segunda-feira, 20 de abril de 2026

Um Presidente contra a sua maioria?

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"Será no mínimo muito estranho se o Presidente ficar na fotografia como apoiante de uma reforma que continua a ser só defendida pelas forças políticas que se recusaram a apoiá-lo.

O veto presidencial à reforma laboral foi uma das mais marcantes "coisas de esquerda" que o Presidente da República proferiu como promessa eleitoral e tem feito tudo para não ter de cumpri-la. Nas declarações que tem proferido, e as pressões nos bastidores, Seguro tem feito os possíveis para que a UGT ceda a um acordo que o isente de um primeiro embate claro como Governo. O seu encontro com os parceiros sociais, na véspera do veredicto da central sindical sobre a última versão do documento que tem vindo a ser discutida há oito semanas, não pode ser lido de outra forma. É normal que o Presidente não deseje, no seu primeiro mandato, muitos confrontos com o executivo quando se comprometeu tão firmemente a manter a estabilidade política. Como é normal que não deseje ficar, logo no arranque, com o sublinhado da limitação natural dos seus poderes, se o Governo insistir em confirmar uma legislação que, por falta de acordo, ele pudesse vetar. Mas será no mínimo muito estranho se o Presidente ficar na fotografia como apoiante de uma reforma que continua a ser só defendida pelas forças políticas que se recusaram a apoiá-lo na segunda volta. É esse o risco que Seguro está a correr, para se livrar de um problema.

Não é a recusa da UGT em chegar a um acordo que está a criar a divisão, mas a insistência do Governo numa reforma laboral que não estava no seu programa eleitoral e que repetidas sondagens mostram que a maioria dos portugueses, muitos deles eleitores da AD, não querem ver aprovada. Será que Seguro quer mesmo ficar sujeito a arrancar o seu mandato do lado contrário à maioria que o elegeu?" 

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