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"Como todos sabem, há diversas modalidades de Estado. Os estados socialistas, os estados capitalistas e o estado a que chegámos" na Figueira.

segunda-feira, 31 de agosto de 2020

Interrogações pertinentes...

«Porque é que é necessário que "muitos milhares de pessoas" visitem a 90.ª edição da Feira do Livro de Lisboa, que "foi preciso coragem para pôr de pé", sem fazer estardalhaço com a Direcção-Geral da Saúde;

Porque é que é importante já estarem 28 mil bilhetes vendidos, de um pacote mínimo de 50 - cinquenta - 50 mil, para a corrida de Fórmula 1 no Autódromo Internacional do Algarve, sem pruridos de saúde pública em Rui Rio, no CDS e outros palermas avulso;

Porque é que a Festa do Avante!, num recinto onde cabem 100 mil, e num máximo de 33 mil proposto pela organização, só pode comportar 16.563 pessoas e a venda de bebidas alcoólicas vai ser proibida a partir das 20 horas, depois de semanas a fio de ruído em tudo o que é meio de comunicação?

Se calhar é melhor fazer a vontade a Marcelo e votar noutro partido que ressuscite uma DGS para meter os comunistas na ordem, pública. A bem da nação.»

Daqui

Covid 19: ponto de situação na Figueira

 Via DGS

O mundo, incluindo Portugal, já deve estar mais seguro e muito mais tranquilo...


O Parecer Técnico da Direcção-Geral da Saúde sobre a Festa do Avante, já está disponível!

ZONA INDUSTRIAL DA GALA, UM ESPAÇO MUNICIPAL...

 Via LUÍS Fidalgo

Costa vai passar a ir menos vezes ao Parlamento

"Já foi publicado em Diário da República o novo regimento da Assembleia da República que oficializa o polémico fim dos debates quinzenais aprovado pelo PSD e PS em julho. Os debates quinzenais com o Governo no plenário são substituídos por um novo modelo de debates de política geral e sectorial."

Victor Hugo:

Tavarede, pavilhão do SIT...

ACTUALIZAÇÃO. 
Segundo o Diário as Beiras, "o fogo terá tido como fonte de ignição a utilização de um maçarico que estava a ser utilizado nas obras que decorriam no edifício."

O aeroporto ainda é assunto?

João Vaz, via Diário as Beiras
«... numa aldeia de um pequeno país há políticos em fim de mandato que teimam em contrariar a realidade e querem um aeroporto para si. Para quê e para quem? Que companhias se vão mudar para Coimbra trazendo investimentos que valem centenas de milhões de euros? Ninguém sabe responder. 

Uma decisão de investimento, como a que é proposta pelo PS Coimbra, e acompanhada certamente por outros partidos, num novo aeroporto obriga a ter certezas quanto à sua viabilidade económica. Mas, as dúvidas superam largamente as certezas. Em todo o mundo os projectos de ampliação de aeroportos (Heathrow, Londres, por exemplo) foram congelados, ninguém arrisca investir num novo aeroporto.
Ninguém no resto da Europa está a pensar em endividar-se ainda mais para construir novos aeroportos, já será bom conseguir manter os actuais.

A proposta de investimento no aeroporto para Coimbra é um disparate que menoriza quem o anuncia. Precisamos sim de medidas de melhoria significativa das linhas de caminho-de-ferro; uma nova estação de autocarros de longa distância; aumentar o investimento em transportes urbanos inteligentes: mais ciclovias e bicicletas eléctricas; eliminar progressivamente a necessidade de usar o carro em Coimbra, etc. Não ao aeroporto, basta de demagogia populista.»

Para quem quem se afirma socialista e social-democrata e não sabe o que é a social-democracia...

"Consideração do trabalhador como sujeito e não como objecto de qualquer actividade. O homem português terá de libertar-se e ser libertado da condição de objecto em que tem vivido, para assumir a sua posição própria de sujeito autónomo e responsável por todo o processo social, cultural e económico." 

Uma primeira página que reflecte o tempo que passa: tristeza, crise e ansiedade


LIBERDADE

A vida para ser vida 
tem de ser vivida 
na liberdade de acontecer 
em livre liberdade de viver.

domingo, 30 de agosto de 2020

Haja respeito...

Foto de Luís Fidalgo


Alves Barbosa (FontelaVila VerdeFigueira da Foz24 de dezembro de 1931 — Figueira da Foz, 29 de setembro de 2018) foi um ciclista português.

COVID 19 na Figueira

 daqui

A cambada continua refastelada...

Directamente para os imbecis, vaidosos, presumidos e presunçosos apoiantes da desgraça autárquica que temos, fica a pergunta: é certo afirmar que a maioria dos figueirenses votaram neste executivo camarário?.. 

NÃO. NÃO foi a maioria! 
Foram os que gravitam à volta da panela e têm a capacidade de influenciar os conhecidos, a começar pelo vizinho! 
Somos o que somos! Um concelho de gente derrotada de nascença! 
Fazemos parte do povo português. 
Alguém acredita que povo vai alguma vez mudar o país? 
Tal como no país, também no nosso concelho, os fortes imigram, os inteligentes imigram e os filhos dos pais que venderam os anéis e quase iam ficando sem os dedos, para os formarem em doutores num concelho deserto de oportunidades, imigraram! 
Ficou quem? 
Ficaram os que deviam mudar o concelho? 
A saber. 
Ficaram os reformados, que descontaram mais de 40 anos para viveram como viviam - e nem isso conseguiram. 
Ficaram os desempregados, pois oferecem-lhe emprego tão longe de casa que, no final do mês, nem ganham para pagar a casa. 
Ficaram os empregados de salário mínimo, nas superfícies comerciais, a enriquecer o patrão com a empresa sediada na Holanda, que quando ao fim do dia chega a casa, descarrega na família o stress que já ultrapassou a linha do precipício. 
Ficaram os arrumadores, prontos a estender a mão á moedinha para matar o vício. 
E ficaram os lambe botas... 
Nem a chegada do Bloco ao poder em Buarcos/São Julião alterou nada. 
O Esteves, líder local carismático, tratou logo de meter o Bloco no bolso... 
Também aqui Deus deu nozes, mas não ofereceu dentes! 
E, entretanto, a cambada continua refastelada!..

Da série, "quem vota é o povo"...

 «...o aburguesamento dos militantes do PSD e do PS está a deixar a maioria do eleitorado a outros. 

Marcelo está habituado a falar para ser ouvido, a opinar para que os outros saibam, a mandar recados e recadinhos, a usar o seu estatuto presidencial para distribuir raspanetes e conselhos a toda a gente, desde o primeiro-ministro ao sem abrigo. Como professor tem meio século de um estatuto em que era ele a fazer as perguntas, como comentador sempre contou com jornalistas a quem cabia fazerem as perguntas combinadas e sorrirem para dar ares de quem ouvia grande coisa

Como disse Marcelo: «quem vota é o povo»...

E se os portugueses, além de votarem noutro Governo, também votassem noutro Presidente?

Há aqui um modelo de comunicação


 Imagem sacada daqui

Coimbra é uma Lição: a alma de Coimbra é um shopping center…!

Texto: CEMAR.
«Em Coimbra atingiu-se o último grau da anedota colectiva (aquele em que parece que já quase ninguém se apercebe sequer do nível da anedota em que vive... e da anedota que é…): existe um Centro Comercial que se chama Alma Shopping
Em que cidade, em qualquer parte do mundo, é possível a anedota de existir um Centro Comercial chamado Alma?»
Imagem: Diário de Coimbrade (24.8.20). Diário as Beiras (9.10.18)

A raiva de ter raiva dos raivosos

Confesso: tenho raiva dos raivoso. E tenho raiva de ter raiva dos raivosos. Lamento ter a doença da raiva por ter raiva dos raivosos. Tenho tudo: excepto a raiva de não ser raivoso. Não sou raivoso, mas tenho raiva por não conseguir ser raivoso. No fundo, só tenho raiva dos raivosos.

sábado, 29 de agosto de 2020

Se uma imagem vale mil palavras, os sete segundos da diatribe de António Costa contra os médicos descrevem-no melhor do que tudo o que possa ser escrito sobre o homem que governa Portugal.

