segunda-feira, 9 de julho de 2018
Crónica do estado do céu no momento
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| Foto António Agostinho. O céu, neste momento (9 horas e 30 minutos do dia 9 de julho de 2018). |
Entretanto, penso que isto de existir é uma coisa trabalhosa, para nós, mas sem grande interesse para os outros.
Pago. De seguida, guardo o porta-moedas dentro do bolso das calças (guardamos sempre qualquer coisa dentro de uma outra).
Olho para o céu e parece que vai chover.
Alguém, na mesa ao lado, queixa-se do tempo: "se não fosse a temperatura, parecia que estávamos no inverno".
Saio. Olho para o céu e penso: dantes as estações eram certinhas.
Sorrio. O passado tem essa coisa de ser previsível.
E se hoje chovesse?
Não faria mal.
Se viesse, estugava o passo.
Ainda posso contar com as minhas próprias pernas.
E gosto disso.
Poema para Iludir a Vida
Tudo na vida está em esquecer o dia que passa.
Não importa que hoje seja qualquer coisa triste,
um cedro, areias, raízes,
ou asa de anjo
caída num paul.
O navio que passou além da barra
já não lembra a barra.
Tu o olhas nas estranhas águas que ele há-de sulcar
e nas estranhas gentes que o esperam em estranhos
[portos.
Hoje corre-te um rio dos olhos
e dos olhos arrancas limos e morcegos.
Ah, mas a tua vitória está em saber que não é hoje
[o fim
e que há certezas, firmes e belas,
que nem os olhos vesgos
podem negar.
Hoje é o dia de amanhã.
Fernando Namora, in "Mar de Sargaços"
Não importa que hoje seja qualquer coisa triste,
um cedro, areias, raízes,
ou asa de anjo
caída num paul.
O navio que passou além da barra
já não lembra a barra.
Tu o olhas nas estranhas águas que ele há-de sulcar
e nas estranhas gentes que o esperam em estranhos
[portos.
Hoje corre-te um rio dos olhos
e dos olhos arrancas limos e morcegos.
Ah, mas a tua vitória está em saber que não é hoje
[o fim
e que há certezas, firmes e belas,
que nem os olhos vesgos
podem negar.
Hoje é o dia de amanhã.
Fernando Namora, in "Mar de Sargaços"
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