O mundo que temos é este em que vivemos. Portanto: «não importa para onde tentamos fugir, as injustiças existem em todo o lado, o melhor é encarar essa realidade de frente e tentar mudar alguma coisa.» Por pouco que seja, sempre há-de contribuir para aliviar...
A recém-eleita direcção da Concelhia da Figueira da Foz do PSD, liderada por Gonçalo Raposeiro Faria, nesta notícia veiculada pelo Diário as Beiras, não apresenta uma ideia ou medida política para ultrapassar as dificuldades existentes no concelho: limita-se a reclamar mais lugares para os jovens social-democratas nas listas que o PSD apresentará às Eleições Autárquicas, em 2021.
É isto que preocupa os jotas dos partidos do «arco do poder»: a conquista dos lugares.
Todos sabemos que o que dita leis nos partidos figueirenses é a defesa fanática dos interesses (e ambições pessoais dos dirigentes locais) do partido.
Pertencer a uma jota partidária, hoje, a meu ver, é um dos piores indícios curriculares para quem se queira abalançar numa carreira política.
Ou melhor: deveria ser. Porém, não é. Para os partidos, não é. Afinal os jotas são a matilha que há-de continuar a comer o rebanho dos eleitores nas gerações próximas.
A formação que o jota, em regra, «bebe» da sua organização partidária, baseia-se no carreirismo assente numa estranha ideia de políticos profissionais.
A «formação» começa com o confronto imediato com a trapaça eleitoral e com o espírito mercantilista ao serviço das vaidades e ambição mesquinhas de cada um.
A racionalidade, o altruísmo, a missão de servir e não servir-se, o sentido de cidadania dos políticos, que tanta falta faz à Figueira, é um bem cada vez mais escasso na política local e nacional.
O importante é a satisfação da vacuidade pessoal e a conquista do lugar que dá acesso ao objectivo principal: o tacho.
«O novo e atípico ano lectivo terá muitas novidades, todas elas em torno de medidas e
normas que visam minimizar o
risco de infestação pelo novo coronavírus. O desdobramento das
turmas, que não pode afectar os
conteúdos programáticos nem
as actividades extra curriculares, poderá ser uma das opções
para reduzir a concentração de
alunos.
Se as escolas optarem
por dois turnos, um de manhã e
outro de tarde, os alunos do primeiro poderão levar as refeições
escolares para casa.
Os transportes escolares são
outra das preocupações das famílias, escolas e autarquias. O
concurso para aquele serviço,
que inclui transportes públicos,
foi lançado pela Comunidade
Intermunicipal da Região de
Coimbra. As normas de segurança sanitária a adoptar estão a
ser debatidas com as transportadoras.
Realiza-se
amanhã, no Centro de Artes e
Espectáculos, uma reunião que
juntará representantes da autarquia, das escolas e da autoridade
de saúde local, tendo na agenda
medidas sanitárias para os estabelecimentos de ensino.
Acerca do ano lectivo atípico
que se avizinha, o vereador da Educação e Formação Profissional Nuno
Gonçalves afirmou que o encara
“como um enorme desafio, mas
com uma confiança que advém
da extraordinária relação entre
os directores [dos estabelecimentos de ensino] e os responsáveis
municipais”.
Acrescentou ainda: a
transferência de competências,
da Administração Central para
as autarquias, “permite ao município estar mais próximo da
realidade e resolver assuntos de
forma mais célere”.»
O autor do editorial Geração Rasca? publicado a 6 de Maio de 1994, sobre a contestação às provas globais lançou o debate sobre toda uma geração.
Foi jornalista, quis ser cineasta, experimentou ser político.
O primeiro director do PÚBLICO morreu na madrugada desta terça-feira. O corpo estará em câmara ardente a partir das 18h nas Capelas Exequiais da Basílica da Estrela, em Lisboa.