«Quando o primeiro-ministro fala de ‘médicos’ como ‘gajos’ ‘cobardes’ emite uma declaração crucial para contextualizar a sua atitude para enfrentar os múltiplos problemas de saúde pública do país em pandemia. O grupo de jornalistas que o entrevistou devia ter-lhe pedido imediatamente um comentário sobre os fundamentos de tão violento destrato. Nunca por nunca poderiam ignorá-la, como o tentaram fazer os responsáveis editoriais do Expresso.

Note-se bem que não houve nenhum caso de ‘off-the-record’. De resto, compromete muito o desempenho jornalístico, a falta de perceção que a classe jornalística portuguesa (se é que existe) está a mostrar sobre o conceito. O ‘off-the-record’ é o entendimento entre repórteres e os objetos de notícia onde o único compromisso eticamente possível é salvaguardar o anonimato da fonte. Nunca pode ser invocado para obliterar conteúdos ao sabor da conveniência dos entrevistados. Divulgar matéria noticiosa é a obrigação jornalística. Sem a divulgação inconveniente de conteúdos noticiosos não teria havido conhecimento do escândalo de Watergate, das infâmias da Casa Pia, da roubalheira no BPN ou das irregularidades nas contas de Sócrates. Na verdade, sem a divulgação dos conteúdos obtidos por trabalho jornalístico, não há democracia. Não divulgar o que Costa disse sobre os médicos seria um ato de censura.

Uma situação de entrevista (tanto mais na residência oficial do primeiro-ministro) é o mais formal dos atos de colheita de informação que pode haver numa democracia. Tudo o que for dito é registo público. Os jornalistas não se podem comportar aqui como confidentes dos estados de alma de um entrevistado grosseiro, como foi o caso da equipa do Expresso a avaliar pela bondosa entrevista que conduziram que só fez notícia a sério na parte que não queriam divulgar.

Quando há quatro anos António Costa, por causa de um deslize de linguagem inconsequente, empurrou João Soares para fora do seu Gabinete, justificou-se chamando os media e dizendo: «(...) recordei aos membros do Governo que, enquanto membros do Governo, nem à mesa do café podem deixar de se lembrar que são membros do Governo e, portanto devem ser contidos na forma como expressam as suas emoções.» Mais adiante nesta mesma declaração, que foi o equivalente à punhalada nas costas dada durante um abraço fraterno com que Macbeth assassina o seu amigo Banquo, António Costa referiria a prudência e o bom senso que é necessário ter «(...) nestes espaços comunicacionais que hoje não são de conversa privada nem reservada tornam-se, naturalmente, públicos.» Prudência e bom senso que lhe faltaram neste contacto com jornalistas onde seguramente não se portou como o mais importante membro do Governo. Mas, enfim, provavelmente Costa disse aquelas coisas porque se sentiu muito à vontade com jornalistas do Expresso. A entrevista denota isso, particularmente na forma irada e brusca como Costa descreveu para os seus venerandos, obrigados, assustados e tão passivos entrevistadores o entendimento absurdamente restritivo que tem das atribuições da Ordem dos Médicos: «(...) as Ordens não existem para fiscalizar o Estado! Ponto final!») E eles ficaram-se. E mudaram de assunto.

Segundo Ato

António Costa é hoje primeiro-ministro de um estranho Gabinete formado por gente que amaldiçoa a vida pública portuguesa desde José Sócrates. Gente que serviu com empenho o ‘animal feroz’ durante o Freeport. Que andou com Soares, Guterres e Sampaio durante a Casa Pia e, já agora, gente que comprou meia dúzia de Kamov que não voam enquanto o país arde. E é também um homem com um nervo e calculismo raros. Testemunhei isso a 27 de maio de 2014 quando foi inaugurado na Ribeira das Naus um discreto monumento a Maria José Nogueira Pinto.

António Costa era presidente da Câmara de Lisboa. Fez um lindíssimo discurso exaltando a figura de Maria José e o seu influente papel na vida portuguesa. Jaime Nogueira Pinto fechou a cerimónia com palavras de saudade que comoveram todos e nos deixaram no silêncio sem jeito das recordações que doem mesmo. Foi neste ambiente de soturno mutismo coletivo que António Costa dobrou as duas folhas A4 do seu elogio fúnebre, meteu-as no bolso de um amplo casaco de alpaca cinzenta clara, compôs a gravata, apertou a mão a dois ou três dos presentes, afastou-se uns dez metros do monumento e acenou às três câmaras de TV que estavam a cobrir a inauguração que correram para ele enquanto jornalistas estagiários no habitual frémito mediático estenderam microfones ansiosos.

Teriam passado uns cinco minutos desde que António Costa, presidente da Câmara de Lisboa, tinha carpido um esgaçado e lacrimejante elogio fúnebre a uma pessoa excecional quando de costas para o monumento a Maria José Nogueira Pinto, anunciou que se ia candidatar à liderança do Partido Socialista declinando uma litania violenta contra o Secretariado de António José Seguro. Já se sabia que Costa planeava esta afronta, mas não se sabia quando tomaria uma atitude pública. Escolheu o dia do elogio fúnebre a Maria José Nogueira Pinto.

 Ao ver isto vieram-me à cabeça as palavras de Miguel Torga num comentário que fez depois de conhecer um distinto socialista que em tempo esgravatou a liderança do PS e que acabaria por atingir gloria in excelsis nas alturas da vida publica, urbi et orbi : «O rapaz fala bem, mas não presta». A saber: o relato dessa conversa tida no consultório do Dr. Adolfo Correia da Rocha em Coimbra foi-me feito ‘off-the-record’.»

Ir a casa dos jornalistas em teletrabalho!..

Via SOL


 

Está perigoso circular a pé na Figueira: cuidado com as obras da Câmara (mesmo as terminadas...)

Requalificação da Vala do Galante e Espaço Verde Envolvente - Trabalhos Diversos, obra acabada em final de Maio já está neste estado:



Para já, uma ida ao Hospital a registar, na sequência de um queda aparatosa. 
Figueirenses, como disse o presidente Marcelo, "quem vota é o povo": "este presidente deve ser apoiado".
As melhoras. Para todos. Mas, em especial para a minha amiga Isabel Maria Coimbra.

Ana Oliveira e Ana Carvalho, via Diário as Beiras...

