sexta-feira, 24 de abril de 2026

Reunião de câmara ontem suspensa continua no próximo dia 28

Ontem, com Santana Lopes ausente, a reunião da Câmara da Figueira da Foz foi suspensa para reorganizar agenda de trabalho. A vice-presidente da Câmara da Figueira da Foz, que presidiu à sessão, suspendeu a sessão, que será retomada no próximo dia 28, pelas 10H15. Em declarações aos jornalistas, Olga Brás esclareceu que tomou a decisão, com a concordância de todos, porque havia sido informada da ausência de Santana Lopes, “por motivos imponderáveis”, 10 minutos antes da reunião de câmara, não tendo tido tempo para poder analisar todos os assuntos da agenda. “Foi por uma questão de reorganização de agenda”, afirmou, da qual já haviam sido retirados vários pontos. “Há situações que requerem melhor ponderação”, frisou ainda a autarca da FAP.

Por sua vez, a vereação do PS pediu a retirada da ordem de trabalhos da reunião de câmara a apresentação e votação das contas da câmara do exercício de 2025, alegando que o executivo camarário não enviou o dossiê, com mil páginas, com a devida antecedência, de oito dias. Ultimamente, aliás, destacou o vereador João Paulo Rodrigues, “a documentação não tem chegado a horas para as reuniões de câmara”. A vice-presidente da Câmara da Figueira da Foz, Olga Brás (FAP), que, na ausência de Santana Lopes na sessão, assumiu funções presidenciais, atendeu à proposta do principal partido da oposição. Aquele assunto deverá ser debatido e votado no dia 28.

Imagem via Diário as Beiras.

Figueira, sempre, mas sempre, uma cidade maravilhosa

Recordo uma postagem de 6 de Maio de 2019: Figueira, cidade maravilhosa.
Teotónio Cavaco, no Diário as Beiras:
"... nesta coluna prometo solenemente nunca mais ofender as virgens impolutas do discurso oficial e único nem os arautos da verdade absoluta, juro pela minha honra jamais me enfurecer face às ressuscitadas promessas de piscinas cobertas, de parques verdes da cidade, de viagens de uma só pessoa por mês que custam milhares aos contribuintes, de árvores mal podadas ou cortadas porque estavam doentes e eram terrivelmente perigosas, de obras desgraçadas em Buarcos!... A partir de hoje só vou escrever o que o Gabinete da Presidência da Câmara da Figueira me mandar!"
Nota de rodapé.
É maravilhoso viver numa cidade onde quem ousa tem liberdade para dizer tudo o que apetece. 
Contudo, para os poucos que ousam dizer tudo o que apetece, viver numa cidade como a Figueira deixa de ser maravilhoso, pois as pessoas melindram-se facilmente quando dizemos tudo o que apetece. 
Seria maravilhoso viver numa cidade onde ter liberdade significasse respeito pela opinião, por mais diferente que seja. 
Mas, não acontece assim. Por mim, acho bem que haja liberdade para discordarem da minha opinião. Todavia, lamento que fiquem aborrecidos pessoalmente comigo por ousar exercer a liberdade de opinião,  numa cidade maravilhosa como a Figueira. 
Por uma razão muito simples: viver numa cidade, por mais maravilhosa que seja, onde o melindre é uma falta de liberdade tramada, é uma chatice do caraças. 
Para quem se melindra, porém, deve ser maravilhoso viver numa cidade livre por o poder fazer. 
No fundo, na Figueira, uma cidade maravilhosa, é chato ousar ter a liberdade de dizer tudo o que apetece. 
Viver na Figueira é maravilhoso. Contudo, é lixado querer ter uma vida maravilhosa. Isto é: ousar ter a ousadia de ter a liberdade para dizer o que apetece.
A Figueira é uma cidade maravilhosa, mas chata para quem ousa...

