Ernest Hemingway: «Um homem pode ser destruído mas não vencido.»

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

O sentido da vida do Pedro

Foto Pedro Agostinho Cruz
Cito Pedro Agostinho Cruz:
"Hoje partilho a minha história do dia. 
Esta tarde andei pela Mealhada, Luso, Santa Combadão e Montemor-o-velho/Tentúgal a fotografar os vários incêndios que consomem o país nesta região. Vi imensa coisa que me deixou triste e a reflectir, acreditem! Mas, foi na ultima paragem do dia, já relativamente perto de casa que aconteceu o episódio que vou partilhar. 
Cheguei a Tentúgal e por questões de segurança a estrada estava cortada. Falei com o GNR e perguntei se podia ir a pé até ao local. Olhou-me de alto a baixo e respondeu que sim, mas avisou-me: "Olhe que é bastante longe e vai andar pelo meio do mato. Cuidado!". Mesmo assim decidi ir. Andei uns bons minutos para não dizer quilómetros. Não via ninguém, nem o sol! Só via um fumo super denso e ouvia um helicóptero. Do meio do fumo surge um carro de bombeiros:"Pedro o que estás aqui a fazer seu louco??!" Sim! Talvez tenha sido uma loucura, mas não estava a pensar nisso naquele momento. Na verdade estava a tentar perceber quem ia dentro daquele carro. Era o Nobre com um rosto cansado. Iam abastecer o carro. Perguntei se estava longe ao qual me respondeu: "ainda estás a mais de um quilometro". Sem me deixar responder disse: "Entra!".
Fomos abastecer o carro e deparei-me com um miúdo. Já era a segunda vez que o Bombeiro Nobre ia ali abastecer. Ofereceu a água do seu furo para ajudar os bombeiros.
Meti conversa com o miúdo e perguntei-lhe se queria ser bombeiro: "Não! Só quero ajudar os bombeiros!", respondeu-me decididamente. 
Não sei o nome do miúdo. Mas, sei que provavelmente continua a ajudar o bombeiro Nobre.
Eu vou dormir descansado!
O meu amigo e bombeiro Nobre não vai provavelmente dormir. Aquele miúdo, se dormir não o vai fazer descansado, mas desconfio que continue ajudar o bombeiro Nobre a abastecer o carro com água do seu furo (...) 
É por estas histórias que me apaixono todos os dias pelo meu trabalho (...)"
Imagem obtida a partir daqui.
Para ver melhor clicar na imagem.


Nota de rodapé.
A simplicidade com que o Pedro conta esta sua "história do dia" é absolutamente desarmante. 
É bela e preenche, sem ser ostensiva. Cativa, sem ser importuna. Cria empatia e faz-nos sentir bem de uma forma natural. 
Nesta história está, também, a evolução e o sentido da vida do Pedro.
Mas, qual é o sentido da vida de cada um de nós? 
Não há só uma resposta a essa pergunta.
Existe é  uma resposta para cada um de nós que ouse questionar-se...
O sentido da vida, é o sentido que cada um de nós dá à sua vida!
A vida é assim...  
As coisas acontecem-nos sem sequer as prevermos.
Uma vida gasta, arriscando e cometendo erros, é mais útil e produtiva, do que uma vida gasta com medo de fazer coisas.

1 comentário:

A Arte de Furtar disse...

Bem haja!
Grande momento.