"A Figueira da Foz sempre foi uma cidade bastante atrativa por diversos motivos. A história revela isso mesmo. Poderia descrever cronologicamente diversos momentos que relatam que a Figueira sempre foi uma referência, mas avanço na linha do tempo e destaco os gloriosos anos, entre 1940 a 1970. O auge da Costa de Prata, onde se ganhou o estatuto de rainha das praias de Portugal. A beleza ímpar devido à nossa localização geográfica fez sempre do “nosso cantinho à beira mar” uma terra bastante avançada para os tempos que corriam. Mas no auge da fama não se pensava nas mudanças que o mundo iria ter. Perante tal evolução podemos dizer que continuamos a ser uma cidade desenvolvida? Quais são, afi nal, as características de uma cidade moderna? O facto de estarmos no Centro do país, num dos extremos da Europa e com o mar a vislumbrar outros continentes faz com que continuemos a ser especiais e a termos uma posição privilegiada. Mas devemos, à custa disto, estar parados, como se a sorte simplesmente nos batesse à porta? Com as prioridades que hoje se exigem não me parece que basta estarmos onde estamos para garantirmos desenvolvimento. O conceito atual de uma cidade moderna é uma cidade acolhedora, que acarinha os seus munícipes. Não os condiciona com falta de emprego ou só limita a oferta a trabalho precário. Uma cidade moderna aumenta os seus espaços verdes e não os destrói. Uma cidade moderna é uma cidade limpa. Uma cidade moderna tem uma rede desenvolvida e abrangente de transportes públicos. Uma cidade moderna protege as pessoas, principalmente as mais vulneráveis e acautela os seus serviços de saúde de proximidade. Uma cidade moderna apoia as suas empresas e os seus comerciantes. Uma cidade moderna cuida da sua história e do seu património. Uma cidade moderna investe na cultura e na formação. Numa cidade moderna existe comunicação. O “quero, posso e mando” está um pouco fora de moda! Os prémios instantâneos atribuídos ao concelho, faz de nós uma terra moderna? Não me parece! No fi m de contas, a Figueira é um ícone de modernidade? Infelizmente, nem de longe nem de perto! Mas que poderíamos ser, isso não tenho a menor dúvida!"
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"Diz-se que uma cidade moderna é ser inovadora, progressista, é a ideia de que pode tornar-se sempre melhor no que diz respeito à condição humana dos seus habitantes. Nessa perspetiva, diria que a Figueira é uma cidade moderna, consequentemente, e tanto quanto dizem os rankings nacionais, é uma das melhores cidades para viver. Tal deve-se muito às suas gentes! Não fossem os figueirenses sucessores do ilustre Manuel Fernandes Tomás, o patriarca da liberdade e promotor da mudança de todo o país, um legado que passados 200 anos ainda perdura. Esta ânsia de inovar percebe-se em áreas muito transversais à sociedade. Ao nível do desenvolvimento económico a Figueira dá cartas na região, pois detém uma base produtiva industrial sólida com expressão tecnológica inovadora de relevo nacional e até mundial, como é o caso do setor da pasta e papel, das resinas, do setor alimentar das conservas, arroz ou aves, dos componentes técnicos ou do vidro de embalagem. Sinal positivo é também a dinâmica da Incubadora de Empresas do Mar e o Mercado de Ideias, apoiados pelo Marefoz que conta já com mais de 30 investigadores residentes, repletos de novos projetos e empresas iniciantes. Uma aposta ganhadora que irá, certamente, dar origem a negócios de sucesso. Ao nível cultural a Figueira é precursora. Basta perceber o número de associações de artistas plásticos, de escolas e grupos de teatro, dança e música, de eventos culturais, exposições, de espaços museológicos, de salas de espetáculo, de escritores premiados e de prémios literários, de fotógrafos famosos e de festivais de cinema. Face à sua dimensão, é sem dúvida uma das cidades mais influentes! A modernidade também se pode constatar pela diversidade de modalidades desportivas praticadas, pelos espaços públicos disponíveis ao ar livre muito superior à média nacional, pela qualidade do ensino e do acesso aos cuidados de saúde ambos públicos com resultados e provas dadas. Não é por acaso que cada vez mais turistas nos procuram. São surpreendidos positivamente por momentos de animação diferenciadores ou pela nossa oferta hoteleira e de restauração que tem sabido ultrapassar com inovação as dificuldades."

Desta vez concordo com Marcelo: "quem vota é o povo"...

Marcelo deu a resposta a popular: "Diga aos portugueses para votarem noutro Governo"... 
"Porque é que ajudam a TAP e os hotéis e a nós, que somos micro empresários, não nos ajudam? Porquê?", questionou a portuguesa. 
"Então eu dou-lhe a resposta", garantiu o Presidente da República, "porque os portugueses votaram neste Governo".
"Isto é a liberdade. Ela era pessoalmente simpática. E acabámos com uma cotovelada amiga", disse ainda Marcelo...

"Arquivo morto"

Quem me conhece bem, sabe que é assim: cheguei a sofrer com as desilusões. 
Entretanto, e já lá vai muito tempo, com o passar dos anos, resolvi o problema: criei aquilo a que eu chamo o "arquivo morto"
Consigo desapegar- me completamente de pessoas, mesmo de quem eu era verdadeiramente amigo, por quem tinha estima, respeito e consideração, que de uma forma ou outra, foram desleais com elas próprias e comigo. Nisso sou implacável: a partir daí, é como se essa pessoa nunca tivesse existido. 
Como costumo dizer, pode acontecer-lhe tudo, até sair-lhe o euromilhões e ter muita saúde, para mim é indiferente: foi para o "arquivo morto"
Hoje, tenho pena de não ter sido sempre assim: perdoei o imperdoável. Era habitual amenizar, perdoar, relevar e esquecer. Agora, é tudo mais simples: separa-se o trigo do joio. Afasta-se quem não interessa, quem não merece reciprocidade, amizade, consideração, carinho, amor, ou o dispêndio do nosso tempo. Nem toda a gente que se aproxima de nós é bem intencionada e bem formada. Todavia, de quando em vez, tem um lapso, um descuido. E, esse é o momento da "morte do artista". É aquele momento em que os trastes com que me vou cruzando passam para o "arquivo morto"
Já tenho um mausoléu dedicado aos velhos amigos das desilusões profundas, razoavelmente recheado...

Cristiano Ribeiro de Sousa, o histórico Professor do Clube Recreativo da Praia da Leirosa

Ricardo Santos, via Diário as Beiras:
"Cristiano Ribeiro de Sousa, embora não sendo natural da Praia da Leirosa, ali criou raízes e paixões. O professor, que se tornou figura de referência e importante benemérito, é considerado o pai da associação, de que foi sócio fundador e cujo património deve muito ao seu entusiasmo e persistência. 
Recentemente a Comissão de Moradores da localidade, com o apoio da Celbi, pintou no campo de futebol um mural em sua memória, da autoria de Victor Costa. “A mais bonita e merecida homenagem”, afirma Paula Vicente, a presidente da colectividade."

O chão de água frente à minha janela



Frente à minha janela, 
existe um chão de água,
que é um rio.
Não fica logo à minha porta. 
Dista uns bons 400 metros. 
De dia, se eu quiser, 
molha-me os pés. 
À noite, olhando-o da minha janela, 
refresca e alimenta os meus sonhos...

sexta-feira, 28 de agosto de 2020

Falando com os meus botões...

Sacado daqui, com a devida e necessária vénia.

A propósito de Manuel Fernandes Tomás, "O Patriarca da Liberdade" e a consciência cívica que ficou perdida no tempo e que tanta falta faz nos dias que passam na Figueira da Foz, interroguei-me: 
«como limpar os partidos dos ambiciosos que querem apenas promoção social e económica ?» 
Cheguei a algumas constatações/interrogações que me deixaram ainda mais realista : «fazendo a pedagogia do serviço público, que é uma honra para quem o pratica de uma maneira séria e honrada?
Como poderia essa gente subir na vida, ou fazer fortuna, se não fosse pela via política? 
O que se passa na actualidade - não só em Portugal?
As pessoas, em geral, consideram que se um político morre pobre é parvo, porque não soube «arranjar-se»?
Em sociedades sem valores - em que o dinheiro é tudo - desapareceu a sanção moral em relação aos políticos corruptos e não só a eles aos políticos corruptos? 
Na fase do capitalismo financeiro-especulativo, em que vivemos, tudo é permitido? 
Vamos pagar toda esta permissividade muito cara?»

Estão com pressa de saber quem é figura expoente máximo representativa de um concelho atrasado, analfabeto político, provinciano e parolo, como a Figueira, a partir de Outubro de 2021?..

