Opinião de António Filipe
sexta-feira, 5 de junho de 2026
Anatomia de um golpe inconstitucional PSD/Chega/Aguiar Branco
Opinião de António Filipe
Troiadelos...
Refiro-me, à faixa litoral a sul do Mondego, entre o Cabedelo e o Campo de futebol.
Era ainda possível aí fazer férias em comunhão com a Natureza e frequentar boas praias, sem os inconvenientes das urbanizações selvagens.
Por conhecermos o triste destino da restante costa figueirense, devemos manter-nos atentos e vigilantes.
Recordo que o Cabedelo nunca tinha tido Bandeira Azul. E bem. Era o único pedaço de Paraíso imaculado da costa figueirense que ainda nos restava.
Entretanto, algo mudou. Ficámos a meio caminho. Mas, o objetivo estava lá: quem não tinha categoria para usufruir dum espaço nobre foi para o olho da rua.
Agora temos aquela coisa deserta na maior parte do ano.
O trabalho que havia a fazer foi feito por um executivo de maioria absoluta do Partido Socialista.
E assim se foi abrindo o caminho ao Portugal/2026.
"Parece que começamos finalmente a perceber quão intolerável é, no século XXI, que estes abusos continuem a verificar-se sobre um bem que pertence a todos os portugueses.
Há vinte anos, o litoral alentejano entre Tróia e Melides (sim, com a Comporta e o Carvalhal a ocuparem o meio) foi palco de uma operação cuidadosamente planeada para condicionar a fruição destes 40 quilómetros de costa. Sob a bandeira dos PIN (Potencial Interesse Nacional), grandes grupos imobiliários obtiveram de Pinho e de Sócrates a luz verde para urbanizações de enorme dimensão, erguidas numa das mais sensíveis áreas protegidas do país.
O argumento invocado foi sempre o mesmo, o do turismo de qualidade, do investimento estrangeiro e da criação de emprego. A alternativa óbvia: recuperar as áreas já degradadas ao longo da costa não permitia a entrada nos paraísos pristinos da zona.
Em vez disso, entrou-se de bulldozer pela área protegida adentro, a fim de cavar infraestruturas que viriam a ficar mais de uma década abandonadas. O que ninguém se deu ao trabalho de explicar foi aquilo que verdadeiramente se congeminava e agora se executa: uma fronteira invisível a separar os que podiam e os que não podiam ir à praia.
Falo disto com conhecimento de causa, pois tenho casa em Grândola há muitos anos e sou testemunha direta do que se foi passando. Como tantos outros, fui aos poucos perdendo a paciência para frequentar estas praias, não por falta de vontade, mas por acumulação de obstáculos, sendo o escândalo dos preços a face mais visível de uma atmosfera crescente de exclusão que metade da sinalética pelo caminho nem sequer se dá ao trabalho de disfarçar.
Essa fronteira tornou-se, nos últimos dois anos, escandalosamente visível.
Foi o Expresso quem primeiro o revelou, no ano passado, ao dar conta de que 80% dos acessos ao areal, nos 45 quilómetros entre Tróia e Melides, se encontravam condicionados ou bloqueados por empreendimentos privados.
As dunas, integradas no domínio público desde que D. Luís assim o determinou em 1864, encontravam-se fisicamente cercadas por propriedade privada, entre cancelas, muros e a estratégica ausência de caminhos públicos. A resposta do Estado revelou-se algo tímida, resumindo-se a sinalização obrigatória e a promessas de novos acessos.
Vieram depois os preços, com cafés a cinco euros, espreguiçadeiras a valores de resort na Côte d'Azur e produtos a quantias que excluem as famílias portuguesas de classe média, tudo isto numa praia pública, num bem do Estado. O Governo reagiu com uma portaria de preços máximos, medida necessária, mas insuficiente face à escala do problema.