Depois de 46 anos de democracia, esperava que o poder local fosse uma escola de democracia e um viveiro de políticos honestos, competentes e empenhados com o bem comum. A proximidade em relação aos cidadãos, o fato de estar em causa a resolução de problemas das localidades, a proximidade entre eleitos e eleitores, são factores que me levaram a pensar que isso seria possível.
Como escrevi em 15 de Setembro de 2006 (já lá vão quase 14 anos), «com a “Revolução dos Cravos”, o poder local passou a ser encarado de outra maneira. As populações desejaram que, nas autarquias, o poder político se aproximasse dos cidadãos.
Muitos de nós, nos primeiros anos após o 25 de Abril de 1974, chegámos a acreditar que passaria por aí o incremento de uma cultura política de cidadania activa, capaz de neutralizar a cultura de submissão e de autoritarismo.
Para se ter transformado este desejo em realidade, teria sido condição inadiável, que o novo país democrático tivesse descentralizado e regionalizado o poder político e administrativo. O que não aconteceu.»
Como sabemos, até na Aldeia, as regras do jogo foram pervertidas. Em vez de escolas de democracia e de boas políticas, postas em prática por políticos preocupados com a sua Terra e o seu povo, as autarquias transformaram-se em pequenas ditaduras e em escolas de velhacaria. Onde deveria haver transparência, temos opacidade; onde deveria haver apelo à participação do povo, passou a existir pressão para que as pessoas não coloquem questões ou exerçam o seu dever de cidadania; onde deveria haver espaço para o debate passou a imperar o despotismo e a vontade imperiosa do mando absoluto e arbitrário.
É mais fácil perverter a democracia numa pequena autarquia do que numa autarquia de uma capital ou no governo de um país. Numa pequena autarquia, todos os cidadãos estão ao alcance do poder. Exigia-se, por isso que os autarcas tivessem sido criados numa boa escola democrática e, assim, resistirem à tentação de não condicionar a liberdade de cada cidadão.
Um autarca de um pequeno concelho e ou de uma Aldeia tem muito poder: pode mandar multar, complicar uma licença, retirar um subsídio, cortar nas ajudas de custo de um funcionário, facilitar um transporte para uma ida ao "Preço Certo".
É fácil instalar a cultura do medo. A auto censura faz o resto: leva muitos, incluindo a oposição, a remeter-se a uma postura de silêncio.
A um autarca sem valores e escrúpulos, é relativamente fácil transformar os funcionários de uma câmara na sua tropa de choque. Aos que não são do seu partido, cria mecanismos para que se abstenham de opinar e de participar em actividades políticas.
As fragilidades da comunicação social, podem ser aproveitadas para transformar esses órgãos de comunicação social em veículos informativos oficiosos.
Se os donos da comunicação social, tiverem empresas que podem lucrar com encomendas feitas pelas autarquias é ainda mais fácil tê-los do lado do poder.
Um pequeno concelho em Portugal, no século 20, em vez de ser uma escola para o exercício da cidadania democrática, pode fazer lembrar Sucupira e a telenovela brasileira «O Bem-Amado», escrita por Dias Gomes.
Perdida a articulação da democracia participativa com a democracia representativa, o poder local afastou-se dos cidadãos.
O poder local, em vez de neutralizar a distância dos cidadãos em relação ao poder central, acabou por reproduzi-la. Agora, é o que sabemos. Oportunistas de todos os matizes proliferam em muitas autarquias.
O que esperar então do poder local?
À luz deste diagnóstico, continuo a acreditar que o futuro do poder local continua a passar pela democracia participativa. A força e a legitimidade que ela conferiria ao poder local, seriam as armas mais eficazes para mobilizar a seu favor o poder central. Mas, será que isso, no país real que temos, irá alguma vez acontecer?
Por diversos factores, a maioria dos cidadãos, sejam de esquerda ou de direita, têm a liberdade de opinião, de pensamento e de acção, condicionada.