Tenham calma: aguardem pelos resultados das autárquicas.

Não vai ser difícil escolher...

Também na saúde...

 Estado, a vaca leiteira dos privados:


«Das verbas públicas que financiam os cuidados de saúde, perto de 41% vão para os privados. Os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), divulgados pelo Jornal de Negócios, são referentes a 2018. Todavia, não se desviam da análise feita pelo AbrilAbril, relativamente a 2017, na qual se confirmava que a fatia da despesa do Serviço Nacional de Saúde (SNS) que tem ido parar às mãos dos privados, além de rondar os 40%, vinha subindo desde 2015.»

As fantasias e a ficção da realidade figueirense, pela pena do David Monteiro, via Diário as Beiras

 

SEXO (*)

via DIÁRIO AS BEIRAS


 (*) - Como já deu para perceber, a palavra "sexo" nada tem a ver com esta postagem. A sua utilização foi só para aumentar a audiência...

O que realmente importa, é discutir o que interessa ao concelho da Figueira e aos figueirenses

Existem várias razões para se publicar um blogue.

Este blogue começou por ser um passatempo. Facilmente se transformou num gosto. Prazer, como diz uma amiga minha, é outra coisa.

Um blogue também pode ser uma ilusão: a ilusão de ser lido.

Exprimir opiniões, divulgar informação, defender uma ideia, escrever sobre si próprio, publicar poemas ou fotografias, todos os motivos podem ser bons para escrever. Não existe uma razão única para um blogue ter sucesso, mas talvez todos os que o tenham partilhem uma razão comum: serem genuínos.

O que mede o valor de um blogue não é a sua visibilidade mediática, a quantidade de visitantes ou a periodicidade dos textos, antes sim o interesse e a qualidade do que lá se publica.


Ontem, publiquei um comunicado do CDS/PP sobre a concessão de jogo para o Casino da Figueira da Foz, que colocou na agenda um tema que deveria ficar resolvido até o final deste ano.

Em poucas horas mereceu a atenção de milhares de leitores. Ao ponto, de passadas poucas horas ser a postagem com mais visualizações neste OUTRA MARGEM na última semana.

Vamos lá entender isto: o CDS, no concelho da Figueira, não conseguiu eleger ninguém nas últimas eleições autárquicas, mas levantou uma questão importante para a nossa cidade que mereceu a atenção de milhares de leitores.

O Dr. Miguel Mattos Chaves esteve bem, "por trazer um tema pertinente para o debate político."

É para isso que serve o OUTRA MARGEM: para motivar abertamente a discussão sobre o que realmente interessa à Figueira.

quinta-feira, 27 de agosto de 2020

Cesária Évora

Hoje, completaria 79 anos

200 ANOS DO LIBERALISMO EM PORTUGAL: anedóticas Comemorações, à Portuguesa...



"... em Agosto de 2020, o Estado português está a comemorar, com uma banda filarmónica (a tocar para meia dúzia, na “província… como sempre…), os 200 ANOS DO LIBERALISMO EM PORTUGAL… Ao mesmo tempo que está a comemorar, com a impressão de uma moeda (do dinheiro emitido por esse mesmo Estado!) a mentira anedótica dos "730 ANOS" DA "UNIVERSIDADE DE COIMBRA"…"
CENTRO DE ESTUDOS DO MAR - CEMAR

Covid-19: o que nos espera...


Para ficar a saber, clicar aqui.

Razões para gostar de viver na Figueira em 2020 (2)...

Coisas realmente importantes e que passam despercebidas

Na reunião de Câmara realizada no passado dia 10 a Câmara Municipal da Figueira da Foz definiu as normas para a participação de grupos nas marchas populares de S. João de 2021. 

8.2 - DIVISÃO DE TURISMO E DESENVOLVIMENTO ECONÓMICO 

8.2.1 - TURISMO E DESENVOLVIMENTO ECONÓMICO 

8.2.1.1 - MARCHAS POPULARES DE SÃO JOÃO 2021 – APROVAÇÃO DAS NORMAS DE PARTICIPAÇÃO DE GRUPOS NAS MARCHAS POPULARES DE SÃO JOÃO 2021 – 23 E 24 DE JUNHO DE 2021 – RATIFICAÇÃO DO DESPACHO DE AUTORIZAÇÃO DO ADIANTAMENTO PREVISTO NAS NORMAS PARA AS MARCHAS QUE TRANSFEREM A INSCRIÇÃO NAS MARCHAS DE 2020 PARA 2021.

Nada de novo...

«O Partido Pró-Vida, contra o aborto marchar marchar, vai fundir-se com o Chega em Setembro na convenção que vai referendar a pena de morte.

O partido já tinha integrado as listas do Chega nas eleições legislativas e europeias, no ano passado. O PPV/CDC também já se coligou com o PSD e com o CDS em eleições autárquicas.»

Proposta do CEMAR à Câmara Municipal da Figueira da Foz

quarta-feira, 26 de agosto de 2020

O Governo está a reavaliar o concurso para o Casino da Figueira da Foz

 COMUNICADO do CDS sobre o assunto:

"Segundo as últimas notícias, a concessão de jogo para o Casino da Figueira da Foz termina no final deste ano. Até ao momento ainda não foi lançado o concurso para a atribuição da respectiva Licença para os próximos anos.

Posto isto venho publicamente pedir ao Sr. Presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz, bem como aos restantes Vereadores que esclareçam os figueirenses sobre as seguintes questões:

  – Está o Executivo Camarário a seguir este processo?

 – Que exigências fará a Câmara Municipal ao Governo, para a atribuição da referida licença?

A nossa posição é que as exigências que a Figueira da Foz deve fazer ao novo concessionário, são as seguintes:

1. – Que o Concessionário tenha que Requalificar o Edifício do Casino Peninsular, devolvendo-o à traça arquitectónica que o tornou famoso, quer em Portugal, quer no estrangeiro;

2. – Que o Concessionário tenha que proceder à Requalificação do Salão Nobre do Casino, devolvendo-lhe a sua dignidade perdida;

3. – Exigir ao Concessionário que se façam espectáculos no Salão Peninsular, pelo menos durante 4 noites por semana, durante todo o ano, a preços acessíveis à bolsa dos figueirenses;

4. – Que o Salão de entrada seja devolvido à sua dignidade inicial e sejam retiradas as máquinas de jogo que aí foram instaladas;

5. – Que seja reaberto e reequipado o Cinema do Casino, nas instalações do mesmo. O mesmo deverá funcionar todo o ano;

6. – Que sejam feitos investimentos pela Sociedade Concessionária, a quem for atribuída a licença para a zona de jogo, na Figueira da Foz, nomeadamente:

         - Requalificação do Porto de Pesca desportiva;

         - Requalificação e expansão da Marina de Recreio;

         - Que sejam obrigatoriamente Patrocinadores de, pelo menos, duas manifestações culturais por mês, a realizar no Casino e mais duas no C.A.E.F.F.;

7. - Que paguem as obras de requalificação da Piscina Oceânica, junto do ex-Grande Hotel;

8. - Que paguem as obras de Requalificação da Praia da Figueira e da Praia do Cabedelo, nomeadamente no que se refere a passadeiras de acesso e circulação, instalações sanitárias, instalações desportivas e sua manutenção, bem como mantenham a Praia em condições de limpeza e asseio exigíveis;

9. – Que sejam os Patrocinadores de um grande Festival anual, ou no mínimo bi-anual, de Cinema ou de Música e de um Concurso Hípico anual;


Estas exigências são, em nossa opinião, o mínimo dos mínimos, para ajudar a requalificar a Figueira da Foz, para além do apoio que deverão prestar a Obras Sociais.

Estas obras de requalificação e de manutenção, têm como objectivo atrair novamente o Turismo de Qualidade, nacional e internacional, de que a Economia da Cidade precisa.

