiante não serve os interesses de quem precisa que ele tenha medo.
E quando alguém levanta estas questões, sabe o que acontece? É chamado de "teórico da conspiração". Como se questionar quem controla a informação fosse loucura. Como se perguntar a quem serve uma notícia fosse delírio. Como se exigir transparência sobre quem decide o que é notícia e o que não é fosse paranóia.
O rótulo "teoria da conspiração" é uma das ferramentas mais eficaz de censura dos nossos tempos. Não é preciso proibir ninguém de falar. Basta descredibilizar quem fala. E o sistema faz isso com uma eficiência impressionante. Quem questiona é maluco. Quem duvida é radical. Quem investiga é perigoso. E quem aceita tudo sem questionar é cidadão responsável e bem informado.
Eu não estou a dizer que existe um comité secreto que decide as notícias. Não precisa de existir. O sistema funciona sozinho. Quando os donos da Comunicação Social têm interesses económicos e políticos, quando as redacções dependem de publicidade para sobreviver, quando os jornalistas trabalham em condições precárias e sem tempo para investigar, quando as agências de comunicação fornecem notícias prontas a publicar, o resultado é sempre o mesmo: uma informação filtrada, enviesada e ao serviço de quem paga. E quem paga nunca é o cidadão.
Há outro truque que o cidadão comum não vê: o conteúdo patrocinado. Os grandes grupos de Comunicação Social vendem espaço nos seus jornais e nos seus sites a empresas que querem parecer notícia sem o ser. Chamam-lhe “branded content”, “conteúdo de marca” ou “publicidade nativa”. Na prática, é uma peça escrita para parecer jornalismo, publicada ao lado de notícias reais, com um aviso tão discreto que a maioria das pessoas não repara. O leitor lê aquilo a pensar que é informação. É publicidade. E o jornal cobra por isso.
Os próprios grupos de Comunicação Social já têm divisões inteiras dedicadas a produzir este conteúdo. Não são as redacções. São departamentos comerciais com outro nome. Mas o produto aparece no mesmo jornal, no mesmo site, na mesma aplicação. E o cidadão, que confia no nome do jornal, consome sem questionar.
E repare nos “especialistas”. Quantas vezes ouviu os mesmos comentadores, os mesmos analistas, as mesmas caras a dizer as mesmas coisas em canais diferentes? São sempre os mesmos. Rodam entre estúdios como actores de telenovela. Estão na SIC de manhã, na TVI à tarde e na CNN à noite. Dizem o que se espera que digam. Confirmam a narrativa do dia. E criam no cidadão a ilusão de que ouviu várias opiniões quando, na verdade, ouviu a mesma três vezes com gravatas diferentes.
Falemos agora de quem faz as notícias. Dos jornalistas. A maioria dos jornalistas em Portugal trabalha em condições que ninguém aceita em 2026. Contratos precários, salários baixos, horários impossíveis e redacções cada vez mais pequenas. Um jornalista que há dez anos cobria um tema e tinha tempo para investigar, hoje cobre três temas ao mesmo tempo e tem de publicar antes do almoço para alimentar o site. Não tem tempo para confirmar, para cruzar fontes, para ir ao terreno. Tem tempo para reescrever o comunicado que lhe chegou e pôr um título que gere cliques.
Isto não é culpa dos jornalistas. É culpa de um modelo de negócio que substituiu a qualidade pela velocidade e a investigação pelo volume. Os bons jornalistas existem. Muitos deles sabem exactamente o que está mal. Mas estão presos num sistema que os obriga a produzir em quantidade o que devia ser produzido com rigor. E quando tentam investigar a sério, muitas vezes são travados. Não por censura formal. Por falta de meios, por pressão editorial, por medo de perder anunciantes. A auto censura é a forma mais eficiente de controlo: o jornalista aprende sozinho o que pode e o que não pode dizer.
E depois há a informação que já não passa sequer pelos jornais. Passa pelos algoritmos. Hoje, a maioria das pessoas não vai ao site de um jornal procurar notícias. Recebe-as no telemóvel, escolhidas por um algoritmo que não sabe o que é verdade, sabe o que gera reacção. O algoritmo não distingue jornalismo de propaganda. Não distingue factos de opinião. Não distingue informação de manipulação. Mostra-lhe o que o mantém mais tempo a olhar para o ecrã. E o que mantém as pessoas a olhar é, quase sempre, o que as assusta, o que as indigna ou o que confirma o que já acreditavam.
Há ainda outro fenómeno que merece atenção: a porta giratória entre a política e a Comunicação Social. Quantos antigos políticos, assessores e secretários de Estado passaram para direcções de comunicação de grandes empresas, para agências de lobbying ou para cargos na Comunicação Social? E quantos jornalistas foram para gabinetes ministeriais e voltaram como se nada fosse? Esta circulação cria uma rede de cumplicidades em que quem informa e quem é informado se confundem. O jornalista que amanhã quer ser assessor não vai incomodar hoje o ministro que lhe pode dar o lugar. E o antigo assessor que agora é comentador vai proteger quem o pôs onde está.
Em Portugal, temos a Entidade Reguladora para a Comunicação Social, a ERC. Deveria ser uma entidade reguladora da informação livre. Mas na prática, é um organismo que emite pareceres, publica relatórios e assiste a tudo sem poder real de intervenção. Quando a concentração da propriedade dos media ameaça a pluralidade, a ERC opina. Quando um órgão de comunicação viola regras deontológicas, a ERC lamenta. Quando os interesses económicos dos donos contaminam a informação, a ERC analisa. E o cidadão continua a ser tratado como espectador de uma peça de teatro onde o guião já foi escrito.
A Constituição garante a liberdade de imprensa. Artigo 38.º. Garante que o Estado não pode censurar. A censura moderna não vem do Estado. Vem do mercado. Vem de quem é dono. Vem de quem paga. Vem de quem decide o que é notícia e o que não é.
A censura de hoje não proíbe. Ignora. Não apaga. Abafa. Não prende jornalistas. Despede-os.
O cidadão que quer ser informado em Portugal tem de fazer um esforço activo. Tem de ler várias fontes. Tem de comparar versões. Tem de procurar quem escreve e para quem. Tem de perceber que a notícia que lhe aparece no telemóvel não é um acto de serviço público, é um produto. E como todo o produto, serve quem o produz, não quem o consome.
A pergunta que fica é simples: num país onde meia dúzia de empresários controla quase toda a informação, onde as redacções vivem de publicidade e comunicados, onde o medo é modelo de negócio e onde questionar tudo isto dá direito ao rótulo de teórico da conspiração, pode dizer-se que existe liberdade de informação?
A resposta, essa, nunca vai passar no telejornal. Tal como as verdades que não servem os interesses de quem o paga."