Decorridos quase 7 anos o que mudou na polis?
Sublinhado isto, viajemos até 24 de Abril de 2026.
Na Lousão 25 de Abril é comemorado com um programa alargado de celebração da Liberdade. O Teatro Municipal da Lousã recebe hoje, a partir das 21H30, um concerto de Ricardo Ribeiro. Durante o espetáculo, o fadista vai interpretar temas da autoria de Zeca Afonso, num momento que celebra a liberdade. Esta actuação faz parte da programação do município no ambito das comemorações de 25 de Abril.
Na Pampilhosa da Serra, o Município promove a valorização da memória coletiva e a promoção de uma cidadania activa e assinala 25 de Abril com exposição e espectáculo de teatro. O Auditório Municipal do Edifício Monsenhor Nunes Pereira,  é hoje palco da peça “Irmãos de Abril”. Trata-se de um espectáculo produzido pelo Coletivo à Solta, que relembra os espetadores que a história também se faz de vozes que ousaram falar… e de corações que nunca desistiram. A partir das 21H00, esta apresentação insere-se no âmbito das comemorações do 25 de Abril e do ciclo de Teatro Mise en Scène.

Na Figueira da Foz, cidade maravilhosa, de carnaval em Abril, mas também de grandes tradições democráticas e de Manuel Fernandes Tomás, "O Patriarca da Liberdade" e da consciência cívica que, pelos vistos ficou perdida no tempo,  as Comemorações do 25 de Abril de 2026 promovidas pela autarquia ficaram reduzidas a isto.

Para ver o programa clicar aqui.

Comemorações do 25 Abril na Freguesia de Brenha: festejar é também dar a conhecer a memória do que mudou sem esquecer o quanto foi negra, sombria e tenebrosa a ditadura

 Para ver melhor clicar na imagem

"O 25 de Abril de 1974 foi uma revolução, que revolveu os alicerces do Estado e os ergueu em novas bases - de liberdade, de igualdade, de justiça social e democracia."
O resto é a deturpação do que realmente aconteceu há 52 anos. Celebrar o 52.º aniversário do 25 de Abril é sublinhar o "inestimável património de transformações económicas, sociais, culturais e políticas que o materializam" e prestar homenagem "a todos os resistentes antifascistas e aos militares de Abril que abriram as portas da liberdade".

quinta-feira, 23 de abril de 2026

A urgência da memória

«A batalha pela preservação da memória do 25 de Abril não é um sintoma de saudosismo, mas sim um plano para salvaguardar o futuro»


José Luís Tinoco (1932-2026), músico e pintor, arquitecto, autodidacta genial

Só hoje tive conhecimento que morreu aos 93 anos José Luís Tinoco, compositor, arquitecto e artista plástico de obra marcante na cultura portuguesa. 
Autor e letrista de «Madrugada», tema vencedor do Festival da Canção de 1975, destacou-se também com canções como «Um Homem na Cidade» e «O Amarelo da Carris», interpretadas por Carlos do Carmo. 
Músico ligado ao jazz, integrou a Orquestra Académica de Coimbra e o Hot Clube de Portugal, tendo fundado o grupo Saga e editado o álbum «Homo-Sapiens». Paralelamente, afirmou-se na arquitectura modernista e nas artes plásticas, com diversas exposições. 
Em 2015, recebeu o Prémio de Consagração de Carreira da Sociedade Portuguesa de Autores. 

Com Santana Lopes ausente, reunião da Câmara da Figueira da Foz foi suspensa para reorganizar agenda de trabalho

 Via Diário de Coimbra

"Antes da suspensão, a vice-presidente Olga Brás já tinha aceitado adiar a discussão e votação do relatório de contas de 2025 devido à entrega fora de prazo dos documentos aos vereadores da oposição.

A autarquia da Figueira da Foz suspendeu hoje a sessão de Câmara - na qual esteve ausente o presidente Santana Lopes - para reorganização da agenda de trabalho, após vários pontos terem sido retirados.

Antes da suspensão da reunião, que terá continuidade na próxima terça-feira, a vice-presidente Olga Brás, que conduziu a sessão, já tinha aceitado adiar a discussão e votação do relatório de contas de 2025 devido à entrega fora de prazo dos documentos aos vereadores da oposição.

“Propomos o adiamento da discussão das contas porque não tivemos condições para analisar o relatório, um documento com cerca de mil páginas que nos foi distribuído há quatro ou cinco dias quando deve ser com oito dias de antecedência”, alegou o vereador socialista João Paulo Rodrigues.

