terça-feira, 13 de junho de 2023
O Mar É a Nossa Terra estará patente ao público no Meeting Point, na Esplanada Silva Guimarães a partir de quinta-feira
Conheço o PS há 50 anos...
Previno, desde já, que a explicação vai ser longa. Vou abordar quase 50 aos da minha «estória» de vida e o mesmo tempo da história da democracia portuguesa, vividos por mim na primeira pessoa.
Quem tiver curiosidade, continue. Para mim será um gosto acompanharem esta reflexão que fiz, com a juda de muita leitura, aproveitando 5 dias de descanso e de isolamento numa aldeia perdida na Serra da Estrela.
Quiçá, ainda mais grave: da tentativa de apropriação, por elementos do Partido Socialista, do movimento estudantil simbolizado no “17 de Abril”.
Nada mais falso. Essa tentativa, mais ou menos velada de reescrever a história, pode, com o apoio acrítico ou a pura ignorância dos meios de comunicação, ter tido algum sucesso.
Porém, não teve força suficiente para historicamente impor essa mentira.
A saber.
Em 1969, nem Partido Socialista havia. O que havia era a ASP, Acção Socialista Portuguesa, fundada em Novembro de 1964, em Genebra, por Mário Soares, Tito de Morais e Ramos da Costa.
Assim sendo, a filiação de qualquer movimento estudantil ou político da época no actual Partido Socialista, só seria legítima se aqueles, ou parte daqueles que então actuaram, se identificassem com a acção política de Mário Soares ou das organizações políticas por ele dirigidas, visto ele ser, indiscutivelmente, mais até do que depois do 25 de Abril, a figura mais visível desse sector da oposição democrática.
"Mário Soares, desterrado para S. Tomé, por deliberação do Conselho de Ministros presidido por Salazar, tinha regressado em Novembro de 1968 cerca de um mês e meio depois da tomada de posse de Marcello Caetano. Logo a seguir a este regresso, um núcleo da ASP (Associação Socialista Portuguesa) de Coimbra, constituído por um ou dois estudantes (Luís Filipe Madeira e um outro) e apoiantes históricos de Mário Soares na região, como António Arnaut, António Campos e Fernando Valle, organizou em Coimbra, no ambiente restrito de uma República – “Os Kágados” –, uma sessão com Mário Soares para falar sobre o desterro em S. Tomé, o seu regresso e a situação política do país. No ambiente agitado do meio estudantil que então já se vivia em Coimbra, a presença de Soares e as suas intervenções n’ “Os Kágados” não tiveram praticamente nenhum impacto político entre os estudantes, tal era o distanciamento da juventude oposicionista ao “socialismo” de Soares e seus amigos. Aliás, esse encontro não terá corrido nada bem a Soares, apesar de apadrinhado por alguns notáveis vultos da intelectualidade coimbrã, como o professor Paulo Quintela e outros. Não apenas por Mário Soares não captar nenhuma simpatia entre a juventude de então, mas também por o seu regresso do desterro, tão próximo da tomada de posse de Marcello, ter levantado uma onda de boatos sobre a sua acção futura política que, por mais injustos que fossem, o prejudicavam seriamente."
O mesmo distanciamento se notou, aliás, meses mais tarde, no II Congresso Republicano de Aveiro (Maio de 69) no qual a intervenção de Soares, centrada na exigência de cumprimento do art.º 8.º da Constituição (1933), foi acolhida com muita frieza. Posteriormente, "em Outubro de 1969, na campanha eleitoral para as legislativas – as primeiras da era marcelista -, Soares quebrou a unidade oposicionista, apresentando em quatro distritos (Lisboa, Porto, Braga e Castelo Branco) listas da CEUD (Comissão Eleitoral de Unidade Democrática) apoiadas pela ASP, que recolheram uma ínfima parcela dos votos da oposição democrática. Isto, apesar de durante a campanha eleitoral, Soares se ter esforçado por marcar inequivocamente todas as diferenças (Comício de Entrecampos, no - posteriormente chamado - Teatro Vasco Santana) que o distinguiam (a ele e aos apoiantes do seu movimento) da CDE (Comissão Democrática Eleitoral), movimento unitário da oposição democrática, por ele considerado de inspiração comunista, não obstante nele participarem activamente e em lugares de grande destaque alguns daqueles que mais tarde ocuparam lugares de grande relevo no Partido Socialista, como, por exemplo, Jorge Sampaio."
