Sou o senhor de meu destino; Sou o capitão de minha alma.” William Ernest Henley

terça-feira, 27 de agosto de 2019

O poeta (não o político) que escreve contra todos...

No que diz respeito à Política, Futebol,  Literatura, Pintura, Cinema, Teatro, Ópera, Culinária  Música e Poesia, reconheço e assumo a minha  ignorância.
Quem não o reconhece é, verdadeiramente, ignorante.

Já me chamaram poeta. 
Não sou. 
Todavia, se o fosse, seria o  poeta que escreve contra todos. 

É que há outros poetas.
Há o poeta que escreve só para alguns. Há o poeta que escreve mas escreve para a gaveta. Há o poeta que escreve e agrada a todos. Há o poeta que escreve e não agrada a ninguém. E há, também, o poeta que escreve para agradar a todos, seja de que forma for, ora mais telúrico ora mais onírico ora mais realista ora mais como o freguês quiser. Este tipo de poeta é o poeta que salta do jogo floral para o festival, do festival para o encontro, do encontro para a bienal, da bienal para a mesa redonda, da mesa redonda para a mesa do salão de chá, da mesa do salão de chá para o balcão da tasca, do balcão da tasca para o anfiteatro, do anfiteatro para o mercado municipal e assim sucessivamente até conseguir ser publicado por alguém. 
É um poeta sem bandeira. 
Ou melhor: é um poeta com várias bandeiras no bolso, que vai hasteando à medida das suas necessidades, mas, principalmente, à medida das necessidades dos outros que passam a ser suas também. 
É o poeta molusco, sem espinha ou outro tipo de estrutura que o faça andar na vertical. 
A horizontalidade rente ao chão é a sua real natureza.

De um crítico poeta que escreve contra todos, espera-se que malhe com propriedade na poesia de outro poeta e não que malhe no poeta.

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