Que o mesmo é dizer: a democracia e o exercício da cidadania também estão condicionadas.
"Assessores, críticos, editores, jornalistas e políticos estão cada vez mais articulados e sintonizados, com grande prejuízo da informação, transparência e rigor.
Foi com espanto, ou não, que ficámos todos a saber que a promiscuidade também se faz sentir, e de que maneira, no reino da comunicação social.
Num longo ensaio publicado na revista sábado, João Pedro George destapa o véu sobre uma enorme teia de interesses e cumplicidades entre assessores, jornalistas, editores, escritores e afins que "atacam" num suplemento do jornal Público.
A leitura revela uma série alucinante de más práticas impensáveis num jornal de referência, deixando qualquer cidadão de boca aberta perante uma factualidade que mais parece ter saído do universo mediático de uma qualquer república das bananas.
O segundo exemplo ainda é tão ou mais arrepiante.
Uma entrevista ao Expresso, dada pelo primeiro-ministro, deu origem a uma série de trapalhadas entre as quais se destaca a retenção de uma notícia - e que notícia! - sem qualquer justificação aos leitores daqueles semanário.
Entrevistado e jornalistas concertaram a publicação do anúncio de uma crise institucional para uma data posterior de acordo, certamente, com o interesse de ambas as partes, em detrimento do dever de informação e do respeito pelos leitores.
Inimaginável!
Estes dois exemplos revelam que há uma parte da comunicação social que está transformada num lodo, o qual deixa os jornalistas sem qualquer autoridade ética e deontológica para apontar o dedo ao pântano em que o poder político está afundado há muitos anos.
E isto poderá ser apenas a ponta do iceberg...
Consequências?
Nada, só silêncios.
Se o conhecimento destes dois episódios nos revelam um mundo de opacidades na imprensa também é verdade que nos permite ainda ter esperança na existência de um resto de jornalismo atento, livre e limpo.
O cancro que está a liquidar a comunicação social é muito mais do que uma questão financeira.
Colocando-se a jeito desta forma descarada não há dinheiro que valha para garantir uma informação independente e a salvação do sector.»
Está aqui uma obra emblemática da excelência municipal figueirense! Ninguém pode ficar indiferente a esta obra de arte. Carlos Monteiro, começa, assim, a deixar a sua «marca» nos muros da Figueira da Foz.
Porém, a questão desta aposta (e outras do género...) pode ser colocada de uma outra forma: quanto custa aos cofres municipais (a todos os contribuintes) esta visão moderna dos muros da Figueira da Foz?
«A Câmara da
Figueira da Foz vai lançar o concurso para a
conclusão da mudança de local da rotunda
do Pescador, por cerca
de 100 mil euros, depois de ter recebido a
proposta do autor da
estátua, Seixas Peixoto.
Esta empreitada conclui a primeira fase da
intervenção na frente
marítima de Buarcos,
incidindo na requalificação do espaço e na
base da peça escultórica.» - Via Diário as Beiras, edição de hoje.
Cito, de novo, o Diário as Beiras, edição de 2 de Fevereiro de 2020, página 8. "Numa terra de pescadores, na conferência de imprensa, lançou-se a rede sobre as obras da frente marítima de Buarcos. Carlos Monteiro adiantou que a estátua do pescador regressará ao centro da rotunda que lhe dá nome até 15 de junho. O autarca ressalvou, contudo, que há concurso de obras públicas que ficam desertos e que continua a faltar mão de obra."
O figueirense comum, como é o meu caso, normalmente distraído, até pensa que a estátua do pescador já tinha regressado ao centro da rotunda, que é onde está, só que da rotunda que existia naquele local, antes desta infeliz intervenção em curso.
Só que há concursos públicos que ficam desertos e há falta de mão de obra e de pedra... Distraído como sou, tinha a ideia que as obras na Figueira estão a decorrer em bom ritmo! Porém, olhando com alguma atenção (não é preciso muita), damos conta que, na realidade, tal não acontece, nem nesta nem em nenhuma obra actualmente em curso no concelho da Figueira da Foz.
