domingo, 26 de abril de 2026

Trump, Ventura, tempo de suceder o inimaginável

José Carlos de Vasconcelos

"Trump, o senhor da guerra, que decide os destinos do mundo, com o pensamento, a formação política e o estofo moral que se conhece, agora é também o Divino Espírito Santo, pois a ele, revelou, deve Leão XIV a sua eleição como Papa.

Trump é quem mais ordena − Nunca pensei, como cidadão comum, ver/viver em minha vida coisas como as que estou a ver/viver hoje. O que tenho a certeza acontece com muito mais gente de variadas gerações. E não estou a referir-me, infelizmente, aos enormes progressos científicos e técnicos, mesmo sociais e comportamentais, verificados em diversos domínios. Eles têm existido, mas estão hoje longe de assumir a dimensão das desgraças, das violações dos Direitos Humanos e de valores essenciais de um mundo livre e civilizado.

...em Portugal, tem sido o nosso “Trump caseiro” a fazer-nos ver/ viver o inimaginável. São inúmeros os exemplos disso, mas agora fico-me pelo do seu − de André Ventura −, discurso no Parlamento, na comemoração dos 50 anos da Constituição da República. De facto, como seria “imaginável”, há meia dúzia de anos, que alguém, para mais deputado, e ainda por cima “duce” de uma bancada parlamentar com 60 cadeiras, 52 anos depois de uma revolução que derrubou uma cruel e decrépita ditadura; uma revolução em todo o mundo conhecida como “dos cravos”, por não ter havido outra tão pacífica e sem derramamento de sangue (os três mortos no dia 25 de Abril foram os últimos assassinados pela PIDE); uma revolução com todos os seus princípios democráticos e humanistas institucionalizados na Constituição que se celebrava − fosse classificada por Ventura como “uma revolução miserável”?... Como seria “imaginável” que alguém, mesmo o mesmo Ventura que tem feito da mentira, da difamação, da propagação do ódio, seu instrumento constante, levasse o seu despudor ao ponto de afirmar ter havido mais presos políticos depois do que antes do 25 de Abril? (o imediatamente antes e depois pressupõe uma “falsa comparação”, porque o depois abrange os que durante 48 anos cometeram crimes impunes, mormente na polícia política)."

LEITÃO AMARO O SUPERMINISTRO DA COMUNICAÇÃO

Trecho de um trabalho da jornalista Margarida Davim publicada na Revista Visão, que merece ser lido com atenção.

«É um dos principais estrategas políticos do Governo, tem poder de veto sobre agendas públicas e entrevistas de ministros e vai ter acesso a uma ferramenta digital para saber o que pensam os portugueses nas redes sociais. Mas tem guerras duras e dossiers que queimam na RTP, na Lusa e na distribuição de jornais e revistas.

“Leitão Amaro tem um poder enorme. O primeiro-ministro ouve-o mais do que a Hugo Soares”, garante uma fonte do Governo, explicando que não há saída pública, conferência de imprensa ou entrevista de um ministro que não seja antes validada pelo ministro da Presidência. Este poder tem mesmo relegado para segundo plano o responsável pela Comunicação do Governo, Pedro Esteves, cada vez mais entregue apenas à gestão da comunicação de Luís Montenegro e menos à coordenação política, que é agora acertada todas as semanas numa reunião conjunta dos assessores do Governo com a equipa de António Leitão Amaro. Conta quem está no Executivo que esse poder de Leitão Amaro foi crescendo ao longo do tempo, tendo começado a ser mais visível no auge da crise desencadeada pelo caso Spinumviva, que levaria à queda do primeiro governo de Luís Montenegro.

A forma como Luís Montenegro ouve Leitão Amaro dá-lhe poder, mas, segundo fontes do Executivo, também cria “alguma rivalidade” com Hugo Soares, o líder da bancada parlamentar social-democrata, secretário-geral do PSD e há muito visto como o verdadeiro braço-direito de Montenegro.

Tanto, que é Leitão Amaro quem decide que ministros devem ou não falar em momentos críticos e, conta-se no Campus XXI (a sede do Governo), que já chegou a cancelar uma entrevista que o ministro da Agricultura tinha marcada por entender que não era o momento para José Manuel Fernandes falar.»

Crigado vai ser encerrada

Via Vereador João Martins.

Vale a pena lutar.

Da série, há piadas que se fazem sozinhas...

