domingo, 1 de novembro de 2026

“O Mondego e as margens que o oprimem”, foi um Debate importante, oportuno e esclarecedor

Foto: CDU/COIMBRA
Decorreu na tarde de ontem na Assembleia Figueirense um Debate organizado pelo PCP sobre o tema “O Mondego e as margens que o oprimem”. 
Abriu o debate Vladimiro Vale, do Secretariado e da Comissão Política do PCP. De seguida, usaram da palavra os professores e investigadores Fernando Seabra Santos, Elisabete Marchante e Hermínio Sousa.
Segundo a CDU/Coimbra, "esta iniciativa surgiu como uma necessidade de ter um espaço de troca de experiências de intervenção e luta em defesa do rio Mondego e da água pública, mas também de aprofundamento do conhecimento sobre a bacia hidrográfica, os riscos, problemas e caminhos a percorrer para os minorar."
O Debate correspondeu à expectativa. Foi uma iniciativa importante e "de vital importância para percebermos quais são os constrangimentos que afectam o funcionamento do Mondego assim como os perigos" que ameaçam o Baixo Mondego (o rio Mondego há muito que deixou de ser um curso de água natural, para passar a ser uma "obra de engenharia"). 
O Debate foi muito interessante e esclarecedor. Desde logo, porque teve "um painel de excelência". As intervenções dos três docentes convidados da Universidade de Coimbra, "baseadas em evidência científica", "abordaram várias matérias, desde as intempéries e as inundações sofridas ao longo dos tempos nesta zona estuarina, às plantas invasoras e seus efeitos nocivos para o ecossistema e para a vida das populações." 
Os oradores, "muitíssimo bem documentados, recorreram a dados de estudos existentes, fizeram análise comparativa e alertaram para os perigos que as unidades industriais representam não só para o Mondego, mas também para saúde da população."
Nomeadamente, ficou bem explícito "o facto de as unidades industriais necessitarem de grandes quantidades de recursos para poderem laborar (designadamente grandes quantidades de energia e de recursos hídricos), tendo os académicos salientado a necessidade de uma fiscalização apertada, o que, como sabemos, é praticamente inexistente, tornando a população completamente indefesa e à mercê dos grandes grupos económicos."
Os desafios, com os consequentes perigos para a qualidade de vida das populações do nosso concelho, com o anúncio da vinda de alguns projectos industriais anunciados para serem instalados a sul do território do concelho figueirense (uma zona já muito causticada pela implantação de unidades fabris poluidoras e gastadoras de recursos hídricos muito consideráveis), deixou "muita preocupação" no público presente neste Debate.
De registar também a participação do público, que acabou por prolongar o Debate, mas contribuiu também para enriquece-lo.
Citando Margarida Carvalheiro: "não se pode ter desenvolvimento a qualquer preço! Os recursos naturais não são ilimitados e temos de os salvaguardar! 
Quando o poder local não é sensível e não está preocupado com estas questões, resta à população exercer a sua Cidadania e opor-se, com firmeza, a uma atuação nefasta por parte de empresas que estão focadas exclusivamente no seu lucro."