quarta-feira, 21 de outubro de 2026
"Isto de estar vivo ainda um dia acaba mal" *
* (Esta frase é de Manuel da Fonseca e define de maneira muito clara uma inevitabilidade)
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| Foto: daqui |
Carlos Monteiro - Figueira, mais qualidade de vida
Há várias questões relacionadas com a APA — Agência Portuguesa do Ambiente — que se arrastam há anos no nosso concelho. Entre elas, destacam-se a substituição das comportas da Maria da Mata, no Vale do Pranto, a questão do domínio público no Cabo Mondego e o desabamento do muro de proteção em frente ao antigo Restaurante Teimoso.
Comecemos por esta última situação que, embora talvez não seja a que maiores prejuízos tem causado aos figueirenses, é, até ao momento, a única que mereceu um cartaz da Câmara Municipal a responsabilizar a APA."
Como dizia alguém: "isto acaba mal para toda a gente. E é incrível como a maioria das pessoas passa a vida sem olhar para a morte".
Concorda com a solução para o multiusos?
"Considero que a resposta a esta questão não é apenas um sim ou não.
Antes de tudo convém dizer que, se não há o dinheiro suficiente e uma “obra” desta envergadura implicar endividamento com risco de condicionar outro tipo de necessidades do Concelho, temos que admitir que é uma solução apropriada e revela boa gestão, é avisado não a realizar.
Haverá, por certo, em alternativa, outras obras com um custo de oportunidade mais adequado. Assim, não pôr todos os ovos no mesmo cesto, porque inviabiliza outras infraestruturas, parece o mais sensato.
Quanto ao resto, o que foi chamado de “desmultiplicação do multiusos”, já me parece que deve ser avaliado em termos de ganhos efetivos por afirmação de infraestruturas que não existem – uma piscina olímpica ou um espaço para a feira de atividades económicas (que pode albergar outras valências) – e que aportam externalidades vantajosas para a oferta da cidade, importa pois avaliar a pertinência de outras infraestruturas, como é um centro de congressos, que poderá ter custos altos de gestão e manutenção e conflituar com outra instalação de grande qualidade (CAE), que existe na cidade e que se apresenta como multifacetada, podendo quiçá aportar valor para a atividade de eventos e congressos.
Se a decisão encontrada, como parece, tem a preocupação da utilização de recursos financeiros com eficácia e eficiência, juntando-lhe a capacidade de gerar valor económico e de qualidade de vida, há que lhe reconhecer assertividade.
Contudo tenho dúvidas no que respeita à solução apresentada para os terrenos da Salmanha – porventura por falta de informação."
Campus universitário
Via Diário as Beiras
«A convicção do presidente da Câmara da Figueira da Foz e do reitor da Universidade de Coimbra é a de que, seja quem for o sucessor de Amílcar Falcão, o desenvolvimento do campus universitário não deverá ser afetado. “Não receio nada. Estou absolutamente convencido de que, seja qual for a escolha, qualquer um deles lidará muito bem com esta realidade irreversível. Este projeto é extraordinário. Não tenho nenhum receio”, afirmou ontem Santana Lopes, em declarações aos jornalistas, no final da sessão de abertura da feira de inovação, tecnologia e mar.»
Por sua vez, «o reitor da UC, ressalvando que “os momentos e os tempos são os que são, há sempre alterações”, disse que quer acreditar que quem o suceder “terá o bom senso de perceber que o Campus da UC na Figueira da Foz é uma ferramenta extraordinária para as próximas décadas da UC, especialmente para o seu trabalho na área da economia azul”.
A atividade do campus universitário inclui duas licenciaturas, cinco mestrados e centros de investigação dedicados ao mar e à economia azul.»
Contrariando Luís Neves...
Isso, por si só, era complicado.
Tudo se agrava, quando esse ministro é um cadáver político a tentar fazer prova de vida política, a qualquer custo.
Além de grave, é penoso e, sobretudo, perigoso.
terça-feira, 20 de outubro de 2026
Eleições autárquicas alteraram constituição da estrutura intermunicipal
Via Diário as Beiras (para ler melhor clicar na imagem)
Concorda com a solução para o multiusos?
"Coerentemente com o que sempre escrevi, baseado também na minha experiência profissional, discordo:
1. Centro de congressos e hotel: pode ser uma opção, mas nada obsta que este seja um espaço multidisciplinar, sem acréscimo de custos. Hoje, é tecnicamente possível fazer coexistir no mesmo espaço polivalente congressos, feiras, exposições e eventos desportivos, com a vantagem de todas as infraestruturas de apoio ligadas à restauração e afins ficarem confinadas ao hotel.