Já agora, quando vos vierem dizer que sobre o concessionário recaem muitas obrigações (lembro que fiscalizar o cumprimento do acesso de todos os banhistas às suas casas de banho seria, garanto-vos, uma boa ideia), imaginem só que eram donos do único café da vossa terra…
Chegámos agora aos chapéus de sol, a propósito dos quais a APA se viu obrigada a emitir uma norma técnica para esclarecer que os banhistas podem colocar o seu próprio chapéu à frente das concessões. Uma norma a esclarecer o que a lei nunca tinha proibido, mas tristemente necessária porque a prática, tolerada, tinha criado a aparência de uma apropriação que a concessão obviamente não permite, mas que na areia funciona tão bem como uma cancela alta.
Sabemos, no fundo, o que verdadeiramente sucede, pois aqueles que pagam a espreguiçadeira a peso de ouro querem sentir-se nas Maldivas, já que são as Maldivas que pagam, e anseiam por afastar da vista os chapéus foleiros e as sungas do povo. Já aqueles que as vendem precisam de enxotar os pobres, e é mesmo disso que se trata, sob pena de se esvair a sensação de Hamptons e de se perderem as vendas dignas do Mónaco.
Desta vez, porém, a reação foi diferente, mais rápida, mais firme e mais definitiva do que nas polémicas anteriores, e nisso não deixa de haver significado. Parece que começamos finalmente a perceber quão intolerável é, no século XXI, que estes abusos continuem a verificar-se sobre um bem que pertence a todos os portugueses.
Três polémicas a obedecerem a uma única lógica, a da privatização silenciosa e gradual do maior areal português, levada a cabo não por decreto, mas por urbanizações aprovadas onde jamais deveriam ter existido, por concessões atribuídas sem acautelar o interesse público, por sinalética equivocamente conveniente e por décadas de não-fiscalização. A lei nunca cedeu porque o domínio público hídrico é inalienável e imprescritível. Quem cedeu foi a vontade política de a fazer cumprir.
O problema de fundo é o de que aquela faixa de litoral foi, de facto, entregue a um turismo de luxo que exclui os portugueses, e a sua superação exige a revisão das concessões, a abertura efetiva dos acessos e a coragem política de dizer com clareza o que aconteceu.
A praia é pública, sempre o foi, e está na hora de o Estado se mostrar mais forte do que as pífias elites que sempre encontram maneira de o convencer de que aquilo que é nosso lhes pertence."
Entrada livre
Via Município da Figueira da Foz
"𝗣𝗿𝗲𝗽𝗮𝗿𝗲 𝗼𝘀 𝗽𝘂𝗹𝗺𝗼̃𝗲𝘀. 𝗔𝗾𝘂𝗲𝗰̧𝗮 𝗮 𝘃𝗼𝘇.
A luta (tal como a incerteza que tem nome: Chega) continua
Ventura falou para dizer que a luta pode continuar.
quinta-feira, 4 de junho de 2026
O Mondego não mente. Nós é que não quisemos ouvir
"A cheia de fevereiro de 2026 não foi uma surpresa para quem conhece o rio. Foi a consequência previsível de décadas de ilusões, de má manutenção e de construções onde nunca deveriam ter sido feitas. Está na hora de dizer o que a ciência sabe há muito.
Pedro Proença Cunha
Prof. Catedrático de Geologia Sedimentar da Univ. de Coimbra e investigador no MARE (Centro de Ciências do Mar e do Ambiente) ExpressoA 11 de fevereiro de 2026, no Baixo Mondego, o dique marginal direito do canal principal do Mondego, cedeu por baixo da autoestrada A1. O tabuleiro da mais importante autoestrada do país abateu horas depois. A água alastrou pelos campos. Portugal ficou em choque. Mas há uma pergunta que poucos pensaram naqueles dias de lama e sirenes: roturas de diques e alagamento das planícies de inundação, já tinham acontecido antes; e voltarão a acontecer.
