quarta-feira, 6 de junho de 2018

Grande Miguel: a falar é que a gente se entende...



No passado dia 20.04.218 fomos convidados a assistir à apresentação do ESTUDO DOS CENÁRIOS DE DRAGAGENS encomendado pelo Porto da Figueira da Foz à Universidade de Aveiro, com base no qual o Porto da Figueira da Foz, a Autarquia e a Agência Portuguesa do Ambiente tencionam avançar para a execução de uma transferência de três milhões de metros cúbicos recurso a dragagem móvel a norte, transporte e deposição a sul da barra, à revelia da NG6 do Programa da Orla Costeira Ovar - Marinha Grande, aprovado pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 112/2017. 
Salvo melhor opinião, só após a análise detalhada nos termos da alínea f) da NG6 - Gestão Sedimentar - que terá que incluir a avaliação da solução de transferência com dragagem fixa (BYPASS), poderá o Governo decidir sobre os processos ou sistemas de transposição a adotar. 

Via SOS CABEDELO

Com a autarquia figueirense transformada numa empresa organizadora de eventos de entretenimento...

«A Autarquia está a fazer tudo o que está ao seu alcance pela prevenção contra incêndios e protecção de pessoas e bens».



Ontem, os vereadores Miguel Pereira e Carlos Monteiro, que tutelam, respectivamente, o Gabinete Técnico Florestal e o pelouro de Ambiente e Espaços Verdes, visitaram a Serra da Boa Viagem, para acompanhar, in loco, conforme pode ser visto no vídeo, os trabalhos de limpeza das faixas de gestão de combustíveis florestais. 
No terreno, estão já a operar os dois equipamentos adquiridos pela autarquia da Figueira da Foz, num investimento que ronda os 140.000€ de fundos próprios: um tractor com destroçador traseiro descentrável e uma mini pá carregadora equipada com destroçador de elevada capacidade para destroçar elementos até 20cm de diâmetro, provavelmente equipamento único no país
Recorde-se que, com a alteração do quadro legislativo, o Governo aumentou a responsabilidade dos municípios no que respeita à limpeza das faixas de Gestão de combustível.
Registe-se este esforço da Câmara Municipal da Figueira da Foz.

Todavia, a Figueira tem zonas como a que a foto mostra (para ver mais fotos, clicar aqui). ... alô, alô, New Bedford, contribuam para umas roçadoras... Ou para umas cabras, daquelas que andaram pelas Abadias...

Há dias em que sentimos a impotência de mudarmos o rumo das coisas... E há os outros dias

No passado domingo, dia 3 do corrente, conforme pode ser comprovado clicando aqui, publiquei uma carta  de um munícipe figueirense, que tinha sido enviada, há meses. Até então, não tinha havido qualquer resposta. Nem sequer uma simples nota a acusar a recepção.
Ontem, porém, dia 5, chegou a resposta, conforme se pode comprovar pela imagem abaixo.
Para ver melhor, clicar na imagem
Nota de rodapé.
Ando há mais de 40 anos a escrever uns textos. Isso nada tem especial. É apenas algo que faço, como, por exemplo, faço caminhadas e há uns anitos atrás fazia umas corriditas de 10 ou 20 quilómetros.
Gosto, porque é um desafio e porque é possível. Há alturas em que caminhar, tal como escrever, é necessário, como se uma força interior incontrolável me empurrasse nalguma direcção e nada pudesse impedir o avanço. 
Tem de ser. Não se questiona. Faz-se.
Tal como para mim não se questiona, ou explica, a importância de respirar,  olhar o céu, ouvir o mar, comer um petisco regado com um tinto.
Escrevo (e vou continuar...) porque sim. 
Não é para para ser reconhecido, nem  para salvar a ALDEIA.
É porque sim. 
Escrevo tão naturalmente, como quando entro numa sala cheia de gente e digo "bom dia"
Se alguém respode vê-se o que pode vir a partir  daí. 
A  maior parte das vezes, não vem nada de especial.
Contudo, foi criada a possibilidade. Existiu uma oportunidade. 
Afinal, escrever nada tem especial: juntam-se palavras e, por vezes, chegamos a algum lado. 
Vou continuar. 
Como sempre. Simplesmente, como gosto de respirar, de olhar o céu, de ouvir o mar, ou de comer um petisco regado com um tinto...

Até sempre Senhor Nicolau

O associativismo do Concelho da Figueira da Foz ficou mais pobre. 
Faleceu o Senhor Nicolau, o músico filarmónico mais antigo em Portugal e quiçá na Europa. 
Faleceu com 93 anos. Foi músico ininterruptamente durante 74 anos, até ao dia da sua partida. Esteve sempre de forma abnegada ao serviço da Sociedade Boa União Alhadense.
Que exemplo de cidadania, de entrega, de união e solidariedade. Hoje os anjos estão em festa, pois, onde quer que esteja o Senhor Nicolau, não há tristeza mas sim amor. 
Até sempre!
“Acho que comecei em 1940. Ou talvez em 1945…”, disse um dia o músico ao jornal AS BEIRAS.
A pandeireta foi o seu primeiro instrumento, que tocou no Ateneu Alhadense. Depois, trocou o instrumento de percussão por um de sopros, o clarinete. Mais tarde viria a substituir este por outro da mesma família, o saxofone alto. 
Mas, o Senhor Nicolau não foi só músico. Ele também foi proprietário de uma das últimas e mais antigas tabernas da Figueira da Foz, onde passou os seus dias, atrás do balcão.
Pois, foi precisamente aí, na sua taberna,  que eu conheci o senhor Nicolau.
Foi no já longínquo ano de 1972, ano em que comecei a trabalhar como empregado de escritório na já extinta firma Rodrigues,  Pais & Cª..
Tinha 19 anos. Uma das minhas tarefas semanais,  era percorrer a pé todos os clientes da cidade  para realizar as cobranças… E o senhor Nicolau, que era um deles,  teve  uma particularidade de que nunca mais me esqueci, apesar de já terem passado 46 anos!
Ao olhar para mim, muito jovem e então “estilo copo de leite”, certamente com a malícia de um Homem já vivido e traquejado pela vida, disse-me, logo na primeira vez que me viu, depois de eu dizer ao que ia: “então o  menino quer receber,  não é?.. Pois só recebe, se comer um carapauzito frito e beber um tinto…”
Envergonhado e atrapalhado, comecei por recusar, mas depois acabei por achar graça e entrei no esquema… 
E o senhor Nicolau começou  a ser visitado à hora do lanche …
Entretanto, mudei de patrão e de vida, e há muitos anos que não visito a taberna do Senhor Nicolau…
Até sempre Senhor Nicolau.