Só que o presidente da câmara é político. E preveniu em 2 de Fevereiro de 2020, que há concursos públicos que ficam desertos e falta de mão de obra e, mais recentemente, também falta de pedra... Isto, para que, agora, em 7 de Setembro de 2020, ninguém possa dizer que mentiu. No fundo, acabou por não garantir quando vai haver estátua do pescador no centro da rotunda. Na Figueira é sempre carnaval...
Portanto, o futuro para a Piscina-Mar, assim como para a Figueira da Foz, após ler a notícia acima, hoje publicada no Diário as Beiras, com a reconhecida competência e coragem que este executivo camarário aplica no tratamento dos problemas, por mais difíceis e bicudos que sejam, só pode ser pujante, radioso e risonho.
Portugal que meta os olhos na gestão da nossa câmara municipal!
A democracia assenta na igualdade entre cidadãos e na isenção dos que exercem cargos públicos. Com socialistas herdeiros de Mário Soares, Almeida Santos, António Guterres, José Socrates e António Costa, ninguém acredita que, tal como os afilhados de Salazar e de Caetano, promovam na Figueira uma democracia assente em práticas caciquistas. Por mim estou absolutamente descansado com a qualidade dos democratas deste executivo. Ámen.
Estou a publicar esta postagem no momento em que terminou o discurso de Jerónimo de Sousa. Durou 44 minutos. A festa do Avante! 2020 está a chegar ao fim. Não estive lá. Mas, pelo que tenho acompanhado, pareceu-me ser o que sempre foi. Com algumas novidades, é certo, motivadas pela covid-19. Nomeadamente, teve menos gente.
Durante dezenas de anos fui á Festa do Avante!. Por isso, por conhecimento, afirmo que a Festa do Avante! é um caso único em Portugal. Tem muito a ver com a idiossincrasia social e cultural dum partido com 100 anos como o PCP.
A Festa do Avante! continua a viver de uma micro-cultura criada pela longa participação do PCP na vida política portuguesa, que marcou sucessivas gerações de portugueses. Como afirmam os comunistas, a Festa é “única”. E tanto mais “única”, quanto numa altura de despolitização e de pandemia, em 2020 foi um dos raros momentos em que milhares de pessoas se juntam, tendo como pretexto a política.
Toda a gente sabe que a Festa do Avante! não nos dá música de forma inocente. A Festa tem um papel essencial na identidade comunista, no financiamento do PCP, na política do partido e mesmo na sua propaganda para fora. Na sua “marca”, como agora se diz. A Festa do Avante!, também em 2020, foi uma das raras iniciativas partidárias que, concorde-se ou não com o PCP, dignificaram a vida política nacional.
"Foi uma Festa marcada pela capacidade e pela responsabilidade".
Como sabemos, as dunas constituem um ambiente frágil. Qualquer mudança, numa zona sensível como o Cabedelo, perturba a preservação do eco sistema.
O problema ambiental, naquele local da freguesia de S. Pedro, já é enorme, pelo que dispensa a incompetência de quem de direito.
Nos primeiros dias de junho fiz o filme que publico a seguir.
É visível o que aconteceu: em vez de limparem as escadas que dão acesso à praia, colocaram tábuas para impedir a subida pelas escadarias com areia.
O resultado, como se pode ver pela foto acima, está à vista de todos: a duna está fortemente danificada.
Entretanto, os milhões estão a ser gastos num Cabedelo que, hoje, está assim.
De uma autarquia local, junta de freguesia ou câmara municipal, o mínimo que se deveria exigir é que consiga resolver, com competência, as funções mais básicas das populações - nomeadamente a mobilidade em segurança (caminhos, rede viária; transportes públicos; rede integrada e segura de ciclovias), higiene pública (recolha indiferenciada e separada de resíduos; limpeza do espaço público (saneamento básico (em todas as povoações) e espaços verdes (criação; requalificação; manutenção).
