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"Como todos sabem, há diversas modalidades de Estado. Os estados socialistas, os estados capitalistas e o estado a que chegámos" na Figueira.

sexta-feira, 28 de março de 2014

Ontem, foi mais um dia de governo à beira de um ataque de nervos

O governo desmente-se a si próprio, o que não é uma técnica de gestão recomendável.
Persiste um enigma: foi Montenegro que driblou as Finanças ou estas que desautorizaram o chefe do grupo parlamentar?
O leitor em breve o saberá, mesmo que o governo não nos brinde com o desmentido do desmentido do desmentido. É claro, porém, que o PSD  está dividido sobre as vantagens do suicídio português maquilhado de política de austeridade.
Hoje, no jornal i pode ler-se:
“O secretário de Estado da Administração Pública revelou a jornalistas matéria sensível sobre pensões. 
A Contribuição Extraordinária de Solidariedade (CES), que atinge os reformados com pensões acima dos 1350 euros é provisória, mas o governo está à procura de uma medida de igual valor que mantenha os cortes nas pensões que até aqui a CES tem garantido.
O que o governo assegurou ontem, através do ministro da Presidência, é que para além dessa medida - relativamente à qual negou existir uma formulação definitiva, uma vez que não há conclusões do grupo de trabalho - "não haverá reduções adicionais de rendimento dos reformados em Portugal".
A  polémica sobre o novo desenho nos cortes das reformas rebentou ontem depois de vários diários trazerem na primeira página pormenores sobre a possibilidade de manter os cortes aos pensionistas perante a necessidade de acabar com a Contribuição Extraordinária de Solidariedade. A informação revelada era resultado de um briefing convocado pelo Ministério das Finanças, mas apanhou de surpresa o primeiro-ministro e o ministro responsável pela coordenação política, Poiares Maduro, que desconheciam que as Finanças tinham decidido revelar à comunicação social pormenores do que estava em cima da mesa. Em visita oficial a Moçambique, Passos Coelho apressou-se a classificar as notícias dos cortes permanentes nas pensões como fruto da "especulação", mas não deixou de mostrar claramente o seu desagrado com a decisão das Finanças de divulgar peças do processo aos jornalistas: "Por vezes assisto ao debate público sobre estas matérias e penso que ele podia ser mais sereno e mais informado do que é e espero que os membros do governo contribuam também para isso", disse o primeiro-ministro.
Quanto à notícia concreta, tanto primeiro-ministro como ministro da Presidência remeteram-na para o domínio da "especulação". "Não faz sentido estar a especular, será decidido no governo, não será decidido sem a minha participação", disse Passos Coelho. Com a ministra das Finanças ausente de viagem a Washington, coube ao secretário de Estado da Administração Pública, José Leite Martins, a condução do encontro com jornalistas que apanhou o núcleo duro do governo de surpresa. A reunião era um briefing - em que o secretário de Estado aceitou que as informações fossem atribuídas a "fonte oficial das Finanças".
O problema é que a divulgação não estava coordenada ao mais alto nível e rapidamente tanto o primeiro-ministro como o ministro da Presidência se apressaram numa operação de "controle de danos".
Luís Marques Guedes culpou directamente os jornalistas presentes por, alegadamente, terem transformado uma "conversa em off" em notícia. "Acho que as interpretações feitas pela comunicação social de conversas tidas com alguns membros do governo ou com um membro de um governo - não sei quem tenha sido - é exagerada para não dizer abusiva. Uma coisa é fazer um ponto da situação sobre os trabalhos que estão a decorrer, outra coisa é tirar daí conclusões. Se os jornalistas pretenderam transformar uma conversa em off num ponto de situação num dado adquirido, não chamaria a isso uma fuga de informação, chamaria a isso uma manipulação de informação". Mas a verdade é que não se tratava de uma "conversa em off". Secretário de Estado e jornalistas combinaram - à boa moda dos briefings - o que podia ser atribuído a "fonte oficial das Finanças" e o que não podia. Mas decididamente neste governo um briefing é uma actividade maldita.”

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