sexta-feira, 25 de abril de 2014

Pulido Valente em todo o esplendor iconoclasta...


Vasco Pulido Valente, hoje, no jornal I:
 "Não devemos nada aos capitães de abril"!... 
Será que devemos a ti "bêbado de merda"?..

Oito anos...Hoje, é dia de fazer contas à vida


Desde já e para que conste: Outra Margem é um projecto que nunca teve nada de oculto ou inconfessável.
Oito anos depois por cá continuamos... 
Continuamos - mais por causa das derrotas, do que apesar das derrotas  - a tentar trazer uma voz livre da esquerda figueirense, democrática e pluralista, arredada das capelinhas e, por conseguinte, dos media, para a vida pública, para o debate político, para a batalha das ideias. 
Sei que pode  constituir ambição a mais para tão fracos recursos, todavia, como não está no meu horizonte endireitar a Figueira, muito menos o País e ainda menos a vila ou a aldeia, decorridos oito anos e 12214 postagens depois, sinto que dentro dos condicionalismos de que sou possuidor (falta de tempo e debilidades, carências e ignorância reais) tenho a consciência de ter “conseguido levar algumas cartas a «garcias»”.
Desde 25 de Abril de 2006, temos estado presentes, fomos lidos por largas centenas de milhar, fomos apoiados e criticados, houve quem gostasse de nós e quem se nos pudesse bater, batia. Ponto.
Seja qual for a opinião que tenham  deste espaço,  ele cá está feito e assumido, sem truques nem malabarismos,  à vista de todos e  disponível,  podendo cada um fazer o seu próprio  inventário de prós e contras.
Eu tenho-me divertido...

25 de Abril, Sempre!

foto Pedro Agostinho Cruz
40 anos depois, ainda me lembro daquele dia 25 de Abril de 1974!
Começou cinzento, mas foi ficando colorido. 
Depois, por nossa culpa, foi perdendo a cor. 
O Capitão Salgueiro Maia, um dos protagonistas maiores do 25 de Abril, numa entrevista dada em 1991, pouco antes de falecer, disse: 
“Os nossos políticos têm uma grande preocupação em serem bem reformados e uma preocupação nula em serem bem formados.”
Que pensar e dizer, ainda, ao fim de quatro décadas?
Que representa, ainda, a data mais importante da história moderna do nosso País?
Que representa, ainda, a  democracia política e a alternância do poder?
Sinceramente, lamento que no campo social tanto ainda esteja por fazer! 
Coisas práticas, no terreno, que continuam por realizar...
A paz. O pão. A saúde. O emprego. A habitação. A dignidade.
40 anos depois, ainda me lembro daquele dia 25 de Abril de 1974.
Começou cinzento, mas foi ficando colorido.
Depois, por nossa culpa, foi perdendo a cor.
Eu tinha 20 anos quando se deu o 25 de Abril.
Agora, anda por aí gente a fingir que antes do 25 de 1974 aquilo não era mau.
Eu estive lá e posso assegurar que era mesmo muito mau.
Depois veio o tal dia e tudo mudou. Foram tempos incríveis. 
O 25 de de Abril, tem de ser aquilo que sempre deveria ter sido: um ponto de partida...
Ainda estamos a  tempo. 
Dias a preto e branco, nunca mais!

quinta-feira, 24 de abril de 2014

HUMBERTO DELGADO

"Que tristeza! Eu julgava o Parlamento uma assembleia de homens e fui deparar com uma súcia de garotos dizendo piadas de sol uns aos outros, num barulho indecente próprio de praça de touros ou de taberna".

SALAZAR

"O jornal é o alimento espiritual do povo e deve ser fiscalizado como todos os alimentos".

Portugal, 1974

"A corporação militar, independentemente das armas em que se diversifica, constitui uma organização coerente e harmónica, pronta a cumprir a missão que lhe é determinada. A lealdade e a disciplina são atitudes fundamentais que o militar não poderá deixar de manifestar nas suas relações hierárquicas. São princípios universais de ética militar que, vale repeti-lo, sempre deveremos ter presentes.
Finalmente, move-nos como supremo objectivo, o bem da Pátria. Num momento em que o progresso da Nação e o bem-estar dos portugueses dependem da protecção que lhes é dada pelas forças militares é também oportuno dizer a Vossa Excelência que estamos unidos, firmes e cumpriremos o nosso dever sempre e onde quer que lho exija o interesse nacional".
General Paiva Brandão, representante dos oficiais-generais dos três ramos das Forças Armadas, na manifestação de solidariedade para com o regime, em 14 de Março, cujos participantes ficaram conhecidos como «brigada do reumático»

"O País está seguro de que conta com as suas Forças Armadas, e em todos os escalões destas não poderão restar dúvidas acerca da atitude dos seus comandos. Pois vamos então continuar, cada um na sua esfera, dentro de um pensamento comum, trabalhar a bem da Nação."
Marcelo Caetano, em agradecimento aos militares que aderiram à manifestação de 14 de Março. 

"A existência de um amplo movimento que abrange centenas de oficiais do quadro permanente dos três ramos das Forças Armadas, assim como a eclosão da sublevação de 16 de Março, exprimem a crescente oposição das Forças Armadas às guerras coloniais e à política do governo de Marcelo Caetano."
Notícia do jornal Avante!, Abril. 

Portugal, 1973

63 por cento dos portugueses nunca votaram.
Primeira página do jornal Expresso, 6 de Janeiro.

"Eu não sou de direita nem de esquerda. Eu sou do caminho que convier ao povo."
Marcelo Caetano, no único congresso da Acção Nacional Popular, antiga União Nacional, em Tomar.

Portugal, 1968

"O País habituou-se, durante largo período, a ser conduzido por um homem de génio; de hoje para diante tem de adaptar-se ao governo de homens como os outros".
Marcelo Caetano, discurso na cerimónia de tomada de posse como presidente do Conselho, a 27 de Setembro.

- O que pensa do senhor Presidente do Conselho?
- Este «Salazar» parece mais simpático do que o outro...
Resposta de uma mulher no Alentejo, quando inquirida por um jornalista durante a primeira viagem de Marcelo Caetano como presidente do Conselho, em Outubro.

Portugal, 1959

Artº 72º. - O Chefe do Estado é o Presidente da República eleito pela Nação, por intermédio de um colégio eleitoral constituído pelos membros da Assembleia Nacional e da Câmara Corporativa em efectividade de funções e pelos representantes municipais de cada distrito ou de cada província ultramarina não dividida em distritos   e ainda pelos representantes dos conselhos legislativos e dos conselhos de governo das províncias do governo-geral e de governo simples, respectivamente.
Lei nº. 2100, 29 de Agosto.

Portugal, 1942

"Por felicidade o país, ao desempenhar-se do encargo constitucional da eleição, não tem que escolher: felizes as nações que nos momentos cruciais da sua vida não são obrigadas a escolher, e às quais a Providência com desvelado carinho dispõe os acontecimentos e suscita as pessoas de modo tão natural e a-propósito que só uma solução é boa e essa a vêem com nitidez no íntimo da sua consciência todos os homens de boa vontade! Felizes porque não se debatem em dúvidas angustiosas, porque não se arriscam em desmedidas contingências, felizes sobretudo porque não se dividem!"

Salazar, em 7 de Fevereiro, aquando da reeleição do Presidente da República Óscar Carmona, candidato único, com 90,7% dos votos.

X&Q1204


Profetas da Figueira... (9)

"O próprio Salazar redigiu o seu retrato psicológico difundido pela propaganda: humilde, honesto e um homem sem ambições políticas. Ainda hoje há quem o repita..."
Rui Curado da Silva, investigador, hoje no jornal AS BEIRAS.

LIBERDADE!

Neste dia, há 40 anos ainda não era assim.
Agora, o Povo é livre. Não tem que ter medo de falar. 
Antes do 25 de Abril de 1974 falava-se baixinho. Agora, pode dizer-se alto o que se pensa.
25 de Abril de 1974, recordo-te como a vontade de um Povo que quis ser livre e numa manhã veio para a rua gritar:
LIBERDADE! LIBERDADE!

