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quarta-feira, 16 de abril de 2014
A entrevista de Passos...
Para mim, o momento da entrevista de ontem de Passos Coelho
à SIC foi este: “o perfil do candidato presidencial do PSD aproxima-se de Cavaco Silva”...
Confesso que fiquei na mesma em relação às grandes questões que se prendem com o nosso futuro.
Contudo, confirmei aquilo que pensava em relação à vontade do líder do PSD sobre
quem deseja para Belém.
Em tempo.
Ontem, enquanto via a entrevista de Passos Coelho, vá lá
saber-se porquê, recuei ao tempo em que a gente sabia que não havia pluralismo
de opinião em Portugal.
Nada que se compare
aos tempos que correm, de Cavaco Silva, presidente da República, tempos da comunicação social privada e da opinião
pluralista e livre e isenta!..
PS...
Em Montemor-o-Velho, Emílio Torrão, presidente eleito pelo PS, "roubou" vereadora ao PSD/CDS!
Segundo o Diário de Coimbra, Alexandra Ferreira disse ontem
“sim”, depois de um longo “namoro” de Emílio Torrão. A vereadora, eleita pela
coligação “Mais por Montemor”, que já fazia parte do executivo liderado por
Luís Leal, aceitou o desafio e vai assumir um lugar a meio tempo na Câmara.
Depois de uma estratégia concertada com a CDU, logo no início do mandato,
Emílio Torrão reforça agora o espectro político em que assenta a Câmara de
Montemor, com um executivo que classifica de «salvação concelhia».
Para Abel Girão, que liderou a candidatura do PSD/PP,
trata-se de “uma situação lamentável, mas é o culminar de um «namoro político»
que foi iniciado há bastante tempo por Emílio Torrão”.
Para o actual vereador da oposição, o ocorrido é “ainda é mais lamentável, porque foi dado
o segundo lugar da sua lista a Alexandra Ferreira”.
Por seu turno, a Concelhia do PSD, em comunicado, escreve que Alexandra Ferreira, citando a própria,
aceitou o repto de Emílio Torrão por “motivos que se prendem exclusivamente com
razões pessoais e salvaguarda de uma situação de desemprego”. E acrescenta:
“estamos perante um caso gritante em que o interesse pessoal mediato se
sobrepõe às ideias, às causas e convicções que defendeu e apregoou na linha da
frente nos últimos cinco anos”.
Como dizia Sá Carneiro, fundador do partido: “a política sem
risco é uma chatice e sem ética uma vergonha”.
Recorde-se: o PS, que ganhou as eleições em setembro com maioria
relativa, fez um acordo pós-eleitoral com a CDU.
“Tal como disse na reunião de câmara, não compreendo esta tomada
de posição, até porque as pessoas têm de ter caráter: se concorrem pelos
partidos, devem-lhes respeito e consideração”, reagiu Jorge Camarneiro, vereador comunista, em
declarações ao DIÁRIO AS BEIRAS.
O autarca estranha
esta situação, “uma vez que havia um acordo entre o PS e a CDU que estava a
garantir a estabilidade da governação do município”.
A Concelhia da CDU vai reunir-se, para tomar uma decisão.
Mas só depois de abordar o assunto com o Emílio Torrão, a quem já solicitou uma
reunião.
Entretanto, Jorge Camarneiro adianta que a sua coligação
está “disponível para assumir responsabilidades executivas com pelouros”.
terça-feira, 15 de abril de 2014
Carta aberta ao primeiro-ministro
“Passos, escuta... estamos fartos de ver emigrar os nossos
familiares, os nossos direitos, os nossos sonhos, e vamos continuar a lutar
para que rapidamente entendas que o melhor para todos é que sejas tu, o teu
governo, os teus banqueiros, os próximos a partir. Ninguém deixará cair uma
lágrima quando tu zarpares. Essa viagem é hoje a condição para as pessoas
voltarem a ter esperança num futuro melhor. Não bastará, é certo, mas tudo
recomeçará nesse dia inicial, inteiro e limpo.”
