quarta-feira, 8 de abril de 2026

Sobre a recente proposta de revisão das aprendizagens de Português

Nuno Artur SilvaUma opinião e uma ou outra memória dos meus tempos de professor


"Na recente proposta de revisão das aprendizagens essenciais de Português, a intenção de incluir Um Deus Passeando pela Brisa da Tarde de Mário de Carvalho na lista de livros sugeridos para leitura no 12.0 ano é uma excelente notícia.  Mário de Carvalho é um dos grandes escritores portugueses contemporâneos e não tem ainda o reconhecimento que merece (nenhum grande escritor o tem). Um Deus Passeando pela Brisa da Tarde é capaz de ser o seu melhor livro (quando se tem vários livros muito bons,o que é um livro melhor que outro?). 

Outra excelente notícia é que os alunos do 12.º ano podem continuar a escolher também os livros de José Saramago Memorial do Convento e O Ano da Morte de Ricardo Reis, provavelmente os melhores romances do extraordinário José Saramago (outra vez: o que é um romance melhor que outro, quando se tem vários excepcionais?). 

Excelente cânone o que inclui estes três romances e excelente o programa que os propõe como leitura para alunos do 12.º ano. José Saramago e Mário de Carvalho são contemporâneos, ambos escritores e ambos comunistas. Ou, mais exactamente, ambos foram militantes do Partido Comunista Português. Este facto tem tudo a ver e não tem nada a ver com a sua obra literária. 

É um orgulho para Portugal ter o seu nome acrescentado por eles e uma sorte nossa pisar o chão da Língua que eles engrandeceram com os livros que escreveram."

O troco é sagrado

"O tempo é comunista. Todo o ser humano tem as mesmas 24 horas. O pior é que não é o próprio a poder gastá-las como quer. São os ricos que dispõem delas. Obrigam-no a trabalhar mais horas por cada hora em que pode fazer o que quiser. E obrigam-no a cumprir os horários que convêm a quem lhe comprou o trabalho. 
O pior é que, mesmo depois da reforma que nunca mais chega, é muito difícil largar o hábito de entregar o nosso tempo a quem manda em nós porque nos paga para isso. 
Continuamos a ter pressa. A pressa é uma doença. Que seja uma doença voluntária é ainda menos saudável - e mais triste. 
Com o tempo - isto é, depois de muitos anos a deixarmo-nos governar pela pressa dos outros-, percebe-se que não é o trabalho que dignifica ou dá cabo de nós. 
O que nos dignifica é podermos escolher quando trabalhamos, por muito modesto que seja o trabalho ou o rendimento. 
O que nos salva é sermos nós a decidir como é que gastamos a fortuna que herdámos: ter 24 horas por dia, desde o dia em que nascemos até ao dia em que morremos. A vida não é curta: os outros é que a encurtam. 
A guerra justa é tentar reclamar cada minuto que nos é roubado. O dinheiro é uma distracção. Esconde o tempo. É o câmbio tempo/dinheiro que interessa. Temos de ser ricos com o tempo que nos sobra: o troco. 
E a propósito: os sindicatos têm razão."

Povoação da Serra da Boa Viagem mantém-se na Freguesia de Buarcos

 Via Junta de Freguesia de Buarcos


"O drama não é que as pessoas tenham opiniões"...

 

PLANEAMENTO URBANÍSTICO DA ENCOSTA DA SERRA DA BOA VIAGEM

Ontem, numa publicação da página Mais pela Figueira pode ler-se o seguinte: «na reunião de Câmara do passado dia 2 de abril, no decorrer da discussão do processo do edifício “Limite da Montanha”, na encosta da Serra da Boa Viagem, em Buarcos, e em face dos problemas relatados pelo Presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz referentes ao licenciamento e construção deste edifício, os Vereadores do PS, João Paulo Rodrigues e Rui Carvalheiro, falaram sobre o estado caótico do planeamento urbanístico desta encosta da Serra da Boa Viagem, virada para a Figueira, sugerindo que se deveria elaborar urgentemente um plano de pormenor para a zona, com regras urbanísticas claras em relação ao licenciamento de construções, traçado de estradas e aspetos ligados com as demais infraestruturas.
O Presidente da Câmara acolheu bem a ideia e referiu que iria encetar contatos com as entidades com competências na gestão da zona para colaborarem na elaboração desse plano de pormenor ou até passarem a gestão da zona para a Câmara Municipal."

