sexta-feira, 17 de abril de 2026

"Hoje o país está melhor e os portugueses também estão melhor"!.. - diz Montenegro...

Entre impostos e baixos salários, classe média perde força em 13 anos


"Portugal tem um retrato brutal de desigualdade. 1% concentra quase um quarto do património, enquanto metade da população sobrevive. A riqueza dispara no topo enquanto a maioria empobrece.

Há números que não permitem suavizações nem discursos moderados. Entre 2011 e 2024, Portugal não apenas falhou em reduzir desigualdades, aprofundou-as de forma significativa. Os dados mais recentes mostram um país onde a concentração de riqueza atinge níveis difíceis de ignorar: enquanto uma minoria acumula património a um ritmo acelerado, milhões de pessoas continuam presas a uma realidade de escassez, mesmo trabalhando todos os dias. Pelo meio, uma classe média cada vez mais pressionada sustenta grande parte do esforço fiscal e vê a sua estabilidade deteriorar-se.

Trabalhar e continuar pobre: a nova norma

Se a concentração de riqueza impressiona, os dados relativos aos rendimentos do trabalho revelam um país ainda mais frágil. Em 2024, cerca de 66% dos trabalhadores aproximadamente 3,9 milhões de pessoas - recebiam até mil euros brutos por mês. Na prática,  após descontos, isso traduz-se em cerca de 848 euros líquidos ou menos. Mais de um milhão de trabalhadores acumulavam dois empregos. A ideia de que o trabalho garante uma vida digna está cada vez mais distante da realidade. Trabalhar deixou de ser, para muitos, um caminho seguro para sair da pobreza e passou a ser apenas uma forma de a atenuar. A distribuição salarial reforça esta perceção: cerca de 195 mil trabalhadores recebiam até 600 euros, quase 289 mil entre 600 e 80o euros, e mais de 3,4 milhões situavam--se entre 801 e mil euros mensais. Após descontos, os valores disponíveis tornam-se insuficientes para cobrir despesas essenciais, соmo habitação, alimentação, transportes e energia."

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