Que tem a dizer acerca do dossiê Bioadvance?

Carlos Beja, via Diário as Beiras: "O mais certo é a culpa morrer solteira"
«No início deste século, se a memória me não falha, e naquele mesmo espaço, foi instalado um terminal de asfaltos líquidos. E foi assim que tudo começou… Apoiado como Projecto de Interesse Nacional pela AICEP, receptor de Fundos Comunitários, viabilizado pela CCDRC licenciado pela Administração Portuária, a Bioadvance instalou-se. 
Todos reconhecemos a necessidade de reciclar. Mas naquela localização nunca! Tarde e a más horas começou a desenrolar-se o novelo. Agora a APA já se demarca! A CCDRC já mudou de opinião! A AICEP já retirou o PIN! 
 A Administração Portuária assobia para o lado num silêncio ensurdecedor! Afinal o grande responsável era o Município que, como sabemos, não tem a ver com o licenciamento de áreas portuárias. Não tem mas devia ter. 
É inadmissível que as Administrações Portuárias sejam estados dentro do Estado. Que ponham e disponham do espaço público sem consultar e colher o aval dos eleitos pelo povo. Povo que não elegeu as Administrações Portuárias, as CCDR’s, a APA ou a AICEP. 
Tivessem os diversos poderes em causa consultado e obtido o aval prévio do Município e, naturalmente, não teríamos este problema para resolver. Tivesse o Porto da Figueira da Foz uma Administração exclusiva, permanentemente articulada com o Município e certamente não teríamos esta situação deplorável. 
E agora? Agora, é tempo de desmantelar e pedir responsabilidades a quem, levianamente, foi cúmplice desta situação. O mais certo é a culpa morrer solteira como é habitual com uma rara e honrosa excepção protagonizada pelo saudoso Jorge Coelho.»

terça-feira, 27 de outubro de 2026

Cenas do quotidiano de um "tio de Cascais ou da Foz"... (crónicas de 1 a 30)


Crónica nº 1: a vida

Crónica nº. 2: a festa do futebol

Crónica nº. 3: lucidez

Crónica nº. 5: saudade

Crónica nº. 6: teimosia

Crónica nº. 7: Cantanhede

Crónica nº. 8: “Dá Deus nozes a quem não tem dentes”

Crónica nº. 9: razão!