Pelo exposto, para o figueirense comum, ficam questões por explicar?
Venha daí esse plano urbanístico da encosta da Serra da Boa Viagem, virada para a Figueira. Uma das piores atitudes que podemos ter na vida é a arrogância perante a Natureza. 

Sábado, pelas 15H30M na Biblioteca Municipal Pedro Fernandes Tomás

 Via Diário as Beiras

Políticos e caixas multibanco..

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Ministra do Ambiente garante um milhão para obras em duas praias: 600 mil euros destinados à Praia de Mira e 400 mil euros destinados à Praia do Poço da Cruz

A ministra do Ambiente e Energia garantiu ontem a reposição de areia em duas praias do concelho de Mira, no litoral do distrito de Coimbra, a tempo da próxima época balnear, numa intervenção de um milhão de euros. No decorrer da visita à Praia de Mira e à do Poço da Cruz, que sofreram uma forte erosão neste inverno, Maria da Graça Carvalho classificou estas intervenções como urgentes para proteger a costa e permitir uma época balnear normal. 
A fúria do mar durante o último inverno deixou marcas na costa portuguesa, acelerando a erosão costeira e alterando o figurino de diversas praias devido ao movimento de areias. A ministra do Ambiente e da Energia, Maria da Graça Carvalho, disse ontem – numa visita à Praia de Mira – que a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) sinalizou cerca de meio milhar de situações de danos na costa portuguesa, de que Mira e Poço da Cruz, no mesmo concelho, são exemplo. 
Por isso, a ministra deslocou-se ao local, acompanhada pelo presidente da APA, Pimenta Machado, para firmar um protocolo de transferência para o Município de Mira de um milhão de euros. 
O dinheiro é destinado à reposição de areia nos locais onde a força do mar escavou o areal. 600 mil euros deste montante será para a colocação de sacos de areia na Praia de Mira e o restante para transferência de areia de uns pontos para os outros do areal de Poço da Cruz. “São duas obras identificadas na lista das mais urgentes, a executar até ao início da época balnear”, esclareceu Maria da Graça Carvalho. A verba será paga numa só tranche, através da Agência Portuguesa do Ambiente, cabendo à autarquia a condução das obras num prazo de oito semanas. 
A ministra do Ambiente e Energia afirmou que a empreitada será feita deste modo porque “a APA não tem capacidade para conduzir tantas obras ao mesmo tempo; são muitas situações ao longo da costa, com cada um dos municípios a avançar”
A governante constatou que a “erosão da costa, que já existia, foi agravada pelo mau tempo do inverno, com chuva, vento e tempestades marítimas muito fortes, de norte a sul do país”. Por isso, os trabalhos nas praias têm que ser realizados com urgência para que “haja praia quando chegar o bom tempo”
A governante referiu que, “não é só a questão do Ambiente, é também da economia desta localidades, o bem-estar das pessoas e a segurança, porque os portugueses, e quem nos visita, adoram praia”
O responsável máximo da APA, Pimenta Machado, acrescentou que há esperança de que, “quando o inverno marítimo passar, o movimento do mar venha a repor a areia nas praias. Acontece todos os anos e vai voltar a acontecer este ano. Depois vamos ajustando as nossas intervenções, principalmente aqui, que é uma zona já identificada como muito vulnerável”.

