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quarta-feira, 25 de novembro de 2020

"História do Povo na Revolução Portuguesa 1974-75", um livro de Raquel Varela...

"História do Povo na Revolução Portuguesa 1974-75", é um livro que recorda um tempo, breve, em que o Povo perdeu o medo e participou na vida política e na construção do futuro. 
Esse percurso foi curto: terminou com o 25 de Novembro de 1975. 
45 anos depois, o Povo está amedrontado - tem mais medo, hoje, mesmo que queiram demonstrar o contrário. 

A história da Revolução Portuguesa, como a história de qualquer revolução, é a história do Estado e da construção de um poder paralelo a esse Estado, dos que já não conseguem governar como governavam e dos que já não aceitam ser governados da mesma forma. 
Este livro trata de uma parte da construção desse poder paralelo, dos que já não «querem ser governados» como eram. Neste livro, "História do Povo na Revolução Portuguesa 1974-75", Raquel Varela «uma das mais brilhantes críticas sociais de Portugal dos nossos dias» e «uma investigadora sagaz e dedicada da história global do trabalho», mostra um retrato fundamentado e estruturado da participação popular na revolução do 25 de Abril. O povo pobre, analfabeto e pouco politizado que desperta para a revolução e, sobretudo, para a luta pelos seus direitos. No fundo, na procura do caminho para uma sociedade sem mais exploração do homem pelo homem. Os artistas expressam a sua liberdade nos murais, no teatro, na escrita e nas canções. Recorde-se: na ditadura, os que tinham uma maior consciência política, partiram para o exílio e regressam para integrar a vida partidária. 
A mulher ganhou relevância na sociedade. Cresceu a consciência política da autodeterminação dos povos coloniais. 

Este era o povo de Abril, o povo que estava a perder o medo. 
O PREC era isto. Terminou com o 25 de Novembro de 1975. O controlo operário do processo produtivo, eliminando a exploração capitalista e criando lideranças e consciência de classe para abolir o sistema de relações capitalistas. 
Raquel Varela, nesta obra, faz sentir de novo, a quem o viveu, um tempo onde se sentia o pulsar das gentes que nas ruas, nas fábricas, nas organizações políticas, nas comissões de trabalhadores, nas greves, na reforma agrária e nas artes ousaram sonhar e fazer uma revolução. 
Mário Soares e o PS representaram um papel importante na acção preparatória do 25 de Novembro. Os partidos da direita, que agora arrotam postas de pescada, em 1975, não tinham condições para isso. Juntaram-se, atrelaram-se e foram à boleia da acção do PS, como por exemplo na Manifestação da Fonte Luminosa.

Como era diferente ter 20 anos em 1975.

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