O 25 de Abril de 1974 foi o maior acontecimento, de que tenho memória, que houve em Portugal.
Foi com ele que a LIBERDADE veio para as ruas de braços abertos.

Havia um sonho na véspera do tempo, um grito na boca cerrada por inúmeras outras palavras.
Neste dia, há 40 anos, ainda havia o medo e o desejo de uma palavra virgem: LIBERDADE.

LIBERDADE que é que tu ainda podes fazer?
Eu espero que tu combatas os homens maus, e que ajudes o mundo e Portugal.

LIBERDADE não é só para vós. Todos queremos. Também tem de ser  para todos nós!

LIBERDADE é vossa, mas nós também a queremos. E,  assim, a LIBERDADE será vossa e nossa.

LIBERDADE é uma criança. Criança que voa ao vento. Vento que é livre. Livre como o tempo.
Ó Portugal, Portugal! Porque choras de saudade, o que passou, passou. Hoje existe a LIBERDADE.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Austeridade – sinais exteriores (3)...

Como diria Durão Barroso, no tempo da outra senhora havia uma preocupação sincera pelos pobrezinhos.

Sessão Extraordinária da Assembleia Municipal comemorativa do 40.º aniversário do 25 de abril

Sexta, 25 Abril, 10:00 
-  Sessão solene
Inicia-se com a concentração junto ao Centro de Artes e Espectáculos da Figueira da Foz, seguida da cerimónia do hastear da bandeira. 
Será orador convidado o cidadão António Augusto Menano, e intervindo para além do Representante da Associação 25 de Abril, Representantes de todos os partidos e Coligação de Cidadãos com assento na Assembleia Municipal. 
Estas cerimónias serão abrilhantadas pelas actuações da Filarmónica da Sociedade Filarmónica Quiaense e do Coral David de Sousa.

Preço da aquisição disparou com swaps


Uma estória de Abril

Celeste Caeiro, de 79 anos, foi a mulher que fez do cravo o símbolo do 25 de abril de 1974. Trinta e nove anos depois, "Celeste dos cravos" - como é conhecida - recorda um dos momentos mais marcantes da sua vida.

Mistério!..

daqui
Lido hoje no jornal AS Beiras
"A apresentação da obra “Antologia de Poesia País de Abril”, de Manuel Alegre, ontem ao fim da tarde em Coimbra, foi motivo para fazer crítica à política actual, com o poeta a mostrar preocupação por “um país em que os mercados estão acima do Estado”. Todavia, na Casa da Escrita, estando entre amigos – alguns deles anteriores ao 25 de Abril de 1974 – Manuel Alegre não deixou de revelar um olhar mais descontraído sobre os fenómenos sociais, constatando que, nos últimos tempos, “nunca se viu um mar de gente na rua como na celebração do Benfica, de que gostei, mas que também me deixou preocupado”. Para o antigo candidato à Presidência da República, “isto também revela a necessidade das pessoas se libertarem de um vazio que existe”." 
Ora cá está um mistério!..
Os portugueses, por norma, pelam-se por estar  ao lado dos vencedores
É assim na política e no futebol. 
A recente vitória do Benfica trouxe à tona um mistério...
Mais do que um mistério, penso mesmo que é  um fenómeno em Portugal: o benfiquismo
Vejamos: nos últimos 30 anos, se a memória não me atraiçoa o Benfica venceu 7 campeonatos. O Porto ganhou quase o triplo – 20
A diferença é substancial. 
Seria de esperar que os adeptos do Porto tivessem aumentado de forma clara... 
Todavia, como se viu no domingo, este país é de benfiquistas!..

Lembram-se de "um campo chamado Tarrafal?"

23 de Abril de 1936: abertura do campo de concentração português do Tarrafal, na ilha de Santiago, em Cabo Verde. Três anos depois chegavam os primeiros 152 detidos, entre os quais se contavam participantes do 18 de Janeiro de 1934 na Marinha Grande. 
daqui

terça-feira, 22 de abril de 2014

A decomposição do açúcar e do sal

"Vá lá, isto já não é um governo. É um ajuntamento de pessoas unidas para cumprir o fecho do programa da troika, porque se isso não acontecesse - a manutenção do governo em funções mesmo em estado de colapso - a senhora Merkel ficaria muito aborrecida... 
É este ajuntamento que governa o país e vai a votos no dia 25 de Maio em coligação." 