Posteriormente, e depois de justificar o envio tardio dos documentos com a “grande” pressão de trabalho e falta de recursos humanos no setor da contabilidade, a vice-presidente procedeu à retirada de mais sete pontos da ordem de trabalhos e suspendeu a reunião, justificando a decisão com a necessidade de “reorganizar a agenda”.

No final, em declarações aos jornalistas, Olga Brás disse que alguns pontos foram retirados “para melhor ponderação” e que “não se sentia confortável em continuar a reunião sem estar totalmente informada”

Executivo camarário visitou os trabalhos de requalificação da Escola Secundária Bernardino Machado

 Foto DB – Jot’Alves


«Neste momento, o Município da Figueira da Foz tem obras em curso financiadas pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) no valor de 50 milhões de euros. Só a requalificação da Escola Secundária Bernardino Machado custa 10 milhões, incluindo um milhão adiantado pela câmara municipal. “São obras complexas e não fáceis”, frisou o presidente da Câmara da Figueira da Foz, Santana Lopes, na visita do executivo camarário realizada ontem aos trabalhos de requalificação do estabelecimento de ensino. “A Escola Bernardino Machado nunca teve obras. [Como estava], não tinha condições de segurança nem de estabilidade para os alunos. Esta escola tem sido a oficina da nossa motivação”, afirmou a vereadora da Educação, Olga Brás, falando na visita que o executivo camarário e técnicos superiores da Câmara da Figueira da Foz realizaram ontem à escola, em obras. Por seu lado, o vereador das Obras Municipais, Ricardo Silva, afirmou que a escola “precisava de obras há mais de 30 anos”. A empreitada que está a renovar a primeira escola secundária da Figueira da Foz tem mais alguns meses pela frente.»

quarta-feira, 22 de abril de 2026

O valor dos rios: “e no dia em que não tivermos políticos que aprenderam a nadar no rio?”

Na minha geração, praticamente todos aprendemos a nadar na borda do rio da Aldeia. 
O rio da minha Aldeia deveria fazer pensar.
Quem está ao pé dele, não está apenas e só ao pé dele... 
O rio da minha Aldeia, não sendo o que já foi, continua a ser fonte de vida, de prazer, de divertimento e de lazer. 
Continua a ser de um agrado incontornável olhá-lo, conhecer os seus recantos, as suas correntes e as suas contra-correntes, as suas diferentes tonalidades, o seu murmurar!.. 
Uma coisa é ser. Outra, é gostar de (a)parecer... 
O rio da minha Aldeia continua a provocar emoções... 
Mas, é preciso estar atento!
O rio da minha Aldeia, tem uma particularidade: enche na maré alta e quase seca na baixa-mar...
Na minha geração, quase todos aprendemos a nadar no braço esquerdo Mondego, que é rio da minha Aldeia.
Na imagem sacada daqui, uma tela pintada de magia da borda do rio da Gala.
Autor: Cunha Rocha

O valor que uma população atribui aos rios depende da experiência vivida.
O engenheiro ambiental Pedro Teiga, em entrevista ao Público, na sede da E.Rio, a empresa de reabilitação fluvial que criou ao lado do rio Torto, em Gondomar disse. 
“Não é à toa que os políticos com quem é mais fácil falar são aqueles que tiveram a experiência de rio na sua formação de vida." E deixa о aviso: "E no dia em que não tivermos nenhum político que tenha aprendido a nadar no rio? Esse dia está para chegar em breve. Ainda falta resolver, em muitos lugares, o problema do saneamento. Porque ainda temos descargas e problemas para resolver.
Os rios são uma oportunidade para as pessoas se juntarem a falar de um bem comum. Tem de ter água de boa qualidade, peixе, libelinhas, amieiros, com galeria ribeirinha e populações de entorno tal como existia antes - sim, porque antes as populações não se metiam em cima do rio. Deixavam espaço para que o rio fosse rio. E as localidades ficavam fora do leito de cheia, para poderem ter a segurança das casas. Por isso, há todo um conjunto de camadas de aprendizagem com os rios."

