sexta-feira, 5 de junho de 2026

A luta (tal como a incerteza que tem nome: Chega) continua

Dois dias depois da Greve Geral, nada está decidido e a luta continua.
Como disse Montenegro, “esta greve não trouxe nenhuma novidade e nem uma solução"
Não trouxe nenhuma novidade, porque a mobilização de largas faixas do sector público continua a perturbar a vida do país e a transformar a greve num facto político incontornável. 
A incerteza continua a ter nome: Chega. 
Muitos terão feito greve por acreditarem que, mostrando a impopularidade desta medida, largamente comprovada por sondagens, é a melhor forma de manter o Chega arredado de um acordo. 
Para o executivo, que decidiu regressar a algumas das suas propostas iniciais, haverá sempre a hipótese de André Ventura seguir o que é a sua matriz ideológica e vir a aprovar a reforma em troca de alguns recuos.

Ventura falou para dizer que a luta pode continuar. 
Como habitualmente, numa curta declaração, disse uma coisa e o seu contrário. Que a rua nada vale e que o que interessa é a discussão no Parlamento, onde a legislação “será derrotada”. Que este "pacote laboral é mau", mas, "se houver alterações, se houver outra lei laboral, o Parlamento, mais uma vez, cá estará para a discutir”

Numa greve, os trabalhadores não recebem salário pelo dia em que faltaram.
A ausência é considerada justificada, mas não remunerada. 
Num país onde a maioria dos trabalhadores ganha mal, faltar um dia para fazer greve, deveria fazer pensar os governantes.
Será que esta greve geral fez pensar este Governo?

Esta greve geral reforçou a sensação de que este Governo é incapaz de encarar os problemas e resolvê-los nos limites das possibilidades e da sensatez.
É evidente que a greve perturbou o quotidiano, paralisou serviços e empresas, anulou a normalidade do país, causou danos na economia e agravou a sensação de que o país caminha sem rumo para destinos perigosos. Sendo tudo isto normal em democracia, importa saber se a nova legislação laboral do Governo justifica os prejuízos causados. Os tangíveis e, em especial, os danos à relação entre os cidadãos e o poder político. 

Tudo isto poderia ter sido evitado ou mitigado se a ministra do Trabalho e o primeiro-ministro fossem capazes de perceber que, no quadro de um Governo sem maioria, não há nada que se possa fazer sem cedências nem negociação. Como não há nada que seja, de facto, eficaz quando se confrontam os cidadãos com escolhas que eles não podem nem devem aceitar: ser despedido sem justa causa e não ter ao reingresso incondicional; e, fundamentalmente, poder ser despedido sabendo que as funções que desempenhava serão facilmente assumidas por trabalhadores em regime de outsourcing. 

Não admira que a maioria dos cidadãos, mesmo os que não fazem greve, esteja ao lado dos sindicatos neste conflito. 
E o Chega sabe isto.

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