Via Público (para ler melhor clicar na imagem)
segunda-feira, 19 de outubro de 2026
Políticos que aprovam mudanças no arrendamento têm mais de mil imóveis avaliados em 55,6 milhões de euros
Os dados resultam da análise feita pelo Público às declarações de rendimentos e património dos governantes e deputados, documentos que os titulares de cargos políticos são obrigados a entregar ao Tribunal Constitucional até 60 dias após o início de funções. A maioria das declarações foi apresentada em 2025, aquando da tomada de posse do actual Governo, e os rendimentos declarados dizem, por isso, respeito a 2024, salvo nos casos em que foram actualizados."
Via CNN / Imagem: Público
Os miúdos não estão bem
«"A população, quando se manifesta, manifesta-se com razão porque sente, porque dói, porque há dor." O ministro das Infra-estruturas e da Habitação mostrou este domingo compreensão perante o protesto que ganhou expressão no Porto e transbordou para Lisboa. Foi uma mudança de tom, numa semana em que o poder revelou uma falta de empatia e uma cegueira que acabaram por ser determinantes para mobilizar a contestação, num país caracteristicamente afónico na hora do protesto.
Com a carga policial de violência escusada sobre manifestantes pacíficos, o país contemplou a expressão máxima da incapacidade do poder político para entender o mal-estar transversal, contínuo e crónico provocado pela crise da habitação. Se se levantam tendas em D. João I e no Rossio é porque sucessivos governantes se mostraram incapazes de perceber até que ponto esta "dor" mina a vida de milhões e compromete o bem-estar social.
E se o cassetete que bate na cabeçа com rastas não percebe que está a esmurrar uma geração inteira que não consegue sair da casa dos pais, era de esperar que políticos mais experientes tivessem maior sensibilidade do que o "implacável" ou o "egoístas", as palavras que marcaram a semana. Em vez de olhar para a causa com a urgência devida, o executivo preferiu atacar o efeito, tentando desviar o olhar do essencial.
Seguindo o espírito do tempo, primeiro preferiu saltar para a trincheira e atacar quem protesta, procurando deslegitimar a contestação. São “cópias" do que vem de fora, são violentos, não respeitam a "lei e a ordem”, são manipulados por forças partidárias... Mas, mesmo que a câmara prefira sempre o caixote a arder ao rapaz com uma guitarra, о que os ecrãs acabaram por mostrar esta semana não foi o filme sobre o qual o executivo quis construir a sua narrativa.
Os jovens portugueses têm motivos suficientes, à razão do preço do metro quadrado, para não serem a cópia de ninguém. A acampada que fizeram não tem qualquer comparação com a irracionalidade violenta que vemos tomar as ruas noutros países. E a participação de partidos neste tipo de manifestações é própria de uma democracia e não macula as razões do protesto.
Hoje, a habitação não é uma causa de direita ou de esquerda, é um problema de todos. Foram precisos quatro dias para o Governo interiorizar isto e era bom que não o esquecesse mais. Porque os nossos miúdos não estão bem e a dor que sentem não vai passar quando as tendas saírem das praças. Se queremos pensar no futuro, é mesmo preciso que esta dor se torne a prioridade máxima da acção política. Se queremos pensar no futuro, é mesmo preciso que esta dor se torne a prioridade máxima da acção política.»
O "rastilho social" que provocou as manifestações
Desobediência civil
domingo, 18 de outubro de 2026
O fascínio da violência
«Numa investigação recente (publicada em livro, A Recaída), Philipp Ruch chega à conclusão de que a ascensão vertiginosa do Partido Nazi, nas eleições de Setembro de 1930, não se deveu a factores económicos ou ideológicos, ao carisma de Hitler ou à propaganda de Goebbels, nem à corrupção dos partidos democráticos, mas sim à incitação permanente à violência política, com a promessa da execução fisica dos opositores. Incitação que atraiu irresistivelmente os alemães.
Da mesma maneira, é sem dúvida a violência desmedida da oratória política dos populistas que hoje explica o seu rápido sucesso e o seu alastramento planetário. Com uma diferença: enquanto o nazismo e o fascismo escondiam a crueldade e os crimes, a extrema-direita actual escancara-os e faz disso uma pedagogia do terror. Quando Peter Hegseth, o secretário da Defesa americano, ordena a transmissão em directo de uma execução por fuzilamento, ou quando Trump ameaça, com grande ostentação, varrer a civilização iraniana da face da Terra, a publicitação gloriosa do crime contribui para a normalização da violência. André Ventura é aplaudido quando clama pela prisão imediata do primeiro-ministro espanhol. Não se trata da "banalização do mal", mas da elevação da excepção e da crueldade ao estatuto de normas - vamos agora viver fora da lei como heróis, a assaltar o Capitólio, a invadir a Gronelândia, a tirar um ditador da cama, raptá-lo pelos ares e metê-lo na cadeia.
A violência contagia como uma epidemia. Ao mesmo tempo que sidera, a expressão sem freios da energia transmite a afirmação de si, a certeza, a determinação, veiculando os piores clichés do machismo e da superioridade viril; mas traz também uma aura de transcendência quase divina. Só um deus se atreve a quebrar as leis humanas indo além dos seus limites sem pestanejar. Por isso, os tiranos mais cruéis provocam tantas vezes um fascínio irresistível aterrorizadas, as multidões adulam-nos.
