"Transportai um punhado de terra todos os dias e fareis uma montanha." - Confúcio

sexta-feira, 7 de maio de 2021

O desafio, para a imprensa tradicional, da multiplicação das vozes no espaço público

Jornalismo livre. Liberdade de imprensa e de expressão. 
Estão aqui dois pilares onde tem de assentar uma sociedade livre, democrática e moderna. 

Porém, existe um problema. Entre os jornalistas e os poderes - nomeadamente o político. Mas, não só. As ameaças à liberdade têm origem em diferentes tipos de poder. O poder económico-financeiro tem o seu peso e a sua influência. Uma das formas de condicionar a liberdade é tornar inútil o jornalismo. Isso, consegue-se através da parcialidade, do enviesamento, do silêncio, da diversão, da coscuvilhice - para não falar da falta de investigação e de confirmação dos factos. Nuns casos as pressões vêm do exterior. Noutros têm origem no interior do próprio sector jornalístico. 

Hoje, existem outros desafios que advêm da multiplicação das vozes no espaço público. Nomeadamente, daqueles que partilham, comentam, observam, criticam e aplaudem. 
Isso colocou um novo desafio: que relações é possível manter entre estas novas vozes e aqueles a quem cabia, tradicionalmente, o privilégio do acesso à palavra pública e o papel da mediação dos diferentes campos sociais? 
Houve - e continua a haver - dificuldades de relacionamento. Houve, dentro da classe jornalistica, quem não conseguindo compreender e aceitar esta realidade que existe, tivesse optado pelo ataque. 
Contudo, esta nova realidade veio para ficar. Portanto, tentar desvalorizar e desqualificar as novas formas de participação cidadã, não resolve nada. 
O desanuviamento não passa por aí. Quem publica no espaço público tem de respeitar muitas das normas deontológicas que eram apanágio dos jornalistas, em tempos idos. 
A realidade no meio jornalístico, embora existam jornalistas probos e sérios, também mudou algo. 
Um democrata sabe a importância da Liberdade de Imprensa para a construção de uma sociedade moderna e progressista. Não para se sobrepor ou para usurpar a liberdade, mas para lhe dar um novo horizonte e um sentido partilhado e alargado.

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