Há 827 anos que a documentação escrita sobre as cheias do Mondego, nos avisa. Já em 1199 — quando uma cheia catastrófica inundou a Baixa de Coimbra "em menos de uma hora" e alagou o Mosteiro de Santa Cruz — que este rio demonstra, com brutal regularidade, o que é capaz de fazer. As crónicas medievais, os registos eclesiásticos, as gazetas do século XIX, os dados horários do século XX: tudo diz o mesmo. E nós continuámos, inconscientemente e imprudentemente, a edificar nas planícies de inundação.
Escrevo este artigo com base no relatório técnico-científico que elaborei a pedido da Agência Portuguesa do Ambiente, no seguimento da solicitação da Exma. ministra do Ambiente e Energia. Tive 100 dias para o elaborar e acesso a dados que, anteriormente, nunca tinham sido sistematizados e interpretados desta forma. O que encontrei confirmou os piores receios e também revelou erros que não podem voltar a ser tolerados.
O escasso valor estatístico que tem causado colossais prejuízos
Durante décadas, o caudal considerado "de cheia centenária, em regime natural" no Mondego — aquele que serviu de referência para o Projeto Hidráulico do Mondego, os Planos Diretores Municipais (PDMs) e para os Planos de Proteção Civil (PPCs) dos municípios com territórios na planície aluvial — foi de 3660 m³/s. Foi obtido a partir de 50 anos (1915-1965) de registos em Coimbra. Depois, com base em 63-80 anos, foi estimado em 4100 a 4500 m³/s. Para um rio com grande variabilidade interanual de caudal, isto equivale a calcular a probabilidade de um caudal com muito fraco valor estatístico.
Com base na análise de 805 fontes documentais ao longo de 827 anos — das crónicas de Santa Cruz às séries hidrométricas modernas —, obtive uma estimativa de provável caudal centenário de ~4500 a 5200 m³/s (respetivamente, com base nas distribuições pelo Empírico ou pelo Gumbel). Note-se que apenas as cheias ordinárias a catastróficas foram documentadas antes de 1915.
Um caudal desse nível, provocaria o colapso da obra hidráulica do Baixo Mondego e o alagamento total das planícies de inundação, incluindo as baixas de Coimbra e Sta. Clara. É isso que está em risco.
A análise histórica é ainda mais dramática: de 1199 a 2026, ocorreram em média cerca de 5 cheias por século com caudal >3000 m³/s, e 3 cheias com caudal >4000 m³/s (caudais naturais). Oitenta e três por cento das grandes cheias acontecem entre dezembro e fevereiro. O período crítico é, exatamente, o inverno. Nada disto é novidade para a ciência. Mas parece continuar a ser desconhecido por quem licenciou e por quem continua a licenciar bairros nas planícies de inundação.
As barragens fizeram o que podiam. Mas não fizeram milagres
O sistema de regularização hidráulica do Mondego — as barragens da Aguieira (1981), Raiva (1983) e Fronhas (1987), o Canal Principal do Mondego com diques marginais e o Açude de Coimbra — é uma obra de engenharia notável, com um investimento de 516 milhões de euros a preços atuais. Durante 19 anos, de 1981 a 2000, não ocorreram eventos de elevada precipitação e as barragens conseguiram encaixar afluências de pequenas cheias.
Este aparente sucesso criou a ilusão de que o problema estava definitivamente resolvido.
Através da gestão hídrica assegurada pelas barragens, o projeto prometia que um caudal atenuado de 2000 m³/s (equivalente a um natural de 3000 m³/s) em Coimbra seria um evento raro, decorrente de uma precipitação extraordinária. Mas, na realidade, de 1987 a 2026, esse valor foi atingido quatro vezes em 39 anos: em 2001, em 2016, em 2019, em 2026. Em alguns anos, a gestão de caudal pelas barragens podia ter sido melhor. Mas, principalmente, houve uma subestimação do rio.