O Chega saiu do armário. Ou como a ignorância os torna ridículos

Ontem, "nas comemorações do 25 de Abril, na Assembleia da República, os deputados do CHEGA entenderam substituir o cravo vermelho pelo cravo verde, porque a política portuguesa, não contente com assassinar ideias todos os dias, resolveu também pedir serviços ocasionais à jardinagem.
O cravo verde ficou associado a Óscar Wilde e à identidade homossexual masculina, funcionando como sinal discreto, irónico e codificado num tempo em que a homossexualidade podia destruir uma vida, uma carreira e um nome. Ou seja, no dia em que o CHEGA quis recusar o cravo vermelho, símbolo da Revolução de Abril, acabou a desfilar com uma flor historicamente ligada à dissidência sexual, ao dandismo, ao artifício e à cultura queer. Não estou a dizer que soubessem. Isso seria atribuir-lhes uma erudição que a prudência recomenda não presumir. Estou apenas a dizer que a ironia é perfeita: quiseram fazer uma provocação patriótica e acabaram a entrar, de cravo ao peito e solenidade no rosto, pela porta lateral de Óscar Wilde. Há símbolos que se vingam. Este vingou-se com uma elegância cruel."

Forte participação popular nas comemorações do 25 de Abril, essa "revolução miserável"

O 25 de Abril "está vivo" e celebrou-se de cravo erguido.
A empunhar cravos, pessoas de todas as idades encheram ruas e cidades.
As manifestações do 25 de Abril este ano foram grandiosas.
O cravo foi o protagonista na rua: em Lisboa, mas também no Porto, em Coimbra e em tantas cidades do nosso País.
E ainda em pequenas Aldeias com tradições democráticas: como em Brenha.
Em 2026, temos um novo ambiente político de crueldade e agressão, que crispa a sociedade portuguesa.
Recordando palavras de José Pacheco Pereira.
As pessoas comuns, "os dois terços de portugueses que não votaram Chega, têm uma cada vez maior preocupação com o período negro que atravessamos.
Quem lutou contra a ditadura antes do 25 de Abril lutou por Portugal.
André Ventura não luta contra a corrupção. O que ele faz é lutar contra a democracia.
Associar a corrupção à democracia é lutar contra a democracia.
Isso, é uma crueldade em relação às pessoas que vivem miseravelmente. Crueldade em relação à pobreza. Crueldade em relação aos imigrantes. 
O Chega é o mais anticristão dos partidos que conheço."
Foto Nuno Ferreira dos Santos, Jornal Público

