Sou o senhor de meu destino; Sou o capitão de minha alma.” William Ernest Henley

segunda-feira, 9 de novembro de 2020

Esqueçam o Jardim Municipal...

Em Junho do corrente ano, a Câmara da Figueira da Foz lançou o segundo concurso para a requalificação do jardim municipal e ruas envolventes. O preço base é de 1,3 milhões de euros. 

Na altura, enquanto estava a decorrer o processo, o presidente Carlos Monteiro disse ao DIÁRIO AS BEIRAS: "há várias empresas a pedirem esclarecimentos sobre a empreitada."


Recuemos, via Diário as Beiras, à reunião de câmara realizada 15 de Julho de 2019.


Tornamos a avançar. Estamos em 2020. 
1. O primeiro concurso ficou deserto. Os potenciais interessados consideraram baixo o valor apresentado pela autarquia para a obra. 
2. "Os 300 mil euros em Março de 2019 passaram a 800 mil em Julho do mesmo ano. Chegamos a Setembro e a requalificação do Jardim Municipal e envolvente, qual leilão, foi arrebatada ontem em reunião de câmara por 1 milhão e 200 mil (com votos a favor de 2/3 da “oposição”, apesar de considerarem o projecto “desnecessário”). Se contarmos com os habituais imprevistos, imponderáveis e rectificações, facilmente chegaremos ao milhão e meio de euros. Estamos a falar de um jardim do tamanho de um campo de futebol. Se um figueirense tem dificuldade em perceber um investimento deste tamanhão, como é que se explica este número ao resto do concelho?"
3. Segundo o apurado pelo OUTRA MARGEMem Janeiro passado já se admitia que o valor podia atingir 1 milhão e 400 mil euros!.. Fora o imprevisível!
4. Seis meses decorridos, em  Junho de 2020, a Câmara da Figueira da Foz lançou o segundo concurso para a requalificação do jardim municipal e ruas envolventes. O preço base é de 1,3 milhões de euros
5. Existirá um montante final a partir do qual já não será possível evoluir? Um ponto em que não seja possível ir mais longe? Qual será esse  ponto final parágrafo da evolução do custo previsto para a obra do jardim, um espaço que foi remodelado em 2005? 

Estamos perante a segunda vaga da pandemia COVID-19. Esta desgraça, que estava a caminho em vários sectores da nossa sociedade, só por causa da queda do turismo, caiu em força na Figueira. Os piores cenários, se ainda não estão, vão ter forçosamente de ser revistos. 
Infelizmente, para pior. 
Não estamos em tempo de carnaval, foguetório, samba e mais obras da treta. Basta o que basta: Buarcos, casco velho da cidade e o Cabedelo. 
Esqueçam o Jardim Municipal. 
Gastaram-se milhões em Buarcos, mas não criámos postos de trabalho. Gastámos milhões no casco velho da cidade, mas não criámos postos de trabalho. Gastámos milhões no Cabedelo, mas não criámos postos de trabalho.    
Bem pelo contrário: estou convicto que nas zonas afectadas pelo deficiente planeamento e execução a "conta-gotas" das obras em curso, liquidaram-se postos de trabalho criando dificuldades de sobrevivência económica a algumas dezenas, pelo menos, de agregados familiares. 
No difícil tempo que passa, na minha opinião, isto é uma obscenidade. 
Não se pense que estou apenas a culpar o executivo do PS. Culpo o executivo PS, culpo a oposição e culpo o eleitorado do concelho da Figueira, que reforçou a maioria absoluta do PS em Outubro de 2017 e continua desinteressada, amorfa, indiferente, sem protesto que se veja contra toda esta estupidez. 
Se não há dinheiro para apoiar as pessoas, as colectividades, as instituições, a manutenção das empresas e dos postos de trabalho, aquilo que realmente cria riqueza e sustenta os habitantes da Figueira, temos dinheiro para obras desnecessárias, só porque são as obras deste regime figueirense no poder desde Outubro de 2009? 
Sinceramente: seria caso para levar a rir, se tal não fosse excessivamente grave. 

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