Para ler na íntegra, clicar aqui.
GRUPO DE TEATRO DO CLUBE MOCIDADE COVENSE
A ESTREIA DA PEÇA "QUEM É IGUAL A QUEM ? ou ARESISTÊNCIA HERÓICA DAS MULHERES DA COVA / GALA" VAI REALIZAR-SE NO DIA 18
DE ABRIL, PELAS 21h30.
Profetas da Figueira... (4)
“O mundo virtual não
é terreno de agitação social e não se fazem mudanças ou imposições por este
meio. Os poucos casos bem sucedidos, como os do Egipto e de Tunis, tinham peculiaridades
que os tornaram diferentes. A maior parte é conversa.”
António Tavares, vereador PS, no jornal AS BEIRAS.
Em tempo.
Ainda bem que, finalmente, estamos todos esclarecidos.
Detestava estar a perturbar quem não sabe do que falo...
Detestava estar a perturbar quem não sabe do que falo...
(“Parabéns pelo teu blog. Mais uma vez dás provas do amor que
tens pela tua terra e da tua paixão pela escrita e pela comunicação.
Obrigado por lembrares a figura do Zé Martins. Corajoso,
honesto, coerente e escriba de fino recorte, o Zé VIVE na nossa memória. Bem o
sabes.”
40 anos depois...
"Economicamente, em termos relativos, Portugal continua na
cauda Europa. O endividamento externo em termos absolutos é extremo. O
crescimento continua anémico. O desemprego, esse sim, duplicou, triplicou,
quadriplicou… A emigração forçada voltou.
As famílias para as quais sempre esteve tudo bem, são as
mesmíssimas do "antigamente", as outras estão sob um rolo compressor
fiscal e o Estado Social a caminha silenciosamente para a iniquidade. A
comunicação social tem dono(s) e não arrisca a sobrevivência com vãs denuncias
dos abusos de quem pode abusar sem ser verdadeiramente incomodada pela 2ª
justiça mais lenta da UE.
Internacionalmente evoluímos de derradeiro império colonial
europeu orgulhosamente só, para PIIG bom aluno sob protectorado. Sequestrados
pelos nossos credores que nos administram via politicos coolaboracionisas com
forças que antagonizam com o interesse nacional.
Politicamente, o regime está falido. A democracia
representativa não representa mais do que instituições fechadas à sociedade,
que investem a maior parte dos seus recursos na mera manutenção e perpectuação
no poder e na prosperidade dos seus protagonistas. O bem comum pode sempre
esperar.
Perdoem-me se não celebro o facto de não ser preso amanhã
por publicar e assinar este texto. A liberdade de expressão é pífia consolação
para tudo o que “inconseguimos”.
segunda-feira, 14 de abril de 2014
Raio de feitio, o meu...
Sempre que me fazem lembrar a palavra reputação, o que me vem à mente é algo que tem a ver com
prostituição...
“Em nome da sustentabilidade, algumas Misericórdias e instituições de Solidariedade Social contornam a ordem da lista de entrada nos lares e deixam passar à frente quem tem reformas mais altas. Responsáveis negam perversão do sistema, antes um meio de evitar falências e conseguir acolher mais utentes de pensões baixas”...
A ignorância mata (mais do que o tabaco...)...
... e por isso seria tão importante, neste 40º aniversário do 25 de Abril, que se desmascarasse o que foi o fascismo, mas a sério...
Portugal está hoje no plano económico melhor que no período da ditadura. Isso, contudo, não significa que os decisores da actualidade sejam também melhores. Os políticos de agora são menos honestos e não têm a mesma capacidade de liderança. Segundo uma sondagem i/Pitagórica, os portugueses confiam menos na seriedade da classe política de hoje do que na do regime derrubado em Abril de 74.
E os números são expressivos. 46,5% dos portugueses consideram que, numa comparação directa sobre a seriedade dos políticos da ditadura com os actuais, os do "antigamente" eram mais honestos. Em segundo lugar surgem os que não sabem responder ou não responderam, com 35,8%. Ou seja, apenas 17,7% consideram viver hoje num país governado com líderes mais sérios a ocupar os cargos políticos.