Soares, porém, mantinha-se fiel, como aliás sempre se manteve, mesmo depois do 25 de Abril, a uma transição do fascismo para a democracia segundo os princípios e os valores inscritos no “Programa para a Democratização da República”, "apresentado em 1961 pela velha guarda republicana."
Em 1973, viria a ser o “primeiro” fundador do Partido Socialista e dois anos depois (1975) o líder do partido mais votado em eleições livres.
Mário Soares, não gozava na década de 60 da simpatia da maior parte dos portugueses. Era mesmo olhado com alguma hostilidade pela juventude estudantil antifascista.
Então, como explicar a popularidade e as vitórias eleitorais depois do 25 de Abril?
Quem andou no "barulho", sabe que em 1975 e anos seguintes o PS cavalgou uma forte onda anticomunista, que Soares soube habilmente aproveitar e até instrumentalizar a partir de tudo o que à esquerda do Partido Socialista se estava a passar durante a Revolução.
E recorda que muito do que se passou: por exemplo, que muitos dos que foram responsáveis pelo que se passou, acabaram, anos mais tarde, depois da “normalização” e já "regenerados", por integrar as fileiras do Partido Socialista.
Depois de Soares, tivemos muitos outros. E tivemos Socrates... E tivemos Seguro, que o mesmo é dizer, "o mais vulgar populismo de direita".
Recorde-se que Seguro, na disputa eleitoral interna com Costa, "apresentou um conjunto de propostas que agradava a todos aqueles que consciente ou inconscientemente pretendem desviar as atenções dos verdadeiros problemas para as fazer incidir sobre questões menores, frequentemente anti-democráticas, que nada resolvem e apenas têm o condão de permitir acercar-se do poder, em último termo, tomá-lo, àqueles que delas fazem uso."
Para se fazer uma ideia mais precisa do que representam algumas das propostas apresentadas por Seguro, basta lembrar "que só os prejuízos semestrais do BES ou o «desfalque» do BPN davam para pagar por décadas os cinquenta deputados que Seguro queria eliminar, eliminando com eles a representatividade democrática do Parlamento."
Seguro, que tem uma imagem de homem sério, politicamente é um homem de direita. Consequentemente, continua a defender uma política de direita.
Já seria motivo de profunda preocupação se estas propostas tivessem sido apresentadas para “ganhar votos”, junto do eleitorado socialista menos atento, aos portugueses em geral, de modo a cativar uma parcela do eleitorado situado à direita ou no centro-direita, capaz de votar no PS, depois de profundamente decepcionado pela política do Governo de Passo Coelho.
Nestes pressupostos todos, as propostas de Seguro continuariam a ser reprováveis, mas apesar de tudo justificáveis ou, pelo menos, compreensíveis, no “vale-tudo” eleitoral.
Mas não era esse o caso. Estas propostas dirigiram-se "àqueles a que poderíamos chamar a «elite» do eleitorado socialista, àquela fatia do eleitorado composta pelos militantes, que são a essência do partido, e pelos simpatizantes que voluntária e empenhadamente se mobilizaram para escolher o “número um” do Partido Socialista."
Esse foi o problema: "sendo Seguro um homem que faz política desde a mais tenra idade, nado e criado nas “jotas”, profundo conhecedor do partido, dos seus militantes e dos simpatizantes mais empenhados na vida político-partidária, a apresentação daquelas propostas no auge da disputa eleitoral intra-partidária só podiam querer significar que elas tinham a virtualidade de seduzir eleitoralmente aqueles a que se dirigiam".
As propostas apresentadas então por Seguro explicam muito daquilo que é o PS.
Ao tentar ganhar votos entre os militantes do partido e os simpatizantes inscritos passou, digamos assim, uma espécie de atestado de menoridade política da “essência” do Partido Socialista.
Se o então responsável máximo do partido e profundo conhecedor dos seus meandros, entendia que as propostas publicitadas eram susceptíveis de cativar a excelência do eleitorado socialista ou, pelo menos, a sua maior parte, então a conclusão a que inevitavelmente se tem de chegar é que o Partido Socialista se situa ainda muito mais à direita do que qualquer análise imparcial poderia supor.
E esse PS continua a andar por aí. E Seguro também...
E, agora, "temos" o PS de Costa.
Há quem diga que "Pedro Nuno Santos será o próximo líder do PS".
Mas será, "que consegue chegar a primeiro-ministro"?
