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“O que impede de saber não são nem o tempo nem a inteligência, mas somente a falta de curiosidade.”
- Agostinho da Silva

terça-feira, 3 de maio de 2016

Mais tarde ou mais cedo, somos nós que pagamos caro o amadorismo dos políticos ...

Recordo este cartaz de propaganda eleitoral para as autárquicas de 2009.
  “Acreditar de novo”. Nada contra o lema, nada também contra o coração....
Todavia, a frase – “acreditar de novo” – continua a carecer de explicação!..
Pelo menos, concretamente, gostaria de saber em quê e em quem...
Para compreendermos a actual ameaça de encerramento dos Postos Médicos da Cova e Gala e Marinha das Ondas, temos de recuar a 2009.
Na altura, João Ataíde das Neves, que vinha da magistratura, politicamente era um neófito que conquistou a câmara da Figueira da Foz para o PS, mas em minoria
O PS conquistou quatro eleitos, mas a oposição elegeu cinco. O PSD, que tinha o poder desde 1998, teve três vereadores e o movimento de cidadãos "Figueira 100 por cento", encabeçado por Daniel Santos, antigo vice-presidente "laranja", conseguiu eleger dois membros para o executivo.
Foi neste cenário, que um inexperiente e imberbe, politicamente falando, executivo minoritário teve de "encontrar consensos" para governar o município.

Desencantado com a política partidária, José Elísio Oliveira, então com 61 anos, vereador do PSD na Figueira da Foz e antigo presidente da concelhia social-democrata fundou o movimento "ou vai ou racha", candidatou-se à junta de freguesia de Lavos - e ganhou.
Político experiente e sagaz, avisado e conhecedor do que estava preparado e em andamento pelo anterior executivo (de que fazia parte como vereador), na área da saúde, e prevendo por antecipação o que daí poderia resultar antecipou-se e tentou pescar junto de João Ataíde, um então novato e inexperiente presidente de câmara.

João Ataíde engoliu o anzol (na totalidade...) e José Elísio fez a pescaria política da sua vida: conquistou, na área da saúde, a excelência para os seus fregueses - os lavoenses
Todos os outros habitantes da margem esquerda do Mondego, que pertencem a um concelho governado por João Ataíde, desde 2009, é que vão ter de pagar o erro estratégico cometido por aquele responsável político figueirense ao construir  um "elefante branco". Já sabemos o que se passou na Costa de Lavos, na Leirosa, o que se está a passar na Marinha das Ondas e em S. Pedro e o futuro, prevejo eu, ainda virá trazer outras surpresas... 
Atenção, que isto não é crítica nenhuma ao José Elísio, que como autarca de proximidade fez o que tinha a fazer pela sua Terra
Como acredito em tudo o que os políticos dizem, principalmente o que eles dizem uns dos outros, cito mais uma vez o que disse o autarca de Lavos na última Assembleia Municipal: enquanto os outros presidentes de junta do concelho andaram a dormir, ele, José Elísio, político avisado, traquejado e informado fez aquilo que tinha que fazer pelos lavoenses. 
Mais uma vez, chapeau, caro José Elísio... 

Em 2009, na hora do PS a comemorar a sua minoritária vitória, no calor da festa, perante o cenário político que o aguardava, disse João Ataíde:  "não há problema" . "Nas eleições autárquicas os concorrentes têm por objectivo primordial servir o seu município. Vamos encontrar consensos", garantiu.
Recordo, que nessa noite, desde a sede de campanha, a festa do PS percorreu a cidade e a marginal da Figueira da Foz durante mais de um hora, naquilo que o presidente eleito chamou de "volta da retribuição e agradecimento ao figueirenses".
"Sentia-se que a Figueira da Foz precisava de uma mudança. Havia muita indecisão e as grandes opções estavam por tomar. Agora está afirmado o sentido de mudança", sublinhou na altura.

Recorde-se: em 2009, Duarte Silva, o candidato PSD derrotado,  recandidatava-se a um terceiro mandato. Tinha vivido últimos quatro anos do segundo mandato marcados por divergências internas no executivo, no qual os sociais-democratas detinham a maioria, com cinco vereadores contra quatro do PS.
Em Agosto de 2009, o PSD perdeu a maioria na autarquia da Figueira da Foz, após o vereador e ex-presidente da concelhia social-democrata, José Elísio Oliveira ter entregue os pelouros que detinha, por solicitação do presidente da Câmara, Duarte Silva.
Foi assim, num cenário conturbado e de "faca na liga" que o então "tenrinho", politicamente falando, João Ataíde começou a carreira política...

Há muito que não acredito em milagres. Há muito que deixei de acreditar no pai natal concebido pela coca-cola. 
Governar um concelho, não é como estar num tribunal, ou governar a nossa casa.
Há muito que sei, que os políticos, mesmo os do mesmo partido, não são todos iguais — a História prova-nos que existem diferenças substanciais... 
Quem, como eu, já anda por aqui há tanto tempo, já o sabia...
Recuso-me a aceitar, que o maior defeito da democracia seja que só quando não se está no poder se têm as boas ideias e se sabe governar...

1 comentário:

A Arte de Furtar disse...

Esborrataram-se os sonhos

"ela queria fazer tudo:
picar-se no dedo
morder a maçã
seguir o coelho,
mas ao fechar os olhos esborrataram-se os sonhos."

Miriam Reyes