Pedro Duarte juntou mais uma justificação para o regresso ao secretismo sobre os donativos a partidos: proteger os dadores de retaliações laborais por parte dos patrões
"... o argumento mais
invulgar - e verdadeiramente
bafiento - é o de que os donativos
não podem ser públicos sob o
pretexto de proteger os dadores de
eventuais retaliações laborais por
parte dos patrões. Esta tese,
curiosamente, partiu do autarca do Porto e ex-ministro, Pedro Duarte.
Recorde-se que, em Portugal, as
pessoas singulares (os partidos estão
proibidos de receber financiamento
de empresas) só podem contribuir
com montantes anuais até cerca de
13.500 euros. Mas a memória é
curta: trabalhos jornalísticos
revelaram no passado que membros
de famílias detentoras de grandes
construtoras, como a Mota-Engil,
distribuíam verbas avultadas por
vários partidos do arco do poder. É
este tipo de relação que o escrutínio
público impede que fique na
sombra.
Numa altura em que o Parlamento
regressa a estes temas - como PS a
apresentar esta semana um projecto
sobre as regras de divulgação de
financiamentos -, cabe aos
deputados decidir: querem reforçar
o equilíbrio entre privacidade e
transparência ou preferem
enveredar por um retrocesso em
contramão com a Europa?"

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