A ala do centro e a ala da direita do PS, teme que o ex-ministro "seja uma inflexão à esquerda".
Num partido como o PS, "uma dita ala esquerda é mesmo uma coisa muito complexa." Muitos consideram que no actual momento, "o partido se situa à esquerda." Sendo assim, sabendo que estamos a fazer uso de uma lógica formal muito redutora e que as coisas podem ser vistas de outra maneira, vamos admitir que essa dita ala esquerda do PS está realmente descontente com o rumo que o partido tem tomado.
Portanto, no futuro a inflexão do PS, a meu ver, tem várias hipóteses de ser ao centro, ou, ainda mais visível, à direita.
Na derrota de Freitas, o PS dividiu-se em duas candidaturas (uma de direita, Soares; outra, de esquerda, Zenha). Os independentes e católicos de esquerda, na ausência de um candidato consensual, apoiram Lurdes Pintassilgo. O PCP, que começou por apresentar o seu candidato, desistiu na primeira volta a favor de Zenha, não tendo, todavia, esses votos sido suficientes para garantir a Salgado Zenha a passagem à segunda volta.
Soares acabou por ganhar, graças aos eleitores que na primeira volta votaram Pintassilgo e ao voto dos comunistas, cujo apoio foi decidido num Congresso Extraordinário, seguido por uma disciplina de voto sem falhas, sem a existência da qual jamais Soares teria sido Presidente da República.
Na vitória de Sampaio concorreram factores difíceis de convergir noutras situações. Em primeiro lugar, Sampaio tendo feito o seu percurso até 1978 à margem do PS e quase sempre, desde muito antes do 25 de Abril, em oposição a Mário Soares, granjeou na restante esquerda uma simpatia e um estatuto como nenhum outro socialista alguma vez teve. Por outro lado, Sampaio, apesar de não gozar da simpatia da maior parte dos “históricos” do PS e de ter rompido com Guterres, conseguiu, numa altura em que Guterres estava politicamente muito ocupado na preparação da campanha para as legislativas (Estados Gerais), antecipar a sua candidatura e impô-la ao PS como um facto consumado. Apesar de Sampaio não ser o candidato que Guterres escolheria, se o tivesse podido fazer, o PS (oficial) viu-se obrigado a apoiá-lo seguindo assim a restante esquerda que nem sequer levou qualquer candidato às urnas, já que tanto Jerónimo de Sousa (PCP) como Alberto Matos (UDP) desistiram a seu favor.
Depois, é o que sabemos. Em 2006, Cavaco foi eleito e em 2011, reeleito. Tanto numa como noutra eleição, o PS foi incapaz de apresentar uma candidatura consistente e susceptível de ser apoiada pela esquerda.
Em 2006, Sócrates, completamente inebriado com a maioria absoluta que tinha acabado de alcançar um ano antes, desprezou as presidenciais e minimizou a sua importância.
Soares, já sem fôlego para novo mandato, querendo continuar a “ajustar contas” com Cavaco, numa época e num contexto em que já não estava em condições de o fazer, viu-se confrontado com o aparecimento da candidatura de outro socialista, Manuel Alegre, avidamente apoiado pelos que na área do PS e suas proximidades se estavam posicionando contra Sócrates, tendo-se então assistido a uma verdadeira luta fratricida, com corte de relações pessoais e acusações de toda a ordem entre ambos os candidatos. O clima criado pelos dois candidatos e a maioria absoluta de Sócrates desmobilizaram completamente o eleitorado de esquerda, tendo Cavaco sido tranquilamente eleito logo na primeira volta.
Em 2011, Cavaco foi reeleito, deixando logo no dia da vitória um aviso muito claro do que iria ser a sua presidência nos cinco anos subsequentes: mesquinha, vingativa e sectária.
Não enganou ninguém!
E chegámos a Marcelo. E é o que sabemos.
E porquê? Não existia um candadato com um perfil reconhecidamente vencedor à esquerda?
Porém, esse candidato existia no seio do Partido Socialista. Existia mas não foi escolhido, nem ele demonstrou publicamente qualquer interesse em desempenhar esse papel.
Na euforia da vitória “interna“ de António Costa, supôs-se – as sondagens ajudavam a este entendimento – que facilmente derrotaria a direita nas legislativas de 2015, alcançando uma maioria absoluta. E é neste contexto que é incentivada no seio do PS, informalmente, mas com apoios muito claros da liderança e de todos os que lhe são muito próximos, a candidatura de Sampaio da Nóvoa.