Profetas da Figueira... (8)

"É curioso atentar na postura dos que se colocaram como críticos do que se fez; os que se esgadanham na crítica ronceira de dizerem mal de tudo tapam os ouvidos aos resultados e, se os apresentamos, acusam-nos de auto elogio. A oposição, mais inteligente, cola-se a toda a acção inegavelmente positiva e reclama a sua parte; o impulso é tão forte que chega a reclamar para si os méritos do Plano de Saneamento Financeiro, embora não assuma o seu reverso - o sacrifício."

António Tavares, vereador PS no jornal AS BEIRAS.

Para ler na calma da noite

«Há qualquer coisa em Passos Coelho que faz com que as pessoas lhe tolerem com alguma bonomia todas as suas mentiras. Ou que pelo menos não se indignem como se indignavam com Sócrates ou com Durão Barroso ou como se continuam a indignar com Portas. (...) Querem o melhor exemplo? O espaço de opinião de José Sócrates, transformado numa "entrevista confrontacional", foi aplaudido pela maioria dos jornalistas. A entrevista de José Gomes Ferreira a Pedro Passos Coelho, transformada num espaço de opinião partilhada (à semelhança do encontro amigável de Passos Coelho com uns cidadãos, na RTP), não provocou grande incómodo nos intrépidos defensores do jornalismo corajoso e independente. Na realidade, a entrevista foi tão fácil que Passos Coelho acreditou que os país era composto por milhões de gomes ferreiras. E desembestou num chorrilho de mentiras sem pensar que havia um dia seguinte.»

Daniel OliveiraAs contradições de Passos Coelho em entrevistas não "confrontacionais"

«No diálogo televisivo de terça-feira, o primeiro-ministro falou dum alargamentozinho no corte de salários face ao do anterior Governo. Segundo o primeiro-ministro, fazer cortes de 3,5% nos salários a partir de 1500 euros não é muito diferente de cortar 2,5% a partir dos 675. Também, segundo ele, não existirá grande diferença entre o tal corte de 3,5% nos salários de 1500 euros e o atual de 8,5%. Mais do dobro. (...) Infelicidade verbal, pois então. Mas existiram mais aspectos que houve quem achasse claros. Houve tempo para libertar (...) uma não verdade, quando disse que os cortes nas despesas de funcionamento do Estado tinham sido de 1600 milhões de euros: não foram, foram de metade desse valor como provou o Jornal de Negócios dois dias depois. Infelicidade verbal, sem dúvida. Também não faltaram, no alegre convívio, momentos de puro entretenimento: o desonerar (...) das pensões e salários em 2016. Se der, eventualmente, às tantas. Tão certo como "termos cumprido as metas". Não houve tempo para explicar como é que não se tendo cumprido uma única meta original se diz exatamente o contrário. Infelicidade verbal, claro.»

Pedro Marques Lopes"Infelicidades verbais várias"

«"Nós temos um sistema de pensões que não é sustentável". (...) Como incentivo à fuga contributiva, dificilmente se conceberia melhor declaração. Depois, os vários estudos de instituições internacionais mostram que, depois de 2006, o sistema de pensões português é dos que apresentam menores riscos. (...) O problema da segurança social hoje é a combinação entre quebra contributiva (por força da quebra do emprego) e aumento de despesa (efeito do desemprego). Entre 2010 e 2012, a diminuição das contribuições foi de 400 milhões de euros, enquanto a despesa com subsídio de desemprego aumentou 480 milhões. (...) "Os portugueses escolheram um governo para governar nas circunstâncias mais difíceis de que há memória nos 40 anos sobre a revolução". (...) As frases citadas foram proferidas por Passos Coelho na conversa televisiva desta semana. Esta última distingue-se por ser verdadeira e merece um comentário adicional: foi uma tragédia, num momento como o que vivemos, termos alguém tão impreparado a chefiar o governo.»

