segunda-feira, 26 de outubro de 2026

A cabeça do ministro já está na bandeja?

Via Diário de Notícias
"A carga policial contra uma multidão de manifestantes foi uma prova de fragilidade do Governo e marca o princípio de uma crise com consequências imprevisíveis. Ver as imagens dos polícias, de viseira e bastão, a bater em miúdos provoca uma sensação de repugnância.
Não menorizo os avisos que não foram respeitados, as provocações ou a instrumentalização política por parte dos partidos à esquerda do PS, mas a resposta do Estado foi desproporcional e chocante.
A democracia não pode travar manifestações não-violentas com violência – quando tal acontece é por já estar em agonia ou por já não ser uma democracia. Existiam mil formas de tratar o assunto, algumas até musculadas, e todas eram melhores do que a ordem do ministro da Administração Interna com o beneplácito do primeiro-ministro. Mostrou cobardia quando desejava mostrar força – a cobardia de mostrar os dentes a jovens que reivindicavam sem violência por uma causa justa e a mediocridade de avançar com as agressões de madrugada, pela calada da noite, quando o país estava a dormir.
O que acontecerá a seguir é difícil de prever, mas a situação piorará antes de melhorar. As manifestações ganharão força e terão agora o dobro dos contestatários.
E o Presidente da República pedirá discretamente a cabeça de Luís Neves e clamará pela urgência de um plano de ataque ao problema da habitação.
Se tal não acontecer o PS não poderá aprovar o Orçamento de Estado, julgo que José Luís Carneiro estará ciente disso." 

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