Acontece que sucedeu o que toda a gente sabe: António Costa não alcançou a maioria absoluta, nem sequer a maioria relativa nas legislativas e aquela candidatura, que havia sido lançada com base numa pressuposição que falhou, passou quase de imediato a ser contestada no interior do Partido Socialista pelos opositores de Costa, pelos adversários da solução governativa entretanto alcançada e pelos ressabiados da ressaca das primárias.
E como sempre acontece no Partido Socialista, também desta vez, os oponentes de liderança não tiveram qualquer problema em “empurrar” para a disputa eleitoral uma personalidade da direita do partido, que não tinha, objectivamente, quaisquer condições para ganhar eleições, mas cuja candidatura teria o efeito – efeito que ninguém com um mínimo de experiência política poderia deixar de antecipar – de desmoralizar e desmobilizar o eleitorado socialista e da esquerda em geral, impedindo desta modo a polarização da eleição entre o candidato da direita e o da esquerda, com vista a obrigar aquele a definir-se politicamente.
Dada a divisão reinante no seio do PS, Marcelo pôde fazer uma campanha apolítica como se previa, assistindo de palanque aos ataques cruzados das “candidaturas socialistas”, e ainda teve a sorte ter sido objectivamente favorecido pelo aparecimento de, pelo menos, dois “candidatos folclóricos”, cujo discurso e a divulgação que os media fizeram, muito contribuíram para a consolidação da campanha à volta de questões de escasso interesse político.
Se o Partido Socialista perdesse a chamada ala esquerda e se dele se afastassem aqueles eleitores que à esquerda, às vezes contrariados e quase nunca convencidos, votam nele por não se reconhecerem ou não confiarem nas demais alternativas existentes, o PS deixaria de parecer o que é e passaria a ser um partido de centro direita.
A sua preocupação é apenas uma: garantir a alternância relativamente ao partido imediatamente à sua direita.
O PS é isso mesmo. Mesmo com uma "ala esquerda" e com um núcleo relativamente importante de votos da esquerda, o PS é como é – apesar da "geringonça", não fez e não faz uma política em que a esquerda se consiga rever e apoiar.
É preciso ter presente a história do Partido Socialista e a sua verdadeira natureza.
Assim como o papel dos demais “partidos irmãos” europeus, digam-se eles socialistas, social-democratas ou trabalhistas, depois da Queda do Muro e da implosão da URSS. Esses tais "partidos irmãos do" PS, devidamente descaracterizados foram em grande "levados pela vertigem da História".
Não souberam, ou não quiseram, compreender o que realmente se estava a passar, tendo sido inclusive por obra sua que todas as portas foram abertas para o relançamento de um capitalismo sem freios com as consequências que agora estão à vista e contra as quais esses mesmos partidos socialistas se consideram impotentes para as contrariar ou inverter.
O PS, em 25 de Abril de 1974, "intitulava-se um partido à esquerda".
Todavia, nunca houve politicamente uma “maioria de esquerda”, apesar de ela existir aritmeticamente, nem houve qualquer tipo de entendimento à esquerda minimamente durável. Houve sim uma coligação com o CDS, o único que não votou favoravelmente a Constituição.
Porquê? Porque o PS de Mário Soares tinha uma estratégia muito clara da qual não nunca se afastou um milímetro: institucionalizar em Portugal uma democracia representativa, se possível de base exclusivamente parlamentar, sem qualquer tipo de cedências a qualquer outra forma de poder que não a resultante do voto popular.
"Mário Soares seguiu à risca esta estratégia, fazendo as alianças de ocasião que lhe pareceram as necessárias para a consolidar e recusando, sem problemas de consciências ou hesitações, qualquer tipo de entendimento à esquerda.
Mário Soares acreditava na solidariedade dos partidos socialistas e social-democratas europeus, acreditava no “socialismo em liberdade” e acreditava acima de tudo na Europa como palco ideal de concretização das suas ideias políticas. E continuou a acreditar, nos anos imediatamente subsequentes à Queda do Muro e à desagregação da URSS, que estavam, finalmente, reunidas as condições ideais para pôr em prática aquele ambicioso projecto político."
