Sou o senhor de meu destino; Sou o capitão de minha alma.” William Ernest Henley

domingo, 7 de novembro de 2021

"Vós sois o sal da terra", Vos estis sal terrae. S. Mateus, V, l3

Video sacado daqui

Tenho amigos em todos os quadrantes ideológicos. 
Há pessoas, porém, que só têm amigos de direita ou de esquerda. 
Confesso que esse tipo de gente, é a espécie que me assusta mais. 
A ideia de que duas pessoas, para terem um bom relacionamento de amizade, têm de  partilhar as mesmas opiniões políticas, a meu ver, é de uma perversidade cruel e desumana.

Ser do contra é algo que frequentemente aparece numa conversa para descrever alguém.
Pois bem, como hoje acordei bem disposto, admito: sou do contra. 
Umas vezes de forma assertiva;  outras vezes não. 
Isso não dignifica a minha imagem?
Esse problema, para mim, não existe. Putativamente, poderia ser levantado se desse importância à minha imagem. O que não acontece.
Como já devem ter percebido, polticamente falando,  sou um peixe fora de água. 
Porém, não pensem que, alguma vez, tive a tentação de atirar-me lá para dentro.

Mais a sério.
Como é óbvio, não sou sempre do contra. Mas gosto de ser: sobretudo, quando isso me diverte. 
É claro que isso tem efeitos. Confrontar quem nos rodeia, colocando questões concretas, apenas pelo prazer de o fazer, pode, se for bem feito, despertar alguma coisa. E, quando menos se espera, as surpresas acontecem e as pessoas revelam-se. A máscara, sem nínguem ter pedido, cai. E cai nas situações mais aberrantes. 

Ontem, ao realizar um dos meus sempre agradáveis passeios ao longo do molhe sul do estuário do Mondego, vindo do nada, ouvi um peixe confidenciar-me: «isto aqui pelo Cabedelo não anda nada bom. Está uma boa merda...»
Lembrei-me do Padre António Vieira e respondi aos irmãos peixes: «resta fazer-vos uma advertência muito necessária, para os que viveis nestes mares. Como eles são tão esparcelados e cheios de baixios, bem sabeis que se perdem e dão à costa muitos navios, com que se enriquece o mar e a terra se empobrece. Importa, pois, que advirtais, que nesta mesma riqueza tendes um grande perigo, porque todos os que se aproveitam dos bens dos naufragantes, ficam excomungados e malditos.»

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