"Agosto atrás de um camião", uma deliciosa crónica de Miguel Esteves Cardoso.
"Tudo o que meta multidões, filas, suor - ou seja, paciência, tolerância e compreensão - vai injustamente parar às costas do mesmo pobre bode expiatório: o cabrão do mês de Agosto."
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1 comentário:
Se fizeres um inquérito para perguntar o porquê da razão por trás de uma Figueira cheia "há 25 anos", vais receber muita resposta no sentido de acção local, em concreto o facto do presidente de agora ser o mesmo de então.
Eu estava na Figueira. Tinha um negócio sazonal na Figueira. Foi um verão excepcional para negócios. Todos. A Figueira estava cheia e parecia que toda a gente estava prenhe de dinheiro.
Mas, 2026 não é 2001.
A década de 90, até à bolha das digitais e ao atentado de Setembro de 2001, foi talvez a época mais próspera da humanidade ( eu pesquisei e li ), no sentido da criação e acesso a dinheiro, com taxas de juro baixíssimas que sobrealimentaram o consumo de tudo, inclusive férias fora de casa. Foi uma época em que se acreditou que o progresso permitiria que todos fôssemos abonados e abastados para todo o sempre. Não o foi, sabemos disso.
Não digo que o mandato de 1997/2001 deste presidente não tenha aproveitado a conjuntura, mas devemos ser rigorosos.
O momento actual tem um ar de fim de festa, com um sentimento inicial de YOLO e um final de "quem vier atrás que apague as luzes".
O momento da Figueira tem muitas parecenças com essa época passada. Tu e eu sabemos. Há quem saiba ainda mais.
Mas a Figueira está cheia. É bom para a Figueira? Eu acho que é bom para alguns Figueirenses e péssimo para muitos mais, mesmo que uma maioria pense que existe uma mais-valia universal na enchente desregrada.
Nunca houve, que eu saiba, um autarca que de forma séria e empenhada fosse à procura de analisar cientificamente o impacto das enchentes da Figueira.
Faz lembrar um bocado quem não vai a médicos nem faz exames por recear os diagnósticos e os resultados.
É pena, porque a informação resultante, a um autarca inteligente e cometido, proporcionaria a ferramenta para explorar o potencial da Figueira em vez da lenta queima de imagem, e desperdício do tanto que pode dar para além de sol, água fria e o maior areal urbano da Europa.
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