quinta-feira, 30 de julho de 2015

O voto em Liberdade e Democracia

Portugal, final de julho de 2015: em 4 de Outubro próximo os portugueses vão travar mais um combate político em democracia.
A campanha eleitoral em curso vai ser suja e descarada. 
Quando o que precisamos é de confrontar ideias - dispensamos a demagogia e a propaganda - reparem no cartaz. Não passa de um truque retórico fácil de desmontar: um avô,  a quem cortaram na pensão; os netos, a quem comprometeram o futuro. Todos com caras de felicidade!
Isto vai aquecer. E a ventoinha vai continuar a trabalhar…
Fica, desde já, este alerta para se abrigarem: na página 35 do programa da coligação PSD-CDS consta a proposta de privatização da Segurança Social.

Em Portugal, durante 48 anos, vigorou uma ditadura.
Sejamos claros e concisos. Em 24 de Abril de 1974, o governo de Marcelo Caetano não autorizava a existência de partidos políticos, muito menos opiniões discordantes da ditadura em que Portugal vivia e que Salazar baptizou de Estado Novo.
Havia censura: os jornais, os livros, o cinema e o teatro eram visados por censores que proibiam as palavras que não agradavam ao regime. Muitos escritores, jornalistas, cantores e músicos eram proibidos de divulgar as suas obras. 
Havia PIDE, a Polícia Internacional de Defesa do Estado: existia para perseguir, vigiar, prender e torturar todas as pessoas que tinham opiniões diferentes das do governo. Muitos antifascistas foram assassinados pela PIDE. 
Havia as prisões da ditadura: os opositores ao Estado Novo eram presos em prisões como as de Peniche e Caxias, onde permaneciam em péssimas condições e eram torturados, só pelo facto de não concordarem com o regime. 
Havia o exílio: muitos portugueses foram obrigados a emigrar para não serem presos ou por recusarem ir combater na injusta guerra colonial. Nos países de exílio, continuaram a sua luta contra a ditadura. 
Havia a Mocidade Portuguesa: os jovens, a partir dos sete anos, eram obrigados a pertencer a esta organização militarista de juventude, que exigia que andassem fardados, marchassem como soldados e fizessem uma saudação muito parecida com a nazi. 
Havia a guerra colonial: os territórios de Angola, Guiné e Moçambique, para alcançarem a sua liberdade, foram obrigados a fazer guerra a Portugal. Em consequência, morreram milhares de africanos e portugueses em África. 
Havia o poder autoritário: quem nomeava os presidentes das Câmaras Municipais e das Juntas de Freguesia eram os governantes, que não ouviam a opinião das populações nem tinham que cumprir um programa de acção. 

Durante 48 anos, algumas gerações de portugueses foram enganados por simulacros de eleições.
Contudo, sempre houve Resistência: como estavam proibidos os partidos políticos, lutava-se na clandestinidade pela liberdade. 
A Oposição Democrática participou em eleições, mas os resultados foram falseados e os candidatos presos. 
Apenas a seguir ao 25 de Abril de 1974 se realizaram eleições livres e democráticas. Registe-se, que mesmo na primeira República o sufrágio universal em pleno havia sido limitado - por exemplo, no acesso ao voto pelas mulheres.
O voto, em Liberdade e Democracia, só tem sentido no respeito sagrado pelo sentido do voto de todos e de cada um.
Votar é, antes do mais, uma enorme responsabilidade de cada um de nós.

3 comentários:

Asantix disse...

O artigo,em minha opinião,morre pela falta de uma analogia temporal.Confesso que, enquanto me deliciava com a resenha do antes 25 de abril/74,o texto me iria deliciar de igual forma com uma comparação do hoje ao antes e foi por falta desta que me deixou defraudado. Isto para dizer o quê? Entre o hoje e o ontem quais diferença podemos sentir?Penso que só mesmo nas datas e formas e ação,porquanto o resto tudo continua igual ou, na opinião do autor do texto, não?

Espero vir ler algo que me compare os dias de hoje para os de ontem.
Abraço

Antonio Agostinho disse...

Hoje, temos a realidade que conhecemos...
A comparação tem de ser feita por nós.
Será que não conhecemos a realidade de 2015?...

A Arte de Furtar disse...

Desculpem se insisto mas como me tocou na pele...
Estudaram e pensavam cá fazer vida, o futuro seria no seu país, a família continuaria presente fisicamente.
Mas seguindo o conselho sábio "abandonaram a zona de conforto" e acreditaram no tecnofórmico quando lhes disse "estar desempregado é uma oportunidade".
Partiram!
Produzem riqueza, são felizes, não vão voltar.
Bem haja,até ao dia que eu partir fisicamente, ao trio Passos/Portas/Cavaco. Mas ainda mando um abraço ao 44....
Aprendemos no antes a resistir,aprendemos hoje a não desistir.
Liberdade!