2. Pavilhão de exposições em Seiça: ideia interessante a amadurecer como âncora para um conjunto de eventos de carácter diversificado, onde feiras de vários tipos, culturais, gastronómicas, agrícolas, possam ter lugar também no terreiro adjacente, tendo o Mosteiro e o pavilhão como elementos de suporte.
3. Piscina Olímpica: integrada na rede de alto rendimento, que agregue piscina coberta e aquecida, ginásio, salas de apoio e alojamento para os atletas. Parece-me óbvio que esta integração nos centros de alto rendimento facilitará o acesso a financiamentos nacionais e/ou europeus.
4. O apoio ao Pavilhão Galamba Marques, bem como a gestão da Piscina Olímpica a cargo do Ginásio Clube Figueirense, parecem-me incontestáveis. Nesta perspetiva, não teríamos desdobramento do pavilhão multiusos. O espaço multidisciplinar ficaria integrado no hotel, de iniciativa privada, como em tantas cidades do mundo, o pavilhão de Seiça seria o princípio de uma âncora para atividades económicas de pequena/média dimensão, e Piscina Olímpica integrada na rede nacional de centros de alto rendimento."
segunda-feira, 19 de outubro de 2026
"Chamar "tumultos" ao que se está a passar em Portugal é uma prova de que o governo entrou em modo pânico"
Via Público (para ler melhor clicar na imagem)
Políticos que aprovam mudanças no arrendamento têm mais de mil imóveis avaliados em 55,6 milhões de euros
Os dados resultam da análise feita pelo Público às declarações de rendimentos e património dos governantes e deputados, documentos que os titulares de cargos políticos são obrigados a entregar ao Tribunal Constitucional até 60 dias após o início de funções. A maioria das declarações foi apresentada em 2025, aquando da tomada de posse do actual Governo, e os rendimentos declarados dizem, por isso, respeito a 2024, salvo nos casos em que foram actualizados."
Via CNN / Imagem: Público
Os miúdos não estão bem
«"A população, quando se manifesta, manifesta-se com razão porque sente, porque dói, porque há dor." O ministro das Infra-estruturas e da Habitação mostrou este domingo compreensão perante o protesto que ganhou expressão no Porto e transbordou para Lisboa. Foi uma mudança de tom, numa semana em que o poder revelou uma falta de empatia e uma cegueira que acabaram por ser determinantes para mobilizar a contestação, num país caracteristicamente afónico na hora do protesto.
Com a carga policial de violência escusada sobre manifestantes pacíficos, o país contemplou a expressão máxima da incapacidade do poder político para entender o mal-estar transversal, contínuo e crónico provocado pela crise da habitação. Se se levantam tendas em D. João I e no Rossio é porque sucessivos governantes se mostraram incapazes de perceber até que ponto esta "dor" mina a vida de milhões e compromete o bem-estar social.
E se o cassetete que bate na cabeçа com rastas não percebe que está a esmurrar uma geração inteira que não consegue sair da casa dos pais, era de esperar que políticos mais experientes tivessem maior sensibilidade do que o "implacável" ou o "egoístas", as palavras que marcaram a semana. Em vez de olhar para a causa com a urgência devida, o executivo preferiu atacar o efeito, tentando desviar o olhar do essencial.
Seguindo o espírito do tempo, primeiro preferiu saltar para a trincheira e atacar quem protesta, procurando deslegitimar a contestação. São “cópias" do que vem de fora, são violentos, não respeitam a "lei e a ordem”, são manipulados por forças partidárias... Mas, mesmo que a câmara prefira sempre o caixote a arder ao rapaz com uma guitarra, о que os ecrãs acabaram por mostrar esta semana não foi o filme sobre o qual o executivo quis construir a sua narrativa.
Os jovens portugueses têm motivos suficientes, à razão do preço do metro quadrado, para não serem a cópia de ninguém. A acampada que fizeram não tem qualquer comparação com a irracionalidade violenta que vemos tomar as ruas noutros países. E a participação de partidos neste tipo de manifestações é própria de uma democracia e não macula as razões do protesto.
Hoje, a habitação não é uma causa de direita ou de esquerda, é um problema de todos. Foram precisos quatro dias para o Governo interiorizar isto e era bom que não o esquecesse mais. Porque os nossos miúdos não estão bem e a dor que sentem não vai passar quando as tendas saírem das praças. Se queremos pensar no futuro, é mesmo preciso que esta dor se torne a prioridade máxima da acção política. Se queremos pensar no futuro, é mesmo preciso que esta dor se torne a prioridade máxima da acção política.»