O CDS morreu há vários anos

 Luís Osório

"O CDS é um partido que morreu há uns anos.

Por isso, quando alguém me conta que estão no Governo e ocupam lugares no Parlamento, concluo que o delírio tomou conta dos palácios e das cabeças. Há um ministro que "monta" cenários e se aproveita das tragédias para mostrar músculo. E há um deputado que, nos últimos tempos, repete um mantra para que o povo não se esqueça de que o CDS é o original e o Chega um a imitação."

Comemorações do 25 de Abril: se em Lisboa é a "pobreza absoluta", na Figueira é a avareza ávida...


09h45 

Concentração junto ao Centro de Artes e Espectáculos

 10h00 

Hastear da Bandeira Nacional

Guarda de honra pelos Bombeiros Sapadores e Voluntários da Figueira da Foz

Hino no hastear da Bandeira Nacional tocado pela Filarmónica da Sociedade Musical Recreativa do Alqueidão

 10h30 

Sessão Solene no Grande Auditório do Centro de Artes e Espectáculos

Saudação e abertura da Sessão pelo Presidente da Assembleia Municipal

Filarmónica da Sociedade Musical Recreativa do Alqueidão

Declamação de um poema por Eduarda Rodrigues e Camila Costa

Intervenção do Orador convidado – Dr. Miguel Cardina

Intervenção do Representante da Associação 25 de Abril

Intervenção do Representante do Conselho Municipal da Juventude

Intervenção do Representante do GCE – Juntos pelo Alqueidão

Intervenção do Representante da Coligação Democrática Unitária

Intervenção do Representante da Coligação Evoluir Figueira

Intervenção do Representante do Partido Chega

Intervenção do Representante do Partido Socialista

Intervenção do Representante da Coligação Figueira a Primeira

Intervenção do Presidente da Câmara Municipal

Intervenção do Presidente da Assembleia Municipal que encerra a sessão

 

Participação da Associação Pequenas Vozes da Figueira da Foz

Atuação do Coral David de Sousa

Filarmónica da Sociedade Musical Recreativa do Alqueidão

"Reparação das comportas Maria da Mata, no Vale do Pranto, foi adiada para 2027

 Via Diário as Beiras

"Ficou tudo esclarecido": The Deepest Why realiza-se no dia 6 de junho

 Via Diário as Beiras

terça-feira, 21 de abril de 2026

O princípio do fim?

"Poderá a queda estrepitosa de Orbán constituir o início do declínio da grande onda iliberal?

A demonstração progressiva da impraticabilidade das soluções populistas será inevitavelmente um fator de dissuasão poderoso. A Hungria de Orbán constitui um excelente estudo de caso."

Transparência dos políticos: o argumento bafiento

Público

Pedro Duarte juntou mais uma justificação para o regresso ao secretismo sobre os donativos a partidos: proteger os dadores de retaliações laborais por parte dos patrões
"... o argumento mais invulgar - e verdadeiramente bafiento - é o de que os donativos não podem ser públicos sob o pretexto de proteger os dadores de eventuais retaliações laborais por parte dos patrões. Esta tese, curiosamente, partiu do autarca do Porto e ex-ministro, Pedro Duarte. Recorde-se que, em Portugal, as pessoas singulares (os partidos estão proibidos de receber financiamento de empresas) só podem contribuir com montantes anuais até cerca de 13.500 euros. Mas a memória é curta: trabalhos jornalísticos revelaram no passado que membros de famílias detentoras de grandes construtoras, como a Mota-Engil, distribuíam verbas avultadas por vários partidos do arco do poder. É este tipo de relação que o escrutínio público impede que fique na sombra. Numa altura em que o Parlamento regressa a estes temas - como PS a apresentar esta semana um projecto sobre as regras de divulgação de financiamentos -, cabe aos deputados decidir: querem reforçar o equilíbrio entre privacidade e transparência ou preferem enveredar por um retrocesso em contramão com a Europa?"

