Não há nada mais igual do que o mar. E não me canso de o ver e ouvir. Apenas porque consegui alcançar a capacidade de encontrar a diferença na igualdade. Posso estar horas a olhar e não me cansar da sua aparente monotonia.
E, chegado aqui, pergunto-me: consegues definir-te partidária e ideologicamente? Não. A única bandeira política que acho valer a pena, por ser válida, é o anarquismo. E nisso tenho grandes companheiros, como Jesus Cristo e Friedrich Nietzsche. Cada vez mais, acho que é o único sistema político, que seria, civilizado, não violento, feito de e para pessoas responsáveis e que não precisariam de políticos manipuladores, polícias e soldados para nada. Mas, isto tem dias: talvez tudo dependa da maneira como se ouve Chopin. Penso que é uma boa ideia acreditar que a arte nos pode salvar, embora não seja certo que isso possa acontecer. Pelo menos, se a arte não pode salvar uma sociedade, não pode salvar uma política, não pode salvar um sistema social, poderia salvar a ética das pessoas, o que daria esperança e, nesse sentido, poderia salvar o mundo.
Esquisito e estranho tempo, este, que se vive na Figueira, em que existe uma maioria absoluta, protagonizada por um partido, um presidente de câmara e vereadores, que se dizem da esquerda que põe Abril na boca por tudo e por nada... Esquisito e estranho tempo, este, para quem gostava de ver alegria e felicidade à sua volta... Esquisito e estranho tempo, este, pois a paisagem e o ambiente condiciona a Figueira e os figueirenses, e é determinante para o seu estado de espírito. O que nos rodeia condiciona-nos. Não lhe somos indiferentes. Há uma interacção e simbiose entre tudo o que nos cerca e o nosso interior profundo. Quer queiramos, quer não, o meio em que vivemos interfere. Duas perguntas: nunca ouviram falar de liberdade de expressão? Ou já se esqueceram do que isso quer dizer? Esquisito e estranho tempo, este, em que numa cidade como a Figueira, maioria absoluta não é sinónimo de respeito pela democracia. Esquisito e estranho tempo, este, em que na Figueira, a maioria absoluta, que diz "ouvir" outras opiniões, recusa ouvir (e deixar ouvir...) a oposição nas reuniões de Câmara! Esquisito e estranho tempo, este, em que na Figueira, a maioria absoluta, se desconfia e teme que o fim do filme não é do seu agrado, retira o filme de exibição pública... Onde ficou o princípio do contraditório?.. Esquisito e estranho tempo, este, em que na Figueira, um juiz desembargador, que suspendeu a magistratura para se candidatar, em 2009, à autarquia figueirense, pelo PS, conquistada que foi, em 2013, uma maioria absoluta, sem ultrapassar a lei (que não é o mesmo que justiça. Temos leis diferentes, aqui e no Brasil, por exemplo... Poderemos concluir, por isso, que um dos sistemas é menos justo que o outro?.. Quando muito, podemos concluir que visam interesses diferentes. Nada mais. A lei emana do legislador, que por sua vez defende interesses, regra geral os interesses do momento desse legislador...) actua como se fosse tudo do xerife...