O "rastilho social" que provocou as manifestações
Desobediência civil
domingo, 18 de outubro de 2026
O fascínio da violência
«Numa investigação recente (publicada em livro, A Recaída), Philipp Ruch chega à conclusão de que a ascensão vertiginosa do Partido Nazi, nas eleições de Setembro de 1930, não se deveu a factores económicos ou ideológicos, ao carisma de Hitler ou à propaganda de Goebbels, nem à corrupção dos partidos democráticos, mas sim à incitação permanente à violência política, com a promessa da execução fisica dos opositores. Incitação que atraiu irresistivelmente os alemães.
Da mesma maneira, é sem dúvida a violência desmedida da oratória política dos populistas que hoje explica o seu rápido sucesso e o seu alastramento planetário. Com uma diferença: enquanto o nazismo e o fascismo escondiam a crueldade e os crimes, a extrema-direita actual escancara-os e faz disso uma pedagogia do terror. Quando Peter Hegseth, o secretário da Defesa americano, ordena a transmissão em directo de uma execução por fuzilamento, ou quando Trump ameaça, com grande ostentação, varrer a civilização iraniana da face da Terra, a publicitação gloriosa do crime contribui para a normalização da violência. André Ventura é aplaudido quando clama pela prisão imediata do primeiro-ministro espanhol. Não se trata da "banalização do mal", mas da elevação da excepção e da crueldade ao estatuto de normas - vamos agora viver fora da lei como heróis, a assaltar o Capitólio, a invadir a Gronelândia, a tirar um ditador da cama, raptá-lo pelos ares e metê-lo na cadeia.
A violência contagia como uma epidemia. Ao mesmo tempo que sidera, a expressão sem freios da energia transmite a afirmação de si, a certeza, a determinação, veiculando os piores clichés do machismo e da superioridade viril; mas traz também uma aura de transcendência quase divina. Só um deus se atreve a quebrar as leis humanas indo além dos seus limites sem pestanejar. Por isso, os tiranos mais cruéis provocam tantas vezes um fascínio irresistível aterrorizadas, as multidões adulam-nos.
Além de arrebatar, capturar e suscitar na vítima o desejo de a espelhar, a violência tem a propriedade de regressar ao emissor em feedback ampliado. O exercício da violência não só acorda nos corpos atingidos uma energia adormecida, mas é reenviada de volta com uma força acrescida. Produz mais violência, nos outros e em si próprio. Num clima de impunidade política, a brutalidade do crime requer mais crime ainda mais brutal. O ciclo só pára com a morte do violador. Assim foi, nos campos de extermínio e nos gulags.
Actualmente, na Europa e no mundo, a violência dos movimentos populistas, no poder ou na oposição, é ainda atenuada pela força da ideia de democracia. Mas se, proximamente, a extrema-direita ganhar as eleições em França, em Espanha, na Polónia e em Itália, instalar-se-ão em todos os países europeus regimes claramente autocráticos. As tendências já manifestas para o exercício desmedido da força expandir-se-ão livremente: a moderação de Meloni ou de Le Pen mostrará o seu verdadeiro rosto, a vertente autoritária agudizar-se-á. Que esperar do Chega no poder, quando o seu líder pratica uma demagogia desbocada, oS seus deputados assediam grosseiramente (e com violência) as deputadas de esquerda no Parlamento, quando a sua política defendia a restauração da pena de morte, a guetização da comunidade cigana, e preconiza a castração química dos pedófilos?
A violência não é a força porque a força pode apenas canalizar a livre expressão da vida. Pelo contrário, a violência só surge para esmagar ou destruir o outro na sua integridade vital. Há sempre, no fascínio pela violência, o secreto desejo de matar. É o que a defesa, necessariamente vigorosa da democracia, tão ameaçada agora, não pode esquecer na luta contra a ambição do poder da extrema-direita.»
O verbo do ódio
«Este mundo é essencialmente antidemocrático, conflitual, com exclusão do "outro", e legitimador da violência. Os direitos constitucionais da greve, da manifestação não valem nada. E, mesmo quando há violação da lei por parte dos manifestantes, há uma completa duplicidade em relação às violações da lei, por exemplo, por parte do Chega. O que provocaria uma fúria nestes comentadores se o que fez Rita Matias ilegalmente em Coimbra, invadindo uma estação de rádio, fosse feito por um "esquerdalho", ou se se vier a concluir que о "alegado" assalto ao gabinete de Ventura fosse mesmo "alegado"? Este mundo é pobre, ignorante, agressivo, violento e muitas vezes cruel. É um mundo antipatriótico, anticristão, mas encontra pouca resposta numa denúncia clara do que ele significa. É só esperar algum tempo para percebermos a metáfora do "ovo da serpente".»

















