"Trump, o senhor da guerra, que decide os destinos do mundo, com o pensamento, a formação política e o estofo moral que se conhece, agora é também o Divino Espírito Santo, pois a ele, revelou, deve Leão XIV a sua eleição como Papa.
Trump é quem mais ordena − Nunca pensei, como cidadão comum, ver/viver em minha vida coisas como as que estou a ver/viver hoje. O que tenho a certeza acontece com muito mais gente de variadas gerações. E não estou a referir-me, infelizmente, aos enormes progressos científicos e técnicos, mesmo sociais e comportamentais, verificados em diversos domínios. Eles têm existido, mas estão hoje longe de assumir a dimensão das desgraças, das violações dos Direitos Humanos e de valores essenciais de um mundo livre e civilizado.
...em Portugal, tem sido o nosso “Trump caseiro” a fazer-nos ver/ viver o inimaginável. São inúmeros os exemplos disso, mas agora fico-me pelo do seu − de André Ventura −, discurso no Parlamento, na comemoração dos 50 anos da Constituição da República. De facto, como seria “imaginável”, há meia dúzia de anos, que alguém, para mais deputado, e ainda por cima “duce” de uma bancada parlamentar com 60 cadeiras, 52 anos depois de uma revolução que derrubou uma cruel e decrépita ditadura; uma revolução em todo o mundo conhecida como “dos cravos”, por não ter havido outra tão pacífica e sem derramamento de sangue (os três mortos no dia 25 de Abril foram os últimos assassinados pela PIDE); uma revolução com todos os seus princípios democráticos e humanistas institucionalizados na Constituição que se celebrava − fosse classificada por Ventura como “uma revolução miserável”?... Como seria “imaginável” que alguém, mesmo o mesmo Ventura que tem feito da mentira, da difamação, da propagação do ódio, seu instrumento constante, levasse o seu despudor ao ponto de afirmar ter havido mais presos políticos depois do que antes do 25 de Abril? (o imediatamente antes e depois pressupõe uma “falsa comparação”, porque o depois abrange os que durante 48 anos cometeram crimes impunes, mormente na polícia política)."












