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“O que impede de saber não são nem o tempo nem a inteligência, mas somente a falta de curiosidade.”
- Agostinho da Silva

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Belmonte, para além da telenovela...

imagem sacada daqui
Considerada, a partir de finais do século XIX, um paraíso sobretudo para turistas espanhóis, a Figueira, da altura, tinha nas actividades ligadas ao mar a sua fonte de sustentação - além da actividade turística, tinha a pesca, a indústria conserveira e a exploração das salinas. 
No interior do concelho a agricultura de subsistência e a pecuária ajudavam a dimensionar o escasso orçamento familiar.
Aos poucos, a Figueira começou, graças às suas excelentes condições naturais e climáticas, a entrar no roteiro de viajantes e turistas. À nossa dimensão, começaram a surgir hotéis, pensões e o Casino, e a Figueira vai percebendo que o turismo é uma actividade com retorno económico.
Aqui, para nossa desgraça, tivemos, porventura o primeiro erro histórico: a Figueira deixou, desde muito cedo, que fosse o turismo a ditar o desenvolvimento e não o desenvolvimento do concelho e da região a potenciar a actividade turística.
A Figueira quis ser uma cidade da moda e foram-se copiando alguns dos piores exemplos em matéria de urbanismo e ordenamento do território.
Locais, como nos últimos anos a minha Aldeia, Murtinheira e Buarcos, para além da cidade, ficaram transformados em autênticas urbes sem qualidade e esteticamente reprováveis. Começa a surgir a venda de apartamentos, a construção civil torna-se na segunda ou terceira actividade da região.
Foi a partir da década de 80 do século passado que se cometeram os maiores atentados na sustentabilidade do meio ambiente na cidade e no concelho.
Em 1997, quando Santana Lopes chegou à Figueira, já o declínio da cidade era evidente.
Com custos terríveis para a Figueira, em termos de endividamento camarário, promoveu algumas iniciativas que, depois, os amigos da comunicação social nacional promoviam até à exaustão, o que marcou uma viragem na forma de encarar o turismo e acabou por dar uma imagem falsa – a de que Santana tinha vindo colocar de novo a Figueira na moda.
Foi o segundo erro histórico cometido na Figueira.
E chegámos até aqui: ao retorno ao turista português e a Belmonte...

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