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Via Público
"Será no mínimo muito
estranho se o Presidente
ficar na fotografia como
apoiante de uma
reforma que continua
a ser só defendida pelas
forças políticas que se
recusaram a apoiá-lo.
O veto presidencial à reforma
laboral foi uma das mais marcantes
"coisas de esquerda" que o
Presidente da República proferiu
como promessa eleitoral e tem feito
tudo para não ter de cumpri-la. Nas
declarações que tem proferido, e as
pressões nos bastidores, Seguro tem
feito os possíveis para que a UGT
ceda a um acordo que o isente de um
primeiro embate claro como
Governo. O seu encontro com os
parceiros sociais, na véspera do veredicto da central sindical sobre a
última versão do documento que tem
vindo a ser discutida há oito
semanas, não pode ser lido de outra
forma.
É normal que o Presidente não
deseje, no seu primeiro mandato,
muitos confrontos com o executivo
quando se comprometeu tão
firmemente a manter a estabilidade
política. Como é normal que não
deseje ficar, logo no arranque, com o
sublinhado da limitação natural dos
seus poderes, se o Governo insistir
em confirmar uma legislação que,
por falta de acordo, ele pudesse vetar.
Mas será no mínimo muito
estranho se o Presidente ficar na
fotografia como apoiante de uma
reforma que continua a ser só
defendida pelas forças políticas que
se recusaram a apoiá-lo na segunda
volta. É esse o risco que Seguro está
a correr, para se livrar de um
problema.
Não é a recusa da UGT em chegar a
um acordo que está a criar a divisão,
mas a insistência do Governo numa
reforma laboral que não estava no
seu programa eleitoral e que
repetidas sondagens mostram que a
maioria dos portugueses, muitos
deles eleitores da AD, não querem
ver aprovada. Será que Seguro quer
mesmo ficar sujeito a arrancar o seu
mandato do lado contrário à maioria
que o elegeu?"
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