sábado, 9 de julho de 2016

Antes a solidão que um ajuntamento de chatos...

Há diferença em, por opção, viver só e estar só.
Estar-se só, não é sinónimo de solidão. 
Para mim, funciona como aquele espaço que criamos para nos podermos sentir a nós e nos encontrarmos nesse isolamento necessário.
Isso pode ser tudo, menos solidão.
Citando Jean-Paul Sartre: "Se você sente solidão quando está a sós... então está em má companhia." 

Solidão é outra coisa.
É um dia de tristeza em que a saudade nos assalta. É um dia em que tudo, mesmo o mais pequeno pormenor,  pode magoar.
A solidão faz doer. 
É algo que não se vê mas que corrói.

Contudo, a pior solidão é aquela em que no meio de uma enorme multidão, sem sabermos bem porquê, nos sentimos sós.
Pior do que a solidão, só um ajuntamento de chatos.
Isto é, alguém que nos priva da solidão sem ser companhia.
Para mim, a solidão é preocupante. Porém, o isolamento, é algo necessário.

Nota de rodapé.
"O outro lado do sunset!" - A Praia do Cabedelo. Foto de Ana Oliveira

1 comentário:

A Arte de Furtar disse...

Penso que ambas as Figueiras têm cabimento – a do Sunset e da tranquilidade do Cabedelo.

Em termos pessoais, posso confessar que ambas me são agradáveis. A primeira porque permite que um dos meus filhos (abandonou a zona de conforto) tire férias e, venha com amigos estrangeiros, ao Sunset. A casa ganha animação e eu tenho o “meu menino mais novo” por quinze dias.
Não faz o meu tipo de música, mas reconheço que é um festival que movimenta muita gente e dinheiro.
Afinal Paredes de Coura está no mapa porquê? Pelo Vodafone Festival…. E eu já estive em Paredes de Coura e é uma experiência fabulosa. Foi o meu imaginário Woodstock!
O SUNSET com todos os defeitos e poucas virtudes que possa ter é importante para a Figueira da Foz.

AGORA, o que falha é o pós-SUNSET!
E falha todos os anos.
Falha na limpeza da cidade (já sei que vou ser eu a limpar as garrafas e os plásticos defronte minha casa), pois tirando o centro (até ao cruzamento do Talho da Fonte) o resto será um acumular de lixo durante meses. Sim, meus amigos, meses!
Falha na planificação da época balnear (triste escusa essa da madeira); falha no aproveitamento turístico da serra; falha na animação da cidade; falha na marcação e reparação das estradas; falha….

E falha nas praias da outra margem. É um desespero constatar que magníficas praias estejam ao abandono. Os equipamentos não são reparados; os locais de estacionamento são confusos ou parcos; a limpeza é escassa…. E sobretudo não se vê empenho, vontade, esforço em resolver as situações.

A segunda, foto de Ana Oliveira, é a deslumbrante Figueira!

Este foi um texto escrito ao “correr da pena”.
Termino, com Clarice Lispector: "Eu não escrevo o que quero, escrevo o que sou."
Escrever é uma ocupação muito solitária, concordo consigo.
Abraço.