E não só aos leitores deste espaço, mas a todos.
Via jornal Público
Via jornal Público
Via Diário as Beiras:
"No dia do aniversário, decorria a sessão solene, foi anunciado o aumento do apoio financeiro atribuído pelo Município da Figueira da Foz. Foi uma dupla prenda de anos, já que a medida abrange as verbas mensais e anuais. A vereadora Olga Brás revelou que o apoio financeiro mensal atribuído pelo município passou de seis mil euros para 7.500 euros. Por sua vez, o apoio anual, destinado à aquisição de equipamento de proteção individual, subiu de 30 mil euros para 35 mil euros."
Via Diário as Beiras: "entre elogios, críticas e reparos, a maioria FAP viu aprovados os instrumentos financeiros da gestão autárquica para 2026".
"Gonzalo não detém meios de produção. Não é dono de terras nem de fábricas. Não é sequer proprietário do seu próprio teto. Tem de trabalhar num emprego que muito provavelmente é por turnos e cujo pagamento não andará muito longe do salário mínimo espanhol. E mesmo assim não se sustenta. Mesmo assim, não consegue viver fora de casa dos pais. Mas, apesar de tudo isso, acha que não é da classe trabalhadora. Gonzalo identifica-se como classe alta. E quem sou eu para contrariar aquilo com que alguém se identifica?
Gonzalo é o oprimido ideal. Não questiona a sua própria condição, porque acha que é tudo uma questão de esforço. E ele está a esforçar-se. Se todo esse esforço não der em nada, pode sempre culpar os “subsídio-dependentes”, os imigrantes, os negros ou os ciganos. E só o facto de os apontar a dedo e de lhes cuspir na cara, nem que seja apenas em caixas de comentários das redes sociais, o fará sentir-se melhor. E é sentindo-se melhor, julgando ter “o pack completo de beto”, que será gozado pelos betos a sério, aqueles que nasceram em famílias ricas como a da marquesa com quem ele sonha, que estudaram nos melhores colégios e mal nasceram estavam já destinados a ser acionistas de grandes empresas, proprietários de latifúndios, donos de contas bancárias recheadas, com as quais podem comprar casas como aquela em que Gonzalo vive com os pais, para as transformar em fichas de casino, enviando o dinheiro, livre de impostos, para paraísos fiscais, enquanto o pobre repositor de supermercado pena no inferno doméstico. Gonzalo está contente consigo próprio. Os herdeiros ricos também. E agradecem-lhe muito que lute pela baixa dos impostos, que queira ver a saúde pública reduzida a nada, para aumentar a quota de negócio dos privados, que desdenhe de sindicatos e lutas de trabalhadores, que se mostre contente por ser precário e flexível. E culpe sempre os de baixo.
O mais certo é que Gonzalo nunca se case com uma marquesa. Mas a marquesa deve-lhe muito mais do que pode imaginar."
«Com a questão das revelações do interesses privados -empresariais, clientelares, etc.- dos candidatos a entrar em força na luta eleitoral, António Filipe, o candidato comunista à Presidência da República, exibiu ontem, no seu último debate televisivo, uma folha em branco: “Esta é a lista dos meus clientes. Nenhum”.
«Passos Coelho era porteiro. "O Pedro é que abria as portas todas", disse-o o patrão da Tecnoforma, que não se lembra de quanto é que pagava ao outro pelo serviço, que por sua vez também não se lembrava de quanto recebia. Gorjetas miseráveis, é o que era.
Montenegro era porteiro. Tinha, e alegadamente já não tem, uma empresa com uma carteira de clientes, conhecidos, que incluía a Radio Popular, a Solverde, a Ferpinta, a ITAU, a Sogenave, entre outros, que o escolheram pelos seus lindos olhos, pelas suas qualidades profissionais, não obrigatoriamente por esta ordem, e não por ter sido quem foi e as possibilidades nas casas de apostas de ser quem veio a ser.
Marques Mendes é porteiro. “Imagine que um cliente precisa da sociedade de advogados para um projecto, ou um investimento - a sociedade recorre ao consultor para abrir portas, se for preciso". Mais sabido que os outros, recusa dizer a quem abria portas e a origem das gorjetas que lhe eram dadas. E antes destes houve outros mas na altura o pagode não ligava a ponta de um corno a estas espertezas de quem entra na política com uma mão à frente e outra atrás e sai com as duas nos bolsos e a conta recheada.
