terça-feira, 3 de maio de 2016

A vida custa a todos. Mas, especialmente a alguns...

Foto sacada daqui
"A autarquia da Figueira da Foz vai investir mais de 850 mil euros na construção de uma nova unidade de saúde no norte do concelho, na freguesia de Alhadas, de acordo com um contrato-programa hoje assinado.
De acordo com os termos do documento, assinado entre o município e a Administração Regional de Saúde do Centro (ARSC), o valor total de investimento camarário ascende a mais de 850 mil euros na construção e equipamento do novo edifício, cuja utilização será depois cedida à ARSC por um prazo de 20 anos, renovável.
A autarquia vai candidatar o investimento a fundos europeus do quadro Portugal 2020, que têm um teto máximo de 520 mil euros, sendo o restante coberto por fundos municipais.
Nesta fase, José Tereso, presidente da ARSC, não garantiu a criação de uma USF na freguesia de Alhadas, argumentando que cabe aos profissionais – médicos, enfermeiros e pessoal auxiliar – a criação de equipas nesse âmbito. Porém, é intenção da tutela aumentar o número daquelas unidades no concelho.
À margem da sessão, António Morais, director executivo do Agrupamento de Centros de Saúde do Baixo Mondego, disse que a intenção é vir a criar mais três USF no município da Figueira da Foz (uma na cidade, outra na freguesia de Alhadas e outra em Lavos, a sul), a juntar às duas que já existem na zona urbana.
O projecto da nova unidade de saúde é camarário e será agora candidatado aos fundos europeus e objecto de concurso público de construção. Segundo João Ataíde, a obra deverá iniciar-se em setembro e estar concluída nove meses mais tarde, em finais de junho de 2017." 
Via Figueira TV

Há dias assim. Em que me sinto bem, mesmo com pouca claridade...
Há dias assim. Em que apesar da penumbra, tenho algum sossego...
Há dias assim. Em que dispenso som de fundo, basta-me o silêncio e a luz coada. 
Nestes dias, consigo discorrer comigo longamente. 
A pensar nunca estamos sós...
Há dias assim, de um aparente sossego em que sobrevalorizamos o silêncio. 
Silêncio, não é  sinónimo de isolamento... 
Pode ser desejado! 
E, hoje,  depois destes dias inquietos e atarefados, o silêncio assenta lindamente! 
Pode ser por pouco tempo, mas gozêmo-lo...

Praias de São Pedro, esta tarde...

Cabedelinho...
... e Cabedelo.
As fotos de António Agostinho, mostram que as praias de São Pedro já começam a ter gente, mas ainda continuam a ser um convite a uma passeata calma. 
Aquele andar despreocupado em que se vai pensando nisto ou naquilo, um voejar de assuntos que se encadeiam com naturalidade, com a  cadência das ondas do mar a enrolar na areia, vai embalando os pensamentos enquanto caminhamos. 
Durante o percurso não devia haver lugar para preocupações. 
A paz do lugar devia conseguir afastá-las por completo.
Todavia, olhamos em redor e a paisagem é desoladora.
Eis um bom exemplo do desleixo dos poderes públicos figueirenses...

Mais tarde ou mais cedo, somos nós que pagamos caro o amadorismo dos políticos ...

Recordo este cartaz de propaganda eleitoral para as autárquicas de 2009.
  “Acreditar de novo”. Nada contra o lema, nada também contra o coração....
Todavia, a frase – “acreditar de novo” – continua a carecer de explicação!..
Pelo menos, concretamente, gostaria de saber em quê e em quem...
Para compreendermos a actual ameaça de encerramento dos Postos Médicos da Cova e Gala e Marinha das Ondas, temos de recuar a 2009.
Na altura, João Ataíde das Neves, que vinha da magistratura, politicamente era um neófito que conquistou a câmara da Figueira da Foz para o PS, mas em minoria
O PS conquistou quatro eleitos, mas a oposição elegeu cinco. O PSD, que tinha o poder desde 1998, teve três vereadores e o movimento de cidadãos "Figueira 100 por cento", encabeçado por Daniel Santos, antigo vice-presidente "laranja", conseguiu eleger dois membros para o executivo.
Foi neste cenário, que um inexperiente e imberbe, politicamente falando, executivo minoritário teve de "encontrar consensos" para governar o município.

Desencantado com a política partidária, José Elísio Oliveira, então com 61 anos, vereador do PSD na Figueira da Foz e antigo presidente da concelhia social-democrata fundou o movimento "ou vai ou racha", candidatou-se à junta de freguesia de Lavos - e ganhou.
Político experiente e sagaz, avisado e conhecedor do que estava preparado e em andamento pelo anterior executivo (de que fazia parte como vereador), na área da saúde, e prevendo por antecipação o que daí poderia resultar antecipou-se e tentou pescar junto de João Ataíde, um então novato e inexperiente presidente de câmara.