Os inquiridos também não têm dúvidas sobre a capacidade de liderança da classe política: 43,2% afirmam que os governantes da ditadura tinham uma preparação e uma capacidade para liderar superiores aos actuais. Nesta comparação, surgem em segundo lugar os que acreditam nos políticos de hoje: 33,1%. Os restantes 23,7% não sabem ou não responderam.
Mas nem tudo era melhor e os portugueses acreditam que, pelo menos do ponto de vista económico, o 25 de Abril de 1974 valeu a pena. Metade dos inquiridos (49,9%) admite que o país está economicamente melhor do que estava no período da ditadura. Uma posição contrária é defendida por 34,9% e 15,2% da população não sabe ou não respondeu.
A liberdade de expressão é outra das mais-valias da democracia. Segundo a sondagem i/Pitagórica, a maioria dos portugueses considera ser livre de expressar hoje o seu pensamento político (63,1%). Ainda assim, há uma grande percentagem que não se sente à vontade para dizer o que pensa. Quase 37% admitem que os portugueses não são livres de expressar opiniões sem sofrer consequências. São os que têm mais de 55 anos, de classe social baixa, e os residentes em Lisboa e Algarve que admitem haver hoje liberdade de expressão. Por outro lado, os jovens de classe média e residentes nas ilhas são os que prevalecem entre o grupo dos que consideram não existir liberdade total. (daqui)
"Os partidos" que não cumpriram Abril
Vasco Lourenço numa entrevista dada recentemente ao jornal i.
Sobre "os partidos", que eu sei, tal como os homens, não são todos iguais, conheço bem como
funcionam os que passaram pelo poder na Figueira – PS, PSD e de novo o PS.
"Estes partidos", na Figueira, funcionam como “clubes” de personalidades desejosas de assumir poder e
influência.
O que lhes interessa debater – se é que debatem – é como
chegar ou manter-se no poder. Na oposição, criticam o executivo em funções. Porém,
quando chegam ao governo executam a
mesma política única.
Os confrontos internos nesses “clubes políticos” reflectem, sobretudo, rivalidades entre grupos de interesse, mais
que diferenças programáticas ou até estratégicas.
Os seus membros condicionam o seu envolvimento no partido consoante a sua proximidade ao poder.
Os seus membros condicionam o seu envolvimento no partido consoante a sua proximidade ao poder.
E algumas das suas personalidades mais destacadas preferem o
protagonismo mediático.
Por isso, como aconteceu recentemente, é que “certos independentes”,
quando lá chegam, fazem mais do mesmo...
Inscrevem-se "nesses partidos"...
Apesar de tudo, o 25 de Abril representa "orgulho" para a maioria dos portugueses!
Profetas da Figueira... (3)
“Cada vez mais as pessoas se afastam da política partidária,
em primeiro lugar por culpa de todos nós – actores políticos - já que muitos não
resistem à tentação de ceder nas mais fortes convicções, trocando-as pelas
modas mais mediáticas a cada momento, e num segundo estádio de
responsabilidades, por um conjunto de “lobbies” que imputam aos políticos os maiores
dos males, sendo eles próprios dentro da sua aparente credibilidade os
responsáveis por um somatório de circunstâncias que muito contribuem para afastar
o cidadão comum das mais prementes discussões públicas.”
Miguel Almeida, vereador Somos Figueira, no jornal AS
BEIRAS.
No País dos pulhas
«[...] os pulhas parecem todos iguais, saídos da mesma casca. Ou aprenderam nas mesmas escolas ou foram feitos na mesma fábrica. E como se não bastasse, ainda procriam.» [daqui]
domingo, 13 de abril de 2014
Se Passos quisesse que percebêssemos, tinha explicado melhor...
O Governo tem afirmado que decisão sobre indexação das
pensões a factores demográficos e económicos ainda não estava tomada...
Não via razão para
"bicho-de-sete-cabeças" à volta dos cortes, dizia ele..
