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“O que impede de saber não são nem o tempo nem a inteligência, mas somente a falta de curiosidade.”
- Agostinho da Silva

domingo, 30 de outubro de 2016

A propósito da visita da Sagres à Figueira...

No facebook do Pedro Cruz, li esta frase, que só poderia ser proferida pelo olhar de um fotógrafo.
"É impressão minha ou a comunidade virtual está minada de fotos natalícias do navio mais bonito do mundo?!!!.."
A beleza é um conceito composto e profundo, que é capaz de nos surpreender se estivermos atentos.
A simplicidade total, é uma outra forma de ver a beleza.
Ter a capacidade de ver o que é simples. Procurar o belo sem delongas e enfeites.
Porém, não podemos nunca confundir o belo com o bonitinho!
Este último é passageiro... O belo permanece intocável! Como é o caso da foto abaixo, sacada daqui.
Fotografar a Sagres, tornou-se vulgar. Todavia, esta foto do Pedro Agostinho Cruz, deixa ver algo de diferente e especial.
O que não é fácil, pois este é um navio famoso, já fotografado por milhares de pessoas em todo o mundo, que só um fotógrafo talentoso consegue, de um ângulo diferente, olhar para ele e obter uma fotografia especial!
É esta a transformação da realidade que se pede ao fotógrafo: interpretar e tornar o real mais aprazível!
E aqui, na minha opinião, foi plenamente conseguido.
É nisto que está a arte do fotógrafo: na transformação da vulgaridade em algo único, lindo, belo e tocante, porque autêntico.
Isso, penso eu, está patente nesta foto, que é um quadro notável, sobretudo, por uma naturalidade que, parecendo fácil, é difícil de conseguir.
Só um fotógrafo perspicaz e atento conseguiria uma foto como esta que transmite, sobretudo, tranquilidade.
Como escreveu um dia o Fernando Campos, "a fotografia, como a pintura, é “a arte” de - como dizia Brassaï, o grande fotógrafo francês de origem húngara – “dirigir o olhar”.
É mesmo isso que faz o Pedro. Dirige-nos o olhar. Nas suas fotos do quotidiano, ele encaminha-nos sabiamente o olhar para aqueles segmentos da realidade em que nós, distraídos pelo rumor do mundo, nem sequer reparamos.
Uma  imagem pode valer pela sua beleza abstractamente considerada, mas vale decisivamente pela mensagem que nos transmite.
A foto que faz a diferença, não é a que mostra o bonitinho, é a que nos faz pensar.
Mas, para isso, é precisa competência, conhecimento, arte, paciência, muito esforço e, sobretudo, é exigido trabalho, muito trabalho ao fotógrafo.

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