A A1 foi construída em cima do dique. Literalmente
A causa principal da rotura de fevereiro de 2026 não foi a chuva, não foram as barragens, não foi o rio. Foi uma decisão de engenharia tomada em 1991: uma linha de pilares do tabuleiro da A1 foi implantada no dique direito do Canal Principal do Mondego, construído dez anos antes, em 1981.
Os pilares penetraram em profundidade no aterro arenoso do dique, criando transmissão de vibração, diferenças mecânicas, zonas de fragilidade e facilitação da percolação; além disso, a queda dos tubos de escoamento de água pluvial da A1 faz-se diretamente sobre a areia do dique. Com um caudal extremo, a pressão hidráulica lateral fez o resto. A consequência negativa da opção de 1991 foi potenciada pela falta de uma fiscalização moderna.
Em imagem de satélite de outubro de 2025 — quatro meses antes da rotura —, era já visível um abatimento significativo no coroamento desse dique. O descarregador em sifão imediatamente a montante da A1, que deveria ter aliviado parte do caudal para os campos agrícolas adjacentes, tal como desde 2021, praticamente não funcionou.
Há ainda uma causa secundária que merece atenção. Entre 2017 e 2018, fez-se deposição de areia proveniente do desassoreamento do Açude de Coimbra diretamente no leito do Canal, a montante e a jusante, exatamente, do cruzamento com a A1. Este excesso local de areia elevou artificialmente o nível do leito, o que subiu localmente o nível de água, aumentou a pressão lateral no dique, galgou-o, rompeu-o e levou a que imensa areia ficasse a cobrir os campos agrícolas vizinhos (com 1 m de espessura). A ciência não adivinha. Mas quando os dados estão disponíveis, alguém tem de lê-los, percebê-los e atuar em conformidade.
Esta coincidência perturbante pode ter uma explicação geológica: identificámos neste local um lineamento tectónico, com direção NNW-SSE, alinhado com o raro vale retilíneo ao longo da ribeira de Frades. O traçado desta provável falha tectónica ativa atravessa o canal principal do Mondego muito junto à A1. Uma eventual movimentação desta falha contribuiria para a fragilização local de ambos os diques. É uma hipótese remota que precisa de investigação pormenorizada — mas que não pode ser ignorada dada a surpreendente e, aparentemente inexplicável, posição das duas roturas.
A barragem da Aguieira e o sismo que ninguém ainda quis discutir
A falha de Vérin-Penacova é uma das maiores falhas sismicamente ativas de Portugal continental. Tem muito mais de 800 km de extensão total e situa-se a apenas 6 km da barragem da Aguieira. Um sismo de magnitude 7,1 nesta falha — com período de retorno estimado de 14300 anos portanto, improvável, mas não impossível — provocaria, no percentil 95%, acelerações entre 0,6g e 0,8g. A barragem foi, aparentemente, projetada para suportar 0,4g.
O muito improvável colapso (natural ou antrópico) da Aguieira geraria uma gigantesca e rápida onda de água, que chegaria a Coimbra 1 h depois. O alagamento atingiria, provavelmente, 8 m de altura de água nas planícies de inundação, alagando-as completamente — incluindo as baixas de Coimbra e de Santa Clara, bem como todo o Baixo Mondego.
A probabilidade é muitíssimo baixa, atendendo à robustez da estrutura e cálculos feitos. Contudo, as diferenças no comportamento mecânico nos encostos da barragem ao maciço de rochas metamórficas pouco resistentes poderá gerar rotura. As consequências de uma rotura seriam devastadoras.
É recomendável fazer a reavaliação do risco sísmico acompanhada de eventual manutenção da barragem. Não porque o colapso seja provável, mas porque a prudência assim o exige dado que ainda não conseguimos prever sismos. Note-se que as consequências deste raríssimo evento não estão consideradas nas Cartas de Zonas Inundáveis e de Riscos de Inundações do PGRI, PDMs e PPCs dos municípios do Mondego.
