Isso, por si só, era complicado.
Tudo se agrava, quando esse ministro é um cadáver político a tentar fazer prova de vida política, a qualquer custo.
Além de grave, é penoso e, sobretudo, perigoso.
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«Numa investigação recente (publicada em livro, A Recaída), Philipp Ruch chega à conclusão de que a ascensão vertiginosa do Partido Nazi, nas eleições de Setembro de 1930, não se deveu a factores económicos ou ideológicos, ao carisma de Hitler ou à propaganda de Goebbels, nem à corrupção dos partidos democráticos, mas sim à incitação permanente à violência política, com a promessa da execução fisica dos opositores. Incitação que atraiu irresistivelmente os alemães.
Da mesma maneira, é sem dúvida a violência desmedida da oratória política dos populistas que hoje explica o seu rápido sucesso e o seu alastramento planetário. Com uma diferença: enquanto o nazismo e o fascismo escondiam a crueldade e os crimes, a extrema-direita actual escancara-os e faz disso uma pedagogia do terror. Quando Peter Hegseth, o secretário da Defesa americano, ordena a transmissão em directo de uma execução por fuzilamento, ou quando Trump ameaça, com grande ostentação, varrer a civilização iraniana da face da Terra, a publicitação gloriosa do crime contribui para a normalização da violência. André Ventura é aplaudido quando clama pela prisão imediata do primeiro-ministro espanhol. Não se trata da "banalização do mal", mas da elevação da excepção e da crueldade ao estatuto de normas - vamos agora viver fora da lei como heróis, a assaltar o Capitólio, a invadir a Gronelândia, a tirar um ditador da cama, raptá-lo pelos ares e metê-lo na cadeia.
A violência contagia como uma epidemia. Ao mesmo tempo que sidera, a expressão sem freios da energia transmite a afirmação de si, a certeza, a determinação, veiculando os piores clichés do machismo e da superioridade viril; mas traz também uma aura de transcendência quase divina. Só um deus se atreve a quebrar as leis humanas indo além dos seus limites sem pestanejar. Por isso, os tiranos mais cruéis provocam tantas vezes um fascínio irresistível aterrorizadas, as multidões adulam-nos.
Além de arrebatar, capturar e suscitar na vítima o desejo de a espelhar, a violência tem a propriedade de regressar ao emissor em feedback ampliado. O exercício da violência não só acorda nos corpos atingidos uma energia adormecida, mas é reenviada de volta com uma força acrescida. Produz mais violência, nos outros e em si próprio. Num clima de impunidade política, a brutalidade do crime requer mais crime ainda mais brutal. O ciclo só pára com a morte do violador. Assim foi, nos campos de extermínio e nos gulags.
Actualmente, na Europa e no mundo, a violência dos movimentos populistas, no poder ou na oposição, é ainda atenuada pela força da ideia de democracia. Mas se, proximamente, a extrema-direita ganhar as eleições em França, em Espanha, na Polónia e em Itália, instalar-se-ão em todos os países europeus regimes claramente autocráticos. As tendências já manifestas para o exercício desmedido da força expandir-se-ão livremente: a moderação de Meloni ou de Le Pen mostrará o seu verdadeiro rosto, a vertente autoritária agudizar-se-á. Que esperar do Chega no poder, quando o seu líder pratica uma demagogia desbocada, oS seus deputados assediam grosseiramente (e com violência) as deputadas de esquerda no Parlamento, quando a sua política defendia a restauração da pena de morte, a guetização da comunidade cigana, e preconiza a castração química dos pedófilos?
A violência não é a força porque a força pode apenas canalizar a livre expressão da vida. Pelo contrário, a violência só surge para esmagar ou destruir o outro na sua integridade vital. Há sempre, no fascínio pela violência, o secreto desejo de matar. É o que a defesa, necessariamente vigorosa da democracia, tão ameaçada agora, não pode esquecer na luta contra a ambição do poder da extrema-direita.»
«Este mundo é essencialmente antidemocrático, conflitual, com exclusão do "outro", e legitimador da violência. Os direitos constitucionais da greve, da manifestação não valem nada. E, mesmo quando há violação da lei por parte dos manifestantes, há uma completa duplicidade em relação às violações da lei, por exemplo, por parte do Chega. O que provocaria uma fúria nestes comentadores se o que fez Rita Matias ilegalmente em Coimbra, invadindo uma estação de rádio, fosse feito por um "esquerdalho", ou se se vier a concluir que о "alegado" assalto ao gabinete de Ventura fosse mesmo "alegado"? Este mundo é pobre, ignorante, agressivo, violento e muitas vezes cruel. É um mundo antipatriótico, anticristão, mas encontra pouca resposta numa denúncia clara do que ele significa. É só esperar algum tempo para percebermos a metáfora do "ovo da serpente".»
Via Diário as Beiras: "Município da Figueira da Foz adjudicou, a duas empresas, a construção das novas unidades de saúde familiar no Bom Sucesso e em Paião. Investimento supera os 3,2 milhões de euros".
Via Jornal de Notícias