Aliás, "é bom que se recorde que não foi sob o comando executivo de Soares à frente do PS que a organização económica consagrada na Constituição Portuguesa foi revista e completamente descaracterizada, mesmo tendo em conta a Lei n.º 77/77. Soares patrocinou e promoveu, juntamente com o PSD, a revisão de 1982, que no essencial consagrou aquilo que fora a sua estratégia politica depois do 25 de Abril. Mas foi com a revisão de 1989, promovida pelo cavaquismo com o apoio do PS de Constâncio que se abriu à porta às privatizações e tudo o mais que elas trouxeram. Cumprida a tarefa, Constâncio demitiu-se de secretário-geral do PS por divergências insanáveis com a família Soares, na altura centradas em João Soares."
Mesmo quando o PS esteve politicamente mais à esquerda nunca a sua política favoreceu qualquer entendimento à sua esquerda. Meia dúzia de anos depois da revisão constitucional de 89, veio o “guterrismo” que escancarou as portas da economia à Europa.
O PS, hoje, pratica o neoliberalismo, atenuado pela promoção de um certo assistencialismo que a existência de dinheiro com fartura possibilita.
Temos no poder a nova geração de socialistas a preparar o caminho para o capitalismo sem freios, voraz e insaciável que jamais abrandará a sua marcha com vista à constituição de uma sociedade inteiramente dominada pelo mercado. Uma sociedade onde impera o poder do mais forte, onde campeia a liberdade ilimitada, bem à semelhança do que se passa na selva.
Não tenhamos iliusões, é para onde nos dirigimos pela mão do PS.
Evento realizou-se pela primeira vez no Portinho da Gala...
Presidente do Centro de Cultura e Desporto (CCD) dos Trabalhadores da Câmara da Figueira da Foz, Nuno Mendes: “o balanço é positivo, perante as expetativas que tínhamos [tendo em conta que foi a primeira vez que o evento se realizou naquele espaço e, por outro lado, devido à instabilidade meteorológica]”.
O CCD vai entregar um donativo de 500 euros aos Bombeiros Voluntários da Figueira da Foz, provenientes da Festa da Sardinha de 2022. Entretanto, o clube dos trabalhadores da Câmara da Figueira da Foz criou quatro bolsas de estudo para o ensino superior, no valor de 500 euros cada uma, destinadas a filhos de sócios. A seleção tem como fatores de ponderação o mérito escolar e a capacidade económica do agregado familiar.
O populismo é um perigo que tem sido alimentado...
Recorde-se: em 15 de Fevereiro de 2020, André Ventura passou pela Câmara Municipal da Figueira da Foz, onde teve uma reunião com o presidente da câmara, que era na altura Carlos Monteiro.
Como diria a CMTV, foi OUTRA MARGEM, em rigoroso exclusivo, quem anunciou a vinda do deputado do Chega.A André Ventura deu jeito e credibilidade ser recebido por um autarca do Partido Socialista.
O que, politcamente, dava enorme jeito para as aspirações políticas de Carlos Monteiro.
Passou o tempo. Entretanto, estamos em 2023.
Via UM JEITO MANSO
"O balão do populismo em Portugal está a encher a olhos vistos, insuflado pela Comunicação Social. (... e também pelo Presidente Marcelo?)
... em Portugal, em vez de se tentar erradicar o populismo, não apenas a comunicação social anda com os populistas ao colo, promovendo-os em permanência, como alguns dos outros partidos pensam que, para não irem pelo ralo, têm que ombrear em populismo com os populistas.
.... se o Ventura vai à Feira do Livro, sem motivo legítimo que se divise, a comunicação social vai atrás e é vê-lo, a fingir que é uma pessoa decente, a dar palpites, a fazer exigências, a ser demagogo e, no fundo, a mostrar-se como o troca-tintas que é, falando para as câmaras e para os microfones.
A Iniciativa Liberal também resolveu que deveria guinar para o lado populista da política ao pôr de lado o Cotrim e ao escolher este que por aí anda a fazer barulho sem dizer uma que se aproveite. Mas as televisões e as rádios andam atrás dele e ele, tal como o Ventura, tem uma capacidade infinita para ser troca-tintas, demagogo e vendedor de banha da cobra.
Montenegro, neste campeonato em que vale tudo, não sendo capaz de se afirmar como um líder decente e confiável, emula os outros dois e lança atoardas para o ar, não apresentando uma ideia, uma única, a que os portugueses reconheçam valor.