Comparação e razão

António Barreto

"Apesar do digno comportamento de José Pacheco Pereira, a batalha das vítimas e das malfeitorias continua. As comparações propostas por André Ventura escondem mentira e manipulação, mas são eficazes. Sobretudo perante muitas gerações que não viveram as situações e os casos referidos. Poucas pessoas se lembram, a não ser por ouvir dizer, das prisões salazaristas, da tortura da PIDE, dos crimes da polícia política, da censura permanente, da vigilância e da coacção. Também poucas pessoas viveram a tragédia da descolonização, os saneamentos, as prisões sem mandato judicial, as expropriações ilegais, as ocupações arbitrárias e as violências revolucionárias de todo o tipo. Por isso, muitas vezes, é fácil e tem êxito a expressão desbragada de comparações, mesmo ou sobretudo das desajustadas. 
Não sei se André Ventura é mentiroso. Mas sei que tem jeito para a demagogia. Não se pode comparar dois anos de revolução com a esquerda ou a democracia. Como não faz sentido comparar dois anos de agitação com cinquenta de regime. Nem que se atribua à democracia o que aconteceu de negativo durante esse período. E também não é verdade que se esconda o que aconteceu durante os dois anos de revolução. 
Comparem-se cinquenta anos de democracia com outros tantos de ditadura salazarista. Todos os factos podem ser alinhados. Prisões, torturas, detenções, crimes, medidas de segurança”, censura, despedimentos e saneamentos, em poucas palavras, direitos fundamentais: faça-se a comparação entre períodos comparáveis. O resultado está aí. A superioridade da democracia é total. Nem três Salazares conseguiriam esconder a verdade, nem três Venturas seriam capazes de inventar factos. 
Comparem-se os dois anos de revolução, adequadamente designados por “processo revolucionário em curso”, com qualquer outro período de igual duração. As conclusões são evidentes: despedimentos, perseguições, saneamentos, expropriações, expulsões, violência prisional e tortura foram certamente em número superior e em gravidade maior do que quaisquer dois anos do período anterior, o marcelismo. O que só permite condenar a revolução, não a democracia. 
Pense-se na descolonização com o seu longo inventário de responsabilidades políticas e militares portuguesas, de desatenção aos portugueses abandonados e espoliados e de guerras civis que se seguiram nas colónias: políticos e militares dos últimos anos do Estado Novo, políticos e militares dos dois anos de revolução, sobretudo de esquerdas e de extrema-esquerda, são e foram responsáveis. A história já os culpou, a democracia também. Só a demagogia pode agora, para benefício próprio, tentar encontrar novos culpados. Não foi a democracia que fez a descolonização. Foi, isso sim, a revolução, com a ajuda da guerra colonial e do antigo regime. 
André Ventura sabe isto tudo. Mas a verdade interessa-lhe pouco. Gosta é dos seus efeitos pessoais e dos benefícios que pode recolher. Como sabe também que muitos dos tios ou avós do Chega pouco fizeram para dominar os revolucionários do PREC, antes tentaram o terrorismo e esforçaram-se por actos violentos iguais aos da extrema-esquerda. Foram os democratas, a democracia, as eleições e as instituições democráticas que derrotaram a extrema-esquerda, não foi a direita, muito menos a extrema-direita. Nunca se viram os antepassados do Chega, tanto nos anos 1960 como em 1975 e 1976, nas lutas pela liberdade e pela democracia. 
A melhor comparação faz-se em poucas palavras. A democracia deixa viver os amigos de Ventura e do Chega. Não é certo que os amigos de Ventura deixassem viver as esquerdas e os democratas. 
Não sei se André Ventura é ignorante e desonesto, nem sei se é irresponsável e provocador. Mas sei que não é estúpido nem democrata. As suas intervenções a propósito das malfeitorias da democracia, em comparação com as benfeitorias de Estado Novo salazarista, são risíveis, mas eficazes. O Chega de Ventura foi derrotado nas últimas legislativas, mas teve o talento de proclamar vitória. O Ventura do Chega foi derrotado nas últimas presidenciais, mas já fez com que esse exercício fosse transformado em etapa para a vitória.  
Mas a falta de sentido político e a tentação oportunista do PSD de Montenegro, assim como a inconsistência derrotada do PS ajudam o Chega, mostram uma estranha fraqueza da democracia e assustam! A democracia ainda tem meios políticos e legais para vencer o Chega e as suas tentativas antidemocráticas. Como ainda tem condições para afastar a extrema-direita e os seus esforços de restauração. Ainda. E ainda. Mas as suas possibilidades começam a diminuir. Ou antes, as ameaças aumentam. Se os democratas e as instituições nacionais e locais não conseguirem secar as fontes da demagogia, então podemos crer que os demagogos passarão. Como se faz isso? Dando o exemplo. Sendo honesto. Melhorando as vidas das pessoas. Fazendo justiça pronta. Cuidando da saúde pública. Dialogando sempre, a fim de conseguir maiorias de governo. Garantindo a estabilidade política. Trabalhando, em concertação, para a estabilidade social. Controlando melhor os movimentos de população, designadamente a imigração. Legalizando os trabalhadores estrangeiros, os que fogem ao fisco e os que aldrabam a segurança social. Lutando contra os empresários do trabalho ilegal. Nomeando professores a tempo e horas. Colocando médicos nos hospitais segundo as necessidades. Combatendo os crimes contra as mulheres e as crianças. 
Este é o catálogo. Longo. Complexo. Difícil. Por isso já deveriam ter começado, em vez de se dedicarem aos jogos florais das negociações ou ao simulacro do trabalho feito e do dever cumprido. Por isso também o diálogo sincero entre alguns partidos democráticos deveria estar adiantado, já próximo de acordos fundamentais. Podemos ter a certeza de que estes partidos não estão a destruir a democracia. Mas estão a deixar que a destruam. A presunção ardilosa do PSD e a superioridade fantasiosa do PS estão a fazer mal ao país e à democracia. Estão a deixar que os coveiros da liberdade se infiltrem nas instituições e se passeiem vistosamente pelas vielas da conspiração."

