Há números que não permitem suavizações nem discursos moderados. Entre 2011 e 2024, Portugal não apenas falhou em reduzir desigualdades, aprofundou-as de forma significativa. Os dados mais recentes mostram um país onde a concentração de riqueza atinge níveis difíceis de ignorar: enquanto uma minoria acumula património a um ritmo acelerado, milhões de pessoas continuam presas a uma realidade de escassez, mesmo trabalhando todos os dias. Pelo meio, uma classe média cada vez mais pressionada sustenta grande parte do esforço fiscal e vê a sua estabilidade deteriorar-se.
Trabalhar
e continuar
pobre: a nova
norma
Se a concentração
de riqueza impressiona, os dados relativos aos rendimentos do trabalho revelam um país ainda
mais frágil. Em
2024, cerca de 66%
dos trabalhadores aproximadamente 3,9 milhões de pessoas - recebiam até
mil euros brutos por
mês. Na prática, após descontos, isso
traduz-se em cerca
de 848 euros líquidos ou menos. Mais
de um milhão de trabalhadores acumulavam dois empregos. A ideia de
que o trabalho garante uma vida digna está cada vez
mais distante da
realidade. Trabalhar
deixou de ser, para
muitos, um caminho seguro para sair
da pobreza e passou
a ser apenas uma
forma de a atenuar.
A distribuição salarial reforça esta perceção: cerca de 195
mil trabalhadores
recebiam até 600
euros, quase 289 mil
entre 600 e 80o euros, e mais de 3,4
milhões situavam--se entre 801 e mil
euros mensais. Após
descontos, os valores disponíveis tornam-se insuficientes para cobrir despesas essenciais, соmo habitação, alimentação, transportes e energia."
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