Isto acontece em todo o lado. Mas, acontece mais em cidades em que a prioridade é aposta em diversão, para além do que é razoável, normalmente contratada por ajuste directo, ou nas avenças anuais continuadas, a meu ver, muito discutíveis.
Gastam-se largos milhares de euros nisto, que depois faltam para o essencial.
Todas estas festas e carnavais também servem para que os munícipes ao votar se esqueçam do que ficou por fazer.
É o conhecido «pão e circo» do tempo dos Romanos, hoje apenas «circo» pela escassez de recursos.
No final, sobra a ausência de pensamento estratégico sobre o futuro do concelho e a definição de grandes objectivos para o médio e o longo prazos.
Na Figueira é cada vez mais visível a falta de massa crítica que, além das vitórias eleitorais, pense na qualidade de vida das pessoas.
O que não se estranha: a falta de massa crítica apresenta-se como natural, pois cada vez mais os candidatos autárquicos são qualificados apenas pelo cartão partidário.
A propósito deste regabofe (muito generalizado no país), era bom que os candidatos autárquicos se pronunciassem e os munícipes não se ficassem pela abstenção em valores obscenos: mais de 50%.
Até a erva cresce por todo o lado.
Enfim, a Figueira da Foz está muito bem entregue.
Parabéns aos que apoiam, elegeram (e, putativamente, vão eleger) estas equipas. Uma palavra também de reconhecimento aos chamados «influentes da aldeia» que têm andado com eles nas palminhas.
A minoria dos figueirenses, que têm chegado e sobrado para dar o poder absoluto, a gente que não sabe o que é ser socialista, mas que concorre com o símbolo da «mãozinha», também merece o meu respeito.
Pelos vistos - os últimos 40 anos é a provada disso mesmo - é assim e não podia ser de outra maneira.
«Nunca trocaria a minha vida maravilhosa, por uma barriga mais lisa. À medida que fui envelhecendo, tornei-me mais amável para mim, e menos crítico de mim mesmo. Tornei-me o meu próprio amigo...
Não me censuro por comer um cozido à portuguesa, por não fazer a minha cama, por comprar algo supérfluo que não precisava. Tenho o direito de ser desarrumado, de ser extravagante e livre. Vi muitos que deixarem este mundo demasiado cedo antes de compreenderem a grande liberdade que vem com o envelhecimento. Quem me vai censurar se resolvo ficar a ler, ou no computador até as quatro horas da manhã, ou a dormir até meio-dia? Se me apetecer dançar ao som daqueles sucessos maravilhosos dos anos 60 e 70 e 80. Se, ao mesmo tempo, quiser chorar por um amor perdido... danço e choro. Se me apetecer andar na praia com um calção excessivamente esticado sobre um corpo decadente, e mergulhar nas ondas com abandono, apesar dos olhares penalizados dos outros, os do jet set, aí vou eu. Eles, também vão envelhecer.
Sei que às vezes esqueço algumas coisas. Mas há mais algumas coisas na vida que devem ser esquecidas. Eu recordo-me das coisas importantes. Claro, ao longo dos anos o meu coração foi quebrado. Como não se pode quebrar o coração quando se perde um ente querido, ou quando uma criança sofre, ou mesmo quando algum animal de estimação amado morre? Mas corações partidos são os que nos dão força, compreensão e compaixão. Um coração que nunca sofreu é imaculado e estéril e nunca conhecerá a alegria de ser imperfeito.