Crónica nº. 10: ... um "tio" privilegiado

Crónica nº. 11: despromoção

Crónica nº. 12: "maldizente"

Crónica nº. 13: rigor

Crónica nº. 14: tempo

Crónica nº. 15: Gente do Mar…

Crónica nº. 16: Provedor

Crónica nº. 17: Liberdade Individual

Crónica nº. 18: um ano

Crónica nº. 19: Passos

Crónica nº. 20: estes "autarcas comunistas"...

Crónica nº. 22: "caridadezinha"

Crónica nº. 23: cultura falida (a minha, não a da Figueira)...

Crónica nº. 24: OUTRA MARGEM

Crónica nº. 25: desculpem qualquer coisinha.

Crónica nº. 26: a malta andava desalentada...

Crónica nº. 27: a folha em branco

Crónica nº. 28: "ilegalidades"

Crónica nº. 29: mais do mesmo - como é difícil ser Sportinguista!..

Crónica nº. 30: Pacheco Pereira

Flávio Bolsonaro fugiu

Aliados de Flávio Bolsonaro dizem que ele fugiu do Brasil para a Flórida

"Governo norte-americano terá participado ativamente no plano de fuga do senador. Administração Trump prepara-se para conceder asilo ao político que foi derrotado na eleição presidencial no domingo".

A grandeza do Brasil

"Foi uma grande vitória de Lula e uma grande derrota de Bolsonaro. E é por esta grandeza – e a grandeza maior – que nos devemos ficar." Via Jornal Público
«Fico sempre comovido quando vejo eleições em países muito grandes, como a Îndia e o Brasil. Só se veem problemas, dificuldades e diferenças gigantescas - nenhuma das quais parece ter solução - e, no entanto, todos aqueles eleitores aceitaram e conseguiram transformar todas as opiniões que têm sobre os males da Índia e do Brasil num único voto. 
Ganhar é fácil, mas como é que as vastas multidões que perderam aceitam seguir a decisão dos adversários, só por ser numericamente superior? 
É nessa aceitação - que é uma recusa do reflexo totalitário de tomar o poder pela violência, para vingar a derrota nas urnas - que estão a beleza e a eficácia da democracia. 
É o tamanho destes países, e os problemas colossais que têm, que devem dar alento aos países mais pequenos: o voto é mesmo a melhor maneira de influenciar a maneira como o nosso país é governado. Vale mesmo a pena investir tudo nas escolhas eleitorais. 
O voto é cada vez mais decisivo. Foram tantas pessoas a votar em Lula ou Bolsonaro - cada uma capaz de estar uma semana inteira a falar do que está mal no Brasil e do que se deveria fazer quanto antes - que o "chororô de Flávio" parece ser mais uma imitação de Trump. 
Se calhar, lembra-se do mau perder e da fita de Trump quando perdeu contra Biden e acha que esse mau perder e essa fita depois contribuíram para a eleição posterior de Trump. Só não sei se isto revela mais falta de respeito pela democracia brasileira ou pela americana. 
A democracia tem muitos inimigos e está sempre em perigo. Cada eleição, seja qual for o resultado, já é uma vitória. É uma vitória contra as multidões imensas - onde nem todos são poderosos - que acham que é uma aberração que o destino de um país dependa da acumulação e da contagem das opiniões de toda a gente, seja ignorante, maldosa, estúpida, comprada ou frívola. 
Foi uma grande vitória de Lula e uma grande derrota de Bolsonaro.
E é por esta grandeza - e a grandeza maior - que nos devemos ficar.»

"Muro da vergonha" vai ser derrubado para repor rampa da APPACDM

 Via Diário as Beiras (para ler melhor clicar na imagem)

Santana Lopes, um ano depois do seu terceiro mandato (segundo seguido) como presidente de câmara da Figueira da Foz: balanço

Fez ontem um ano que este executivo iniciou o segundo mandato seguido. 
É natural que apareçam balanços sobre estes 365 dias. 
Ricardo Silva, até ao momento, está igual a si próprio: a gerir o silêncio. 
Fico a aguardar os balanços da oposição: PS e Chega.
E outros...
Para já, fica o balanço OUTRA MARGEM a estes 365 dias deste segundo mandato seguido de Santana Lopes como presidente de câmara da Figueira da Foz. 
Pouco difere do balançao feito por Santana Lopes, Olga Brás, Cláudia Rocha, Manuel Domingues e João Martins. 
Ricardo Silva, até ao momento, continua igual a si próprio: a gerir o silêncio. 

