domingo, 16 de maio de 2021

O que fizeram ao Cabedelo!..

Memória...

Ontem, foi uma tarde de sábado livre.
Deu para fazer algo agora pouco habitual. Fui até ao Cabedelo. 
É raro, agora, ir até aquelas bandas.
O Cabedelo, em anos anteriores, por esta altura, constituía já um ponto de referência estival no concelho da Figueira da Foz.

O tempo passou.
Há obras em curso.   
E quando há obras e o tempo passa, muda tudo - sobretudo os velhos hábitos.
 
Ontem, a mente, liberta de preocupações, deixou-se inundar por inúmeras recordações que se sobrepunham de forma intemporal.  
Deu para dar conta do apagamento de velhos pontos de referência. 
Triste ver esse apagamento. 
Dói. 
Mas também dói o vazio humano que se via no café, nos novos arruamentos e, até, praia. 

Um vazio humano, um vazio de sentimentos e um vazio de esperanças. 
Dói ver o vazio e a decadência a desfilar perante os olhares de quem se entretém, durante uma bela tarde, a analisar os passantes e o ambiente. 
Interroguei-me sobre o que se passava, como se fosse muito complicado encontrar as explicações. O que não é: a desoladora realidade está ao alcance de qualquer um de nós.

O Cabedelo perdeu encanto e capacidade de sedução. 
Agora, é um local vazio de gente, vazio de sentimentos e vazio de esperança. 
O Cabedelo está morto. É um  vazio humano num cemitério de obras completamente desajustadas e que nada têm a ver com aquele local. 

O Cabedelo está morto. Mas está mesmo. 
Não fiquei muito tempo. Os espaços  onde passei  belas tardes, locais de alegrias e de esperanças, no fundo altares de almas, estavam vazios. Incomoda-me o vazio, incomoda-me a agonia do Cabedelo, incomoda-me gente que aceita com resignação a morte do Cabedelo. 
Triste Povo. Triste Figueira. Triste concelho. Triste Cabedelo.

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