O próximo 25 de Abril

Miguel Esteves Cardoso

"A democracia é mais vulnerável do que qualquer ditadura, porque deixa que os potenciais ditadores conspirem à vontade – e em público, caso lhes apeteça.
Como temos a sorte de viver em democracia, não nos apetece celebrá-la, nem lembrar o difícil que foi consegui-la. Parece que existiu sempre. Parece que vai existir para sempre. Congratularmo-nos pela democracia parece-nos tão ridículo como congratularmo-nos por termos nascido. E, no entanto, estamos de parabéns. A democracia consegue-se diariamente. Tanto mais que nada nem ninguém nos garante que em 2027 tenhamos um 25 de Abril para celebrar."

Casa do Pintor (Mário Silva)

Via Diário as Beiras: "Na habitação do artista plástico, em Lavos, serão dinamizadas residências artísticas e outras actividades".


sábado, 25 de abril de 2026

20 anos de OUTRA MARGEM

25 de Abril de 2026.
Decorreram os anos e OUTRA MARGEM comemora hoje 20 de existência.
Na foto, António Agostinho com a idade do OUTRA MARGEM.
Aos 20 anos andava o autor deste espaço perdido de amores - grandes, intensos e (alguns) correspondidos.
Passados todos estes anos, porém, OUTRA MARGEM (tal como o autor), está em Paz, mas intranquilo, com a Aldeia, com a Figueira, com Portugal e com o Mundo.

Um e outro - o autor e o blog - vivem.
Sei que podemos ser acusados de ter causado desconforto a alguns.
Talvez, pela educação que recebemos... 
Contudo, duas décadas decorridas, tudo pesado, OUTRA MARGEM libertou-se da culpa e continua apaixonado.

Viver a paixão é sempre bom.
Mas, por aqui sempre existiu uma perspectiva mais ampla.
Quem se afastou, teve as razões deles.
E há gente que nunca mais quero reencontrar.

Todos estamos condicionados pela condição de finitos. 
Portanto, festejar o aniversário acaba por ser um acto de saudade. 
Mas também de esperança.

O tempo é algo precioso.
Para todos. Mesmo para aqueles que já têm menos tempo de vida do que aquele que viveram sem ter tido a percepção da finitude.
Como aprendemos com Paulo Portas, nada é irrevogável - a não  ser a morte.
E mesmo essa teve dias em que o não foi.

Resumindo: quase 32 500 postagens depois e quase 8 320 000 "clientes", muitos dos quais satisfeitos, continua a não haver na Figueira espaço mediático mais na moda, nem colaborador tão entusiasta, jovem e trabalhador na bloga concelhia.
Não há blogger mais insatisfeito, apesar da selecta e numerosa clientela que serve há duas dezenas de anos neste espaço.

Continuem a vir até aqui amigos, pouco amigos e outros.
São sempre bem-vindos.

sexta-feira, 24 de abril de 2026

Cuidemos da liberdade

Como dizia Bertolt Brecht: Quem luta pode perder. Quem não luta já perdeu.”

GDC comemora meio século com intranquilidade: “os sócios estão completamente alheados”

Via Diário as Beiras (para ler melhor clicar na imagem)


Reunião de câmara ontem suspensa continua no próximo dia 28

Ontem, com Santana Lopes ausente, a reunião da Câmara da Figueira da Foz foi suspensa para reorganizar agenda de trabalho. A vice-presidente da Câmara da Figueira da Foz, que presidiu à sessão, suspendeu a sessão, que será retomada no próximo dia 28, pelas 10H15. Em declarações aos jornalistas, Olga Brás esclareceu que tomou a decisão, com a concordância de todos, porque havia sido informada da ausência de Santana Lopes, “por motivos imponderáveis”, 10 minutos antes da reunião de câmara, não tendo tido tempo para poder analisar todos os assuntos da agenda. “Foi por uma questão de reorganização de agenda”, afirmou, da qual já haviam sido retirados vários pontos. “Há situações que requerem melhor ponderação”, frisou ainda a autarca da FAP.

Por sua vez, a vereação do PS pediu a retirada da ordem de trabalhos da reunião de câmara a apresentação e votação das contas da câmara do exercício de 2025, alegando que o executivo camarário não enviou o dossiê, com mil páginas, com a devida antecedência, de oito dias. Ultimamente, aliás, destacou o vereador João Paulo Rodrigues, “a documentação não tem chegado a horas para as reuniões de câmara”. A vice-presidente da Câmara da Figueira da Foz, Olga Brás (FAP), que, na ausência de Santana Lopes na sessão, assumiu funções presidenciais, atendeu à proposta do principal partido da oposição. Aquele assunto deverá ser debatido e votado no dia 28.

