Ernest Hemingway: «Um homem pode ser destruído mas não vencido.»

sábado, 6 de junho de 2009

A emigração cova-galense em New Bedford

Foto sacada daqui
Foi daqui, da Cova-Gala, então, essencialmente, uma comunidade piscatória atormentada pela fome, que desde os primeiros anos do século passado, até aos nossos dias, emigraram para a pesca nos Estados Unidos, centenas e centenas de chefes de família.
A América, era vista como a terra de todas as oportunidades: "antes o mal da América, do que o bem de Portugal", é uma frase que ouço desde que me lembro de ser gente!..
Na América, dizia quem cá ficava, "ganham-se dólares..." Aqui, pela Cova-Gala, no Portugal de Salazar, do Cerejeira e do Tenreiro, "era a fominha..."

Sofreram muito, esses cova-galenses pioneiros do “sonho americano”.
Os primeiros, fugiram a salto dos navios bacalhoeiros que abordavam os portos do Canadá, especialmente St. Jonh´s.
Conheço "estórias" arrepiantes, de Homens encurralados num Portugal sem horizontes nem perspectivas, que mesmo sem saberem uma palavra em inglês, alguns nem sequer sabiam ler ou escrever em português, correndo riscos enormes, arriscavam ir em demanda da cidade piscatória de New Bedford em busca de uma vida melhor, uma cidade, aliás, com ligação a Portugal desde o século XVIII, por causa da pesca da baleia.

Neste momento, cá pela Cova-Gala, vivem muitos “americanos reformados", os homens que, depois de uma vida de trabalho nos mares de New Bedford, retornaram às origens, para passar “o resto dos dias no torrão natal". Lá pela América, continuam os descendentes. Por isso mesmo, apesar de os homens preferirem voltar à “terra mãe”, as mulheres são mais renitentes. O coração está dividido, pois os filhos e, sobretudo, os netos, estão lá, “no outro lado do mundo"...
O sofrimento, agora outro, continua...

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