Cristina Ferreira

Luís Osório
Escritor, jornalista e cronista
"A irresponsável opinião de Cristina Ferreira não tem defesa possível – e o seu comunicado apenas amplificou o embaraço –, mas talvez seja altura de perdermos um pouco de tempo com o essencial.
O país mediático agitou-se e rasgou as vestes. Como era possível tal monstruosidade dita em direto por alguém que tem a responsabilidade de falar para milhões de pessoas? Como se pode desculpabilizar uma violação feita a uma menor por quatro atrasados mentais? Como entender que a TVI não tivesse imediatamente retirado ilações?
Podemos voltar ao tempo do pelourinho ou da salvação pela purificação do fogo, mas a indignação coletiva conseguiu pasmar-me. De repente, Cristina era o “mal” e não a consequência do que nos estamos a tornar.
Os programas com mais audiência têm como protagonistas gente ordinária, amoral, abjeta e violenta. Temos programas em que agricultores procuram mulheres como se a televisão se tivesse transformado num lugar de alterne. Temos muitas das nossas crianças a dançar músicas com letras em que os homens maltratam as mulheres e as rebaixam. Temos o Parlamento transformado numa tasca de vinho barato por culpa de deputados cujo partido não para de crescer. Temos tudo isso e mais o resto que aqui não cabe.
Cristina Ferreira estará esta terça-feira no jornal da noite na TVI, entrevista em que se desculpará para que tudo possa voltar aos eixos. A audiência será medida e, como sempre, soberana. O resto é folclore. Até ao dia em que a indignação seja em nome de um mundo novo que possa salvar-nos da bestialidade e do esgoto."

A Figueira continua a não ter dinheiro e precisa de investimento...

A Figueira continua a não ter dinheiro e precisa de investimento. 
E não existem, ou pelo menos não têm expressão, a nível local, investidores. 
Por isso, porque cá não há empresários com dinheiro que se veja, em princípio, é uma boa política que se faça captação de investimento e que haja qualquer coisa de atractivo para que isso aconteça. 
Ressalvando, porém, que não se acolherão foragidos e que a Figueira não será transformada numa lavandaria de dinheiro sujo.
O investimento de que a Figueira precisa é de investimento reprodutivo. 
Um bom investimento é aquele em que há criação de riqueza, criação de postos de trabalho, pagamento de impostos.
Como vimos no passado recente, vender casas a estrangeiros não foi um investimento do tipo dos que são necessários para ajudar o País a elevar-se. 
Neste caso, admitindo que se está a falar de gente honesta e que o dinheiro é limpo, recuperar património edificado pode ser positivo.
Recorde-se, porém, que o "visto gold" foi uma criação que fugiu ao controlo do criador -  Paulo Portas.
Por isso, a vinda desses "novos portugueses" só interessa se o que vier não for gente obscura, com dinheiro em notas dentro de malas, que usará o "visto gold" para poder circular livremente na Europa.

As doações à Cultura para obter vistos gold dispararam quase 300% e atingiram 46 milhões de euros em 2025.
Há milionários estrangeiros que estão a comprar a autorização de residência em Portugal doando dinheiro à Cultura. Em 2025, o montante que entrou no país cresceu quase cinco vezes. São sobretudo norte-americanos e chineses que recorrem a este expediente legal que garante o chamado "passaporte dourado".

É o maior investimento desde que o programa foi criado há seis anos. Trata-se de um crescimento de 298% em comparação com 2024. No ano passado, as doações de cidadãos estrangeiros para projetos culturais ultrapassaram os 46 milhões de euros, face aos 11 milhões do ano anterior.

Os dados são do Ministério da Cultura e revelam também que, devido a estas doações, foram emitidas 211 autorizações de residência para investimento. Em 2024 tinham sido 50. Na prática, basta doar 250 mil euros ou mais para poder ter acesso a estes “vistos gold”Segundo o Diário de Notícias, os cidadãos norte-americanos são os que mais recorreram a este regime, com 120. Os chineses ocupam o segundo lugar, com 70 doações. Seguem-se os indianos, com 30 vistos. Sete britânicos também fizeram transferências para a cultura portuguesa. Os paquistaneses, cinco. Turcos e iraquianos, quatro. O pódio termina com a obtenção de visto por cidadãos do Bangladesh, Irão e Jordânia.

