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“O que impede de saber não são nem o tempo nem a inteligência, mas somente a falta de curiosidade.”
- Agostinho da Silva

domingo, 29 de dezembro de 2019

O meu Povo. Gente que viveu antes de mim na Aldeia.

A foto é de 1943 e foi sacada daqui.
Este, é o meu Povo. Gente que viveu antes de mim na Aldeia.
Homens, mulheres e crianças com sofrimento visível na face.
Gente que teve uma vida difícil, onde a pobreza fazia parte do seu dia a dia.
Não por sua culpa, mas sim por culpa dos miseráveis que governaram este País durante séculos.
Este Povo, Gente que viveu antes de mim na Aldeia, o meu Povo, foi sempre gente  de coragem.
É maravilhoso ter muitos pobres a quem dar sopa, porque quem dá sopa aos pobres pratica a caridade e quem pratica a caridade está na graça de Deus.
É por isso que os cretinos actuais exultam com a sopa dos pobres. 
Porque sabem que na bicha da sopa só estarão os filhos dos outros. 

Esta Gente, o meu Povo, Gente que viveu antes de mim na Aldeia, vivia na miséria, morria cedo, comia mal, não tinha direito à saúde nem à educação. Na sua esmagadora maioria era analfabeta, doente e subdesenvolvida.
Como diziam as senhoritas da elite figueirense da altura -  "credo que porcos, feios e maus que eles são"!..
Por isso, quem sabe, porque viveu lá, como era a vida da esmagadora maioria dos covagaleneses, do tempo de Salazar e Caetano, não tem saudades.

2 comentários:

CeterisParibus disse...

A foto pode ter sido tirada na Cova, mas podia ter sido em Buarcos, na Leirosa, na Vieira, no Areão, em Mira, e num ror de sítios. 1943 na aldeia, era tudo isso que descreveste. Eu tive a sorte de nascer em 1963, onde a fome e a pobreza ainda viviam, mas mesmo sendo filho e neto de pescadores, nunca nenhuma delas me tocou. Mas tocou a muita gente, alguns mesmo ao meu lado. Abraço e Bom Ano.

José disse...

gente que viveu e que ainda há uma viva embora já com idade avançada,a senhora vestida
de luto que segura a panela com as duas mãos.