Pedro Adão e Silva, Um primeiro-ministro

«Nunca saberemos ao certo se o primeiro-ministro cedeu a tentações eleitorais em 2011 ou se pura e simplesmente desconhecia o plano de ajustamento da troika e as limitações da poupança com as "gorduras no Estado". Vê-lo voltar a essa história de fadas de grandes reduções de défice com base em ganhos de "eficiência", menos "consultoria" e muitas "fusões" causa inevitavelmente calafrios - especialmente se considerarmos que três anos depois parece ainda não dominar o assunto em que depositou tanta esperança. Se desta vez, o primeiro-ministro errar, já não terá desculpa. Pois como disse, e bem, "às vezes criam-se ideias que não são correctas".»

Rui Peres JorgeNúmeros errados, ideias erradas

«Debaixo deste discurso muito pouco transparente, há no entanto uma ideia clara e um objectivo definido. A ideia clara é que a austeridade é para continuar. (...) O objectuvo definido é que, para conseguir aqueles equilíbrios, o governo aposta tudo no esmagamento da procura interna. E isso exige que salários e pensões não só nunca mais voltem aos patamares de antes da crise como se mantenha a brutal carga fiscal sobre os rendimentos. Em síntese, este ajustamento exige e assenta no esmagamento da classe média. E é isso que a troika e o governo têm prosseguido com afinco, enquanto nos fazem sentir a culpa de "termos vivido acima das nossas possibilidades", seja isso o que for, uma viagem às Maldivas ou jantar fora demasiadas vezes...»

Nicolau SantosQuantos pobres fazem o ajustamento?


Via Ladrões de Bicicleta

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Segurem-se...

Agora é que o PIB vai disparar!..

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25 de Abril - Sempre!

foto Alex Campos

Profetas da Figueira... (7)

"Compreendo bem a frustração dos que genuinamente queriam um país mais solidário, coeso e livre, quando olham para a situação a que chegamos, mas não tenho dúvidas que, apesar de tudo, valeu a pena. Hoje, todos temos de ser “capitães” e ajudar Portugal a erguer-se, como sempre se ergueu. Abril ainda não se cumpriu totalmente, mas depende de todos a melhoria da democracia, através da persistência, da esperança e da sabedoria. O 25 de abril não deve ser comemorado como rotina, ou por obrigação. O 25 de abril tem de ser um tempo de reflexão, de cerrar fileiras para o futuro e de perce ber a história contemporânea de Portugal. Tenhamos memória."

Miguel Almeida, vereador Somos Figueira hoje no jornal AS BEIRAS.

sábado, 19 de abril de 2014

"QUEM É IGUAL A QUEM? ou A RESISTÊNCIA HERÓICA DAS MULHERES DA COVA / GALA", estreou ontem à noite com casa cheia

foto Olímpio Fernandes
O texto foi  escrito nos anos setenta do século passado pelo Adelino Tavares da Silva (foi meu Amigo e um grande jornalista deste País, tendo chegado a ser Director do extinto «O Século», a seguir ao 25 de Abril de 1974. Adelino Tavares da Silva tinha raízes familiares no nosso concelho, pois o seu Pai – o Comandante Rainho – era da Gala). A solução cénica encontrada para levar pela primeira vez ao palco este inédito, de que gostei sobremaneira,  foi do Francisco Sanchez.  A meu ver, houve  apenas dois pormenores que podem ser melhorados: a Tasca do Zé Gandarês, onde o narrador, o Tzé Maia, ao estar fora do palco, ao nível da sala, não fica visível para  grande parte dos espectadores; por outro lado, numa sala cheia como felizmente aconteceu ontem, a riqueza satírica e acutilante do texto provocou, por diversas vezes, reacções de agrado e boa disposição do público, o que foi positivo, mas prejudicou a compreensão da peça, pois tornou difícil a audição de certas passagens do magnífico texto do Adelino Tavares da Silva. De registar a boa prestação dos amadores em cena, o  que certamente terá muito a ver com a exigência e o rigor do director cénico. Sem desprimor para ninguém, gostei especialmente da interpretação que a Manuela Ramos deu a uma personagem forte e cheia de força, uma autêntica Mulher da Cova Gala, como é, indiscutivelmente,  a Ana Racha.
Muita gente pensa que o teatro é uma arte inacessível ao nosso depauperado bolso, ainda para mais neste difícil tempo de crise que atravessamos. Só que nem sempre é verdade. Para alegria de quem não possui bolso recheado e gosta de teatro, existem bons espectáculos, como o que foi levado à cena ontem à noite no Clube Mocidade Covense, que por dois ou três euros podem ser vistos.
"QUEM É IGUAL A QUEM? ou A RESISTÊNCIA HERÓICA DAS MULHERES DA COVA / GALA", é um espectáculo interessante e arrebatador, que fala de nós e dos nossos antepassados covagalenses,  que nos surpreende e  prende pela simplicidade de um texto escrito com a qualidade só ao alcance de um talento literário como o de Adelino Tavares da Silva, que consegue alcançar, como ontem aconteceu, os corações e a alma da plateia. Faz-nos pensar e reflectir, mas também nos faz rir e divertir. Numa palavra provoca-nos emoções. A não perder.
  