Falta aqui o Bloco de Esquerda que, no meio da mudança de liderança, tem andado mais apagado. Senão seria a quarta força a poluir a democracia com atoardas e a atirar-nos areia para os olhos. Aliás, veja-se a miserável actuação de Pedro Filipe Soares na CPI, portando-se como uma espécie de agente pidesco.
A nuvem de poluição que esta gente lança sobre a vida política é uma vergonha. Mas, mais do que isso, é um perigo. E é um perigo que tem sido alimentado pela Comunicação Social."
E não só...
Sounds of Travel, a partir de poemas de Robert Louis Stevenson
Parceria entre o Pateo das Galinhas e o Centro de Investigação da Terra e do Espaço da Universidade de Coimbra.
segunda-feira, 12 de junho de 2023
O incrível branqueamento de Berlusconi
"Por incrível que possa parecer, estamos a assistir esta segunda-feira, em alguns órgãos de comunicação social e em recantos das redes sociais, a um branqueamento do trajeto de Silvio Berlusconi que acompanha a notícia da sua morte. É verdade que o empresário arrivista, devasso contumaz e político persistente «marcou Itália nos últimos 40 anos», mas fê-lo apenas porque, pioneiro na Europa da vaga de populismo que emergiu nos anos oitenta do século passado, foi por três vezes primeiro-ministro, marcando ao mesmo tempo o mundo dos negócios e do entertenimento no seu país."
STOP: isto interessa aos professores?
Fenprof demarca-se de protesto "insultuoso" e "populista" de professores na Régua.
Quero acreditar que a maioria dos professores "não apoia nem se revê na forma desrespeitosa como têm decorrido as respectivas manifestações." Não é preciso muitas palavras para o definir.domingo, 11 de junho de 2023
"Deixem-me trabalhar"*
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António Costa cumprimenta João Galamba © José Coelho/Lusa |
Quem se queixa do “soundbyte” no parlamento é o primeiro a usá-lo no Twitter. Acharão que não faz mal, porque não estão dentro da “casa da democracia”. É o oposto. Os políticos não deixam de ser políticos por fazerem o combate no Twitter. Apenas dispensam as regras do parlamento, com a sua liturgia, para poderem lutar sem luvas. Não julguem que ao retirarem o conflito quotidiano do parlamento dignificam o debate político. Apenas atiram esse debate para outros lados, com menos dignidade. O parlamento pode ficar impecável, a política é que cai mais para a lama.»
sábado, 10 de junho de 2023
A Figueira continua na mesma: a Santana continua a bastar apontar com o dedo para a Lua...
sexta-feira, 9 de junho de 2023
A Festa da Sardinha na minha Aldeia já é um êxito
"O Município da Figueira da Foz informa que, no âmbito da Festa da Sardinha, que teve hoje início procedeu ao reforço do serviço de travessia do Mondego pela embarcação «Carlos Simão» que, contudo, continuará a assegurar as travessias nos horários em vigor.
No mesmo âmbito foi disponibilizado transfer, em minibus, entre o Cais Sul - Cabedelo e o Portinho da Gala e vice-versa."
Posto de vigia
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| FOTO: antónio agostinho |
É espantosa a forma como são tratadas na comunicação social e nas redes sociais as notícias sobre certos acontecimentos na Figueira.
quinta-feira, 8 de junho de 2023
Florzinhas, passarinhos políticos, comunicação social deficiente, população desatenta e intectuais totós...
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| Foto sacada daqui |
No final da semana em que Santana Lopes consegue a tranquilidade e a estabelidade que lhe vai permitir ter o tempo, a disponiblidade, a serenidade e a paz para pensar outros voos, com o acordo tripartido que lhe permitiu arrigementar uma maioria absoluta na autarquia figueirense, o tema político na Figueira para a principal força da oposição é "a camada vegetal que cobre o areal da praia da nossa cidade."!
Pressionar o vereador do PSD Ricardo Silva, Santana Lopes e o PSD nacional, a esclarecerem os termos do acordo a que agora chegaram, depois de tudo o que se passou na última campanha eleitoral autárquica e, depois, deste Outubro de 2021 até ao dia 2 de Junho de 2023, isso para o PS e para o resto das forças políticas da Figueira, jornalistas, bloguistas, internautas facebokinianos e população figueirense, é irrelevante !
Importante, é a "camada vegetal que cobre o areal da praia da nossa cidade"!
Perante isto, não é de reconhecer que o vereador Silva (com a ajuda de quem está acima dele), não é "um pobre diabo, mas um génio político florentino", que os totós usados e abusados por ele, que se julgam a última bolacha do pacote, nem sonham?
