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sábado, 25 de janeiro de 2020

Da série aeroporto na Região Centro: vamos continuar a "brincar aos aeroportos dos pequeninos"? (6)

Ana Oliveira

"Que solução defende para voos comerciais na Região Centro?
A pergunta que o Diário As Beiras lança esta semana para reflexão não é nova e, até tem sido, nos últimos tempos, assunto da ordem do dia. Mas o tema já é pensado e discutido desde a década de 60. A história já vai longa e os consensos vão variando conforme as pessoas, ou como diz o ditado português, “cada cabeça, sua sentença”, ou consoante os momentos políticos que vão surgindo ao longo dos anos. Porque, o que importa, é “encantar o povo” com promessas, porque prometer não custa! E está à vista quem muito tem perdido… toda a Região Centro do país.
Os episódios dos últimos anos e dos últimos meses falam por si. Defende-se Monte Real, Coimbra; volta-se a defender a Base Aérea de Monte Real… Mais tarde pensam melhor e afinal o mais correto seria um novo aeroporto, feito de raiz, entre o sul de Coimbra e o norte de Leira, lá para os lados de Soure/Pombal.
Mas se for assim, a Figueira da Foz também deve revindicar o aeroporto da região, pois encontra-se entre as coordenadas agora defendidas pela Comunidade Intermunicipal (CIM), relembrando que, em tempos, existiu o início de um aeródromo em terrenos junto à Zona Industrial da Gala e podia ser que assim a reabilitação da estrada EN109 (IC1) visse luz ao fundo do túnel ou propunha o concelho de Cantanhede que, há cerca de 25 anos também pensou na implementação de uma base aérea em terrenos junto à praia da Tocha. Estamos numa fase em que tudo se pode propor, porque não Figueira ou Cantanhede?
Enfim… Houve tempos em que tudo se podia fazer, mas que, entretanto, tudo foi esquecido. Nos dias de hoje, tudo se pode dizer. Num momento a seguir, pode-se defender outra coisa qualquer! Até o seu contrário… Defendo a solução da abertura da Base Aérea de Monte Real ao tráfego aéreo civil, considerando que é a solução mais coerente, contribuindo para o desenvolvimento económico, crucial, para a zona centro.
Mas o que essencialmente defendo como solução é lucidez e bom senso a dois protagonistas que ocupam cargos de grande influência para a região, mais precisamente o presidente da câmara de Coimbra, Manuel Machado, e o presidente da CIM, José Carlos Alexandrino."
Um aeroporto na Região Centro é essencial para o crescimento do turismo e necessário para o desenvolvimento económico da região e do país. Por outro lado, em Portugal, há poucos aeroportos, em comparação com a grande maioria dos países europeus, em que em cada 100km há um aeroporto. Croácia, Dinamarca, Finlândia ou Eslováquia, com metade da população de Portugal, têm mais do dobro dos aeroportos do nosso país (excluindo as ilhas).
A localização a escolher para o aeroporto deverá ser a mais sustentável. E nesta ponderação, deverão ser considerados todos os fatores financeiros e ambientais, não só de instalação e operação do aeroporto, propriamente dito, mas também das acessibilidades rodoviárias, ferroviárias e, se possível, marítimas, que garantam a sua intermodalidade.
Perante este cenário, parece-me que a solução de Monte Real é a melhor. Vejamos: a base aérea já está construída e funciona bem, bastando ser adaptada para voos civis; está junto à linha ferroviária do Oeste; é servida por autoestrada; está a poucos quilómetros de um porto comercial, também ele próprio servido pelas mesmas acessibilidades; tem uma localização geográfica muito central, a 154km de Lisboa e a 177km do Porto.
Há ainda a considerar que existem vários exemplos na Europa de aeroportos militares com voos civis. Aterrei uma vez, num Boieng 737, no aeroporto Tampere-Pirkkala, e vi dois F16 a descolarem uns minutos depois, da mesma pista, pois, este aeroporto é, também, base finlandesa da Satakunta Air Command.
Outro exemplo, é o do aeroporto internacional alemão Rostock-Laage, onde, em simultâneo com a aviação civil, voam F16 da Jagdgeschwader 73. Já para não falar de Gibraltar, cujo aeroporto, para além de ser partilhado com a Força Aérea Real Britânica, apresenta uma situação insólita, a de a sua pista atravessar a estrada rodoviária principal para Gibraltar.
Perante todas estas evidências, impõe-se uma questão. Será que não podemos também aproveitar e adaptar os recursos já existentes? Acima de tudo, há que, de uma vez por todas, decidir a localização do aeroporto na Região Centro, que podendo não ser a ideal, é, sim, a possível e a mais sustentável."

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