Sou o senhor de meu destino; Sou o capitão de minha alma.” William Ernest Henley

quarta-feira, 6 de maio de 2020

O fascismo, a escola de André Ventura, nunca apreciou a coragem de assumir as convicções

A Selecção Nacional sempre que jogava em Portugal, porque havia sempre alguém na tribuna que pertencia a uma entidade oficial, era obrigada a fazer a "saudação fascista". Esta, que a imagem mostra, foi feita num Portugal vs Espanha, em 30 de Janeiro de 1938, quando os espanhóis vieram a Lisboa.
Recordo,  três jogadores que, na altura, incomodaram o regime fascista, como agora o Quaresma, incomoda o André Ventura: o guarda-redes Azevedo, do Sporting; e os belenenses Mariano Amaro e Manuel Quaresma (
tio avô do actual Quaresma). 

Azevedo seria o guarda-redes da famosa equipa do Sporting que contou com os Cinco Violinos na linha de ataque. Quaresma viria a ser um dos campeões do Belenenses de 1946: driblador exímio, ficou conhecido pela sua habilidade e pelo seu repentismo. Mas Amaro foi, seguramente, a maior figura humana de todos eles.
Os três ficaram ligados a um dos acontecimentos marcantes da história da nossa seleção. No dia 30 de janeiro de 1938, na recepção à Espanha, no momento de cumprimentarem o público com a saudação fascista, Azevedo esticou o braço mas manteve os dedos encolhidos, Quaresma limitou-se a ficar em sentido e José Simões, também do Belenenses, e Mariano Amaro levantaram os punhos. Os jornais dos dias seguintes procuraram não tocar no assunto, a revista “Stadium” chegou mesmo a retocar a fotografia das equipas alinhadas de forma a que nada se notasse. Mas nenhum deles escapou às incómodas perguntas da PVDE, tendo José Simões e Mariano Amaro sido mesmo presos para interrogatório. Uma exibição pública de coragem e de convicção que marcava a sua personalidade.

André Ventura, só engana quem quiser ser enganado...

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