Sou tão abençoado por ter vivido o suficiente para ter os meus cabelos grisalhos e ter os risos da juventude gravados para sempre nos sulcos profundos do meu rosto. Muitos nunca riram, muitos morreram antes dos cabelos serem de prata. Conforme se envelhece, é mais fácil ser-se positivo e preocupamo-nos menos com o que os outros pensam. Eu não me questiono mais. Ganhei o direito de estar errado. Gosto de ser idoso. A idade libertou-me. Gosto da pessoa em que me tornei. Não vou viver para sempre, mas enquanto cá ando, não vou perder tempo a lamentar-me do que poderia ter sido, e não me vou preocupar com o futuro. Sou livre!»
«Os pescadores da sardinha e armadores da Figueira sentem revolta pelas condicionantes impostas a Portugal pela União Europeia, permitindo que este ano, apenas pesquem 12 mil toneladas, quando a quantidade de biomassa actualmente existente ultrapassa as maiores expectativas. Num estudo efectuado, já este ano, pelo Instituto Espanhol de Oceanografia (IEO) e pelo Instituto Português do Mar e Atmosfera (IPMA), constatou-se que, só entre o Golfo de Cádis e Viana, havia 385 mil toneladas de biomassa. A comunidade não compreende como é que, em 2014 por exemplo, com 177 mil toneladas de biomassa podiam pescar 55 mil toneladas e em 2020, com 385 mil, apenas lhes é permitido cerca de 12 mil.»
"A expressão, recorrentemente usada entre os católicos, serve, normalmente, para expiar os pecados dos crentes e será, porventura, uma das suas maiores provas de fé. Mas repetir várias vezes, para dentro, que "Deus perdoa", resolve tudo?
Uma crise, quando chega, afeta todos. Uns mais do que outros, é verdade, mas, seguramente, a Igreja não é uma exceção. Seja pela diminuição das receitas - mais conhecidas por esmolas -, seja pelos encargos adicionais que uma pandemia acarreta a qualquer instituição. Mas não só a Igreja não é uma instituição qualquer, como, certamente, o Santuário de Fátima não tem qualquer justificação para despedir trabalhadores.
Fátima é aquilo a que, em linguagem popular, se pode chamar uma mina de ouro. Em muitos casos, o ouro é literal, tantas são as ofertas que o Santuário tem recebido dos fiéis ao longo dos anos, as heranças e os bens em espécie que vão avolumando o património num valor que, sendo incalculável, nunca foi verdadeiramente revelado.
E este é um dos aspetos mais negativos e perniciosos na atuação da Igreja: a opacidade. Quem fizer uma pesquisa rápida no Google à procura de informação sobre as contas do Santuário de Fátima tem de recuar 14 anos para encontrar alguma coisa. E o que encontra é curto. É como se os fiéis - e os não crentes, já agora - não tivessem direito a conhecer os números. Pior, é como se a Igreja gozasse de um privilégio divino que a desobriga de prestar contas ao comum dos mortais e só a Deus tivesse de confessar o que fatura e onde gasta o dinheiro.
Os privilégios da Igreja são, precisamente, o segundo fator que torna esta reestruturação no Santuário de Fátima ainda mais incompreensível. As regalias e as isenções fiscais garantidas pela concordata deviam, em consciência, obrigar a Igreja Católica a um outro sentido de responsabilidade para com o país e a sociedade. Despedir 100 trabalhadores num universo de 400 (com rescisões, não renovações ou de qualquer outra forma), quando se "fatura" milhões livres de impostos todos os anos e se tem tanto património é, no mínimo, ultrajante. E dificilmente encontrará explicação na Bíblia.
Para a hierarquia da Igreja, no acerto de contas final com Deus, pode até ficar tudo perdoado. Mas, pelo caminho, cerca de 100 pessoas - que não têm sindicatos nem comissões de trabalhadores para as defender - perderam o emprego. Há famílias que vão passar pior a partir de agora e tudo isso era desnecessário. Bastaria, porventura, que a Igreja fosse coerente com a doutrina que apregoa aos outros, todos os domingos, e desse o exemplo. Porque, se não o começar a fazer rapidamente, o número de fiéis vai continuar a diminuir e a "crise económica" será o menor dos problemas."