Girabolhos: uma resposta política a um problema de gestão
Dias depois da cheia do passado fevereiro, o Governo anunciou o relançamento da barragem de Girabolhos como solução para o problema das inundações a jusante. A intenção é compreensível. Mas a análise de fundamentação técnica e científica obriga a uma muito grande prudência na decisão política.
A sub-bacia que Girabolhos controlaria representa apenas 15% da bacia do Mondego. Em fevereiro de 2026, o volume de precipitação na sua área de influência teria enchido completamente a albufeira em apenas sete dias — e depois continuaria a transbordar. O rio Ceira, que trouxe mais de 1000 m³/s nas cheias de 2019 e 2026, entra no Mondego a junto a Coimbra, completamente fora do sistema de controlo.
Girabolhos não resolve, nem muito parcialmente, as cheias extraordinárias ou catastróficas. Poderia constituir uma nova fonte de energia renovável e complementar a gestão de pequenas ou moderadas cheias, bem como de secas. Mas os impactos ambientais no rio Mondego seriam muito altos. Entre eles encontram-se a diminuição da qualidade e da oxigenação da água, desaparecimento de habitats essenciais às espécies aquáticas, perda de conectividade longitudinal essencial para espécies migradoras, perda de vegetação ripária essencial à manutenção de uma temperatura da água mais baixa no verão e limitação dos blooms de cianobactérias, entre outros.
O Estudo de Impacto Ambiental existente é de 2016 — e está, no mínimo, desatualizado. Num momento de crise emocional não se tomam as melhores decisões de engenharia.
O que é preciso fazer — e o que não pode continuar a acontecer
Há medidas urgentes que não exigem estudos, nem licitações, nem anos de espera. Exigem rigor técnico-científico na fundamentação e a consequente vontade e decisão política:
Primeiro: Proibição imediata de implantação de novas edificações nas planícies de inundação. Não é uma medida impopular: é a única medida racional. Se não houver edifícios nas planícies de inundação, não há risco fluvial. É tão simples quanto isso.
Segundo: Gestão dinâmica das cotas de espera nas barragens da Aguieira e Fronhas, com base em previsões meteorológicas a 15 dias — disponíveis e fiáveis, hoje, com tecnologia existente. Durante dezembro, janeiro e fevereiro, as albufeiras devem estar o mais vazias possível.
Terceiro: Manutenção preventiva e regular dos diques do canal principal do Mondego. Desassoreamento da albufeira do Açude de 3 em 3 anos, mas dependente de cada montante extraído e transferido, bem como tendo em conta a época de reprodução das espécies piscícolas e outras. Remoção da vegetação arbórea nos diques. Inspeção geotécnica anual. Não é glamoroso. Não dá títulos nos jornais. Mas evita que um dique que, segundo a moderna engenharia hidráulica foi construído para ser “não galgável e intransponível”, rompa numa tarde de fevereiro.
Quarto: O caudal natural correspondente a uma recorrência de 100 anos agora determinado é muito superior ao que foi estimado no projeto da Obra Hidráulica do Mondego, bem como o correspondente caudal amortecido pelas barragens. Assim, é necessária uma revisão urgente das Cartas de Zonas Inundáveis e de Riscos de Inundações do PGRI. Consequentemente, também dos PDMs e dos PPCs dos municípios do Mondego.