Depois o povo farta-se destas merdas e desata a votar no primeiro merdas que lhe aparecer atrás do balcão da taberna a dizer-lhe o que gosta de ouvir. "A corrupção", "o bar aberto", "50 anos disto", "o compadrio". E para o taberneiro não ser eleito, o povo, o outro, tem de votar no porteiro. A democracia é liiiiinda, tipo pregão de peixeira, "é de spinumviiiiiva", [é de Espinho viva].»
Imagem de autor desconhecido
Via Diário as Beiras: "Indigitação foi ontem divulgada, em reunião de câmara, em que também foi anunciada a aprovação da licenciatura em engenharia oceânica para o Campus da Universidade de Coimbra. No executivo camarário, a autarca eleita pelas listas da coligação FAP (PPS/PSD – CDS/ PP), liderada por Santana Lopes, será substituída por João Martins, quadro superior do Município da Figueira da Foz, que ocupava o sétimo lugar da lista da FAP, podendo originar uma redistribuição de pelouros."
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Para Santana Lopes, 2026 será o ano da “consolidação e conclusão de grandes projetos”.
Segundo o Diário as Beiras, "por exemplo, o lançamento da requalificação da entrada da cidade, pavilhão multiusos, conclusão da variante de Quiaios e da nova ponte sobre o Mondego, obras na rua Direita do Monte e na rua da Liberdade, compra do Cabo Mondego, novos lugares de estacionamento ou beneficiação da rede viária do concelho."
Ficam os votos de que, para além do escurecer deste fim ano de 2025, que se aproxima em grande velocidade, e no próximo Ano Novo de 2026, que já está a bater à porta, mas igualmente nos anos vindouros das nossas vidas, os figueirenses tenham aquilo que merecem, numa Figueira que ajudaram a criar com as suas escolhas políticas ao longo de 50 anos, e que, sobretudo - e por isso-, é o concelho que temos e a cidade em que vivemos.
Imagem via Município da Figueira da Foz
Conforme noticiado ontem, a Figueira da Foz aprovou o orçamento municipal para 2026 no montante de 141,7 ME. Agora, o orçamento vai ser submetido à votação da Assembleia Municipal, onde o PSD/CDS-PP tem maioria absoluta.
Conforme a edição de hoje do Diário as Beiras, a documento mereceu os seguintes comentários das forças políticas representadas na vereação camarária.
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"Quando nos dizem que a flexibilização trará mais investimento externo, o que estão a dizer, no fundo, é que as multinacionais irão de bom grado para um país de brandos costumes e gente com formação que fala inglês sem se importar de receber amendoins a troco de trabalho. Do que podemos, de facto, vir a precisar, é de uma revolução."
Via Maio.
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"Algumas ideias sobre o desfecho da Spinumviva, para lá das cabalas. A primeira é a de que dificilmente seria diferente. A recolha de informação depende só da vontade dos próprios. As averiguações preventivas, criadas por Cavaco Silva, são uma investigação administrativa, sem buscas, sem vigilâncias, sem inquirições. A segunda é a de que se tratava de um caso exclusivo de faturação e contratos. Se a verdade formal dos papéis estiver bem construída, mesmo que longe da verdade material, não se chega lá. A terceira é a de que abrir um eventual inquérito, nesta fase, seria facilmente atacado pela desproporção entre o arsenal a utilizar e indícios pouco densos. Deveria ter sido aberto no início e abranger a casa de Espinho.
A quarta é a de que as explicações de Montenegro não são agora escrutináveis. As averiguações não se podem consultar. Não poderemos avaliar a informação prestada, se pode haver censura ética e política, nem os fundamentos do arquivamento. A quinta é a de que o tema não tem de morrer aqui. Numa democracia com real separação de poderes, tanto a Justiça como o jornalismo têm obrigação de não se deixar intimidar por proclamações de vitimização. Neste caso, apurando os fundamentos do despacho, apesar das limitações formais, e determinar a sua solidez. Se fosse só uma prenda de Natal, seria um desastre para a República e para o Ministério Público. Acreditamos que não será, mas temos de fazer o nosso trabalho."
Alfredo Pinheiro Marques, historiador e director do Centro de Estudos do Mar e das Navegações Luís de Albuquerque - CEMAR
"17 de Dezembro, é o dia que o autor destas linhas, Alfredo Pinheiro Marques, desde há muitos anos, baptizou como "o Dia do Destino Português", o dia que considera que deve ser comemorado todos os anos, e que, por isso, todos os anos, pontualmente, comemora…
É o dia em que, por acaso, se deu a coincidência de o destino de Portugal e da sua História ter feito coincidir, de maneira tristemente irónica, na mesma noite de 17 de Dezembro, dois momentos simbólicos e indissociáveis.
