domingo, 5 de novembro de 2017

Mártir ou herói?..

Cá pela santa terrinha, para a maioria, a vida, depois de 1 de outubro, p.p,  continua como sempre: impassível, independentemente da forma como olham para ela. 
Depois, há tudo o que há de mais maravilhoso!
Aqueles escassos e muito pequenos átomos que se vão incendiando... 

A brincadeira irreverente foi sempre  essencial na minha aprendizagem.
Com o passar dos anos ela - a brincadeira irreverente - continua a ser essencial para o meu equilíbrio. 
Quem desaprendeu de brincar não tem uma vida saudável. 
Sorrir, é-nos essencial durante toda a vida.

Há quem veja nesta  pequenez  impotente transmitida pela Figueira, equilibrio e  uma certa harmonia!..
Eu vejo monotonia, onde nada se diferencia de nada... 
Resulta daqui, a meu ver, uma certa visão amorfa da vida, onde as pessoas têm que olhar bem para acertarem no lado da barricada que lhes pertence! 
Não  vejo identidade.
Neste momento, olho para a Figueira como, em tempos, folheava a Playboy ou a National Geographic. 
Sabia que olhava para lugares onde sabia que nunca iria estar...

Anda por aí, muita gente preocupada com a minha viagem, pois julgam-me  parte de uma nau à deriva. 
Eu continuo, apenas, a divertir-me com a ideia de viagem. 
Ir, simplesmente ir por aí fora. Sem guião e sem destino. 
Evasão pura! 
Sair de mim,  levando-me, é  o projecto da minha vida, que vai continuar em exibição


Gosto de sentir-me bem com a pele que tenho.
Quem está comigo, de forma assumida, acompanha-me. 
Os outros, ficam pelo caminho.
A vida, a minha vida, tem uma história real e banal como todas as outras:  o mais importante de tudo, o amor, a primeira bicicleta, a motorizada, o carro, o montar da casa, a filha... E os desamores!

A finitude faz parte das nossas vidas.  
A uns, surpreende-os cedo. A outros, só os descobre tardiamente
Entretanto, vive-se o dia a dia -  o que é imenso e é  quase tudo que tenho.
Sem esquecer, porém, que a vida, por vezes, é o acaso.
Não se preocupem.
Mártir não sou. Herói, muito menos.
Mártir, é o trengo que tropeça quando o mundo começa a correr.
Herói, é o trengo que também correu... Mas, para o lado errado...

Hoje é assim, amanhã não sei...
Pior que vivermos numa cidade que não se dá ao respeito, é permitir que nos retirem os  sonhos e que acabem  com o nosso sorriso... 

Obras: Buarcos e Cabedelo...