Quinto: Criação de uma entidade de Gestão Integrada da Bacia do Mondego, com: competências reais, amplas e claras; recursos humanos qualificados e em número adequado; recursos financeiros necessários aos objetivos a atingir; e ser usado um modelo de cogestão participada. A gestão hídrica de uma bacia hidrográfica não pode continuar a ser feita em silos — a APA de um lado, a EDP de outro, os municípios de um terceiro, os agricultores a reclamar e a Proteção Civil a apagar fogos, bem como as populações ribeirinhas em desespero…
A lição do Mondego é muito antiga
Em Coimbra ocorreram muitas cheias catastróficas, nomeadamente: 1788 (4800 m³/s); 1331 (4500 m³/s); 1764 e 1843 e 1948 (4200 m³/s); 1411, 1739 e 1821 (4100 m³/s). Mesmo após a construção da gigantesca barragem da Aguieira (1981) ocorreram grandes cheias: em 2001, cedeu um dique junto à A1 e ocorreram mais 15 roturas em diques; em 2019 ocorreram 2 roturas em diques; em 2026, cedeu o dique do outro lado, exatamente, na mesma seção transversal onde a A1 abateu.
De cada vez que o Mondego transbordava, dizia-se que tinha sido excecional. Que não voltaria a acontecer. E era feito mais um pormenorizado relatório a listar as eventuais causas. Mas, depois, voltava a ocorrer mais um grande caudal de cheia, que o projeto hidráulico preconizava não poder vir a acontecer!
E de cada vez que o dizíamos, construíamos mais um pouco nas planícies de inundação, aprovávamos mais um PDM otimista, mantínhamos mais uns anos os diques sem manutenção adequada ou mesmo uma Câmara Municipal chegava a suspender o seu PDM para poder edificar extensivamente, nas planícies de inundação!
A ciência, nomeadamente, os especialistas de investigação científica, têm a obrigação de dizer a verdade, mesmo quando é incómoda. A verdade é esta: o Mondego não está a comportar-se de forma anómala. Está a comportar-se exatamente como sempre se comportou. O que mudou foi a quantidade de casas, estradas e infraestruturas que pusemos no caminho da sua água.
O Ordenamento do Território fundamenta-se nos dados científicos recolhidos e estudados, aplicando as regras da prevenção face à salvaguarda de pessoas e bens.
Portugal vai voltar a ter grandes cheias no Mondego. Nos últimos 102 anos a frequência de cheias em regime natural de 3000 m³/s (equivalente a 2000 m³/s com controlo por barragens) é de 20 anos (5 cheias por 100 anos, valor igual nos últimos 827 anos). A questão não é se o rio vai transbordar.
A questão é se da próxima vez haverá mesmo muita gente nas planícies de inundação a perder a sua casa, o seu carro, todos os seus outros bens ou a sua vida... Isso não depende do rio. Depende de nós."
24 anos de CAE
Comemorou no passado dia 1 de Junho 24 anos.Em 1999, com Santana Lopes como presidente, a Câmara Municipal da Figueira da Foz adquiriu a Quinta da Olaias, um espaço junto ao edifício do Museu e Biblioteca e ao Parque das Abadias, por 1 500 000 €. O objectivo era construir um centro de artes e espectáculos. Santana Lopes, sabia que a Figueira da Foz precisava de um espaço capaz de receber com dignidade grandes produções, grandes espectáculos e concertos.
A primeira “pedra” foi lançada a 5 de Novembro de 2000.
O processo de construção do CAE, depois de submetido ao III Quadro Comunitário de Apoio, lá se candidatou a fundos comunitários. O projecto foi aprovado. O investimento foi de 10 milhões de euros, comparticipado em 50% pelos fundos comunitários. Os outros 50 %, vieram da Administração Central (25 %) e do Município figueirense(25%).
Foi assim, depois de mais algumas peripécias que aconteceram pelo meio, que foi possível inaugurar o CAE no dia 1 de Junho de 2002, já com o falecido eng. Duarte Silva como presidente da autarquia figueirense.
No início, a gestão do CAE esteve a cargo da Câmara Municipal. Entretanto, também para tornear dificuldades que tinham ver com a dependência do orçamento camarário, a autarquia figueirense passou o CAE para a gestão da Figueira Grande Turismo EM.