Entretanto, a “Troika diz que valor das pensões vai ficar ligado a factores económicos e demográficos”...
Cortes vão ser mesmo "bicho de sete cabeças", podem os
portugueses ter disso a certeza.
A foto acima de Luís Carregã/As Beiras, mostra um homem que gosta de andar de carro com um livro de Salazar debaixo do cu!..
Para muitos dos que partiram nos anos 1960 e 1970, Portugal
é o país das “vacances”.
Profetas da Figueira... (2)
“Há dias fui aconselhado por um amigo a mudar “o registo” destes
textos, até por causa “dos tempos” que por aí vêm...”
Joaquim Gil, advogado, ontem, no jornal AS BEIRAS.
“Durão Barroso nostálgico do ensino na ditadura”...
Numa resposta diplomática ao “saudosismo” de Barroso, o
actual director da Escola Camões, sublinhou que "houve grandes avanços na
Educação em Portugal nestes últimos 40 anos, com as escolas a terem que dar
resposta às necessidades de toda a população. Comparem-se as taxas de
analfabetismo desse tempo com as actuais".
Via DN
sábado, 12 de abril de 2014
Poema do cortador
Chamo-me Passos Coelho
Cortador de profissão
Corto ao jovem, corto ao velho,
Corto salário e pensão
Corto subsídios, reformas
Corto na Saúde e na Educação
Corto regras, leis e normas
E cago na Constituição
Corto ao escorreito e ao torto
Fecho Repartições, Tribunais
Corto bem-estar e conforto,
Corto aos filhos, corto aos pais
Corto ao público e ao privado
Aos independentes e liberais
Mas é aos agentes do Estado
Que gosto de cortar mais
Corto regalias, corto segurança
Corto direitos conquistados
Corto expectativas, esperança
Dias Santos e feriados
Corto ao polícia, ao bombeiro
Ao professor, ao soldado
Corto ao médico, ao enfermeiro
Corto ao desempregado
No corte sou viciado
A cortar sou campeão
Mas na gordura do Estado
Descansem, não corto, não.
Eu só corto
a Bem da Nação
daqui
Profetas da Figueira... (1)
“A Europa em 2014 continua a ser um lugar fascinante, aberto
e livre, onde a maioria vive muito bem.”
João Vaz, consultor de ambiente e sustentabilidade, hoje no jornal AS BEIRAS.
Tanto trabalho e tão pouca produtividade!..
As mais avançadas teorias de gestão empresarial ensinam que
é necessário repensar de forma radical os processos produtivos que se encontram
implementados.
Vejamos esta notícia:
"Foi uma noite “agitada” para os lados de Buarcos que obrigou
a PSP da Figueira a uma verdadeira “maratona” da qual saiu vencedora, ao
“deitar a mão”, já a madrugada ia alta, a um homem com cerca de 30 anos de
idade, que, em cerca de duas horas assaltou sete estabelecimentos comerciais,
designadamente dois restaurantes, dois cabeleireiros, uma clínica veterinária,
uma agência de viagens e o posto dos CTT de Buarcos."
Na sua posse tinha vários artigos, nomeadamente 84,18
euros - em várias moedas de pequeno
valor!..
Numa cidade em que tudo se esconde e quase todos "fazem
de conta", há que dizer frontalmente: apesar do optimismo, nota-se um notório e crescente
mal-estar na actividade económica!
Quando se imagina o futuro, ele é cinzento. Estamos em
recessão desde 2002...
sexta-feira, 11 de abril de 2014
"As promoções são uma droga e Portugal é líder no vício"
O importante é alimentar a ilusão de que se vive melhor.
No fundo o que é preciso, é promover o vício...
No fundo o que é preciso, é promover o vício...
Licenciaturas maradas...
Procurem bem, pois a Figueira estava "na moda"!..
"O inquérito - cuja existência foi confirmada ao SOL pela Procuradoria-geral da República (PGR), que se escusou a avançar pormenores invocando o segredo de justiça - decorre no MP da Figueira da Foz, onde até 2009 funcionou o pólo da Internacional..."