Além de arrebatar, capturar e suscitar na vítima o desejo de a espelhar, a violência tem a propriedade de regressar ao emissor em feedback ampliado. O exercício da violência não só acorda nos corpos atingidos uma energia adormecida, mas é reenviada de volta com uma força acrescida. Produz mais violência, nos outros e em si próprio. Num clima de impunidade política, a brutalidade do crime requer mais crime ainda mais brutal. O ciclo só pára com a morte do violador. Assim foi, nos campos de extermínio e nos gulags.
Actualmente, na Europa e no mundo, a violência dos movimentos populistas, no poder ou na oposição, é ainda atenuada pela força da ideia de democracia. Mas se, proximamente, a extrema-direita ganhar as eleições em França, em Espanha, na Polónia e em Itália, instalar-se-ão em todos os países europeus regimes claramente autocráticos. As tendências já manifestas para o exercício desmedido da força expandir-se-ão livremente: a moderação de Meloni ou de Le Pen mostrará o seu verdadeiro rosto, a vertente autoritária agudizar-se-á. Que esperar do Chega no poder, quando o seu líder pratica uma demagogia desbocada, oS seus deputados assediam grosseiramente (e com violência) as deputadas de esquerda no Parlamento, quando a sua política defendia a restauração da pena de morte, a guetização da comunidade cigana, e preconiza a castração química dos pedófilos?
A violência não é a força porque a força pode apenas canalizar a livre expressão da vida. Pelo contrário, a violência só surge para esmagar ou destruir o outro na sua integridade vital. Há sempre, no fascínio pela violência, o secreto desejo de matar. É o que a defesa, necessariamente vigorosa da democracia, tão ameaçada agora, não pode esquecer na luta contra a ambição do poder da extrema-direita.»
O verbo do ódio
«Este mundo é essencialmente antidemocrático, conflitual, com exclusão do "outro", e legitimador da violência. Os direitos constitucionais da greve, da manifestação não valem nada. E, mesmo quando há violação da lei por parte dos manifestantes, há uma completa duplicidade em relação às violações da lei, por exemplo, por parte do Chega. O que provocaria uma fúria nestes comentadores se o que fez Rita Matias ilegalmente em Coimbra, invadindo uma estação de rádio, fosse feito por um "esquerdalho", ou se se vier a concluir que о "alegado" assalto ao gabinete de Ventura fosse mesmo "alegado"? Este mundo é pobre, ignorante, agressivo, violento e muitas vezes cruel. É um mundo antipatriótico, anticristão, mas encontra pouca resposta numa denúncia clara do que ele significa. É só esperar algum tempo para percebermos a metáfora do "ovo da serpente".»
sábado, 17 de outubro de 2026
Os eufemismos inventados para falar da realidade "ferem"
Referindo-se à linguagem actualmente utilizada nas políticas sociais, a autarca criticou a crescente substituição de palavras como “pobreza”, “carência” ou “miséria” por conceitos menos incómodos. “Passou-se a falar de vulnerabilidade, fragilidades socioeconómicas, risco de exclusão, pobreza energética ou insegurança alimentar. A intenção pode ser positiva, mas a boa intenção e o resultado real não são a mesma coisa”, afirmou.
Para Helena Teodósio, estes eufemismos podem ajudar a esconder a realidade social e afastar o debate das suas verdadeiras causas.
sexta-feira, 16 de outubro de 2026
Unidades de saúde de Bom Sucesso e Paião adjudicadas
Via Diário as Beiras: "Município da Figueira da Foz adjudicou, a duas empresas, a construção das novas unidades de saúde familiar no Bom Sucesso e em Paião. Investimento supera os 3,2 milhões de euros".
Metade dos adultos pobres têm trabalho, habitação faz disparar carência
Via Jornal de Notícias
A propósito de promessas...
Câmara diz que vai construir ponte sobre passagem de nível da Salmanha, mas Vítor Alemão continua descontente. Via Diário as Beiras, quarta-feira, 20 de setembro de 2023
«... o presidente da Câmara da Figueira da Foz, Santana Lopes, considerou que esta é uma obra prioritária. Até porque, já ali houve acidentes mortais, envolvendo viaturas e comboios. “Estamos a tratar da construção de uma travessia rodoviária aérea na passagem de nível da Salmanha. [Neste momento], estamos a ver os materiais e o traçado. Nunca ninguém fez isto, como muitas outras coisas no concelho, e essa [passagem de nível] até mexe com vidas humanas”, frisou Santana Lopes.
... o presidente da Junta de Vila Verde, Vítor Alemão, desvalorizou o anúncio como sendo uma obra que vai beneficiar os vilaverdenses. “Essa é uma obra estruturante para o concelho que não beneficia apenas a freguesia de Vila Verde”.»
quinta-feira, 15 de outubro de 2026
A limpeza da praça
HABITAÇÃO: RASTILHO PARA MAIS PROTESTOS
"A lei da bastonada da PSP para reprimir as manifestações pela habitação no Porto, com manifesta desproporcionalidade, com a conivência activa de Pedro Duarte, presidente da Câmara do Porto, é o rastilho para mobilizar mais protestos dos jovens.
P. S. Luís Montenegro continua a brincar com o fogo, com a cumplicidade de António José Seguro, no momento em que já ninguém se dá sequer ao trabalho de responsabilizar quem tutela as polícias."

