É o mínimo dos mínimos, para ajudar os Comerciantes, os Hoteleiros, a Restauração, os Cidadãos em geral. Estes precisam que se criem mais e melhores empregos no Concelho, que proporcionem uma melhor qualidade de vida aos figueirenses."

Miguel Mattos Chaves

Presidente da Comissão Política do CDS-PP da Figueira da Foz

Caso dos "gajos"...

Nas primeiras horas deste dia tínhamos deixado a pergunta. 
Caso dos "gajos", depois de Costa e Ordem dos Médicos terem fumado o cachimbo da paz, ficou encerrado? 
No Jornal Público, pode ler-se.
"O conflito entre a Ordem dos Médicos (OM) e o primeiro-ministro não acabou, afinal.
António Costa não se retractou de forma enfática, lamenta Ordem dos Médicos
Muitos médicos queriam que António Costa pedisse publicamente desculpa, o que o primeiro-ministro não fez. Bastonário diz que primeiro-ministro não transmitiu “fielmente” o que disse na audiência com a Ordem dos Médicos."

Silvina Queiroz, via Diário as Beiras

«Socorri-me do Priberam, dicionário de L.P. na sua segunda opção para o adjectivo “moderno”: “Que tem ou contém progressos da ciência e da tecnologia”! A nossa cidade e o nosso concelho podem inscrever-se nesta explicitação? Acho mesmo que não, absolutamente não! Somos detentores de belezas incríveis, um património natural invejável. O construído tem peças lindas e muitas infelizmente já desaparecidas, na senda da descaracterização a que temos assistido e que já referi por aqui. As populações são afáveis e acolhedoras, dando assim “uma mãozinha” valiosa à legítima ambição turística da nossa terra linda … mas moderna a Figueira da Foz não é! Como pode ser moderna, evoluída, “acompanhando os gostos, ideias ou gostos do tempo actual”, ( de novo o Priberam)? Certamente não. Como pode ser moderno um concelho e uma cidade que não têm uma eficiente rede de transportes, rodoviários e ferroviários? Como, se alguém que chegue antes da noite de comboio vindo de Coimbra, já não tem um autocarro que o leve a casa? Isto para não falar das necessidades ao longo do dia, dentro dos perímetros urbano e periurbano, sem uma resposta capaz, aliás sem resposta praticamente alguma. Uma cidade que perdeu a sua ligação a Lisboa, por via da desvalorização macabra da Linha do Oeste e do desaparecimento do serviço Intercidades e que viu largamente dificultada a sua ligação a Aveiro e ao Porto. E Coimbra, sem a tão almejada e necessária duplicação da via que tarda em acontecer, apesar das promessas do Governo da Nação em apostar forte na ferrovia? E Salamanca? Já foi, ficou muito, muito distante com o “assassinato” a frio da Linha da Pampilhosa! E as populações que esta linha servia e que ficaram “orfãs”? Para a modernidade contribuiriam decerto uma oferta de emprego mais de acordo com a dimensão do parque industrial do concelho e os seus 63 000 habitantes. Contribuiria para esse desiderato uma revitalização do comércio local, especialmente na zona antiga da cidade. Preservava-se a proximidade e a tradição que nunca foram adversárias do progresso e da desejada modernidade. Esperemos!»

À atenção do vereador da Cultura da Câmara Municipal da Figueira da Foz

De um leitor deste espaço, devidamente identificado, recebemos o seguinte alerta. "Bom dia: Há uma situação que merece reparo relativamente à gestão dos bilhetes do CAE para sessões grátis como os Jardins de Verão. Todas as semanas, invariavelmente, os bilhetes à segunda-feira já estão esgotados para espectáculos do fim de semana seguinte. Penso que são dados só ao pessoal do PS e amigos (que pelo que sei não são sequer utilizados) ficando muitos lugares vazios. Este açambarcamento retira a hipótese de certas pessoas que gostam genuinamente de cultura poderem assistir ao que quer que seja. Esta situação faz-me lembrar a oferta massiva de bilhetes do Sunset Rfm somni a filhos e netos dos políticos do PS... Se puder e achar conveniente, peço-lhe que fale desta vergonha. Agradeço. Abraço."

A culpa é das palavras. Tomem lá música...

As palavras mandam. Também em nós. Mais, até, do que o que supomos. As palavras são assim. Dizemos de uma coisa que é “irremediável” e deixa de ter sentido procurar remédios. Dizemos de uma coisa que é “inevitável” e deixamos de fazer qualquer esforço para a evitar. Dizemos de uma coisa que é “irrealista” que mude, e logo a realidade se impõe sem apelo nem agravo. Como é óbvio, nos próximos meses o crescimento acelerado do desemprego vai ser inexorável, irremediável, inevitável e está na natureza dos factos, é a realidade. Já deu para perceber, que vamos ter muitos milhares desempregados. E vidas a irem ao fundo. A culpa é das palavras. Faço o que posso: deixem passar a música.

Tão hipócritas que nós somos...

«Quando olhamos, agora, para o caso de Reguengos de Monsaraz, não sei o que é mais chocante. 

Razões para gostar de viver na Figueira em 2020 (1)...

"...mamarracho de madeira e campos de padel em cima da muralha do Forte de Santa Catarina."
Município celebrou os 200 anos da Revolução Liberal e homenageia Manuel Fernandes Tomás

POLÍCIAS DO FORMALISMO À LA CARTE

«Há uma enorme maralha de capachos, uns mais notáveis do que outros, sobrevivendo à sombra e à custa do poder, seja ele qual for, que não perdem uma única oportunidade para justificar, explicar e branquear os crimes do poder e dos donos disto tudo. São os novos "polícias" do formalismo à la carte, sempre com os mesmos argumentos primários e desfaçatez.»

No país dos "gajos"...

Ontem,  "depois de três horas de reunião, o tempo é agora de tréguas entre primeiro-ministro e a Ordem dos Médicos. O encontro foi marcado depois de António Costa ter criticado os médicos pela actuação no Lar de Reguengos de Monsaraz, onde numa conversa privada, em off, utilizou a palavra cobardes. No final, trocaram Costa e Miguel Guimarães trocaram palavras de apreço e respeito."

Desconheço quem são os "gajos". Desconheço se são competentes ou não.

Ao que parece os "gajos" serão uns médicos de Reguengos de Monsaraz. Não conheço esses "gajos", aliás, não conheço nenhum "gajo" de Reguengos de Monsaraz e arredores

Só sei que os "gajos" foram cobardes. Quem o disse foi o primeiro-ministro.

Caso dos "gajos", depois de Costa e Ordem dos Médicos terem fumado o cachimbo da paz, ficou encerrado?

terça-feira, 25 de agosto de 2020

Conteúdo "zombie"?..

Via Município da Figueira da Foz 

«Praias da Figueira da Foz com limpeza o ano inteiro»!..