Imagem via Diário as Beiras.

Figueira, sempre, mas sempre, uma cidade maravilhosa

Recordo uma postagem de 6 de Maio de 2019: Figueira, cidade maravilhosa.
Teotónio Cavaco, no Diário as Beiras:
"... nesta coluna prometo solenemente nunca mais ofender as virgens impolutas do discurso oficial e único nem os arautos da verdade absoluta, juro pela minha honra jamais me enfurecer face às ressuscitadas promessas de piscinas cobertas, de parques verdes da cidade, de viagens de uma só pessoa por mês que custam milhares aos contribuintes, de árvores mal podadas ou cortadas porque estavam doentes e eram terrivelmente perigosas, de obras desgraçadas em Buarcos!... A partir de hoje só vou escrever o que o Gabinete da Presidência da Câmara da Figueira me mandar!"
Nota de rodapé.
É maravilhoso viver numa cidade onde quem ousa tem liberdade para dizer tudo o que apetece. 
Contudo, para os poucos que ousam dizer tudo o que apetece, viver numa cidade como a Figueira deixa de ser maravilhoso, pois as pessoas melindram-se facilmente quando dizemos tudo o que apetece. 
Seria maravilhoso viver numa cidade onde ter liberdade significasse respeito pela opinião, por mais diferente que seja. 
Mas, não acontece assim. Por mim, acho bem que haja liberdade para discordarem da minha opinião. Todavia, lamento que fiquem aborrecidos pessoalmente comigo por ousar exercer a liberdade de opinião,  numa cidade maravilhosa como a Figueira. 
Por uma razão muito simples: viver numa cidade, por mais maravilhosa que seja, onde o melindre é uma falta de liberdade tramada, é uma chatice do caraças. 
Para quem se melindra, porém, deve ser maravilhoso viver numa cidade livre por o poder fazer. 
No fundo, na Figueira, uma cidade maravilhosa, é chato ousar ter a liberdade de dizer tudo o que apetece. 
Viver na Figueira é maravilhoso. Contudo, é lixado querer ter uma vida maravilhosa. Isto é: ousar ter a ousadia de ter a liberdade para dizer o que apetece.
A Figueira é uma cidade maravilhosa, mas chata para quem ousa...

Decorridos quase 7 anos o que mudou na polis?
Sublinhado isto, viajemos até 24 de Abril de 2026.
Na Lousão 25 de Abril é comemorado com um programa alargado de celebração da Liberdade. O Teatro Municipal da Lousã recebe hoje, a partir das 21H30, um concerto de Ricardo Ribeiro. Durante o espetáculo, o fadista vai interpretar temas da autoria de Zeca Afonso, num momento que celebra a liberdade. Esta actuação faz parte da programação do município no ambito das comemorações de 25 de Abril.
Na Pampilhosa da Serra, o Município promove a valorização da memória coletiva e a promoção de uma cidadania activa e assinala 25 de Abril com exposição e espectáculo de teatro. O Auditório Municipal do Edifício Monsenhor Nunes Pereira,  é hoje palco da peça “Irmãos de Abril”. Trata-se de um espectáculo produzido pelo Coletivo à Solta, que relembra os espetadores que a história também se faz de vozes que ousaram falar… e de corações que nunca desistiram. A partir das 21H00, esta apresentação insere-se no âmbito das comemorações do 25 de Abril e do ciclo de Teatro Mise en Scène.

Na Figueira da Foz, cidade maravilhosa, de carnaval em Abril, mas também de grandes tradições democráticas e de Manuel Fernandes Tomás, "O Patriarca da Liberdade" e da consciência cívica que, pelos vistos ficou perdida no tempo,  as Comemorações do 25 de Abril de 2026 promovidas pela autarquia ficaram reduzidas a isto.

Para ver o programa clicar aqui.