"O inquérito - cuja existência foi confirmada ao SOL pela Procuradoria-geral da República (PGR), que se escusou a avançar pormenores invocando o segredo de justiça - decorre no MP da Figueira da Foz, onde até 2009 funcionou o pólo da Internacional..."
O problema foi "nosso"
"A presidente da Assembleia da República disse que se os militares da Associação 25 de Abril não forem ao Parlamento nas comemorações do aniversário dessa data "o problema é deles".
A dra. Assunção Esteves está equivocada. O problema não é "deles". O problema é da senhora presidente da Assembleia da República que não quer ser incomodada...
Pensando melhor, contudo, talvez o problema não seja da senhora presidente da Assembleia da República. Talvez o problema seja do país que tem como segunda figura do Estado a dra. Assunção Esteves, que já demonstrou por várias vezes não ter um pingo de bom senso. E seguramente que essa tem de ser uma das qualidades exigidas para se ser a segunda figura do Estado português."
Na Figueira, nunca serei turista
Escrever com autencidade sobre uma terra e os seus
habitantes, não é apenas dizer "coisas bonitas e agradáveis”.
É também revelar matéria desagradável e sombras. É também falar das
contradições das pessoas e das sociedades. É também focar atitudes e nomear gestos que podem estragar a
fotografia a alguém.
Quem só escreve o bonitinho - no romance, na poesia, no
ensaio, na crónica, no blogue, no facebook - está a desrespeitar a vida e
aquilo que merece consagrar: o caos de existir.
A capacidade que cada um tem de se superar num gesto e de se
despenhar no gesto seguinte. De gostar e de não cumprimentar o vizinho. Desde os
gregos que é assim. A maior armadilha da vida e da arte acontece quando quer
ser uma forma de dourar a pílula.
O escritor não é o turista. A literatura nunca foi mandar postais. Eça, por exemplo, nunca mandou as nódoas para
debaixo do tapete.
O artista inofensivo tem sempre votos de louvor da câmara
municipal ou da junta de freguesia. Esse, nunca foi o meu objetivo...
quinta-feira, 10 de abril de 2014
Sou do contra, porque sim...
Rui Curado Silva, investigador, no jornal AS BEIRAS.
“Recentemente em Pequim, durante uma visita a um laboratório
cruzei-me com uma fotocopiadora ao lado da qual se empilhavam várias caixas de
papel Navigator.
No país onde supostamente se inventou o papel, não resisti e
confirmei aquilo que já sabia no cantinho de uma das faces: “Made in Portugal by
Soporcel Portucel”.
No outro lado do mundo, naquela metrópole de mais de 20
milhões de habitantes fui transportado para a distante e pequenina Figueira da
Foz.
Quando se fala entre a elite figueirense em “colocar a
Figueira no mapa” é este tipo de colocação no mapa que me interessa.
Interessa-me menos aquela festa cara organizada na década
anterior que endividou fortemente a Figueira, durante a qual comensais embriagados
nos juravam que tinham colocado a Figueira no mapa.”
Tal como ao Rui Curado da Silva “interessa-me menos aquela festa
cara organizada na década anterior que endividou fortemente a Figueira, durante
a qual comensais embriagados nos juravam que tinham colocado a Figueira no
mapa.”
Porém, eu não acho
que a Figueira tenha mudado assim tanto - muito menos para melhor.
Mais: à sua maneira, as alegadas mudanças dão-nos um excelente retrato do que está mal
na Figueira em 2014.
O quer era bom, continua cá. O quer era mau, agravou-se.
Não ganhámos liderança, não mudou o espírito, não mudou a
filosofia - mudou a casca, pela força das circunstâncias - na Figueira e
no País.
As “mudanças”, na
Figueira, não são diferentes das “reformas”
do Passos no País – mais um retrato da
indigência nacional.
Vejamos o IMI e o preço da água pago pelos figueirenses...
Para quê?..
Vejamos o IMI e o preço da água pago pelos figueirenses...
Para quê?..