Nessa noite, em 17 de Dezembro de 1961, Sophia de Mello Breyner Andresen estava a escrever o seu poema acerca da figura do Infante Dom Pedro das Sete Partidas e de Alfarrobeira… (e da verdadeira origem dos célebres “Descobrimentos Portugueses”…?… e da verdadeira origem da Expansão Ultramarina Portuguesa no Mundo…?), e veio a ter que o deixar interrompido. Mas, mesmo assim, depois, publicou-o, em 1962, e fez questão de deixar lá escrito, em epígrafe, que esse era um poema que havia sido deixado interrompido (!)... e deixar lá escrita a razão por que havia sido deixado interrompido: a queda de Goa, ocupada pela União Indiana…
E o poema, de facto, veio a ser publicado com essa menção, expressa, que lá ficou para sempre.
Trata-se do poema "Pranto pelo Infante D. Pedro das Sete Partidas", acerca da figura mais significativa, e simbólica, e silenciada, da História de Portugal — mas… significativa e simbólica, infelizmente, da secular falência de Portugal... Da sua mentira e da sua insustentabilidade, e da sua injustiça, e do seu fracasso (desde há muito, muito, tempo…). O poema que, não por acaso, é também o que, nesse livro de Sophia, antecede o outro poema imediatamente seguinte, e indissociável, nesse mesmo livro: o "Pranto pelo Dia de Hoje”. Acerca do Presente e do Futuro possível para os Portugueses (então, em 1961… e… sempre…?). Acerca de “o gesto criador ser impedido”… e ”quem ousa lutar é destruído”… “por troças, por insídias, por venenos”…
Sophia de Mello Breyner Andresen estava a escrever o seu poema sobre o Infante Dom Pedro ao mesmo tempo que — nesse mesmo dia, nessa mesma hora, nessa mesma noite de 17 de Dezembro do ano de 1961… — se iniciou a derrocada e o fim do insustentável “Império Ultramarino Português” nascido da errada Expansão Ultramarina Portuguesa… Na Índia, e, logo depois, de seguida, em África.
O colonialismo africano português. O “Império” e o “imperialismo” errados — secularmente errados… desde há muito muito tempo… — devido à maneira errada como foi feita, desde 1495, essa Expansão Ultramarina Portuguesa: uma Expansão Ultramarina em termos feudais... senhoriais… Em vez de em termos modernos... comerciais…
A Expansão Ultramarina em termos errados, que, no século XX, teimaram em repetir, e manter, sempre, o Prof. Doutor Oliveira Salazar (da Universidade de Coimbra), e o seu Ministro da Educação, o "Professor" José Hermano Saraiva (o aluno de História que, já vinte anos antes disso, em 1941, tinha agredido [!] o seu próprio professor que lhe tinha feito o seu último exame e lhe tinha dado a sua medíocre nota de licenciatura…), e o seu Prof. Doutor Torquato de Sousa Soares (o catedrático de História e Director da História na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra… e que até foi quem editou a "Crónica dos Feitos de Guiné" de Gomes Eanes de Zurara… mas que, por acaso, lá na sua terra, em Amarante, onde era latifundiário, se dava a coincidência de ser o informador que dava informações ao governo para depois a polícia política PIDE ir prender os oposicionistas…)… Todos juntos, os Profs. Doutores, e o Ministro da Educação que agredia professores, e o catedrático que era informador.
E… seria por acaso que este sábio professor catedrático da Universidade de Coimbra, Torquato de Sousa Soares, para além de dar essas informações lá na sua terra (e em Coimbra…), andou também, continuando as melhores tradições da sua escola, a proclamar, em Coimbra, do alto da sua cátedra conimbricense, que em Portugal nunca existiu o Feudalismo…?! …
Portugal é assim… (Portugal foi sempre assim…). Portugal é "especial"... E Coimbra é assim… É "sábia"… ("Conhecimento"…)
Gerações de alunos dessa Universidade ouviram isso, nos bancos da escola… durante décadas: "Em Portugal não houve Feudalismo"…
Em Portugal, a História serve para esconder a História…
Todos juntos, teimaram em manter, sempre… e mantiveram sempre. E teimaram em continuar a chamar-lhe, em pleno século XX — a essa Expansão Colonial Ultramarina errada, feita em termos feudais… —, “os Descobrimentos Portugueses” [sic]… Assim confundindo, e identificando, deliberadamente, os Descobrimentos Geográficos e a Expansão Colonial numa única realidade… Como se essas duas coisas, diferentes e sucessivas (e distintas entre si), fossem uma só coisa…!... (e não são…).