Executivo camarário visitou infraestruturas na margem sul do concelho

Foto: Município da Figueira da Foz

O presidente da Câmara da Câmara da Foz, Santana Lopes, e os vereadores Cláudia Rocha, Manuel Domingues, Ricardo Silva e João Martins visitaram as infraestruturas hidráulicas do Alqueidão e a nova ponte sobre o Mondego, que ligará aquela freguesia da margem sul à freguesia vizinha de Vila Verde, no outro lado do rio. A construção em curso, visitada por 
Santana Lopes e pelos vereadores  do executivo camarário da Figueira da Foz, a ponte sobre o Rio Mondego, é uma nova travessia que integra o traçado da ecovia europeia Eurovelo 1 - Rota da Costa Atlântica, adjudicada por 7,6 milhões de euros, com ciclovia e uma única faixa de rodagem para viaturas ligeiras.
O Moinhos das 12 Pedras e as comportas da Maria da Mata e do Alvo, "foi também ponto de passagem dos autarcas, a par das comportas da Maria da Mata e do Alvo, na freguesia do Alqueidão, sob responsabilidade da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), as quais se encontram num estado de degradação avançado, o que pode levar, no limite, ao seu colapso e à consequente entrada de água salgada nos arrozais, o que iria comprometer severamente o cultivo de arroz naquela freguesia da zona sul do concelho”, sublinha nota publicada nas redes sociais do Município da Figueira da Foz. 
Na nota, pode ler-se ainda que “o município tem vindo a acompanhar a situação [das comportas] através dos seus serviços técnicos, assim como diligenciado junto da tutela e da APA, no sentido de se encontrarem soluções concretas e céleres que resolvam a situação”

terça-feira, 7 de abril de 2026

Projeto de produção de combustível sustentável para aviação

Esclarecimento do Município da Figueira da Foz.
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"Só não vê quem não quer." Os comunistas são mesmo burros, não são?...

RUI SÁ

«Quando era vereador da Câmara do Porto, um senhor, sabendo dessa minha condição, referiu num tom de insinuação a falta de seriedade: "Você, como político, deve ganhar muito dinheiro!". Quando lhe referi que os eleitos comunistas têm o princípio de não serem beneficiados ou prejudicados pelo exercício de cargos públicos, pelo que ganhava exatamente tanto como ganhava antes de ser vereador, a sua reação foi: "Você é que é burro!".

Este episódio, que recordo com um sorriso nos lábios, mostrou-me que muitos criticam os atos dos outros não por os acharem criticáveis, mas por terem inveja de não os praticarem.»

JANTAR COMEMORATIVO DO 25 DE ABRIL

Partido Socialista vai celebrar o 25 de Abril, com um jantar que terá lugar no dia 24 de Abril de 2026, pelas 20 horas, na Filarmónica em Santana.


Unidade Local de Saúde do Baixo Mondego assinala hoje o Dia Mundial da Saúde

 via Diário as Beiras

Criminalidade violenta e grave diminuiu 10,4% no distrito

 Via Diário as Beiras


Uma "estrela" não desiste - resiste

Desde a descoberta da roda que está tudo inventado, por isso o fascínio por Ventura é facilmente explicável...

Segundo a Junta de Freguesia de São Julião, a iniciativa “Jardim da Páscoa” levou milhares de pessoas ao longo dos quatro dias ao Jardim Municipal

A Junta de Freguesia de São Julião, em nota de imprensa, fez balanço positivo da primeira edição do Jardim da Páscoa, que se realizou no Jardim Municipal da Figueira da Foz, reunindo, ao longo de quatro dias, vários milhares de pessoas. 

“O Jardim da Páscoa apresentou uma instalação temática cuidadosamente preparada, com diversos elementos alusivos à quadra, proporcionando um ambiente acolhedor e apelativo para famílias, visitantes e toda a comunidade”, informa a nota de imprensa. E a seguir sublinha: "ao longo dos quatro dias, os mais pequenos puderam desfrutar de um conjunto diversificado de atividades”. Por outro lado, "as noites foram animadas por bandas e djs figueirenses"

A iniciativa “destacou-se pela forte adesão do público, afirmando-se como um verdadeiro ponto de encontro intergeracional e um momento de partilha e celebração na freguesia”, pode ler-se ainda na nota de imprensa emitida pela Junta de Freguesia de S. Julião.

segunda-feira, 6 de abril de 2026

"Trump está a perder a guerra e a levar o mundo para uma recessão inimaginável. Timothy Snyder admite que as eleições intercalares sirvam a Trump para instaurar uma ditadura. Há histórico"

"E se Trump quiser um golpe de Estado para se tornar ditador?"

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Saramago, a revisão curricular ou a diluição do Nobel da Literatura

"De boas intenções está o inferno cheio", diz o povo. E diz bem.