Ficha Técnica.
Actores:  Ana Margarida, Beatriz   Duarte, Dina Pimentel, Francisco Sanchez, João Pita, Lurdes Sardo,  Manuela Ramos, Maria Luísa, Rosa Estrela , Leonor,  Alexandra, Ana Sofia e Mariana.
Sonoplastia: José Vidal, João Pita e Adelaide Sofia.
Cenário: João Pita e Susana Brás.
Música: José Castro. Letra da Canção: João Pita.
Encenador: Francisco Sanchez.

sexta-feira, 18 de abril de 2014

25 de Abril - 40 anos

A Direcção da Associação 25 de Abril informa que decidiu levar a efeito uma evocação a Salgueiro Maia, nela personificando a homenagem a todos os militares de Abril, no Largo do Carmo, no dia 25 de Abril às 11.00, evento para o qual desafia toda a população.
Mais informa que, nessa circunstância, o Presidente da Direcção da A25A proferirá uma intervenção de fundo na linha da que seria feita na sessão solene na Assembleia da República.
Após esse tributo, será organizada uma romagem ao edifício onde funcionava a PIDE/DGS, na Rua António Maria Cardoso, para evocação da memória dos cidadãos ali assassinados no fim da tarde de 25 de Abril.
Todos ao largo do Carmo às 11h00 de dia 25 de Abril!

Austeridade – sinais exteriores (2)...

40  anos depois do 25 de Abril, alguém  conhece por estes lados  algum órgão de informação de referência?
Eu não quero ser injusto. Mas, mesmo reconhecendo a competência, o profissionalismo, a dedicação e a entrega de alguns jornalistas locais, na Figueira, só conheço órgãos de informação de reverência...

Profetas da Figueira... (6)

“O 25 de Abril eclodiu as organizações, políticas, sindicais, populares.
Algumas novas, outras saídas da clandestinidade, onde se tinha desenvolvida a sua luta contra o Estado Novo.
A sua divulgação assumiu modos diversos, dos comícios aos cartazes e aos murais, colados , por militantes, pelas cidades, pintados nos muros e nas paredes. A Figueira não ficou de fora desta forma de luta. Brigadas de alguns partidos disputaram, renhidamente, os espaços.
Recordo pichagens a azul, no percurso de minha casa, até às paredes do Hospital da Misericórdia, onde trabalhava, palavras onde o meu nome era escrito exortando à minha morte. Que acabaram após uma conversa entre mim e o líder de um partido de direita, no café O Caçador.”

António Augusto Menano, escritor, hoje no jornal AS BEIRAS.

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quinta-feira, 17 de abril de 2014

Gabriel García Márquez morreu aos 87 anos

Gabriel García Márquez morreu nesta quinta-feira, aos 87 anos, na Cidade do México, de acordo com o jornal "El País". Ainda não há informações sobre a causa da morte, mas o autor de "Cem anos de solidão" chegou a ser internado neste mês por conta de uma infecção.