Comemorações do 25 Abril na Freguesia de Brenha: festejar é também dar a conhecer a memória do que mudou sem esquecer o quanto foi negra, sombria e tenebrosa a ditadura

 Para ver melhor clicar na imagem

"O 25 de Abril de 1974 foi uma revolução, que revolveu os alicerces do Estado e os ergueu em novas bases - de liberdade, de igualdade, de justiça social e democracia."
O resto é a deturpação do que realmente aconteceu há 52 anos. Celebrar o 52.º aniversário do 25 de Abril é sublinhar o "inestimável património de transformações económicas, sociais, culturais e políticas que o materializam" e prestar homenagem "a todos os resistentes antifascistas e aos militares de Abril que abriram as portas da liberdade".

quinta-feira, 23 de abril de 2026

A urgência da memória

«A batalha pela preservação da memória do 25 de Abril não é um sintoma de saudosismo, mas sim um plano para salvaguardar o futuro»


José Luís Tinoco (1932-2026), músico e pintor, arquitecto, autodidacta genial

Só hoje tive conhecimento que morreu aos 93 anos José Luís Tinoco, compositor, arquitecto e artista plástico de obra marcante na cultura portuguesa. 
Autor e letrista de «Madrugada», tema vencedor do Festival da Canção de 1975, destacou-se também com canções como «Um Homem na Cidade» e «O Amarelo da Carris», interpretadas por Carlos do Carmo. 
Músico ligado ao jazz, integrou a Orquestra Académica de Coimbra e o Hot Clube de Portugal, tendo fundado o grupo Saga e editado o álbum «Homo-Sapiens». Paralelamente, afirmou-se na arquitectura modernista e nas artes plásticas, com diversas exposições. 
Em 2015, recebeu o Prémio de Consagração de Carreira da Sociedade Portuguesa de Autores. 

Com Santana Lopes ausente, reunião da Câmara da Figueira da Foz foi suspensa para reorganizar agenda de trabalho

 Via Diário de Coimbra

"Antes da suspensão, a vice-presidente Olga Brás já tinha aceitado adiar a discussão e votação do relatório de contas de 2025 devido à entrega fora de prazo dos documentos aos vereadores da oposição.

A autarquia da Figueira da Foz suspendeu hoje a sessão de Câmara - na qual esteve ausente o presidente Santana Lopes - para reorganização da agenda de trabalho, após vários pontos terem sido retirados.

Antes da suspensão da reunião, que terá continuidade na próxima terça-feira, a vice-presidente Olga Brás, que conduziu a sessão, já tinha aceitado adiar a discussão e votação do relatório de contas de 2025 devido à entrega fora de prazo dos documentos aos vereadores da oposição.

“Propomos o adiamento da discussão das contas porque não tivemos condições para analisar o relatório, um documento com cerca de mil páginas que nos foi distribuído há quatro ou cinco dias quando deve ser com oito dias de antecedência”, alegou o vereador socialista João Paulo Rodrigues.

Posteriormente, e depois de justificar o envio tardio dos documentos com a “grande” pressão de trabalho e falta de recursos humanos no setor da contabilidade, a vice-presidente procedeu à retirada de mais sete pontos da ordem de trabalhos e suspendeu a reunião, justificando a decisão com a necessidade de “reorganizar a agenda”.

No final, em declarações aos jornalistas, Olga Brás disse que alguns pontos foram retirados “para melhor ponderação” e que “não se sentia confortável em continuar a reunião sem estar totalmente informada”

Executivo camarário visitou os trabalhos de requalificação da Escola Secundária Bernardino Machado

 Foto DB – Jot’Alves


«Neste momento, o Município da Figueira da Foz tem obras em curso financiadas pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) no valor de 50 milhões de euros. Só a requalificação da Escola Secundária Bernardino Machado custa 10 milhões, incluindo um milhão adiantado pela câmara municipal. “São obras complexas e não fáceis”, frisou o presidente da Câmara da Figueira da Foz, Santana Lopes, na visita do executivo camarário realizada ontem aos trabalhos de requalificação do estabelecimento de ensino. “A Escola Bernardino Machado nunca teve obras. [Como estava], não tinha condições de segurança nem de estabilidade para os alunos. Esta escola tem sido a oficina da nossa motivação”, afirmou a vereadora da Educação, Olga Brás, falando na visita que o executivo camarário e técnicos superiores da Câmara da Figueira da Foz realizaram ontem à escola, em obras. Por seu lado, o vereador das Obras Municipais, Ricardo Silva, afirmou que a escola “precisava de obras há mais de 30 anos”. A empreitada que está a renovar a primeira escola secundária da Figueira da Foz tem mais alguns meses pela frente.»