António Carlos Cortez
... esta revisão curricular, ao diluir José Saramago, o único Nobel da nossa língua e literatura, o que faz é despromover a própria Literatura e a língua, o seu ensino consciente e exigente. Tudo por trás de uma outra ideia em voga de há 20 e muitos anos a esta parte: a de que ensinar é avaliar. Perniciosa ideia porque, no fundo, é de grelhas, é de horizontes de proficiência, é de mero utilitarismo e é de facilitismo – os exames de Português sem verdadeira testagem da expressão escrita e da análise literária provam-no à saciedade – que, uma vez mais, teremos de falar.

E porquê? Justamente porque José Saramago – tal como Vergílio Ferreira, cujo romance Aparição desapareceu dos programas e era, sem dúvida, das mais belas experiências estéticas que um adolescente podia ter! – é daqueles autores que pede que, antes de um leitor entrar no seu universo romanesco tenha atrás de si um cabedal de leituras (de ensaio, de romances, de textos de História e de História das Ideias) que – todos sabemos disso – nenhum aluno tem ao chegar ao 12.º ano. Nenhum aluno e, a bem da verdade, poucos professores.

Resultado: esta revisão curricular, que coloca Cesário Verde no 12.º ano, mas faz desaparecer Herberto Helder, é apenas uma declaração de boas intenções para que, em maior ou menor grau, tudo fique na mesma. Com uma agravante: sem a prosa de Saramago como conteúdo "obrigatório", é óbvio que muitas escolas não irão optar pelo Nobel da Literatura. E eis-nos num outro lado do problema: a formação de professores e a subsequente qualidade das aulas.

Por que razão não é Saramago um autor a ler, como se deve exigir que o seja? Porque, na verdade, na formação de professores de Português o que se faz é pensar a avaliação, em vez de se pensar em como leccionar, como analisar, como escrever e como ensinar a escrever e a pensar sobre textos complexos.

Como é que eu posso ajudar a ler, a fruir a leitura de um romance como Memorial do Convento; com que ensaios poderei auxiliar os alunos a compreenderem obra tão magistralmente bela? E o mesmo que digo sobre os romances de Saramago, digo-o para autores que esta revisão sugere que sejam lidos: Jorge de Sena, Carlos de Oliveira, António Ramos Rosa, Fiama, Luís Filipe Castro Mendes... Com muitos professores a entrarem na profissão sem uma formação científica sólida, é claro que Saramago (como Gil Vicente e Camões, como os trovadores ou como… Pascoaes, ou Cesário), sempre constituiria um obstáculo difícil de transpor. Mas é essa a missão da escola – e já agora da formação de professores! Isto é: pensar o que é difícil e avaliar na medida exacta em que estamos a formar gerações que queremos que tenham "pensamento crítico".

Mas se tudo na escola e na formação de professores é uma mistificação (haverá excepções, bem sei, cada vez mais excepcionais, decerto) o ponto é só um: fará sentido que um romance (seja ele o Memorial do Convento, seja ele O Ano da Morte de Ricardo Reis) do nosso único Nobel da Literatura passe a ser opcional no último ano do Secundário? Não, não faz. E não faz porque para se ler Saramago, como para ler qualquer escritor maior da nossa cultura, o estudante português teria de ter aprendido a pensar a obra de arte literária e, subsequentemente, a escrever bem sobre o texto literário e, por inerência, a escrever bem porque, de forma natural, teria apreendidas as estruturas sintáctica e semântica, morfo-sintáctica e morfo-semântica da língua portuguesa.

Sucede, todavia, que hoje, à saída do 12.º ano, a maioria dos estudantes nada teve de ler para chegar ao 12.º ano. Comentar um poema, um trecho de um romance, uma peça de teatro, seja de que autor for, isso é exercício raríssimo de se praticar nas aulas de 2026. Pejadas de jogos didácticos e de infantilidades avaliativas, verdadeiros espaços onde grassa a indisciplina e a ditadura digital, Saramago passa a ser opcional porque, em bom rigor, a Cultura na escola é opcional também. E o mesmo se diga na formação de professores, viveiro de tanto absurdo."