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"Como todos sabem, há diversas modalidades de Estado. Os estados socialistas, os estados capitalistas e o estado a que chegámos" na Figueira.

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Ataíde, Tavares e Monteiro e a solidariedade socialista

Ao que li nos jornais, Miguel Amaral, porta-voz do movimento cívico informal que reclama o fim da vegetação no areal urbano, entregou na terça-feira ao presidente da Câmara da Figueira da Foz, um abaixo-assinado com cerca de duas mil assinaturas.
Antes, porém, leu um manifesto.
“Não podíamos deixar passar mais um verão sem interpelar publicamente o presidente da câmara acerca do estado deplorável da praia, do mau aspecto e péssima imagem que é dada a quem aqui vive e, sobretudo, a quem nos visita”. Ao longo da leitura das cinco páginas, o munícipe – e presidente do Clube Náutico da Figueira da Foz – apelida de “imundice” a vegetação que a autarquia deixou crescer, sustentando que é para dar espaço à biodiversidade e à naturalização do areal. “Temos vergonha da imundice que ali está instalada e o senhor é o principal responsável!”,  disse Miguel Amaral. O porta-voz, que falava na reunião de câmara, afirmou mesmo que se trata de um caso de saúde pública.
Apesar das críticas e das duas mil assinaturas, João Ataíde garantiu que a autarquia não vai retirar a vegetação da praia, alegando que esta opção está tecnicamente sustentada. “Porventura, este será o ponto mais crítico, mas não se fazem obras sem incomodar”, argumentou.
Relembre-se: o concurso para a requalificação do areal está previsto ser lançado até ao final do ano, para “aproximar mais a cidade da praia”.
O vice-presidente da câmara, António Tavares, veio a terreiro para defender a autarquia e condenar o “tipo de linguagem, que não fica bem numa assembleia deste género”, utilizado no manifesto lido por Miguel Amaral.
Por seu lado, o colega de vereação Carlos Monteiro "ressalvou que a zona do areal onde se estende a tolha só tem areia e está limpa".
Goste-se ou não, João Ataíde, António Tavares e Carlos Monteiro, estiveram bem.
Sublinho apenas, que foi toda uma solidariedade (dentro de um partido fraterno, onde a luta pelo poder é o que menos importa a quem por lá milita) a funcionar!  
Por outro lado, ajuda a perceber a frustração de quem apenas tem convicções e se contenta em lutar no que acredita!
Ajuda, também, a perceber a cidade que somos!
E, ainda, o que nos espera o futuro – o nosso e o da nossa cidade ...

Em tempo.
A foto é de 23 de setembro de 2013, foi sacada daqui e tem a ver com a visita do líder do PS, na altura, para apoiar a recandidatura de Ataíde à Câmara da Figueira.
Recordo que um dia após as eleições autárquicas os comentadores invadiram os écrans. 
Da análise dos resultados das eleições de outubro de 2013 persiste - pelo menos para mim - um enigma.
E aqui já começo a entrar num terreno que não domino e nem conheço muito bem,  mas presumo como relevante na vida dos partidos e das suas lideranças. 
O PS, apesar de perder votos face às anteriores eleições autárquicas, ganhou 149+1 presidências de Câmara num total de 308 - isto é, quase metade.
Pelo que julgo saber, estes resultados eleitorais foram alicerçados em escolhas dos candidatos, feitas pelas concelhias do PS.
Sendo assim, como foi possível alguém, ameaçar e depois destituir Seguro da liderança do PS? 
As concelhias no PS - penso eu - são a base de apoio dos líderes partidários. Ganhando quase metade das presidências em outros tantos concelhos, gostemos ou não de Seguro, o resultado dessas autárquicas constituíam o melhor terreno eleitoral para o reforçar como líder do PS. Nas Europeias de 2014, sabemos o que aconteceu: o PS de Seguro voltou a ganhar.
Não é só nos romances que o real e o fantástico se podem fundir numa unidade perfeita. Na política também pode acontecer o mesmo!
Com isto, não tenho a intenção de fazer uma alegoria moral - e muito menos política. 
Sou, apenas, uma pessoa que pensa livremente.

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