Dou só um exemplo: o estado das estradas do concelho em
locais fundamentais para a promoção do turismo figueirense.
Duvidam?.. Circulem, por exemplo, pela Serra da Boa Viagem ou pelas Lagoas de Quaios...
E depois é o que sabemos com os dinheiros gastos nos carnavais
e noutros festivais...
Como não há a mínima ideia do que é administrar uma
autarquia, faz-se mais do mesmo. Gasta-se menos, porque não há dinheiro...
A mim, como figueirense, interessava-me que tivesse mudado a filosofia e o espírito. No fundo, é uma questão de visão, de disciplina
- enfim, de um somatório de coisas, que não se “vendo”, se sentissem no dia a
dia.
Pergunto: “vendo-se”
muita coisa, sente-se o quê?
Modernidade? Originalidade ? Aumento de
qualidade/profundidade?
Qual é o valor acrescentado?
O que é que a Câmara e os figueirenses lucraram com as reuniões
à porta fechada?.. Ou com a intromissão da Câmara, via Figueira Parques, na
gestão do parque de estacionamento do Hospital Distrital da Figueira da Foz?
Ser teimoso, às vezes, não é mesmo uma virtude, mas agora já não estou só a falar da Figueira...
Dito isto, a Figueira mudou?
Se assim foi, viva a Figueira.
Afinal ter razão antes do tempo, é tão mau
como estar errado...
Eu, é que sou do contra, porque sim.
Termino como comecei...Volto a Rui Curado da Silva...
“Nos tempos que correm as exportações da Soporcel são
importantíssimas tanto para o município como para o país. Este caudal
exportador significa empregos e significa riqueza criada por produtos
transacionáveis, com existência real, não são swaps nem festas cor de rosa.
Quando uma empresa atinge este patamar de grandeza deve
manter essa grandeza na relação com os trabalhadores. Não existe nenhuma razão
para que o litígio entre os trabalhadores e a actual direcção da Soporcel em
torno da questão das pensões não seja ultrapassado com dignidade, sem pressões ou represálias sobre os operários
mais reivindicativos. Ao sucesso exportador exige-se o sucesso na concertação
com os trabalhadores.”
A Noite
«Estar desempregado pode, em certas condições, tornar-se
estimulante. De repente, encontramo-nos fora do sistema, não fazemos parte do
mundo, ninguém nos quer, batemos às portas e as portas não se abrem, os
conhecidos mudam de passeio quando nos vêm a tempo, ou então enchem-se de
piedade, o que ainda é pior. É uma boa altura para sabermos se somos apenas o
que fazemos, ou se vamos mais longe do que esse pouco.»
José Saramago, A Noite (1979), p. 66/Ed. Caminho, 2009 (4ª
edição)
Em tempo.
“A Noite” é a primeira peça de teatro escrita pelo único
prémio Nobel da Literatura da língua portuguesa, José Saramago.
Na redacção de um jornal, em Lisboa, na noite de 24 de Abril
de 1974, a rotina vai ser interrompida pela discussão entre o Redactor da
Província, Manuel Torres (Paulo Pires), um jornalista de alma e coração que
defende a verdade jornalística acima de qualquer outro interesse, com o seu
Chefe de Redacção, Abílio Valadares (Vítor Norte), homem submisso ao poder
político, que aceita a censura nos textos do jornal sem questionar, e que conta
com o apoio incondicional de Máximo Redondo, o director do jornal.
O conflito ganha uma dimensão ainda mais dramática quando
surge na redacção o boato de que poderá estar a acontecer uma revolução na rua.
Um espectáculo intemporal…
A não perder, SÁBADO, 12 de ABRIL, 21h30 NO CAE!
O que é que falta perceber?..
Reduziram-se os dias de férias, eliminaram-se dias feriados,
proibiram-se as pontes e as tolerâncias de ponto, excepto no dia de Natal amém,
aumentou-se o horário de trabalho, reduziu-se o preço da hora extra e a
produtividade não aumenta para se aumentarem salários e o salário mínimo
nacional?
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