domingo, 16 de outubro de 2016

De ASurf a ATudo…

O ministro da economia vai amanhã, por ocasião da etapa do campeonato mundial de surf em Peniche,  anunciar a alteração do nome da A8 para ASurf. 
Para que as outras regiões do país não se sintam discriminadas, venho por à consideração do sr. ministro as seguintes mudanças:
A1 (troço Lisboa-Alverca) – ABejecas
A1 (troço Coimbra-Mealhada) -ALeitão
A13 – ACoiratos
A17 – AOvosMoles
A2 – AVinho
A22 – AConquilhas (hoje, amanhã não sabemos)
A23 – ACereja
A25 – AMorcelaDaGuarda
A28 – AFrancesinhas
A29 -ATripas
A2 (troço Lisboa-Setubal) -AMoscatel
A4 – AEnchidos
A5 – ATias

Via Aventar, Elisabete Figueiredo 

Marginal

A coerência, aprendi isso ao longo da vida, leva-nos à solidão. 
Que não é mesma coisa de estarmos sós.

Cito António Reis, o António Reis de 1967 no livro "Poemas Quotidianos", que é a recolha de dois livros anteriores com o mesmo título, publicados em 1957 e 1960. 
É uma poesia dissonante do que na época se apreciava: o seu intimismo, a inspiração individualista do poema, a escolha deliberada de uma linguagem elementar que os versos curtos, as estrofes rarefeitas de dois ou três versos.
Raramente mais do que isso: "Eu só quero ouvir os meus passos/nas salas vazias".
Esta atenção ao ser, bem como a um mundo substantivo, por isso mais objectivo e mais real, é um sinal distintivo da margem em que se inscrevem os "poemas quotidianos".
O passo que levou António Reis, da margem ao marginal aconteceu, porém, na sua passagem para o cinema, quando foi buscar, como tema do seu primeiro filme, o louco pintor Jaime

Íntima, subtil, discreta, é aí que reside a força da coerência. 
Continuo um observador atento sobre o que se passa na Aldeia.
Noto, que o esforço de certos personagens continua a ser frustrante.
Contudo, o automatismo é belo, pois tal o que nos ensinou Kleist no seu ensaio sobre as marionetas, são máquinas perfeitas porque a consciência não as condiciona.

Autenticidade

Desafio deste domingo: não ser cínico, apesar de já saber muitíssimo bem o preço de tudo e o valor de nada.

Expressar-se, presumo que seja uma necessidade interior e individual. 
Escrever um blogue é uma forma de expressão.
Para mim,  serve para comunicar, sobretudo comigo mesmo, reflectindo através da escrita.

Ando a escrever há muitos anos, pelo que já deixei de dar importância despropositada às coisas que escrevo. 
Todavia, há quem não pense assim.
Escrever um blogue, para mim, é sobretudo uma forma de individualidade. 
Se houver muita gente a gostar - óptimo.
Se tal não acontecer -  tudo bem na mesma. 

Ter noção da nossa pequenez, da importância que não temos, é uma forma de liberdade sem igual. 
Escrevo, não para agradar ou confrontar, mas apenas porque me apetece. 
Quem anda nesta vida tem de ter a capacidade de se expor e assumir fragilidades, manias, tristezas. 

Os "meus" leitores são muito mais espertos que eu e sabem bem da minha autenticidade.
Isto vem a propósito do novo blogue que iniciei no início deste mês.
Parece que há muita gente que está a gostar, o que me deixa feliz. 

A única promessa que faço é manter a autenticidade.
A preservação não é incompatível com o conforto dos dias de hoje. 
Viajar pela história de uma Aldeia cuja memória não foi preservada, não é um conforto para os olhos e, muito menos,  para a alma! 
No fundo, resolvi fazê-lo, por uma questão de autenticidade!

Alguns constrangimentos da democracia portuguesa...

Em 2010, no dia 10 de fevereiro, publiquei uma postagem citando Agostinho da Silva.
Uma tarde destas, com o mar em fundo, mantive uma interessante conversa, talvez de horas, com um Amigo, ainda jovem, culto e interessado pela política, sobre Liberdade.

Discutimos abertamente, mas não chegámos totalmente a acordo sobre o que é a Liberdade.
A discordância, no essencial, a meu ver, passou pelo seguinte:  que Liberdade? 

Em Portugal, em teoria, temos a liberdade de opinião... 
(Que não está totalmente garantida, pois as pessoas têm medo de se manifestar publicamente, pelas mais variadas razões, nomeadamente pelos constrangimentos pessoais e profissionais de que podem vir a ser vítimas.)
Em teoria, temos a liberdade política...
(Com imperfeições está mais ou menos acessível a todos, embora saibamos dos constrangimentos que existem para quem se candidata ou é apoiante de determinados partidos...)
Temos a liberdade de circulação...
E a liberdade económica?..
Essa, a meu ver, cada vez está com mais constrangimentos. 
Essa, quanto a mim, é a grande lacuna da democracia portuguesa.

A diferença de opinião entre pessoas nunca deveria ser motivo de crispação. 
A diversidade, a meu ver, é que é fecunda. 
Preocupante, é o que se verifica na Aldeia e na Figueira, que é, simplesmente, o menor respeito pela opinião discordante.
Vivemos novo tempo. Até na Aldeia e na Figueira, estamos no tempo da globalização do pensamento, o que, salvo melhor opinião, é negativo, já que ao conduzir ao pensamento único, estreita, diminui e empobrece as soluções possíveis para os problemas agudos que vivemos...
Diga-se, porém, de passagem: o que não deixa de interessar a alguns...
Preocupa-me a falta de opinião informada... 
Mas, também, me preocupa o facto de as pessoas desconhecerem e, mais que isso, não quererem saber de factos fundamentais para a sua vida. 

Este alheamento, penso eu, é preocupante...