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"Como todos sabem, há diversas modalidades de Estado. Os estados socialistas, os estados capitalistas e o estado a que chegámos" na Figueira.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

É só prolongar a crise

"Ricos temos poucos”, disse ontem, com enorme desplante, a ministra das Finanças, por isso a classe média será a mais sacrificada!..
A ministra está a falar de um País onde nos últimos 3 anos se tem vindo a agravar um dos maiores flagelos da humanidade, que é o flagelo da desigualdade na distribuição da riqueza.
Segundo o DE de 15 de outubro passado, “Portugal cria 10 777 novos milionários por ano”.
Quase 30% dos milionários portugueses surgiram nos últimos dois anos. 60% de toda a riqueza está concentrada nos 10% mais ricos.
O DE esclarece que, para além dos 10777 milionários criados este ano (pessoas com uma riqueza superior a 1 milhão de dólares), Portugal criou mais 10395 em 2013.  
Quer isto dizer que, em apenas dois anos, este governo criou 30% do total de milionários portugueses. E pensar que há por aí uns energúmenos a dizer que este governo lançou o país na pobreza!
Não sou jornalista, mas sou curioso.
Por isso fui tentar perceber como foi possível, num país em crise, criar 21 mil milionários em dois anos (em 2009 havia “apenas” 11 mil milionários, o que significa que em cinco anos o número de milionários  aumentou quase sete vezes - são actualmente cerca de 75 mil. )
Tanto quanto pude apurar, desde a II Guerra Mundial  que não se registava um tão elevado número de milionários feitos à pressa. Mas, nessa altura, havia uma explicação: o volfrâmio crescia como cogumelos debaixo do chão e alemães e ingleses disputavam-no a peso de ouro. Uma tonelada de volfrâmio valia 6000 libras no mercado aberto e muito mais no mercado negro. Nesses anos loucos a febre era tal, que se alguém encontrasse um calhau de volfrâmio na soleira da porta, logo começava a cavar os alicerces ou planeava mesmo, deitar a casa abaixo.
Não é brincadeira, não! Por causa do volfrâmio, destruíram-se igrejas e mortos foram desalojados de cemitérios- relata a imprensa da época.
Nos anos 80 e 90 do século passado também nasceram bastantes milionários em Portugal, graças às verbas provenientes da UE. Nesses anos, muita gente transformou verbas do FSE ( destinadas à formação)em jeeps e carros de alta cilindrada, e verbas para agricultura fizeram florescer belas mansões com piscina, mas nada comparável ao enriquecimento proporcionado pelo volfrâmio. 
As verbas europeias “secaram” e por estes anos de crise não foi descoberto - que se saiba - nenhum produto capaz de rivalizar com o volfrâmio, pelo que a razão do enriquecimento de tanta gente, em tão pouco tempo, deve ter alguma explicação pouco perceptível ao comum dos mortais. 
Agora  há o Euromilhões, mas o número de milionários portugueses “criados” por essa via é tão ínfimo, que se perde na estatística. A distribuição é um negócio de milhões, mas apenas acessível a meia dúzia de portugueses.  E quanto aos banqueiros, também não há por aí Salgados e Jardins Gonçalves a dar com um pau. Além disso, ser banqueiro é uma profissão de risco. Que o diga o Oliveira e Costa, coitado, que andou anos a trabalhar num banco e agora está na miséria!
Por outro lado, se o DE escreve “criação” de milionários, isso significa que eles são produzidos em série num qualquer lugar. Não sendo nos supermercados, nos bancos, nem na Santa Casa, há-de ser em algum local mais recatado, não visível a olho nu pelo comum dos mortais.
Disse-me alguém habitualmente bem informado sobre estas coisas, que os principais viveiros se encontram em S. Bento e em Bruxelas.  Não acredito. Esses viveiros poderão ser responsáveis pela criação de algumas centenas de milionários, mas estamos a falar de milhares! 21 mil em apenas dois anos- relembro.
Eu não tenho nada contra os milionários mas,  saber que eles não nascem nas maternidades por desígnio da Natureza,  sendo  criados em viveiros artificiais cuja localização desconheço, chateia-me, pá. Fico com a ideia que também eu podia ser milionário e só não sou, porque me estão a esconder informação!
Se vivemos em democracia todos devíamos ter direito a saber como se cria um milionário”E não me venham lá com essa treta de que é o trabalho que nos torna ricos  e outras histórias da carochinha, como a globalização, porque já sou crescido e não acredito em contos de fadas.
Certo, certo, é que a crise multiplicou exponencialmente o número de milionários em Portugal, pelo que não percebo a razão de todos quererem acabar com ela. Afinal, os números não mentem: a crise é uma oportunidade! Ora, se assim é, o melhor é prolongá-la durante mais uns anos, para  dar a possibilidade a todos os portugueses de se tornarem milionários.  
Pelas minhas contas, à media 10 mil por ano, em 2114 todos os portugueses se terão tornado milionários. Não vos parece uma boa notícia? É só esperarem mais um bocadinho, que a vossa vez vai chegar!

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