E a hipocrisia salazarista fez (continuou a fazer…) dessa identificação abusiva o essencial da História de Portugal. Para assim justificar e legitimar as suas guerras ultramarinas africanas.
A hipocrisia salazarista que continuou para sempre (comemorando, infindavelmente, os "Descobrimentos" [sic]…), e ainda hoje, em Portugal, cinquenta anos depois de 1974 (!), é considerada como fazendo parte do senso comum e do óbvio… Os “Descobrimentos” e o “Império” [sic] são a mesma coisa (!)…
O Doutor Oliveira Salazar (Universidade de Coimbra) e, com ele, o seu Infante Dom Henrique, reinam… ainda hoje... em Portugal…
O dia 17 de Dezembro é o dia em que, portanto, todos os anos, para sempre… se deve “celebrar" (embora, na verdade, ninguém queira celebrá-la…[!] e, bem pelo contrário, tantos a queiram sim silenciar… e continuar a escondê-la para sempre…) a coincidência de, por acaso, esse poema de Sophia de Mello Breyner Andresen estar a ser escrito ao mesmo tempo que se dava a entrada inevitável dos soldados indianos em Goa… O início do fim do insustentável “Império” que os Doutores de Coimbra (e o Ministro da Educação agressor do seu próprio professor...) queriam teimar em manter, chamando-lhe “os Descobrimentos” [sic]… em vez de navegarem com os “Ventos da História"… (embora bem soubessem que essa manutenção iria ser impossível, para os soldados portugueses, por muito tempo…).
A coincidência que Sophia de Mello Breyner Andresen, significativamente, deixou expressa, como epígrafe, para sempre, no seu poema. É isso a História, a sério. Mas teve que ser feita por uma Mulher, Poeta… E não pelos Doutores, e Ministros, e Catedráticos.
A História, em Portugal, teve que ser feita por uma Mulher, e Poeta.
De facto, neste país, sempre existiram Doutores, e Ministros, e Catedráticos a mais… De anedota… Ganhando e gastando o dinheiro público (enquanto os pobres, secularmente, tiveram sempre que emigrar, para poderem sobreviver, e ir viver dignamente no estrangeiro). Doutores, e Ministros, e Catedráticos de anedota. Nos anedóticos "milieus" universitários, culturais e "científicos" portugueses.
O “Império” português, na verdade, acabou nessa noite de 17 de Dezembro de 1961… Embora os Doutores ainda tenham querido continuar a teimar… e tenham querido continuar a mandar aos soldados portugueses que fossem morrer, e matar, durante mais treze (13) anos… em vez de fazerem política, e arranjarem uma solução inteligente… que é para isso que deveriam servir os doutores e os políticos, e os intelectuais, e os epistemólogos, e os académicos… (os que não vão para as guerras… por serem muito inteligentes, e especialistas de encontrar soluções inteligentes…).
17 de Dezembro é, portanto, todos os anos, o "DIA DO DESTINO PORTUGUÊS"… (segundo Alfredo Pinheiro Marques…). No país que foi destruído, secularmente ("pelo mundo em pedaços repartido"…) pelas ambições coloniais erradas e insustentáveis das suas elites feudais.
O Infante Dom Pedro de Coimbra, o das "Sete Partidas do Mundo" e de Alfarrobeira, bem tinha avisado… logo no princípio… logo em 1436: "não perder boa capa por mau capelo, pois era certo perder-se Portugal, e não se ganhar África"… Ora aí está a razão porque esse homem tinha que morrer, e ficar maldito, e ser feito desaparecer (ele, e a sua Memória futura…), para sempre, na História de Portugal… ELE TINHA RAZÃO…
E o que foi feito, secularmente, foi o errado; e o resultado foi o previsível.
Em Portugal reina, como sempre, a sem razão…
E valeria a pena perguntar, hoje (como já em 1961): não seria melhor os Portugueses criarem para si próprios outro “Dia de Hoje”, diferente, para o seu Futuro…? Um Futuro sem “o gesto criador ser impedido”… e ”quem ousa lutar é destruído”… “por troças, por insídias, por venenos”…
Em Mira, em 1996, no dia em que erguemos a primeira estátua do Infante Dom Pedro (a primeira estátua do homem que, no seu tempo, recusou que lhe erguessem uma estátua em vida…) colocámos-lhe lá, gravado na pedra, esse poema de Sophia de Mello Breiner Andresen. O poema que, por isso, aí ficará, desde esse dia, tão simbólico para a História de Portugal, em que, em Mira, a terra dos Tavares, foi erguida a primeira estátua do homem de Alfarrobeira. Para sempre, gravado na pedra. "
Pranto pelo Infante D. Pedro das Sete Partidas