sexta-feira, 6 de março de 2026

Santana Lopes, no Correio da Manhã

 

Tal como o Dr. Pedro Santana Lopes, creio que ainda vou ter saudades de Marcelo Rebelo de Sousa. 
Isto é: de um tempo político que acabou com ele na Presidência da República.
O Presidente Marcelo, mesmo na PR, nunca deixou de ser o comentador que conhecíamos e o «enfant terrible» do regime.

Ele, como ninguém, quando comentava fazia-o com conhecimento de causa. 
Ele conhecia, como ninguém, a essência do nosso mal: a incultura cívica, a falta de preparação teórico-prática dos legisladores e a ausência de métodos, com saber e rigor, no estudo e feitura das leis que temos, com grandes responsabilidades para os políticos que temos.

Vivemos tempos difíceis. 
O Chega é pior que tudo o que tivemos a seguir ao 25 de Abril na política em Portugal.
Santana Lopes, que teve o sonho de ser o sucessor do actual Presidente (...e que tal como ele, de anjinhos não têm nada), sabe que Marcelo Rebelo de Sousa teve sempre a sua agenda privativa.

E, isso, em determinado momento, foi um muro intransponível para Santana Lopes.
Nomeadamente, Marcelo, sem nunca o admitir, (entre outros) inviabilizou há alguns anos a possibilidade do então presidente da Câmara de Lisboa avançar com a candidatura à Presidência da República, dizendo sempre «não saber as verdadeiras intenções» de Santana Lopes.

Marcelo foi Marcelo até ao fim. 
Nunca mudou: foi o que sempre foi - um entertainer emocialmente instável com o sentido de responsabilidade de um puto traquina na adolescência. 
Tal como cerca de um milhão de portugueses que se deliciaram com o enfant terrible do regime, quando era comentador televisisvo, vou ter saudades de Marcelo.
Sobretudo, do comentador...

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