Via Diário as Beiras: "Seiça é a localidade que escolho"
sexta-feira, 2 de outubro de 2026
Restaurar a natureza também é obra pública
Via Diário as Beiras
Autor: Glória Catarina Pinto
"Durante muito tempo, falámos de natureza como se bastasse proteger o que ainda resta. Mas há territórios onde isso já não chega. Rios artificializados, solos empobrecidos, dunas fragilizadas, linhas de água degradadas, habitats fragmentados e paisagens vulneráveis mostram-nos que conservar é essencial, mas nem sempre suficiente. Em muitos casos, é preciso reparar.
O tema voltou agora ao centro das políticas públicas. O Regulamento Europeu do Restauro da Natureza, em vigor desde agosto de 2024, estabelece metas vinculativas para recuperar pelo menos 20% das zonas terrestres e marítimas da União Europeia até 2030 e todos os ecossistemas que necessitem de intervenção até 2050. Portugal apresentou em 2026 o seu Plano Nacional de Restauro da Natureza, alinhado com essas obrigações europeias. As metas são ambiciosas e os compromissos estão escritos. Mas Portugal tem demasiada experiência em transformar metas ambiciosas em compromissos adiados — e compromissos adiados em paisagens degradadas. Será desta?
A pergunta justifica-se. Há décadas que se fala em recuperar rios, proteger dunas, valorizar galerias ripícolas, melhorar solos, reconectar habitats, defender zonas húmidas, controlar espécies invasoras e travar a degradação das paisagens. Muitas intenções foram inscritas em estratégias, planos e relatórios. Quantas chegaram ao território com escala, continuidade e consequência?
Reparar ecossistemas não significa voltar a um passado idealizado, nem transformar o território num museu ecológico. Significa recuperar funções perdidas: solos capazes de infiltrar água, rios com margens vivas, habitats ligados entre si, florestas mais diversas, zonas húmidas funcionais, dunas que protegem a costa e paisagens mais resistentes à seca, ao calor, às cheias e aos incêndios.
Também convém abandonar outra ilusão: a natureza não é uma entidade exterior a nós. Nós somos natureza. Quando recuperamos rios, solos, dunas, florestas ou zonas húmidas, estamos a recuperar as condições que permitem a nossa própria vida.
Mas nenhuma política terá impacto se ficar fechada nos documentos. Em várias cidades e territórios, movimentos de moradores, associações locais, escolas, universidades e coletivos ambientais têm mostrado que a participação cidadã faz diferença. Chamam a atenção para linhas de água esquecidas, árvores abatidas ou mal cuidadas, espaços verdes degradados, dunas fragilizadas, solos impermeabilizados, espécies invasoras fora de controlo e habitats que desaparecem quase sem debate público.
Por isso, a participação pública não deve servir apenas para validar decisões já tomadas. Cabe ao cidadão observar, questionar, atuar e mobilizar. Observar o que muda no território. Questionar opções que empobrecem a biodiversidade ou substituem vegetação nativa por soluções mal fundamentadas. Atuar nos gestos quotidianos que evitam degradação. E mobilizar outros para que o poder local não adie, não esqueça e não transforme compromissos ambientais em intenções sem consequência.
Restaurar a natureza também é obra pública. Talvez menos visível do que uma estrada, uma rotunda ou uma inauguração, mas muito mais importante para o futuro. Temos novas políticas, novas metas e novos compromissos. Mas a pergunta política continua a ser a mesma: quem executa, com que meios, em que prazo e com que responsabilidade quando as promessas ficam por cumprir?
Essa responsabilidade também é de cada um de nós. Está no modo como usamos a água, respeitamos as dunas, cuidamos de uma árvore, evitamos disseminar espécies invasoras, participamos nas decisões públicas e damos algum do nosso tempo a ações comunitárias. Exigir que os compromissos sejam cumpridos também faz parte desse cuidado.
Mãos à obra."
quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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O projeto Estamos Aqui! - Teatroe Comunidade está de volta, este mês, tendo como cenário o período entre a Idade do Ferro e os Templários.
São Julião contra nova concessão de estacionamento: “foi um lapso a Câmara não ter falado com a Junta de São Julião”...
Via Diário as Beiras
Na Assembleia Municipal, falando em nome da junta, Manuel Rascão Marques manifestou preocupação sobre a expansão da área concessionada na freguesia e do preço das tarifas (sobe de 50 para 70 cêntimos/hora, sendo agravado na época balnear para 1,20 euros). E votou contra a proposta que acompanha o concurso público internacional para a nova concessão de estacionamento, lançado pelo executivo camarário (FAP).
Por outro lado, o autarca de São Julião, que também preside à Concelhia da Figueira da Foz do PSD, principal partido da coligação que detém a maioria absoluta na câmara e na Assembleia Municipal, lamentou que a autarquia que lidera não tenha sido previamente auscultada pela câmara municipal. Propôs ao executivo camarário que retirasse a proposta, para ser objeto de uma análise alargada, mas não obteve sucesso.
O vereador do Trânsito, Manuel Domingues, que também falava na Assembleia Municipal, reconheceu que “foi um lapso não ter falado com a Junta de São Julião”.
A proposta para o concurso da nova concessão de estacionamento foi aprovada na reunião de câmara com os votos a favor da FAP. O PS e o Chega votaram contra.
O resultado replicou-se na Assembleia Municipal, onde também a CDU, Evoluir Figueira, Manuel Rascão Marques e Juntos Pelo Alqueidão votaram contra. Quem ganhar a concessão, por um período inicial de 10 anos, terá de pagar ao município 1,5 milhões de euros, além de 34% da receita, em vez dos atuais 10%."



