Sou o senhor de meu destino; Sou o capitão de minha alma.” William Ernest Henley

quinta-feira, 30 de dezembro de 2021

Não foi a manhã de nevoeiro que o trouxe, foi um submarino

Pedro Marques Lopes
"A nossa capacidade de nos desmerecermos já vem de longe, mas continua bem viva. Adoramos um herói, provavelmente mais porque ele prova que somos fracos do que pelas suas qualidades; e como fracos (os outros, claro, que eu cá sou muito trabalhador e tudo), precisamos de quem nos guie, de quem nos obrigue a trabalhar, de quem nos imponha disciplina. 
Continuamos a ter uma vontade de desprezar os sucessos obtidos como comunidade para atribuí-los a um herói que a tudo se deve, como se fôssemos incapazes de realizar as coisas em conjunto, como se tudo o que se alcança na comunidade fosse fruto de um ser inspirado e abençoado. E se ele nos falar grosso, mostrar que tem mão firme e se se puser num pedestal, acorremos todos a pedir para levarmos o andor. Se, além disso, disser mal dos nossos representantes, torna-se divino. 
Lá está, o vice-almirante é que nos conhece: queremos liderança. O problema é que não é, de facto, dessa liderança que nós precisamos, mas isso digo eu."

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