Teotónio Cavaco, via Diário as Beiras

«Embora conceptualmente moderno seja o que é contemporâneo, do nosso tempo (o que está entre o antigo e o que há-de vir), na linguagem que usamos e na forma como pensamos no dia-a-dia tem a ver com a utilização e a fruição de ferramentas de vida novas e tecnológicas, geralmente muito apetecíveis porque anunciadas como potenciadoras da “qualidade de vida”. Selecionei quatro itens (tecnologia, arquitetura, planeamento da cidade e atenção às questões sociais/desigualdades), numa perspetiva não técnica, mas o mais agregadora possível das duas abordagens sucintamente apresentadas acima, que justificam por que não considero a Figueira uma cidade moderna. Não é possível hoje conceber o quotidiano sem um bom acesso à internet, e este é geralmente mau (no resto do concelho é péssimo), havendo meia dúzia de pontos Wi-Fi gratuitos; quanto a postos de carregamento de carros elétricos, há apenas dois – quão longe estamos de ser “cidade inteligente”, na qual se utiliza as TIC na sua gestão (transportes públicos, controle de tráfego, segurança, …). E se tivéssemos de escolher um edifício, uma urbanização, algo que tenha sido edificado na Figueira nos últimos 40 anos e que mostremos com satisfação a um amigo que nos visite? (Pedro Daniel Santos, a tua “bolha” é a honrosa exceção) – quão longe estamos de ser “cidade criativa”, na qual se incentiva as atividades artísticas, a ciência, as universidades, o software, o design, a moda, a arquitetura, ... Os dois recentes documentos estratégicos para o concelho foram uma oportunidade perdida: o Plano de Desenvolvimento, porque não definiu à partida um desígnio específico, logo é falho de estratégias concretas, de recursos alocados e de metas e prazos a cumprir; e a revisão do PDM, porque não foi estruturador nem conseguiu a fixação de população nas freguesias rurais do concelho – quão longe estamos de ser “cidade sustentável”, na qual se resolvem os problemas associados aos resíduos sólidos, à energia, ao saneamento, à mobilidade, ao emprego, … Finalmente: o que de facto se está a fazer para combater o desemprego e consequentes consequências devastadoras? – quão longe estamos de ser “cidade humana”.»

Por onde anda o João Soares?

«Abril de 2016, o primeiro-ministro exonerou o titular da pasta da Cultura, lançando-lhe um solene aviso: os membros do Executivo «nem à mesa do café podem deixar de se lembrar que são membros do Governo». Isto porque João Soares, em escrita ligeira de Facebook, prometera umas "bofetadas" (retóricas) em dois comentadores que o haviam criticado.

«Costa põe João Soares na ordem e obriga-o a pedir desculpa», apressou-se a titular o Diário de Notícias.

Quatro anos depois, ignorando as suas próprias advertências, Costa comporta-se com uma leviandade que, em comparação, remete a do ex-ministro da Cultura à gaveta das traquinices infantis.

Perante pelo menos três jornalistas do Expresso, em frase à margem de uma entrevista mas que ficou registada numa gravação remetida (por dolo, irresponsabilidade ou negligência profissional) por aquele semanário a dois canais televisivos, o chefe do Governo disse esta frase, aludindo aos médicos que prestaram serviço em Reguengos de Monsaraz: «É que o presidente da ARS mandou para lá os médicos fazerem o que lhes competia. E os gajos, cobardes, não fizeram.»

Foram palavras proferidas off the record, mas não deixam de ser indignas de um primeiro-ministro - sobretudo de um primeiro-ministro que já tinha sido profundamente infeliz em Junho, quando afirmou que a escolha de Lisboa como palco da Liga dos Campeões era «um  prémio para os profissionais da saúde» que há seis meses combatem o Covid-19 em Portugal.»

A propósito de lares...

Se bem me lembro, depois de décadas e décadas aos beijinhos e abraços aos velhinhos nos lares, claro,  em períodos de campanha eleitoral, descobriu-se agora que existe um problema também nos lares portugueses?..

Colectividades da Figueira da Foz em grandes dificuldades

 Imagem via Diário as Beiras

CÂMARA MUNICIPAL DA FIGUEIRA DA FOZ

ACTA N.º 10/2020/REUNIÃO ORDINÁRIA DE 18-05-202

«16 - AUXÍLIO A COLETIVIDADES E FILARMÓNICAS 
O Vereador Ricardo Silva solicitou a promoção de algumas reuniões parcelares com as coletividades, filarmónicas, coletividades desportivas, com a participação dos Vereadores da Oposição, pois deseja ouvir e sentir a realidade do impacto, uma vez que existem coletividades que estão privadas de realizar os seus eventos, isso para elas trás custos e não têm as receitas estimadas nos seus orçamentos, existe o caso das filarmónicas que não vão poder atuar pelo menos até setembro do corrente ano, uma vez que a interdição está até 31 de agosto, ficando também impedidas de receber receitas. Estas reuniões eram para tentar ouvir e encontrarmos mecanismos para poder ajudar essas instituições. ----------- 
O Presidente respondeu que se podia tentar perceber a realidade destas instituições, mas infelizmente ou felizmente muitas delas funcionam com base no voluntariado, sendo que, não podendo realizar algumas receitas, reduziram também significativamente algumas despesas, e por isso, a Câmara Municipal adiantou já 70% da verba de apoio e disponibilizou equipamentos de proteção individual para aquelas que pediram para reabrir os seus espaços, acreditando que a curto prazo haja essa retoma. Salientou que, como já foi dito, neste momento já foram investidos mais de 600.000,00 € nas medidas para o Covid-19, sendo essa uma decisão que os Vereadores depois daquilo que nesta reunião será aprovado e sabendo que o processo do Paço de Maiorca transitou mais uma vez com a obrigação de se pagar os 5,2 milhões, sentença da qual já se recorreu, referiu que essa é uma decisão que os Vereadores podem tomar, podem propor que aloquemos grande parte do orçamento a continuar a dar apoios, depois terão de dizer onde é que querem que se vá cortar e o que é que não querem que se faça, porque como é do conhecimento a maior parte da verba do orçamento está consignada, mas podem fazer uma proposta para se decidir, como por exemplo, não se avançar com a zona industrial. Acrescentou que, nestes tempos os orçamentos têm receita e têm despesa e acredita que, em 2021 que a receita seja bem mais baixa que em 2020, assim se for colocada muita despesa, que não estava no orçamento e não querendo aumentar a dívida da Câmara Municipal, uma vez o objetivo tem sido reduzi-la, terá que se perceber o que é que se vai cortar, mas a Câmara Municipal está sempre disponível para ouvir as propostas apresentadas sobre este assunto.
O Vereador Ricardo Silva referiu que o objetivo seria a Câmara Municipal interceder junto do Governo, para também poder ajudar estas instituições. ------- 
O Presidente interveio para relembrar que há anos que se diz que o movimento associativo não deve ser apoiado só pelas autarquias, mas que deve ser mais apoiado pelos governos, mas que nesse assunto, se anda como o Padre António Vieira a pregar aos peixes, uma vez que é um assunto já discutido não há 10 anos mas à dezenas de anos. ---------------------------------------------------------- 
O Vereador Miguel Pereira interveio dizendo que percebe a preocupação do Vereador Ricardo Silva e que para além dos 70% de apoio, a Câmara Municipal no caso especifico das filarmónicas já avançou com o pagamento do apoio à formação musical, assim as filarmónicas em números redondos quase todas elas já obtiveram rendimentos nesta fase de cerca de 5.500,00 €, cada uma, por antecipação, ou seja, a Câmara Municipal percebendo as dificuldades antecipou o apoio à formação musical, apoio esse que tem sido efetuado com as limitações à distância, mas até com alguns trabalhos com algum interesse. Referiu que na passada semana, deu uma entrevista à Confederação de Coletividades, para acertar medidas de pressão ao Governo, ou seja, nunca ninguém poderá dizer que não foram feitas todas as tentativas de fazer chegar ao Governo estas necessidades e estas medidas, tendo a Confederação de Coletividades a nível nacional a certeza e a convicção que o Concelho da Figueira da Foz, mesmo nestas dificuldades continua na vanguarda, nos apoios de indemnização às coletividades. Acrescentou que se irá promover uma reunião com as coletividades, em termos globais, para os oscular, até porque neste momento está a ser desenvolvida uma profunda alteração ao Regulamento das Coletividades, e este é o momento de discussão, de criar alternativas e criar novos conteúdos e de dar um novo sinal de esperança. Referiu ainda, que a estratégia neste momento é enviar preliminarmente e antes da própria discussão, para que algumas coletividades deem alguns apontamentos sobre esse mesmo documento, uma vez que tem no papel da inovação, da agregação e de produtos continuados de algum valor, este novo documento tem um enfoque muito grande, e assim tudo isto terá que ser discutido com todas as forças, para que, em conjunto, não propriamente com as dificuldades orçamentais que o Presidente acabou de referir, mas para se conseguir agregar valor a este tecido associativo.  
A Câmara Municipal tomou conhecimento.»
Entretanto, hoje no Diário as Beiras:

