sábado, 31 de outubro de 2026

O verdadeiro problema: "habitação tornou-se num negócio especulativo"

"Ter trabalho e não conseguir pagar uma casa é uma realidade que desafia as respostas políticas e alimenta a contestação nas ruas.
Neste episódio de «Estado do Concelho» na Figueiratv, António Albuquerque e Miguel Pereira falam sobre a crise da habitação, as manifestações em Portugal e as responsabilidades de quem pode decidir e agir. Do Governo às autarquias, passando pelo Parlamento e pela participação dos cidadãos, o debate procura perceber o que tem de mudar para garantir o acesso à habitação, com particular atenção à Figueira da Foz e à região."
Estas são as questões que foram propostas para assistir ao debate completo, coisa que ainda não consegui.
Sei que existem muitos problemas num sector onde existe uma crise, para quem precisa de uma casa para viver, e um negócio que proporciona lucros chorudos aos especuladores.
O negócio especulativo é um deles. Talvez o mais importante no percurso que nos conduziu até aqui.
Funciona assim: um promotor imobiliário vende casas em planta a um preço 30% abaixo do mercado. Como não tem capital para concluir a obra, vende a um fundo de investimento que compra e vende a sociedades de mediação imobiliária, 20% acima, para comissão. Estas vendem a quem tem poupanças para investir, por mais 20% que, por sua vez, vendem, por mais 20%, a quem delas precisa para viver.
Todos levam uma comissão choruda. E de comissão em comissão choruda, chegamos à impossibilidade de quem vive do rendimento do seu trabalho poder ter uma casa para habitar.
Isto, é uma questão política que tem de ser resolvida politicamente.
Está na ordem do dia porque existem manifestações. E existem manifestações porque existe um problema que é real: a falta de casas para as pessoas poderem viver com um mínimo de conforto e dignidade.

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