Depois da extinção da FGT voltou para a tutela da CMFF, que é a quem compete a manutenção deste equipamento cultural de forma a permitir que o seu funcionamento decorra com todas as condições de segurança.
Um equipamento cultural, como o CAE, assume papel insubstituível na promoção do desenvolvimento do nosso concelho. A cultura é fundamental no desenvolvimento local.
Passados todos estes anos, a oferta de serviços culturais proporcionada pelo CAE, continua a contribuir para melhorar a qualidade de vida dos figueirenses e assume-se como um elemento de reforço da competitividade do concelho da Figueira, ao promover a sua imagem e a sua visibilidade no exterior?
quarta-feira, 3 de junho de 2026
Existem mulheres extraordinárias
Graça Freitas: "A minha calma mansa ajudou-me muito".
"Atrás de uma aparente mansidão está uma mulher com uma vida que a formatou para a resistência. Uma conversa com a ex-Diretora Geral da Saúde sobre cicatrizes, pandemia, arrependimentos, cancro e saber."
Para ouvir clicar aqui.
Greve Geral: respeito
O tempo da Revolução Industrial já aconteceu há muito. Charles Dickens já nos tinha esclarecido sobre comportamentos tutelares unilaterais.
Quem paga é que manda. Quem trabalha que obedeça e cale-se. É a mobilidade nas empresas que se quer. É pelo crescimento económico, dizem, como se fossemos todos parvos.
Vamos dizer não ao Pacote Laboral. Vamos dizer não aos comportamentos tutelares. Viva a GREVE GERAL.
A UGT, a meu ver, tem muito a explicar sobre a tomada de posição extemporânea que tomou ao demarcar-se desta manifestação de vontade dos trabalhadores portugueses.
A CGTP IN, sozinha, tem muita força.
terça-feira, 2 de junho de 2026
Festas da cidade vão decorrer entre 8 e 24 do corrente mês de Junho
Via Diário as Beiras: "As Festas da Cidade e do São João na Figueira da Foz acontecem, de 8 a 24 de junho. O município preparou um programa cheio de música e animação".
VIVA A GREVE GERAL
| Imagem: daqui |
Nota de rodapé.
segunda-feira, 1 de junho de 2026
"Central de Lares com aumento de 215% de poluição"
A preocupante conjuntura geopolítica actual, aliada à necessidade de enfrentar a tripla crise planetária, alterações climáticas, perda de biodiversidade e poluição, responsabiliza todos, Estado Central, Poder Local e sociedade civil, para agir em conjunto, em prol das gerações actuais e futuras.
Via Diário as Beiras: "Ranking anual elaborado pela associação Zero aponta um aumento de emissões de 215%, o que projeta a unidade de Lares da 8ª posição, em 2024, para a 3ª, em 2025".
quarta-feira, 27 de maio de 2026
Coligação Evoluir Figueira exige desmantelamento de empresa de biocombustíveis
"A sua concretização depende sempre do Estudo de Impacte Ambiental e como se trata de um projeto de raiz as questões ambientais podem ser todas acauteladas e criadas condições para os estudos evoluírem", disse o vereador João Martins
Via Diário as Beiras: "Documentação relativa ao investimento de 800 milhões para uma empresa de produção de combustíveis verdes para a aviação já está na Agência Portuguesa do Ambiente"
"Fascismo ao colo"
| Imagem de autor desconhecido |
Via Miistértos do Organismo, «um número de circo para as televisões, que as televisões passaram como uma "conversa sem filtros", ou quando os media são mais burros que o suposto burro, o receptor da mensagem.
"Até já" disse o criador à criação, três segundos antes de se sentar ao lado da criatura. "As pessoas estão impacientes" largou o pantomineiro do pin durante a prédica, onde chamou fotocópia ao seu boneco de ponto no Parlamento quando era primeiro-ministro. Que ele está impaciente, ficámos todos a saber.»
Fascismo ao colo, é o nome.