Polícias e militares da GNR vão manifestar-se esta quinta-feira por melhores salários e condições de trabalho - sem esquecer a habitação

Noutro momento de contestação, dormiram ao relento e em tendas à porta da Assembleia da República. Desta vez, não deverá haver acampada.

Via SICN

«Os polícias estão a preparar uma manifestação para esta quinta-feira, em Lisboa, para exigir melhores condições de trabalho e salários. Os sindicatos alertam também para o impacto dos preços da habitação na capacidade de atrair profissionais para as forças de segurança.~

O protesto será o culminar de vários momentos de contestação que decorreram ao longo do ano. Agentes da PSP e militares da GNR voltam a exigir o cumprimento do acordo assinado com o Governo em 2024.

O acordo contemplava o aumento do subsídio de risco e a negociação de outras reivindicações, nomeadamente a reestruturação de suplementos e das tabelas remuneratórias.

"Em 2024, acertou-se o valor do subsídio de risco, mas todas as outras variáveis ficaram por cumprir. Andamos em negociações há muito tempo e com muita paciência, mas o Governo não está a tratar esta matéria com o que era expectável da parte dos polícias", afirma Paulo Santos, da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia.

Organizada pela Associação Sindical dos Profissionais da Polícia e pela Associação de Profissionais da Guarda, a manifestação começa ao fim do dia, no Largo de Camões, em Lisboa, e seguirá até à residência oficial do primeiro-ministro.

As estruturas sindicais alertam que a crise na habitação também afeta as forças de segurança, sobretudo os profissionais em início de carreira.

"Uma das questões que onera os polícias é a habitação. Quem está a par dos valores praticados em Lisboa ou zonas limítrofes sabe bem que essa fatia é muito relevante para um polícia em início de carreira", sublinha Paulo Santos.

As dificuldades financeiras tornam a carreira menos atrativa. Segundo as associações sindicais, os concursos de recrutamento de polícias ficaram, nos últimos quatro anos, abaixo do necessário.

Paulo Santos aponta também para a perceção de insegurança sentida por autarcas e empresários, que associa à falta de efetivos nas ruas.

"Temos muitos autarcas e empresários com um grau de insatisfação e perceção de insegurança bastante considerável. Isto, para nós, é falta de polícias na rua", afirma.

É neste contexto que a manifestação desta quinta-feira tem como lema "Um Portugal seguro para todos".

A contestação dos profissionais das forças de segurança tem ficado marcada por várias iniciativas. Num dos últimos protestos, em 2024, os polícias cercaram o Capitólio durante o debate das legislativas entre Luís Montenegro e Pedro Nuno Santos.»

segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Está em causa o normal funcionamento da democracia

"Luís Neves já era um destroço, mas um destroço com o poder de mandar a polícia de choque para a rua pode rebentar com o regime. Está em causa o regular funcionamento das instituições democráticas." 

Crónica de Ana Sá Lopes. Para ler melhor, clicar na imagem.

A CARGA

"Em dez dias, a polícia de intervenção carregou três vezes sobre pessoas que acampavam pacificamente pelo direito à habitação. Esta página reúne tudo o que se passou, porque é que é ilegal, porque é que é imoral, e o que tu podes fazer."

A cabeça do ministro já está na bandeja?

Via Diário de Notícias
"A carga policial contra uma multidão de manifestantes foi uma prova de fragilidade do Governo e marca o princípio de uma crise com consequências imprevisíveis. Ver as imagens dos polícias, de viseira e bastão, a bater em miúdos provoca uma sensação de repugnância.
Não menorizo os avisos que não foram respeitados, as provocações ou a instrumentalização política por parte dos partidos à esquerda do PS, mas a resposta do Estado foi desproporcional e chocante.
A democracia não pode travar manifestações não-violentas com violência – quando tal acontece é por já estar em agonia ou por já não ser uma democracia. Existiam mil formas de tratar o assunto, algumas até musculadas, e todas eram melhores do que a ordem do ministro da Administração Interna com o beneplácito do primeiro-ministro. Mostrou cobardia quando desejava mostrar força – a cobardia de mostrar os dentes a jovens que reivindicavam sem violência por uma causa justa e a mediocridade de avançar com as agressões de madrugada, pela calada da noite, quando o país estava a dormir.
O que acontecerá a seguir é difícil de prever, mas a situação piorará antes de melhorar. As manifestações ganharão força e terão agora o dobro dos contestatários.
E o Presidente da República pedirá discretamente a cabeça de Luís Neves e clamará pela urgência de um plano de ataque ao problema da habitação.
Se tal não acontecer o PS não poderá aprovar o Orçamento de Estado, julgo que José Luís Carneiro estará ciente disso."