Quem cria um facto político na semama mais decisiva, até aqui, deste mandato autárquico de Pedro Santana Lopes, capaz de desviar as atenções do essencial, só merece que lhe faça, mais uma vez, uma vénia e lhe reconheça o valor: como já expliquei aqui, és grande Ricardo Silva.
Num terra de cegos, políticos naifs, moradores desatentos, comunicação social deficiente e intelectuais sem capacidade para intrepertar os tempos que correm na Figueira, basta um olho para ses rei.
Citando Viriato Soromenho Marques, não foi há 500 e poucos anos, que um homem discreto terminou, numa povoação vizinha de Florença, o manuscrito de uma obra que se tornaria universalmente conhecida (mesmo pelos que nunca a leram): O Príncipe, de Nicolau Maquiavel?
O seu autor tornar-se-ia um dos mais improváveis teóricos de primeiro nível da história intelectual do Ocidente, dado que a sua vocação era a acção governativa concreta, de que fora afastado pelo violento regresso dos Médici ao governo florentino.
No exílio, que durou até à sua morte em 1527, Maquiavel desenvolveu uma visão desencantada da condição humana e em particular um olhar agudo sobre a política, entendida como a "luta pela manutenção ou conquista do poder". Odiado mas também admirado pela sua capacidade de ver a verdade de frente, sem pestanejar, Maquiavel esteve longe de ser um político cruel e sem princípios. Manteve-se fiel ao sonho da unidade italiana, que só seria concretizado no século XIX, e mesmo quando nos descreve as intrigas e artimanhas de que os "príncipes" são capazes, ele está a prestar um serviço ao iluminar as sombras que a política inegavelmente contém.
Espinosa, o génio português que morreu na Holanda por ser judeu em tempos de sanha inquisitorial, percebeu-o muito bem. Ele interpretou Maquiavel como um defensor do povo que usava o expediente de, aparentemente, se dirigir aos príncipes. Na verdade, as perfídias destes eram denunciadas com tanta veemência, que, dizia Espinosa, a intenção de Maquiavel só poderia redundar na defesa do povo, através das boas leis e de instituições funcionais, que Espinosa não hesitava, no distante século XVII, em chamar pelo nome: democracia.
Uma lição cuja utilidade perdura.
Joaquim de Sousa: “o papel do autarca é melhorar a qualidade de vida dos cidadãos”
O que Joaquim de Sousa, naquela altura, estava a gostar era de ser presidente de câmara: "agora sim, apesar das muitas vicissitudes por aqui e por além, sinto que o cargo que ocupo na Câmara me está a proporcionar dos momentos mais felizes da minha vida".
Durou foi pouco como presidente de câmara: fez apenas um mandato, que decorreu de 1979 a 1982... O que valeu ao doutor Joaquim de Sousa, é que gostava de ser professor, que era a sua profissão..."Joaquim de Sousa, do alto dos seus oitenta e picos anos, "vai andando, com os achaques próprios da idade. Vai tentando resistir" e por cá continua activo.
JS: A relação com o Dr. Santana Lopes e com a Câmara é institucional. Começou com a remodelação do pátio de Santo António, largo Silva Soares, em frente à igreja, onde ocorre a festa de Santo António. Apresentámos um projecto há muitos anos para remodelar aquele muro e torná-lo condizente com a fachada que está por trás, repondo a antiga condição com uma grade igual à da igreja, tal como fizemos na misericórdia. O projecto foi contestado, mas a Câmara avançou com a arte nova. Há 20 anos que estamos a tentar corrigir o que foi feito no muro. Já repusemos a nossa parte atrás e fizemos as laterais da misericórdia. Temos lutado por isso. O Dr. Santana Lopes quis ir lá ver e havia um projecto fantasioso, ainda pior do que está. Ele foi lá e percebeu a nossa preocupação. Ainda por cima a nossa proposta é muito mais barata. Depois disso, falamos duas ou três vezes. Agora visitou a casa dos pescadores. Serviu para quebrar algum gelo, mas a nossa relação é estritamente institucional.
[CP]: A Figueira da Foz está hoje melhor do que estava?
