Sou o senhor de meu destino; Sou o capitão de minha alma.” William Ernest Henley

sexta-feira, 5 de novembro de 2021

Antes e depois, sempre o mesmo...

Ainda me lembro, que quando era miúdo, no final da década de 50 do século passado, não havia frigorífico nem fogão, nem água canalizada, nem luz, na minha casa.
Na maioria das casas da Aldeia havia frio e fome. Felizmente, na minha casa nunca faltou que comer. Mas as dificuldades eram muitas.
Nesse tempo que já lá vai, as elites das classes altas em Portugal confiavam o governo da Pátria a gente de origem humilde, hábitos simples e pouca ambição social. Foi assim que o filho dos caseiros de Santa Comba chegou a ditador. 
Depois do 25 de Abril de 1974, já em Democracia, a vida melhorou para a maioria da gente da minha Aldeia.
As elites mudaram. Tornaram-se  burguesas. Perturbaram-se com o senhor que subiu na vida directamente da gasolineira do pai  para a universidade estrangeira. Sentiram repulsa quando o homem, na campanha para presidente depois de ter sido 1º. ministro,  falava de boca cheia e não gostavam de o ver junto dos Ricardos Salgados desta vida, então ricos,  poderosos e famosos. 
Antes do 25 de Abril de 1974, as elites contratavam filhos de caseiros para tratar da Nação. Depois do 25 de Abril, as elites burguesas incomodaram-se porque viram os filhos dos donos das gasolineiras passarem a mandar.
Sentiram-se despromovidos, ameaçados e humilhados. Tiveram medo de ser confundidos com o povo. Todavia, não tinham nada a recear. Os filhos dos senhores das gasolineiras que subiram na vida e chegaram a posições de destaque na política, continuaram a defender os interesses dos mesmos que defendeu o filho do caseiro de Santa Comba que chegou a ditador.
Os pobres é que sempre pagam as crises.

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