CELEBRAR O DIA 24 DE AGOSTO E O LIBERALISMO, CONTRA O FEUDALISMO, NA FIGUEIRA DA FOZ DO MONDEGO

«O dia de hoje, 24 de Agosto, é um dia muito especial. Não somente por outras razões — e a menor delas não é seguramente o facto de ser o dia, de marés vivas (antigamente), que em Portugal é considerado como sendo "o dia de São Bartolomeu" ou "dia em que o Diabo anda à solta"… e por causa disso em São Bartolomeu do Mar, em Ponta da Barca, e em outros locais, as comunidades marítimas e fluviais o festejarem especialmente com rituais antiquíssimos que fazem parte da Cultura Popular Marítima Portuguesa — mas também porque esta data de 24 de Agosto é a data em que neste país ocorre a efeméride da revolução de 24 de Agosto de 1820… através da qual foi aqui instalado o Liberalismo, e assim se começaram a dar os primeiros passos decisivos (que, depois, ainda iriam ser muito demorados, dolorosos, e incompletos), para a ultrapassagem daquele que, desde sempre, e para sempre, foi, é, e continua a ser, o principal problema estrutural deste país que se chama Portugal, e da sua História: o Feudalismo… O regime senhorial-feudal caracterizado pelo senhorialismo económico monopolista e provinciano, pela feudalização jurídico-política, de tipo local, autenticamente vassálico, e que, muitas vezes, anedoticamene, ou tragicamente, chega a situações extremas, e ridículas, de caciquismo mafioso.

   
O senhorialismo feudal, típico do "Antigo Regime", desde a Idade Média, e que, neste país, secularmente periférico e subdesenvolvido, mesmo depois dessa revolução de 1820, tem deixado resquícios que têm demorado demais para serem totalmente ultrapassados.

E, hoje, 24 de Agosto de 2020, não se celebra só uma efeméride qualquer e igual a todas as outras, nos outros anos, rotineiramente (não é também somente a data do nascimento do grande escritor mundial, o argentino, de origem portuguesa, Jorge Luis Borges). Hoje, em 2020, celebram-se os duzentos (200) anos do 24 de Agosto de 1820.

E portanto o CEMAR (Centro de Estudos do Mar), com sede na Figueira da Foz do Mondego — embora sempre primacialmente vocacionado para outras matérias, de História e de Património Histórico Marítimo, que não as da História Política portuguesa e metropolitana — não poderia nunca deixar de aqui recordar esta data especialmente significativa, pois ninguém ignora, nem deve ignorar, que nessa revolução de 1820, e na consequente instauração do Liberalismo em Portugal, desempenhou um papel determinante um homem notável provindo desta cidade da Foz do Mondego, o jurista Manuel Fernandes Tomás. Como mostrou o Asssociado Honorário do CEMAR Capitão João Pereira Mano, no livro "Terras do Mar Salgado" que foi editado pela nossa associação científica, a família de Manuel Fernandes Tomás era uma família dos ambientes marítimos e comerciais da Figueira da Foz (vide Cap. João Pereira Mano, Terras do Mar Salgado. São Julião da Figueira da Foz - São Pedro da Cova-Gala - Buarcos - Costa de Lavos e Leirosa, Figueira da Foz: CEMAR, 1997).
   
É mesmo uma curiosa e significativa coincidência o facto de, na História de Portugal, para a afirmação da nacionalidade livre e responsável (o que, hoje, numa República, chamamos "a cidadania") — para a construção do Estado e para a reforma da sociedade no sentido da modernização e do Futuro (no foro decisivo, que é o jurídico-político e constitucional) —, terem tido reflexões teoréticas estruturantes, e papéis políticos determinantes, a quase quatro séculos de distância (!),  duas figuras históricas que, por acaso, se deu a coincidência de terem estado ambas ligadas a esta região, aberta, comercial e progressiva: no século XV o Infante Dom Pedro (1392-1449), Duque de Coimbra e Senhor de Buarcos, Montemor, etc., que governou o país e mandou promulgar as decisivas (civil e "constitucionalmente""Ordenações Afonsinas" de 1446; e no século XIX o jurista Manuel Fernandes Tomás (1771-1822), que nasceu na Figueira da Foz e foi um dos principais obreiros da decisiva (civil e "constitucionalmente") revolução de 1820.
   
O  primeiro foi o verdadeiro responsável não só pela reflexão filosófica e politológica pessoal que ficou consignada no "Livro da Virtuosa Benfeitoria" de c.1431 mas também pela pioneira e fundacional organização jurídica, sistemática e colectiva, que ficou consignada nas primeiras "Ordenações", em 1446; e o segundo, para além da sua acção organizativa e política, e ainda antes dela, foi também um jurisconsulto apontado para a modernização e racionalização do ordenamento jurídico português, e por isso o autor que produziu o "Repertorio geral ou índice alphabetico das leis extravagantes do reino de Portugal, publicadas depois das ordenações, comprehendendo também algumas anteriores que se acham em observância", em 1815.
   
Ambos por isso merecem ser evocados especialmente nesta cidade da Foz do Mondego (e têm-no sido), e os seus exemplos podem e devem ser aproximados (e ainda não o foram suficientemente), e é isso que, pela parte do CEMAR, hoje, aqui, se está a fazer. O exemplo de Fernandes Tomás, que a partir do Porto preparou uma revolução, e deu um futuro ao país, tem sido recordado, em termos cívicos e políticos, por quem tem obrigação de o recordar; e a figura do malogrado Infante Senhor de Buarcos que foi assassinado em Alfarrobeira, às portas de Lisboa (e, nessa ocasião, não por acaso, tinha aí consigo os Pescadores de Buarcos), tem sido sobretudo evocada pelo CEMAR (como nos compete, por sermos uma associação científica local apontada para o Património Cultural Marítimo desta região da Beira Litoral e Foz do Mondego).

Neste ano de 2020 — no ano que é, em números redondos, dos dois séculos da revolução e da Constituição Liberal de 1820 — espera-se que, portanto, sejam possíveis as celebrações, verdadeiramente significativas, que ainda venham a poder ser feitas, no decorrer do ano, e até ao seu fim, na sua cidade da Figueira da Foz, do jurisconsulto e homem político que aqui nasceu em 1771. Ao que parece, infelizmente, não veio a concretizar-se a ideia que havia sido proposta numa conferência de S.E. o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, realizada no Salão Nobre da Câmara Municipal da Figueira da Foz, promovida pelo seu anterior Presidente de Câmara (um jurista nascido nesta mesma cidade em que veio a ser autarca, depois de ser Juiz Desembargador no Tribunal da Relação de Coimbra, o Exº Senhor Dr. João Ataíde, entretanto precocemente falecido): a ideia de que esta cidade natal de Fernandes Tomás tomasse a dianteira, caminhasse nesse sentido, e trabalhasse para isso, e assim fosse a cidade em que viessem a ser centralizadas celebrações verdadeiramenete nacionais, e significativas, da figura do "Patriarca da Liberdade”.