[JS]: Continua em declínio. Actualmente, a população do Concelho da Figueira mantém-se no mesmo patamar de 1981, e as projecções da Pordata são alarmantes. Estima-se que, em 2030, a Figueira da Foz tenha uma população equivalente àquela de 1950. Um retrocesso de 80 anos! A prioridade máxima é atrair investimento, adaptado às necessidades actuais. É urgente criar empregos. É uma situação que vai demorar muito a inverter-se. Era necessário outro tipo de política."
quarta-feira, 7 de junho de 2023
Lamentável: sempre os mesmos a colocarem a minha Aldeia nos jornais regionais pelos piores motivos
Ao que tive oportunidade de ler na página do facebook de um ilustre covagalense, "na segunda-feira, a sessão de Assembleia de Freguesia São Pedro houve o culminar do exemplo do que não se deve desejar. Perda de noção de limites, manutenção de poder-pelo-poder e, algo muito comum, não saber sair no tempo certo. O Campeão das Províncias esteve atento, partilho convosco a peça! Uma saudação especial à bancada do PS que soube assumir a posição errada e à oposição pela defesa da verdade. O público vivo deixou bem claro o seu cansaço sobre a postura, que não é nova, dos que também, na casa, não são novos."
Imagem via Campeão das Províncias
Querem mesmo saber porque considero Ricardo Silva o melhor jogador político da Figueira?
As eleições tiveram lugar no Grupo Caras Direitas, em Buarcos, já que a sede local do partido encerrou no final de 2021, no mandato de Ricardo Silva como líder concelhio.
Ana Oliveira, ex-deputada da Assembleia da República, foi eleita. Passou a liderar a concelhia concelhia e assumiu a liderança «de uma equipa de trabalho dinâmica e disponível em prol do concelho da Figueira da Foz».
Foram três os pilares "fundamentais para o futuro do PPD/PSD Figueira da Foz", em que se sustentou a candidatura que teve como primeira figura Ana Oliveira.
A saber:
"Reorganizar: Revitalizar a ligação dos órgãos do Partido com os seus militantes e a sociedade civil criando condições para que haja uma motivação em torno do projecto social democrata concelhio, distrital e nacional.
Renovar: Atrair novos militantes bem como novas «bandeiras/políticas» a defender que contribuam para o desenvolvimento da Figueira da Foz.
Rigor: Unir esforços com o poder o local com intuito de estabelecer as melhores soluções para desenvolvimento do concelho sempre de uma forma consciente, rigorosa e responsável."
A aproximação do PSD ao presidente da autarquia, “é uma questão que acabou por ser natural”. Isto, porque “houve um plenário de militantes em que foi aprovada, por unanimidade, uma moção sobre essa aproximação”.
O relacionamento da nova estrutura concelhia do PSD Figueira com o único vereador PSD, era e continua a ser um tema interessante e importante para o futuro da gestão autárquica.
Recentemente, com Ana Oliveira na direcção local do PSD, o vereador Ricardo Silva aceitou a estratégia de aproximação a Santana Lopes, o presidente da câmara, assumindo o lugar de vereador executivo, o que prorcionou ao vencedor das autárquicas de 2021 a maioria confortável que desde o início do mandato desejava.
Neste momento, a correlação de forças existente é diferente daquela que existia quando Ana Oliveira assumuiu a presidência da concelhia do PSD Figueira, que dava vantagem à oposição, com quatro vereadores do PS e um do PSD. A FAP elegeu quatro.
Na edição de 18 de Outubro de 2022 o Diário As Beiras, noticiava que prestigiados militantes do PSD/Figueira, como Teresa Machado, Teotónio Cavaco, Carlos Ferreira, Antonino Oliveira, Inês Cláudio, Luís Marques e Ricardo Oliveira terão enviado uma nota de imprensa, qualificando de mentira «que o plenário concelhio tenha aprovado uma moção de aproximação do partido ao executivo camarário…».
Perante estes factos, imaginemos que os lugares actualmente estavam trocados: Ana Oliveira era a vereadora truculenta, que por estar desempregada, aceitava o acordo tripartido e Ricardo Silva o presidente da concelhia, que tinha ganho as eleições internas para desbravar a aproximação do PSD/Figueira ao presidente da autarquia elito numa lista FAP.
Certamente que, no mínimo já teria saido um belo comunicado da concelhia do PSD/Figueira a congratular-se com o novo facto político ocorrido na passada sexta-feira, a felicitar Santana Lopes e a sublinhar que isto ia ao encontro da linha política preconizada pela Direcção política do PSD/FIGUEIRA.
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