Foram ainda feitas 36 doações, mas sem indicação da nacionalidade. Os "vistos gold" no imobiliário acabaram em 2023, ainda no governo de António Costa, mas permaneceram na cultura e na economiaÉ possível obter "vistos gold" através da criação de empresas que criem no mínimo 10 postos de trabalho ou transferências de capital de valor igual ou superior a meio milhão de euros. A investigação científica também está abrangida.

"O projeto elaborado pelo Município da Figueira da Foz para a reabilitação da Casa da Criança Infanta D. Maria tem por finalidade voltar a instalar no imóvel um jardim-de-infância, com capacidade para 75 crianças. A obra tem um orçamento inicial de 1,2 milhões de euros, que será candidatado aos Vistos Gold da Cultura. Segundo adiantou Santana Lopes ao DIÁRIO AS BEIRAS, a autarquia também pretende candidatar a reabilitação do Paço de Maiorca e do Palácio Conselheiro Branco àquela fonte de financiamento. São dois imóveis históricos municipais situados na zona histórica da vila de Maiorca."

Imagem via Diário as Beiras (para ler melhor clicar na imagem)

segunda-feira, 20 de abril de 2026

O pacote laboral e o dilema do chega... (II)

Ontem, publiquei esta postagem no OUTRA MARGEM.

"O "pacote laboral" desde Julho de 2025, que está a perturbar Portugal, principalmente o mundo do trabalho. 

Nessa altura,  o Governo apresentou um conjunto de mais de 100 alterações à legislação laboral. 
Segundo os sindicatos, todas elas visando a retirada de direitos laborais. 
Perante a gravidade de tais propostas, a CGTP e a UGT convocaram uma greve geral para 11 de Dezembro. 
Essa iniciativa foi massivamente participada. 
A seguir, o Governo e o patronato passaram a reunir só com a UGT. 
Até hoje nada foi assinado. 
O actual Presidente da República, vai intervindo no sentido da continuação das negociações para não ser confrontado com a necessidade de vetar a legislação por não ter havido acordo, conforme se comprometeu na campanha eleitoral. 
Perante este cenário, teremos o quê?
Uma nova greve geral? 
А passagem da legislação no Parlamento com o apoio do Chega, colocando a nu a demagogia mentirosa deste partido?

Hoje, li no jornal um texto de Ana Sá Lopes, no jornal Público que confirma as minhas duvidas. (para ler melhor clicar na imagem)

Um Presidente contra a sua maioria?

Vídeo: daqui

"Será no mínimo muito estranho se o Presidente ficar na fotografia como apoiante de uma reforma que continua a ser só defendida pelas forças políticas que se recusaram a apoiá-lo.

O veto presidencial à reforma laboral foi uma das mais marcantes "coisas de esquerda" que o Presidente da República proferiu como promessa eleitoral e tem feito tudo para não ter de cumpri-la. Nas declarações que tem proferido, e as pressões nos bastidores, Seguro tem feito os possíveis para que a UGT ceda a um acordo que o isente de um primeiro embate claro como Governo. O seu encontro com os parceiros sociais, na véspera do veredicto da central sindical sobre a última versão do documento que tem vindo a ser discutida há oito semanas, não pode ser lido de outra forma. É normal que o Presidente não deseje, no seu primeiro mandato, muitos confrontos com o executivo quando se comprometeu tão firmemente a manter a estabilidade política. Como é normal que não deseje ficar, logo no arranque, com o sublinhado da limitação natural dos seus poderes, se o Governo insistir em confirmar uma legislação que, por falta de acordo, ele pudesse vetar. Mas será no mínimo muito estranho se o Presidente ficar na fotografia como apoiante de uma reforma que continua a ser só defendida pelas forças políticas que se recusaram a apoiá-lo na segunda volta. É esse o risco que Seguro está a correr, para se livrar de um problema.

Não é a recusa da UGT em chegar a um acordo que está a criar a divisão, mas a insistência do Governo numa reforma laboral que não estava no seu programa eleitoral e que repetidas sondagens mostram que a maioria dos portugueses, muitos deles eleitores da AD, não querem ver aprovada. Será que Seguro quer mesmo ficar sujeito a arrancar o seu mandato do lado contrário à maioria que o elegeu?"