João Ataíde engoliu o anzol (na totalidade...) e José Elísio fez a pescaria política da sua vida: conquistou, na área da saúde, a excelência para os seus fregueses - os lavoenses
Todos os outros habitantes da margem esquerda do Mondego, que pertencem a um concelho governado por João Ataíde, desde 2009, é que vão ter de pagar o erro estratégico cometido por aquele responsável político figueirense ao construir  um "elefante branco". Já sabemos o que se passou na Costa de Lavos, na Leirosa, o que se está a passar na Marinha das Ondas e em S. Pedro e o futuro, prevejo eu, ainda virá trazer outras surpresas... 
Atenção, que isto não é crítica nenhuma ao José Elísio, que como autarca de proximidade fez o que tinha a fazer pela sua Terra
Como acredito em tudo o que os políticos dizem, principalmente o que eles dizem uns dos outros, cito mais uma vez o que disse o autarca de Lavos na última Assembleia Municipal: enquanto os outros presidentes de junta do concelho andaram a dormir, ele, José Elísio, político avisado, traquejado e informado fez aquilo que tinha que fazer pelos lavoenses. 
Mais uma vez, chapeau, caro José Elísio... 

Em 2009, na hora do PS a comemorar a sua minoritária vitória, no calor da festa, perante o cenário político que o aguardava, disse João Ataíde:  "não há problema" . "Nas eleições autárquicas os concorrentes têm por objectivo primordial servir o seu município. Vamos encontrar consensos", garantiu.
Recordo, que nessa noite, desde a sede de campanha, a festa do PS percorreu a cidade e a marginal da Figueira da Foz durante mais de um hora, naquilo que o presidente eleito chamou de "volta da retribuição e agradecimento ao figueirenses".
"Sentia-se que a Figueira da Foz precisava de uma mudança. Havia muita indecisão e as grandes opções estavam por tomar. Agora está afirmado o sentido de mudança", sublinhou na altura.

Recorde-se: em 2009, Duarte Silva, o candidato PSD derrotado,  recandidatava-se a um terceiro mandato. Tinha vivido últimos quatro anos do segundo mandato marcados por divergências internas no executivo, no qual os sociais-democratas detinham a maioria, com cinco vereadores contra quatro do PS.
Em Agosto de 2009, o PSD perdeu a maioria na autarquia da Figueira da Foz, após o vereador e ex-presidente da concelhia social-democrata, José Elísio Oliveira ter entregue os pelouros que detinha, por solicitação do presidente da Câmara, Duarte Silva.
Foi assim, num cenário conturbado e de "faca na liga" que o então "tenrinho", politicamente falando, João Ataíde começou a carreira política...

Há muito que não acredito em milagres. Há muito que deixei de acreditar no pai natal concebido pela coca-cola. 
Governar um concelho, não é como estar num tribunal, ou governar a nossa casa.
Há muito que sei, que os políticos, mesmo os do mesmo partido, não são todos iguais — a História prova-nos que existem diferenças substanciais... 
Quem, como eu, já anda por aqui há tanto tempo, já o sabia...
Recuso-me a aceitar, que o maior defeito da democracia seja que só quando não se está no poder se têm as boas ideias e se sabe governar...

Assumir, defender e escrever sobre a verdade, mesmo na Figueira, é difícil e é perigoso...

"Participar é preciso", uma crónica do vereador Somos Figueira, Miguel Almeida.
"Todos os cidadãos em geral desempenham um papel fundamental no quotidiano da gestão concelhia, nomeadamente através da denúncia de situações que carecem de intervenção das Juntas de Freguesia ou da Câmara Municipal.
Os cidadãos têm o direito e a possibilidade de exporem as suas preocupações e reclamações, mas também os seus elogios, aos órgãos autárquicos, tanto através da participação nas reuniões públicas dos respectivos órgãos, como por escrito, junto dos serviços. Não basta a crítica fácil em conversa de café e depois esperar que outros façam o papel que cabe a cada um de nós.
A Figueira, que é um exemplo a nível nacional pela participação de tantas mulheres e homens na vida associativa, carece de uma maior cooperação entre eleitos e eleitores. Falta capacidade reivindicativa aos figueirenses e, vontade de ouvir a quem gere os destinos do concelho.
A participação cívica, que aqui reclamo, nada tem a ver com actividade política e por isso deverá estar despida de qualquer preconceito Ideológico, apenas de uma genuína vontade de poder ajudar a traçar os destinos do concelho.
As sociedades modernas constroem-se na partilha de opiniões e agregando vontades em que ninguém se deve sentir a mais ou com receio que a sua participação seja mal interpretada pelo poder vigente." 

Em tempo.
Disse um dia, algures por 2007,  José Pacheco Pereira: “…os blogues serão apenas mais uma câmara de ressonância da pobreza da nossa vida cívica”. 
Passados cerca de 9 anos, olhando globalmente para a blogosfera figueirense, Pacheco Pereira continua a ter alguma razão. 
Contudo, não tem a razão toda. 
Mesmo a blogosfera figueirense acrescentou e mudou  qualquer coisa no debate dos problemas que afectam os nossos dias. 
Para o bem e para o mal, por aqui, resistem ainda alguns espaços pessoais. 
A importância que merecem da sociedade figueirense, é pessoal, e depende de opções e gostos. 
Salazar, se vivesse nos dias de hoje, mesmo que não conseguisse impedir esta modernice,  não teria paciência para estes perturbadores do porreirismo instalado. 
A Figueira política ainda é assim. Mesmo dentro dos partidos, quando não os deixam mandar, os dirigentes, borrifam-se para a estrutura partidária e vão dar uma volta...
Depois, é o habitual: ficam independentes. 
Os resultados são conhecidos. Há alguns exemplo por aí... 
É mal do sistema democrático? 
Se calhar é, mas não há outro melhor.
Escrito isto, acrescento que não tenho filiação partidária. 
Voto em quem me apetece. Mas nunca  me apeteceu votar em qualquer um.