Pela parte da nossa pequena associação científica privada — que nisso não poderia nunca ter especiais responsabiidades, ou capacidades, pela exiguidade dos nossos recursos (sempre sem querer receber e gastar dinheiro público) e por não ser essa a nossa vocação estatutária — aquilo que desde há muito temos praticado, e consideramos a nossa própria celebração do Liberalismo oitocentista, estando sediados na Figueira da Foz, foi a publicação (e a distribuição, gratuita, e generalizada, oferecidos a quem quer que no-los peça) dos dois grossos e sólidos volumes (tão grandes em dimensão quanto em qualidade, erudição, e interesse) da obra do nosso querido e saudoso associado Professor Hélio Osvaldo Alves, professor catedrático da Universidade do Minho, doutorado pelo University College da Universidade de Londres, presidente da Associação Portuguesa de Estudos Anglo-Americanos, etc., e que tivemos o prazer e a honra de ter como segundo presidente da Assembleia Geral do Centro de Estudos do Mar (sucedendo nessas funções ao também saudoso Dr. Luís de Melo Biscaia, vereador da Cultura da Câmara Municipal da Figueira da Foz, entretanto também ele já falecido).

A distribuição, gratuita e desinteressada, que desde há anos fazemos (e vamos continuar a fazer, para quem no-los peça) desses dois importantes volumes sobre História do século XIX que o CEMAR invulgarmente editou na Figueira da Foz (e que são, na carteira editorial global das dezenas de edições do CEMAR, algo de verdadeiramente único e excepcional, por não dizerem especialmente respeito à vocação estatutária desta associação apontada para o Mar e a História Marítima) é a nossa maneira de celebrarmos o Liberalismo oitocentista (a Revolução Francesa, e os seus reflexos em toda a Europa, em Portugal, e até mesmo em Inglaterra).

Estes volumes ainda hoje continuam a ser oferecidos a partir da Figueira da Foz.

A outra forma através da qual o CEMAR vai prestar o seu contributo para a celebração do Liberalismo, na Figueira da Foz, neste ano emblemático de 2020, vai ser através da manutenção do Encontro do Mar (embora, devido à pandemia da Covid 19, em teleconferência e emissão telemática, e não ao vivo e com público presente) que estava previsto, na culminação do ano, e na culminação dos Encontros do Mar, para o dia 12 de Dezembro de 2020, com o Professor José Adelino Maltez (do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa), sob o tema "(Re)Pensar a Regeneração de Há Duzentos Anos (1820-2020).

A celebração da memória do Progresso, desde a Idade Média — e o resgate da "maldição" dessa "memória" — têm sido, desde há vinte e cinco anos, um combate do Centro de Estudos do Mar nesta cidade da Figueira da Foz; e no que diz respeito à figura medieval do Regente da Coroa de Portugal que foi Senhor de Buarcos e deu a Portugal o seu primeiro código sistemático de leis — um momento, fundacional, da construção do Estado Português, contra o Feudalismo — esse combate vai continuar a ser travado, para futuro, no âmbito do processo para a definitiva e inadiável criação do Museu do Mar da Foz do Mondego nesta cidade. Um processo que, no entanto, continua numa situação incompreensível, sem que acerca dele existam quaisquer desenvolvimentos, pelos quais se continua a aguardar.

O combate pelo Progresso e pelo Futuro, nas regiões da Beira Litoral do antigo Ducado de Coimbra do Infante Dom Pedro e do seu neto e herdeiro político, o "Príncipe Perfeito" Dom João II (a quem o cronista chamou, logo no século XV, "próprio e verdadeiro coração da república"), é um combate que o CEMAR faz desde a sua fundação, em 1995, com a publicação, logo nesse primeiro ano, do livro de Alfredo Pinheiro Marques, A Maldição da Memória do Infante Dom Pedro e as Origens dos Descobrimentos Portugueses (Figueira da Foz: CEMAR, 1995).

Os inimigos desse Progresso e desse Futuro são aqueles que, desde o princípio, nos séculos XV-XVI, sempre o foram (e já se instalaram cá na Beira Litoral para isso mesmo, para asfixiar estas regiões). Os seus expoentes principais são o senhorialismo, de tipo eclesiástico (mesmo quando dito "pós-moderno"… e sempre hipocritamente "intelectual"), da Universidade que foi trazida de Lisboa, juntamente com a criação da Inquisição, em 1536-1537, precisamente para asfixiar política e culturalmente, e oprimir económica e socialmente, estas regiões da Beira Litoral (intitulando-se, desde então, com o nome de "Universidade de Coimbra", e ao longo dos séculos seguintes semeando a ignorância, o reaccionarismo e a hipocrisia à sua volta), e o senhorialismo feudal e nobiliárquico de um ramo colateral da Casa de Bragança, o dos Duques de Cadaval (Condes de Tentúgal e Marqueses de Ferreira), que, desde o século XVI, foram instalados em Tentúgal e em Buarcos precisamente para asfixiarem todas estas regiões da Beira Litoral que haviam sido do Ducado de Coimbra, e ao longo dos séculos seguintes o fizeram sempre. E por isso não é de admirar que, depois, nas décadas iniciais do século XIX, essas duas entidades senhoriais e feudais, a Universidade dita "de Coimbra", instalada no antigo Paço da Alcáçova onde havia vivido o Infante Dom Pedro, e os Duques de Cadaval instalados no Paço de Tentúgal onde também havia vivido o autor da "Virtuosa Benfeitoria", fossem regionalmente os dois expontes máximos do reaccionarismo absolutista, caceteiro, e boçal, que em nome do Feudalismo tentou impedir o advento do Liberalismo em Portugal.

Os Duques de Cadaval, latifundiários e feudais em pleno século XIX, e por isso odiados pelas populações locais (quer pelos camponeses de Tentúgal, quer pelos pescadores de Buarcos), foram por fim desalojados pelo triunfo do  Liberalismo, e o antigo Paço do Infante Dom Pedro em Tentúgal (que ocupavam desde há três séculos!), por ser seu, incendiado pelas populações.

O outro exponte regional do Absolutismo caceteiro e reaccionário, a Universidade trazida de Lisboa juntamente com a criação da Inquisição em 1536-1537, e desde então já instalada em Coimbra desde há mais de dois séculos, e por isso auto-intitulando-se com o nome, abusivo e erróneo, de "Universidade de Coimbra", teve por fim nas primeiras décadas do século XIX que se conformar com o triunfo do Liberalismo que não conseguiu impedir (nem ela, nem o Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra… ao qual, desde o princípio, sempre esteve umbilicalmente ligada, pela hipocrisia clerical e pela ignorância doutoral, apropriando-se ambos do nome da "Sophia" do Infante Dom Pedro, e a partir de Coimbra se digladiando feudalmente e judicialmente pela posse dos senhorios económicos da Beira Litoral, desde o castelo de Buarcos até Leiria, etc.).

E assim essa Universidade continuou pelo século XIX adiante, para na sua segunda metade sobre ela ser dito o que havia para ser dito, como merecia, por Antero de Quental e Eça de Queirós. E pela célebre frase, habitualmente atribuída a Guerra Junqueiro, sintetizando tudo.

O que essa Universidade continuou a fazer sempre — não por acaso… (e, assim, cobrindo-se de ridículo…) — foi continuar a ensinar, nos bancos das suas aulas de História e de Direito, ainda em pleno século XX (praticamente até à data de 25 de Abril de 1974…!), a curiosíssima concepção, tão reveladora, de que "em Portugal nunca existiu o Feudalismo"… [sic]…  Era, e continuou a ser, para sempre, a Universidade em que, em pleno século XX, a História poderia vir a ser ensinada, e dirigida (como veio), por alguém como Torquato de Sousa Soares…

Trata-se, aqui, em tudo isto (que é a História de Portugal…), de facto, da questão, de sempre, do Feudalismo e do Liberalismo. E, agora, estamos em 2020, duzentos anos depois.»