Sou o senhor de meu destino; Sou o capitão de minha alma.” William Ernest Henley

quinta-feira, 4 de novembro de 2021

O AZAR DO NOVO VEREADOR DAS OBRAS MUNICIPAIS...

 Hoje de manhã, próximo do Jardim Municipal, dois amigos à conversa.

— Mas que se passa com esta cidade? Há obras por todo o lado. Valha-me deus...

— É o progresso...

— Cuidado aí... Chegue-se mais para cá.

E, entretanto, foram andando em direcção à margem do rio, frente à marina.

— Arre, sente-se bem que chegamos à beira-rio, que humidade!

— Aperte bem o casaco, veja lá. Não deve dar jeito adoecer agora...

 Voltando à conversa entre os dois amigos... 

— Temos então que a câmara cá da terra tinha uma maioria absolutíssima e parecia lançada para um novo mandato. Tanto assim era, que pela oposição habitual se apresentou desportivamente um bom candidato perdedor.

— Estou a ver... Pessoa séria, que não queria mesmo ganhar, mas que fez o frete ao partido de se queimar nas eleições.

— Mas apareceu um candidato fora da caixa, um tal de Santana - e lixou a coisa toda...

— Sério?

— Hum... E depois, que aconteceu?

— A oposição fora da caixa tomou conta disto...

— Ganharam?

— Ganharam. Por meia centena de votos, mas ganharam.

— E agora? O que vão fazer a estas obras?

— Vão terminá-las... E se já estão atrasadas!

— Então isto acabou por sobrar para o novo vereador das obras municipais. Quem é o desgraçado?

— O Manuel Domingues...

— Mas esse, na Assembleia Municipal, não votou contra as obras?

— Penso que votou...

— É preciso ter azar...

Aproxima-se a hora do almoço.

— Cuidado aí, isto anda tudo em obras, talvez seja melhor mudarmos de passeio.

— Cuidado: vêm lá três cães. Será seguro?

— Estão com trela?..

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