Ernest Hemingway: «Um homem pode ser destruído mas não vencido.»

sábado, 19 de maio de 2018

Obrigado Camané


A arte, a música, o amor, o som da beira mar, podem pôr-me em contacto com dimensões do pensamento que transcendem, no imediato, as questões de um quotidiano meramente funcional. 
Por exemplo, ontem à noite, com algumas centenas de espectadores, tive oportunidade de assistir a um memorável espectáculo de Camané no Cae da Figueira da Foz.
Memorável, por razões simples: vivi momentos de autenticidade, honestidade e verdade. 
Para a maioria, isso não será nada. 
Cada um é como é. 
Para mim, que procuro sobreviver, trilhando caminhos de viabilidade evolutiva, é tudo. 
Já falhei. Tornei a erguer-me.
Continuei.
Não me sirvo das pessoas.
Mas, sei os terrenos que piso... E sei que vivemos numa sociedade em que, se não estivermos atentos, o que mais há para aí é quem pretenda servir-se de nós...
Não vivo, contudo, formatado por uma moral definida. Sei que a sociedade é uma teia complexa e contraditória de hábitos obtusos que nos envolvem, que se não estivermos atentos podem condicionar-nos o movimento. 
Eu não vou por aí.
A escalada é difícil e íngreme, pois caminho para o alto da montanha.
O objectivo, é o sentido da liberdade. 

Ontem, foi uma noite de histórias e cantigas de amor.
O espectáculo valeu a pena. Cheguei a sentir-me no ambiente intimista de uma casa de fados. 
Camané, magistralmente acompanhado por José Manuel Neto à guitarra portuguesa, Carlos Manuel Proença na viola e Paulo Paz no contrabaixo, foi Camané no seu melhor. Ponto final.
A primeira metade do concerto foi exclusivamente dedicada a Alfredo  Marceneiro. “Bêbado pintor”, “Quadras soltas”, “Fado bailado”, “A Lucinda camareira”, “Mocita dos Caracóis”, “A casa da Mariquinhas” e mais alguns fados como  “Mais um fado no fado”, “Ele tinha uma amiga” e “Guerra das rosas”, foram temas aplaudidos com entusiasmo por uma plateia que encheu praticamente o Cae da Figueira da Foz na noite de ontem.
A segunda parte do concerto, com Camané a cantar Camané (onde apareceu em todo o seu esplendor a versatilidade da sua voz), de cujo reportório fazem parte  temas como “Abandono”, de David Mourão Ferreira e Alain Oulman, “Presságio” de Fernando Pessoa, “Emboscadas” de Sérgio Godinho ou “Lúbrica” de Cesário Verde,  sensibilizou o público, ao ponto de haver o silêncio que se exige para ouvir cantar o fado.
Foi uma noite que valeu a pena. “Sei de um rio”, “Fado Cravo”, “Saudades que trago comigo”, foram temas que empolgaram o público que retribuiu com diversas salvas de palmas, o espectáculo que Camané veio dar ontem à noite à Figueira da Foz.
Foi uma noite que valeu a pena...

Sem comentários: