O Cova-Gala tem uma tarefa difícil: evitar que a AAC/SF vença e se sagre a equipa campeã da época de 2014/15, da divisão de Honra da AFC, e suba, desde já, aos nacionais.
Via Grupo Desportivo Cova-Gala
sábado, 9 de maio de 2015
Terra e Mar
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| Mário Esteves e João Ataíde. Foto AS BEIRAS |
Duas palavras que são duas forças da natureza e do pensamento.
A Feira de Sabores Terra e Mar abriu ontem as portas no Parque das Gaivotas e, até amanhã ao fim da tarde, os visitantes vão ter oportunidade de apreciar os diversos serviços que o concelho oferece, no âmbito do turismo. Da doçaria tradicional aos enchidos, até às agências de viagens, há de tudo um pouco no pavilhão multiusos (Parque da Av. de Espanha).
Mas, o “prato” forte são os peixes da costa figueirense.
João Ataíde e Mário Esteves, presidentes da câmara e da Figueira com Sabor a Mar, entidade que organiza o evento, cortaram, ontem, a fita.
Em setembro, de 4 a 6, repete-se o certame.
“É uma experiência que estamos a fazer”, explicou na oportunidade Mário Esteves, a propósito de se realizarem duas edições no mesmo ano.
A primeira estava programada para a abertura do referido festival, que começou no dia 1 e termina amanhã, mas a autarquia já tinha o pavilhão do parques das Gaivotas reservado para a data pretendida!...
Perante o que citei, só posso agarrar-me ao infinito e alargar o olhar.
É o que resta, pois para os coordenadores dos espaços públicos figueirenses, o fim só pode ser o céu.
Porém, como eu sou duma terra chamada Figueira, o autocarro do sonho já me deixou na paragem, em terra, há muito tempo.
Ai credo, que imundice, que porcaria, que nojo de sociedade (mas, como o que é preciso é ser “vencedor”, o resto que se lixe)...
"Apresenta-se ao serviço o líder do principal partido da oposição, se tiverem perguntas podem enviar um SMS", gozou um dia destes Portas...
Para Paulo Portas, no mínimo, a
dignidade pessoal é um conceito muito próprio.
Tem um jogo de cintura tão apurado
que, mesmo um vexame público, pode ser ultrapassado
achincalhando-se a si próprio.
Para tentar continuar no governo e ter
mais deputados do que o partido de que é presidente vale, para
Portas tudo tem um preço - até a dignidade!..
Esta atitude Portas, ao contrário do
que muitos possam pensar, não tem apenas a ver com ele e com o seu
partido: tem a ver com a democracia portuguesa.
Numa democracia, os cargos políticos e
a política não pode ser apenas uma actividade destinada a ser
exercida por heróis ou por crápulas.
Os primeiros, por serem Homens excepcionais, sairiam sempre incólumes de todos os ataques.
Os primeiros, por serem Homens excepcionais, sairiam sempre incólumes de todos os ataques.
Os segundos, também sairiam incólumes,
por serem protegidos pelas regras da indignidade da sociedade em que
vivemos, de que seriam eles próprios os mentores e os
gestores.
Porém, como a democracia em que gostaria de viver tem a ver com um regime de cidadãos que responderiam em igualdade de direitos e deveres perante a lei, os políticos têm de ser cidadãos comuns, empossados pelo voto da comunidade, em funções executivas ou de representação.
Porém, como a democracia em que gostaria de viver tem a ver com um regime de cidadãos que responderiam em igualdade de direitos e deveres perante a lei, os políticos têm de ser cidadãos comuns, empossados pelo voto da comunidade, em funções executivas ou de representação.
Eu sei que sou ingénuo, mas não
pensem que não sei que vivemos numa sociedade do faz de conta.
Por exemplo, as elites figueirenses – para não irmos muito longe e ser um exemplo de proximidade e acessível... - em voz alta, porém,
não muito alta, dizem: que imundice, que porcaria, que nojo de
sociedade...
Mas, em voz baixa, baixíssima, pensam:
ora, o que é preciso é “vencer”, o resto que se “lixe”...
Esta é a realidade em que vivemos.
Por isso, é que os homens sem palavra e sem dignidade são os melhores e os que triunfam - na Figueira e no País...
sexta-feira, 8 de maio de 2015
Mais português que isto não há!..
Nem eu, nem este blogue, somos de intriga mas, li no jornal que "Funcionária do Fisco compromete Passos, São Bento contesta"...
Fisco detecta acesso a dados do primeiro-ministro no final de 2014, que funcionária justifica com pedido do próprio. Gabinete de Passos Coelho nega “tratamento de favor”.
A ser verdade, ser português é isto mesmo: até um primeiro ministro, num assunto pessoal, em vez de pensar à grande e exigir à patroa (a ministra das finanças), mete uma cunha (a uma funcionária das finanças)...
Fisco detecta acesso a dados do primeiro-ministro no final de 2014, que funcionária justifica com pedido do próprio. Gabinete de Passos Coelho nega “tratamento de favor”.
A ser verdade, ser português é isto mesmo: até um primeiro ministro, num assunto pessoal, em vez de pensar à grande e exigir à patroa (a ministra das finanças), mete uma cunha (a uma funcionária das finanças)...
A vida, em comunhão com a natureza, com as alegrias e agruras que isso implica, não pode tolerar histórias protagonizadas por "estes animais" ...
Uma narrativa dramática que ilustra a
bestialidade do ser humano.
Divertiram-se a disparar sobre gato e
colocaram vídeo na net!..
Mafalda Campos, fundadora da AMOVER,
lamenta que estes casos sejam "representativos da realidade
portuguesa".
A jurista garante que, no que toca à defesa dos
animais, "Portugal está 150 anos atrás de países
desenvolvidos", como a Alemanha ou Inglaterra, e que precisa de
uma legislação mais forte que iniba os infractores.
"Os jovens
já não são propriamente miúdos e se a melhor coisa que têm para
fazer é atirar em gatos, alguma coisa está errada”.
E vivemos em democracia...
“Quem diz o que pensa está lixado”,
é o título da primeira página do Jornal de Negócios que hoje
publica a entrevista feita a Fernando Dacosta, escritor e antigo
jornalista.
Ah pois!.. Vocês pensavam que a melhor qualidade
da democracia era a de tolerar?..
Ah pois!.. Vocês pensavam que a melhor qualidade
da democracia era a de vivermos numa sociedade onde ninguém faz sangue, onde não há repressão e gente morta pelas injustiças?..
A democracia é deliciosa e boa e é maravilhosa quando dá tempo de antena a Santanas que são Lopes, a Cavacos que
são Silvas, a Paulos que são Portas, a Passos que são Coelhos, a
Dias que são Loureiros e a outros Antónios que são Costas.
O título de primeira página da
entrevista (que ainda não li) dada pelo Dacosta, que é Fernando,
deve vir na esteira disto, que é o que penso: a vitória da actual
política de Salazar recauchutada, fica a dever-se, mais coisa menos
coisa, ao incumprimento de Abril, à miséria paroquial em que vivemos, ao
defraudar de expectativas que esta democracia atraiçoada e de
«baixa intensidade e qualidade» desencadeou por quem esteve no
poder disfarçado de esquerda.
As cicatrizes das nossas vidas ficaram
mais expostas, por causa dessa mentira que os mesmos querem
continuar.
Estas palavras ferem, como devia ferir o
inferno a quem nos conduziu até aqui: a verdade da realidade, não merece menos do que isto...
Não somos detentores de nada. Não
possuímos nada. Nem os bens que julgamos serem nossos – dinheiro,
carros, casas, etc.. Nem, no final, o nosso corpo. Nem, no final, a nossa alma. Neste momento, nem à verdade temos direito. Neste momento, nem já, ao menos, a uma ilusão.
No fim, não somos nada. Não resta nada.
Para alguns, durante algum tempo,
enquanto alguém se lembrar da nossa passagem por aqui, seremos
fantasmas de mentiras que criámos e sombras de ilusões que
alimentámos.
A memória do que resta da maioria de
nós – restam os que conseguem libertar-se da lei da morte: Camões,
Pessoa, Eça, Cunhal, talvez Saramago... - é como as nossas vidas:
oca e vazia, por fora e por dentro.
O “Corinthian" chegou e já foi embora, mas entretanto houve a sessão de boas vindas...
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| foto descaradamente sacada daqui |
Os americanos pisaram chão figueirense
ao som do rancho da Casa do Povo de Maiorca e ao sabor do chá de
limonete e da doçaria local. Por outro lado, ficaram também a conhecer a
hospitalidade figueirense e as aptidões de dançarino do “mayor”
João Ataíde, quando o autarca se juntou aos estrangeiros e ao
rancho numa dança tradicional, na recepção realizada no porto. A
administração do porto e da Associação Comercial e Industrial da
Figueira da Foz (ACIFF) e representantes de várias entidades também
deram as boas-vindas aos turistas.
Depois, os turistas fizeram-se à
estrada, em autocarro, e a comandante do navio,
recebeu os convidados e os jornalistas.
“Vocês vivem no paraíso”,
elogiou a anfitriã e comandante do navio Vera Zee Desmovic.
“Nós sabemos que vivemos no
paraíso”, gracejou, por sua vez, o presidente da câmara, visivelmente bem disposto.
Pudera, o dia tinha começado bem: depois das resmas de cruzeiros que nos últimos anos demandaram a Figueira – está já previsto, mais um
para outubro, será o quarto, depois do de ontem: o primeiro foi em
1990 e o segundo em 2010 - Braga da Cruz, presidente da administração
dos portos da Figueira da Foz e Aveiro, tinha já mostrado disponibilidade em criar
melhores condições para receber pequenos cruzeiros, desde que a
procura o justifique. O que, aliás, vem também ao encontro dos desejos da ACIFF.
Aliás, uma cidade como a Figueira,
servida por várias autoestradas, comboio e porto de mar que até já recebe
cruzeiros, só pode aspirar a voos mais altos.
E o futuro, que vai ser ser risonho, está já
aí.
“O aeroporto virá a seu tempo”,
disse João Ataíde aos jornalistas: “há aceitação - por parte da
Força Aérea - para se criar uma gare civil na base aérea de Monte
Real, desde que haja uma empresa que a queira explorar”, deixou
cair ontem o autarca da Figueira da Foz visivelmente satisfeito com
os resultados da passagem deste cruzeiro pelo porto da cidade de que
é “mayor”, e que ontem não deixou os seus créditos em mãos alheias e mostrou o seu «charme» aos turistas do cruzeiro.
Os figueirenses, limitaram-se a ver o
navio... Já a recepção preparada pelo Município
e pelo Porto da Figueira da Foz, com a colaboração de vários
operadores figueirenses, como as fotos que podem ver clicando aqui demonstram, foi muito apreciada pelos visitantes: não é todos os dias que se podem provar as nossas Brisas da Figueira, beber chá de
Limonete e apreciar os dotes artísticos do "mayor" da Figueira !..
Não sei se alguém colocou, ontem, ao "mayor" da Figueira esta pergunta:
- Então, bem disposto presidente?
Se assim aconteceu, a resposta foi de certeza esta:
- Sempre!Se assim aconteceu, a resposta foi de certeza esta:
Pronto... não volto a questionar...
O navio saiu ao final da tarde de ontem. Pode ser que para outubro haja mais...
Comparável ao sucesso da passagem de navios de cruzeiros pelo porto da Figueira da Foz, só a passagem de aviões pelo aeroporto de Beja!
O navio saiu ao final da tarde de ontem. Pode ser que para outubro haja mais...
Comparável ao sucesso da passagem de navios de cruzeiros pelo porto da Figueira da Foz, só a passagem de aviões pelo aeroporto de Beja!
quinta-feira, 7 de maio de 2015
"Os homens sem qualidades", que conseguem fazer tudo a que se propõem... Isto, só em Portugal!..
Falta de vergonha, mesmo falta de vergonha é isto:
"Não é mais uma questão de cu e de calças, de bota e de perdigota, ou do que é que uma coisa tem a ver com a outra. Não é também só uma mera questão de lata. É mesmo de falta de vergonha!
A mesma velha falta de vergonha. Da Tecnoforma, dos rendimentos escondidos em despesas, da Segurança Social. Ou a da reserva da privacidade na doença, tão facilmente mandada às urtigas ao sabor do mais rafeiro eleitoralismo!"
Conclusão e moral desta "estória" (se esta "estória" tem alguma moral): a biografia de Passos Coelho não passa de uma mentira, a acreditar em Portas, que já a desmentiu!..
Resta saber se o desmentido seguiu por SMS...
Contudo, o importante é o que continua por explicar em torno da imunidade de Dias Loureiro: "A antiga directora do DCIAP afirmou não poder dizer por que é que o processo do ex-ministro não foi encaminhado para a Judiciária."
O importante era saber o que leva Passos Coelho a elogiar tão frequentemente Dias Loureiro!..
Será porque "conheceu muitos mundos"?..
O importante era saber o que leva Passos Coelho a elogiar tão frequentemente Dias Loureiro!..
quarta-feira, 6 de maio de 2015
Novo look
Hoje, logo de manhã, subi as escadas
que dão acesso a esta belíssima paisagem.
Como levava a máquina fotográfica, disparei ao mesmo tempo que cruzava o olhar e o pensamento com o
calor da paz que nos proporciona o descanso.
Depois, ao chegar a casa, editei a foto
e vi que não há mar mais belo do que a água da verdade.
Por isso, só por isso, esta a foto, a
partir de hoje, passa a ser o novo look deste blogue.
Não há nada mais triste do que a ausência de tudo...
Quando assim acontece, resta tentar
explicar o sonho sem dizer nada...
“Figueira da Foz aposta no mercado de cruzeiros de pequena escala”!..
“Figueira da Foz aposta no mercado de cruzeiros de pequena escala”!..
É já amanhã, mas os figueirenses vão limitar-se a aquecer a água com que outros se vão lavar...
O cruzeiro “Corinthian”, que
partiu de Roma, escala amanhã
o Porto da Figueira.
A chegada está prevista para as 07H00
e a largada do cais da nossa cidade deverá acontecer pelas 21H00.
Após a sua chegada à Praia da
Claridade, os turistas terão uma recepção local, que incluirá
folclore, entre outras surpresas.
Esta escala na Figueira da Foz terá
uma duração de cerca de uma dúzia de horas, aproximadamente, seguindo os turistas para
Coimbra, onde farão uma visita à Universidade, almoço e uma sessão
de fados de Coimbra.
Recordo o que escrevi um dia destes aqui.
Aquilo que os políticos nunca
conseguiram fazer, a realidade acabou por definir e
decidir: turisticamente, a Figueira, há muito que não é uma
cidade atractiva e, muito menos, aliciante.
E, isso, explica-se facilmente: há
muito que perdeu a essência.
E, perdida a essência, o que é que os
turistas vêm cá ver?..
Mais do que lamentar, vou ter pena da
Figueira amanhã se limitar a ver passar o navio.
Antes do mais, porque os estrangeiros ricos (melhor dizendo, "ricos e de um estrato social muito elevado", como informou na Assembleia Municipal de 30 de abril p.p., a deputada PS Isabel Tavares) poluem menos, são pessoas mais civilizadas e gostam de preservar o seu espaço.
Mesmo o pouco lixo que, porventura, pudessem fazer, se fossem ao ex-libris balnear da Figueira, a Praia dos Tesos, teria outra classe: as garrafas de água seriam certamente do Luso e os frascos de perfume da Chanel...
Antes do mais, porque os estrangeiros ricos (melhor dizendo, "ricos e de um estrato social muito elevado", como informou na Assembleia Municipal de 30 de abril p.p., a deputada PS Isabel Tavares) poluem menos, são pessoas mais civilizadas e gostam de preservar o seu espaço.
Mesmo o pouco lixo que, porventura, pudessem fazer, se fossem ao ex-libris balnear da Figueira, a Praia dos Tesos, teria outra classe: as garrafas de água seriam certamente do Luso e os frascos de perfume da Chanel...
O sucesso do self-made man português: de Dias Loureiro, a Passos Coelho, passando por Duarte Lima e Alves dos Reis...

No dia 1 de maio passado, com um post intitulado, “A ausência de vergonha na cara é total: nem se dão ao esforço de disfarçar...”, abordei o assunto de forma simples e objectiva: editei um video com Passos Coelho a discursar em Aguiar da Beira.
Depois de ouvir as palavras de Passos Coelho, fiquei deveras interessado no desenrolar da próxima campanha eleitoral.
Compreensivelmente, aliás: a seguir à oportuna referência a Dias Loureiro, "um dos responsáveis impunes do BPN", em Aguiar da Beira, estou curioso e espero estar cá para ver o que vai dizer Passos Coelho no comício de Lisboa - a cidade natal de Alves dos Reis – e na sessão de esclarecimento de Peso da Régua - onde viu a luz do dia Duarte Lima...
Na crónica de hoje no jornal AS BEIRAS, o engº. Daniel Santos escreve sobre o tema e lembra Thomas Piketty, escritor que esteve recentemente em Portugal.
Para compreender o actual estado da Europa, temos de recuar aos anos 80 do século passado. A eleição de Reagan nos EUA, depois de antes os ingleses terem escolhido de Thatcher, deu início à derrota do arranjo político e social, que saiu das ruínas do capitalismo dos anos 20 e 30 do século passado e abriu um espaço de convivência e de solidariedade ao construir a social democracia europeia.
Dados minuciosos sobre a evolução do emprego, dos salários e da distribuição da riqueza e da renda não deixam nenhuma dúvida sobre a natureza das agruras vividas pelos assalariados e dependentes nas últimas décadas.
A eclosão da crise de 2008 tornou ainda mais grave e ainda mais confrangedora a sensação de que a situação vai ficar pior: tudo se discute menos o essencial.
Entretanto, a concentração da riqueza nos Estados Unidos e na Europa acentua-se cada vez mais. Os 10% mais ricos detêm 60% a 70% da riqueza, representada por imóveis, acções de empresas, títulos públicos e outros activos financeiros.
A crise está aí e afecta o quotidiano de quase todos nós: as suas consequências já afectam profundamente as formas de convivência social criadas no Pós-Guerra e que sustentaram as democracias. O que se observa é que as democracias, massacradas pelo poder da finança, parecem impotentes para arranjar soluções que preservem os direitos sociais e retomem o caminho da prosperidade compartilhada. Desembocámos numa crise estrutural da vida civilizada. É isso que está verdadeiramente em causa.
Em Portugal, estamos quase no verão. Desconheço se este verão vai ser quente pelos critérios da meteorologia. Aliás, nem sei se os meteorologistas sabem.
Contudo, sei – todos sabemos - que vai ser quente na política.
A televisão, nesta manhã informativa, não se cala com o lançamento do livro “Somos o que escolhemos ser”, uma biografia do primeiro-ministro.
O livro foi escrito por uma assessora do grupo parlamentar do PSD e editado pela Alêtheia de Zita Seabra e conta o Verão quente de 2013.
Sobretudo, o massacre da manhã informativa de hoje nas televisões, assenta numa citação de Passos Coelho: «Fui almoçar e quando ia a caminho da comissão permanente, às 15h00, recebi um sms do dr. Paulo Portas a dizer que tinha refletido muito e que se ia demitir.»
Paulo Portas já reagiu e desmente a revelação de Passos Coelho na biografia: «O pedido de demissão do então Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros aconteceu na manhã de 2 de Julho de 2013, e foi naturalmente formalizado por carta».
É a isto que se vai resumir a próxima campanha eleitoral nos órgão de informação?..
Esta é uma preocupação que tenho no momento que passa.
Os portugueses vivem no medo - desde logo o medo de ficarem desempregados... - e quem não tem coragem para saltar o medo, não consegue encontrar a porta de saída.
terça-feira, 5 de maio de 2015
Finalmente, as dunas a sul do quinto molhe estão a começar a ser refeitas!..
| foto António Agostinho |
Foi o que aconteceu a sul do
porto da Figueira da Foz, depois das obras do prolongamento do
molhe norte em 400 metros, onde nos últimos anos se agravaram
os efeitos erosivos a sul do "Quinto Molhe".
Por aqui, nesta outra margem, a protecção da Orla Costeira
Portuguesa é uma necessidade de primeira ordem, há muitos e muitos anos.
Neste blogue, já em 2006, andávamos a fazer alertas para o estado em que se encontrava a duna logo a seguir ao chamado “Quinto Molhe”, a sul da Praia da Cova.
Escrevemos, então que, "por vezes, ao centrar-se a atenção sobre o acessório, perdia-se a oportunidade de resolver o essencial..."
Neste blogue, já em 2006, andávamos a fazer alertas para o estado em que se encontrava a duna logo a seguir ao chamado “Quinto Molhe”, a sul da Praia da Cova.
Escrevemos, então que, "por vezes, ao centrar-se a atenção sobre o acessório, perdia-se a oportunidade de resolver o essencial..."
Foi o que aconteceu.
Depois, por aqui, a estratégia teve ser reavaliada, e a luta e os alertas, viraram-se
noutra direcção: para o facto da situação, preocupante e perigosa, da orla costeira a sul do quinto molhe, na orla costeira da freguesia de S. Pedro estar a ser branqueada e mal avaliada pelos órgãos de informação e por quem de direito –poder local e central.
Hoje, depois de anos e anos de alertas
e preocupações sinto-me mais aliviado: as dunas a sul do quinto molhe,
desfeitas pela natureza e pelos erros cometidos pelos homens, estão a
ser refeitas, como a foto acima e as que podem ver clicando aqui, atestam.
Só é vencido quem desiste de lutar
por aquilo em que acredita.
A Liberdade é isto - mesmo que a justiça não seja realizada, a liberdade preserva o poder de protesto contra a injustiça e ainda pode contribuir para salvar a Aldeia...
"Um dákar de pacóvios", ou a cultura do deserto figueirense...
“A Figueira da Foz confronta-se há
muitos anos com um dos efeitos mais visíveis do prolongamento dos
molhes (obras projectadas pelo estado para beneficiar a
navegabilidade fluvial e o acesso ao porto comercial).
Sem responsabilidade na obra, o
município ficou, desde então, com o ónus dos seus efeitos
colaterais: o crescimento exponencial da sua praia urbana, a
Praia da Claridade.
Assim, todos os anos, em vésperas de
época balnear, o município tratava de, como se diz por
cá, alindar uma praia cada vez mais interminável - o que
consistia em revolver, crivar e terraplanar, por métodos
mecânicos, aquelas finas areias de modo a impedir que aí
medrasse a menor réstia de vegetação.
Este deserto,
esmeradamente cultivado ao longo de décadas, formatou no
imaginário dos figueirinhas o postal da praia; tornou-se,
com o tempo, numa espécie de imagem d’Epinal. Muitos deles
não concebem uma praia com dunas e vegetação. O seu entusiasmo com
o “oásis do Santana” só confirma aliás a concepção arraigada
da praia como um deserto, um berço de sereias terraplanado
até à rebentação.
Por isso, a atitude sem precedentes do
actual executivo camarário de, contrariando uma longa tradição,
decidir deixar pura e simplesmente de subvencionar o cultivo anual do
deserto, foi uma pedrada no charco que me pareceu desde logo algo
realmente “fora-da-caixa”.
E, ao deixar de “lavrar a praia”, o
município permitiu-se poupar, ao que me dizem, cerca de 150 mil
euros por ano (seiscentos mil num mandato, para o lobi do
tractor).
Amplamente criticado pela oposição e
por um certo beautiful people que pontifica nas redes
sociais, o executivo de João Ataíde resistiu galhardamente às
críticas e aos remoques com o argumento de que essa simples decisão
de tesouraria lhe permitiria ainda deixar crescer espontâneo
um coberto vegetal natural que fixaria as areias
(protegendo a avenida do assoreamento sazonal pelos ventos) e
potenciaria a prazo a consolidação de novas áreas aprazíveis,
aproveitáveis para a fruição dos cidadãos.
Parecia-me um “ovo de colombo”, tão
simples e evidente que era um espanto que nunca ninguém se tivesse
lembrado de tal – não só sensato e avisado, mas genial - o
verdadeiro sonho molhado de qualquer autarca minimamente
honesto e inteligente numa época de vacas magras: a possibilidade de
“fazer obra” sem gastar um chavo do erário público.”
Este naco de prosa foi sacado daqui.
Depois, a prosa da postagem do Fernando Campos, que aconselho a ler na integra, azedou.
Entretanto, o vento passou pelos gabinetes camarários e arrastou a
inércia para longe. A anarquia, como podem ver na foto, chegou e
atropelou a tradição da praia. Por isso, a confortável tradição da praia, acabou por
tropeçar em maus tratos inesperados.
O mar, ali tão perto, apesar do deserto, consegue estar ao alcance
do cheiro do meu nariz e sobrevoa o sossego de um pensamento.
Estremeço por ver este atentado
sórdido e não encontro motivo que leve a permitir tal coisa.
O deserto de ideias dos políticos
figueirenses, sem nome, é o único pensamento mais coerente que me
surge à rotina do cérebro.
Abro os olhos e o mar continua a mandar fúrias para os meus olhos.
E penso “nos milhares de labregos que se
sentem vexados porque nascem tomateiros na praia mas não se sentem
indignados pela “erecção” do busto de Aguiar de Carvalho à
porta do município (não o acham obsceno); nem atingidos com o fecho
da maternidade (não a acham necessária); nem ofendidos por o seu
hospital público funcionar dentro de um parque de estacionamento
privado (não acham ultrajante). A estes pacóvios nunca ocorreria
assinar petições contra nada disto. Nem sequer a favor, por exemplo
do cultivo da várzea (não o acham estruturante), ou da
reflorestação da serra (não a acham imperativa). Porque nada disto
os afecta.
O que realmente os tira do sério é o
que vegeta na praia. A cultura do deserto.”
Afinal aconteceu: foi no passado dia 30, quinta-feira e está hoje no jornal...
Mais de dois meses depois, “Alerta costeiro 14/15”, uma exposição fotográfica de Pedro AgostinhoCruz, ainda não conseguiu ser inaugurada e continua a ser notícia...
Hoje - que foi o dia a seguir à ironia ter saido à rua com os dentes afiados - depois de na passada
quinta-feira a deputada municipal Ana Oliveira ter apresentado uma
moção que propunha a realização da mesma exposição nos Paços
do Concelho, o assunto merece destaque no jornal AS BEIRAS.
Na sessão da assembleia municipal
realizada no último dia do mês de Abril de 2015, a troca de
argumentos entre os partidos representados naquele órgão autárquico
envolveu “os valores de abril”, em particular a liberdade de expressão:
o autarca de São Pedro, eleito por uma lista PS, foi acusado de
falta de cultura democrática.
Bonito, mas bonito mesmo, para mim, que por mero acaso estava presente no salão nobre dos paços do concelho, foi ter presenciado a bancada do PS figueirense na Assembleia Municipal, na discussão da
proposta, cometer o mesmo erro que o presidente de São Pedro, dois meses antes: como sabemos, na vida ou na política, se avançamos, sem retaguarda,
deixamos para trás a hipótese de recuar.
E isso, mais cedo que tarde, costuma sair caro...
E isso, mais cedo que tarde, costuma sair caro...
Daí, esta iniciativa da oposição
quase ter sido aprovada, não fosse o voto de qualidade do presidente
da mesa, José Duarte.
Tudo porque alguns deputados
socialistas, a meu ver, certamente pouco confortáveis com o sentido
de voto da bancada a que pertencem, num assunto tão delicado, melindroso e sensível, para os verdadeiros socialistas - tem tudo a ver com a liberdade de
expressão e de pensamento - se terem ausentado da reunião
momentos antes da votação, verificando-se o tal empate (16-16 e uma
abstenção).
Para Ana Oliveira, do PSD e a autora da proposta, "esta visava despertar as consciências para o problema da orla
costeira”.
Já para Nuno Melo Biscaia, líder do PS na assembleia, não passava de uma moção que tinha “encapotada uma provocação política”. Registei, e lamento, meu caro Amigo, as tristes figuras que um líder político de uma bancada, por vezes, tem de fazer. E lamentei ainda mais, acredite pois isto é sincero, sendo V. Exa. filho de um Homem tolerante e um verdadeiro democrata chamado Luís Fernando Argel de Melo e Silva Biscaia para quem "a coerência é, talvez, o que melhor define o seu carácter. Sem nunca tergiversar nas suas tomadas de posição ao longo da vida, é um verdadeiro democrata de espírito aberto e tolerante. Acredita nos seus ideais, mas respeita democraticamente os dos outros."
Já para Nuno Melo Biscaia, líder do PS na assembleia, não passava de uma moção que tinha “encapotada uma provocação política”. Registei, e lamento, meu caro Amigo, as tristes figuras que um líder político de uma bancada, por vezes, tem de fazer. E lamentei ainda mais, acredite pois isto é sincero, sendo V. Exa. filho de um Homem tolerante e um verdadeiro democrata chamado Luís Fernando Argel de Melo e Silva Biscaia para quem "a coerência é, talvez, o que melhor define o seu carácter. Sem nunca tergiversar nas suas tomadas de posição ao longo da vida, é um verdadeiro democrata de espírito aberto e tolerante. Acredita nos seus ideais, mas respeita democraticamente os dos outros."
O debate teve ainda um momento
interessante, principalmente para os fregueses de São Pedro, quando
José Elísio, ao responder a uma desajeitada “picardia” de
António Salgueiro, proferiu esta declaração: “tive duas oportunidades para governar a Junta de São Pedro e não as aceitei”. O presidente de Lavos, José Elísio, proferiu estas palavras em resposta a António Salgueiro "quando este lhe sugeriu que tratasse de Lavos que ele tratava da sua freguesia".
A primeira oportunidade, explicou José Elísio, "foi em 1985, quando defendeu a desanexação de São Pedro de Lavos. A segunda foi em 2013, com a reforma administrativa, dando a entender que, se tivesse querido, São Pedro regressaria à freguesia de origem".
A primeira oportunidade, explicou José Elísio, "foi em 1985, quando defendeu a desanexação de São Pedro de Lavos. A segunda foi em 2013, com a reforma administrativa, dando a entender que, se tivesse querido, São Pedro regressaria à freguesia de origem".
Completamente fora desta polémica
e às questões político-partidárias em seu redor, o fotojornalista
Pedro Agostinho Cruz, em declarações ao jornal AS BEIRAS,
mostrou-se surpreendido com a iniciativa do PSD e disse "que a
exposição vai ser inaugurada em breve, num espaço público e com
outro formato”.
segunda-feira, 4 de maio de 2015
ECOS DA DESILUSÃO...
Tal como o cronista de serviço hoje no
jornal AS Beiras, sinto-me descalço.
A alma segue-lhe as pisadas.
O
pensamento vai no mesmo caminho, como se o destino que é preciso
percorrer pela nossa cidade esteja, desde há muito, traçado por um
grupo que quer ser elite.
Mas, isso, como o demonstra o estado a
que a Figueira chegou, tem sido o nada.
Valem-me os dedos das mãos,
que com uma lucidez profunda, me têm permitido afastar do nada.
O vazio, que nos é trazido pelo nada, é uma forma de se ir morrendo aos
poucos e é uma forma cruel de viver a desilusão como nenhuma outra.
O vazio, que nos é trazido pelo nada, é
ter de viver com a tristeza em permanência encravada na garganta.
Como não quero a tristeza perto de mim e, como muito menos, a quero dentro de mim, uso este espaço para mergulhar e percorrer os tortuosos e difíceis caminhos da emoção.
Em tempo.
Para ler melhor a crónica do vereador "Somos Figueira", Miguel Almeida, basta clicar na imagem.
Não veio na TV, nem na Rádio, nem nos Jornais: não aconteceu!..
Depois de um sábado e de um domingo a
chover, a manhã desta segunda também acordou com chuva. Não é
uma chuva qualquer. A primavera cheira a outono e pelos vistos, para
já, afugentou o Verão: o calor foi atirado para longe e o verde da
natureza da praia, outrora da Claridade e agora da Calamidade, com esta rega, vai continuar com uma cor bonita.
O frio, outra sombra, voltou a
entranhar-se nas paredes e arrefeceu de novo as casas, faz-me sentir incómodos, dores
nos ossos e causa-me tristeza, mas não me vai impedir de viver a vida
com gosto e energia.
Na coluna vertebral, porém e felizmente, continuo a não ter qualquer problema.
Na passada quinta-feira, 30 de de Abril, no salão nobre dos paços do concelho da Figueira da Foz, no decorrer da Assembleia Municipal a deputada municipal Ana Oliveira apresentou uma moção, cujo teor pode ser lido clicando aqui.
Face ao empate verificado na votação – 16 votos a favor e
16 contra - o presidente da Assembleia Municipal, José Duarte Pereira (PS), teve de exercer
o voto de qualidade para desempatar.
Cheguei a pensar, que esta votação criou
engulhos dentro do PS!..
Cheguei a pensar, que houve mosquitos por cordas e as coisas azedaram nos bastidores do partido do poder na nossa cidade há cinco anos e muitos picos!..
Cheguei a pensar, que houve mosquitos por cordas e as coisas azedaram nos bastidores do partido do poder na nossa cidade há cinco anos e muitos picos!..
Tudo isto, porém, só pode ter sido mentira e fruto da minha imaginação!..
Que eu tenha conhecimento, não deu na Figueira TV; não houve notícia na Foz do Mondego Rádio; não saiu em nenhum jornal. Portanto, esta votação que eu tive oportunidade de ver ao vivo, pois, no momento, estava nos paços do concelho e vi deputados do PS a ausentarem-se da sala, e a reunião que no dia seguinte aconteceu no partido do poder figueirense para clarificar a situação, devem ser factos políticos acontecidos na imaginação de alguns: como todos sabemos, na Figueira, os órgãos de informação são isentos e objectivos.
Na informação figueirense só existe um pequeno pormenor melhor do que a censura: a auto-censura.
Que eu tenha conhecimento, não deu na Figueira TV; não houve notícia na Foz do Mondego Rádio; não saiu em nenhum jornal. Portanto, esta votação que eu tive oportunidade de ver ao vivo, pois, no momento, estava nos paços do concelho e vi deputados do PS a ausentarem-se da sala, e a reunião que no dia seguinte aconteceu no partido do poder figueirense para clarificar a situação, devem ser factos políticos acontecidos na imaginação de alguns: como todos sabemos, na Figueira, os órgãos de informação são isentos e objectivos.
Na informação figueirense só existe um pequeno pormenor melhor do que a censura: a auto-censura.
A vida e as notícias, cá pela
Figueira, continuam a seguir o mesmo caminho.
E os políticos figueirenses, continuam
de pernas cruzadas e agarrados ao conforto do poder. Nada de novo aliás.
Na Figueira, sem escândalo dos
aprendizes/defensores da liberdade de imprensa, os jornalistas em
certas situações (vá lá saber-se porquê!.. Por acaso alguns figueirenses até sabem...), começam por apelar à auto contenção
da comunicação - a subliminar auto censura - esquecendo que as
notícias, mesmo numa democracia liberal, dependem tão só da
importância dos acontecimentos...
Na Figueira, ainda se há-de fazer comunicação social sem jornalistas! Portanto, só podemos estar optimistas...
Hoje, porém, está pior, o frio arrepia o susto e
continuamos na escuridão – na pior escuridão, pois já é dia.
Talvez por isso, a Aldeia não absorve
vida, como devia.
As contas de 2014 do Município figueirense...
Uma intervenção da deputada municipal do PSD, Natália Pires, na Assembleia Municipal Ordinária realizada no passado dia 30 de Abril de 2015 sobre a matéria. Permitam que aconselhe a sua leitura.
"Relativamente as contas de 2014, lamentamos que o parecer do ROC e a certificação legal das contas não tenham sido divulgados juntamente com as contas do Município ou de forma atempada para poderem ser discutidos na última reunião de câmara. Efectivamente, existem reservas apresentadas pelo ROC que podem alterar completamente as demonstrações financeiras e que põem em causa o resultado líquido do município, nomeadamente:
- O facto de existir imobilizado em curso que ainda não foi objecto das respectivas amortizações (obras no valor de 2.194 milhares de euros) ou ainda imobilizado com valor materialmente significativo que ainda se encontra por reconhecer contabilisticamente. O que se traduz em custos que ainda não foram contabilizados.
- Não foram facultadas as contas de 4 das 21 entidades participadas pelo município, pelo que ignoramos os respectivos efeitos no património e dívida total do Município.
- O município mantém no activo dívidas a receber no valor de 2.072 milhares de euros que pela sua antiguidade já revelam ser dívidas incobráveis. Assim sendo, o activo no balanço encontra-se sobrevalorizado neste mesmo montante.
- Existem ainda responsabilidades contingentes decorrentes de processos judiciais que não estão reconhecidos no passivo (31.241 milhares de euros). Concluindo, os efeitos destas reservas podem ser de tal maneira significativos nas contas que o ROC termina o relatório da certificação frisando que “a dívida total do Município, antes de consideradas as reservas acima, cumpria o limite da dívida prevista no art. 52º do Regime Financeiro das Autarquias Locais”.
A grande questão é: Qual o impacto das correcções decorrentes destas reservas no resultado líquido do Município?"
"Relativamente as contas de 2014, lamentamos que o parecer do ROC e a certificação legal das contas não tenham sido divulgados juntamente com as contas do Município ou de forma atempada para poderem ser discutidos na última reunião de câmara. Efectivamente, existem reservas apresentadas pelo ROC que podem alterar completamente as demonstrações financeiras e que põem em causa o resultado líquido do município, nomeadamente:
- O facto de existir imobilizado em curso que ainda não foi objecto das respectivas amortizações (obras no valor de 2.194 milhares de euros) ou ainda imobilizado com valor materialmente significativo que ainda se encontra por reconhecer contabilisticamente. O que se traduz em custos que ainda não foram contabilizados.
- Não foram facultadas as contas de 4 das 21 entidades participadas pelo município, pelo que ignoramos os respectivos efeitos no património e dívida total do Município.
- O município mantém no activo dívidas a receber no valor de 2.072 milhares de euros que pela sua antiguidade já revelam ser dívidas incobráveis. Assim sendo, o activo no balanço encontra-se sobrevalorizado neste mesmo montante.
- Existem ainda responsabilidades contingentes decorrentes de processos judiciais que não estão reconhecidos no passivo (31.241 milhares de euros). Concluindo, os efeitos destas reservas podem ser de tal maneira significativos nas contas que o ROC termina o relatório da certificação frisando que “a dívida total do Município, antes de consideradas as reservas acima, cumpria o limite da dívida prevista no art. 52º do Regime Financeiro das Autarquias Locais”.
A grande questão é: Qual o impacto das correcções decorrentes destas reservas no resultado líquido do Município?"
domingo, 3 de maio de 2015
A importância dos dedos, numa manhã de um domingo de maio com chuva persistente...
Um gajo rasga a máscara que tapa o
pudor e expele a brutalidade de um “merda pró tempo”.
Isto, porque está bem disposto, pois
se não estivesse, era provável que o rol do dicionário vernacular
fosse vomitado, em três tempos, pelos beiços a espumarem.
Neste domingo, pelo menos de manhã, a
Aldeia encolhe-se no aconchego do sossego do lar.
A minha voz, tal como a de qualquer
cidadão normal, podia não existir.
Há muitos anos, na Aldeia, houve uma
barreira que a tentou cilindrar na montanha da liberdade vigente na Aldeia: “todos ao
monte e fé em Deus”!
Mas, com os dedos, criei esta
ferramenta para poder continuar a gritar e viver a LIBERDADE.
Neste domingo, pelo menos de manhã, a
Aldeia encolhe-se no aconchego do sossego do lar.
Mas, de tarde, mesmo que continue a chover, as
portas das casas vão abrir-se. De lá vão sair os esfomeados pela LIBERDADE, os presos à máquina do trabalho, que durante a semana os
ocupa por largas horas, como se o inferno lhes sugasse o sorriso aos
poucos.
O compromisso planeado pelas responsabilidades do calendário, mesmo ao domingo, permanece na mente
de cada um de nós.
Amanhã, segunda-feira, acordamos com
um abanão furioso. Faça chuva ou faça sol, temos de sair cedo de
casa.
Para quem ainda consegue trabalhar neste
país e nesta Aldeia, é o início de mais uma semana de labuta e de
luta.
Ainda ressacados pela mágoa, temos de
nos fazer à vida, com o entusiasmo de quem se atira para um abismo
fundo.
A vida, tal como a labuta e a luta, faça chuva ou faça sol, continua...
Se é certo que o Povo da Aldeia perdeu um monumento, que era um poço, ainda nos resta AS ALMINHAS!..
Já que o crescimento da Aldeia não
aconteceu com um plano que a conseguisse preparar para o futuro, respeitando o seu passado, os nossos filhos vivem numa Aldeia igual a
tantas outras, que nos dias que passam praticamente nada reflecte da sua
história.
Ao menos, respeitem AS ALMINHAS!
Será que somos uma terra de alarves e não temos civilização para fazer respeitar a memória espiritual do que nos foi legado e era um património vivo daquilo que fomos?Nós, na Aldeia temos tão pouco!..
sábado, 2 de maio de 2015
Porque hoje é sábado - que é o dia da semana depois de quinta e sexta...
De tudo o que existe, nada escapa à
transfiguração e à mudança.
Nesta manhã de sábado, 2 de maio de 2015, olho para a
Aldeia e pressinto que já está a sonhar com o verão - gosto de acordar com o
optimismo no pensamento.
Num dia como o de hoje, sonhar com o
verão, só pode ser mesmo um exercício de memória...
Mas, nem todos conseguem fazê-lo. Para se ter memória, é preciso ter
colocado os sentidos na direcção das coisas.
Olho para dentro e recordo que os dias
foram passando e tomaram conta do meu corpo, envelhecendo-o.
Mas, a minha memória continua viçosa
e a mente está fresca e sorri - nada a conseguiu ainda obrigar a
ter pensamentos grisalhos.
Acabei de acordar, para mergulhar
directamente na manhã fria e cinzenta deste sábado.
O vidro da janela está inundado pela
humidade, como se estivéssemos ainda no inverno – e já é
primavera!
Olho através do vidro da janela do meu
quarto, inundado pela humidade, e dou conta que o céu está cheio de
nuvens.
A Avenida onde moro – a 12 de Julho,
a maior Avenida da minha Aldeia – só tem ainda carros.
Não é de estranhar - é sábado, dia
de futebol.
Logo mais os cafés vão encher-se para
ver na televisão aquilo que o meu povo gosta: futebol.
Na televisão, neste momento, está a
dar uma notícia, a que não presto atenção, sobre uma polémica
qualquer entre Jesus e o treinador do Porto – qualquer coisa
relacionada com troca de nomes...
Os pontapés e as cabeçadas dos
milionários, a meu ver, logo mais, é que vão ser importantes, pois alimentam o pensamento e os sonhos do meu povo.
Não ajudam a sair da crise, é certo. Mas, para a maioria de nós, os
pontapés e as cabeçadas dos milionários – por isso, é que eles
são milionários - servem para esquecer os nossos problemas e,
sobretudo, permite-nos insultar uns senhores que, antigamente, só
vestiam de preto ou branco.
sexta-feira, 1 de maio de 2015
Liberdade - mesmo que a justiça não seja realizada, a liberdade preserva o poder de protesto contra a injustiça e ainda pode contribuir para salvar a Aldeia...
Na passada quinta-feira, 30 de de
Abril, como faço quando posso, subi até ao salão nobre dos paços
do concelho para assistir à Assembleia Municipal.
Tive uma enorme surpresa, ao deparar com a discussão de uma moção apresentada pela deputada municipal Ana Oliveira, com o
seguinte teor:
"No passado mês de Fevereiro do presente ano, o fotojornalista Pedro Cruz foi convidado pelo Presidente da junta de freguesia de São Pedro a realizar uma exposição da Freguesia de são Pedro, tendo o autor atribuído lhe o nome de “Alerta Costeiro 14/15”.
Esta exposição mostrava imagens que documentam a erosão do litoral costeiro, em especial a zona da freguesia de S. Pedro.
Nas vésperas da inauguração, a exposição do fotojornalista foi cancelada, alegando o presidente de junta do partido socialista, que a mesma estava politizada, mostrando, no nosso ponto de vista, uma verdadeira barreira à liberdade de expressão.
O que é certo, é que, com este infeliz desfecho e tal como o artista comunicou numa rede social, “O alerta foi dado” e mais do que nunca a população e as várias entidades com responsabilidades sobre o assunto “Olharam com olhos de ver” para o real problema que aquela freguesia e que o concelho da Figueira da Foz está a sofrer com esta constante devastação da zona costeira.
Neste sentido propunha à Assembleia Municipal, que pelo impacto e para mantermos viva a nossa preocupação sobre a solução deste assunto, que convidassem o fotojornalista Pedro Cruz a realizar a exposição “Alerta Costeiro 14/15” nos Paços do Concelho."
"No passado mês de Fevereiro do presente ano, o fotojornalista Pedro Cruz foi convidado pelo Presidente da junta de freguesia de São Pedro a realizar uma exposição da Freguesia de são Pedro, tendo o autor atribuído lhe o nome de “Alerta Costeiro 14/15”.
Esta exposição mostrava imagens que documentam a erosão do litoral costeiro, em especial a zona da freguesia de S. Pedro.
Nas vésperas da inauguração, a exposição do fotojornalista foi cancelada, alegando o presidente de junta do partido socialista, que a mesma estava politizada, mostrando, no nosso ponto de vista, uma verdadeira barreira à liberdade de expressão.
O que é certo, é que, com este infeliz desfecho e tal como o artista comunicou numa rede social, “O alerta foi dado” e mais do que nunca a população e as várias entidades com responsabilidades sobre o assunto “Olharam com olhos de ver” para o real problema que aquela freguesia e que o concelho da Figueira da Foz está a sofrer com esta constante devastação da zona costeira.
Neste sentido propunha à Assembleia Municipal, que pelo impacto e para mantermos viva a nossa preocupação sobre a solução deste assunto, que convidassem o fotojornalista Pedro Cruz a realizar a exposição “Alerta Costeiro 14/15” nos Paços do Concelho."
Na votação verificou-se um empate:16 votos a favor, 16 contra e 1
abstenção.
O Presidente da Assembleia Municipal teve de decidir com o seu voto de qualidade.
Sobre as ilações políticas a tirar, não me vou pronunciar: deixo isso a quem de direito.
O Presidente da Assembleia Municipal teve de decidir com o seu voto de qualidade.
Sobre as ilações políticas a tirar, não me vou pronunciar: deixo isso a quem de direito.
Sobre este assunto, recordo que as fotos da “A EXPOSIÇÃO CENSURADA PELO PRESIDENTE DA JUNTA DE FREGUESIA DE S. PEDRO”, em finais do
passado mês de fevereiro, podem ser vistas clicando aqui. O comunicado emitido pelo presidente da Junta de S. Pedro, António Salgueiro a propósito do cancelamento da exposição fotográfica ALERTA COSTEIRO 14/15, emitido na altura, pode ser lido clicando aqui. A estória é curta e está contada
aqui.
Portanto, quem estiver de boa fé, tem os elementos para construir uma opinião fundamentada.
Esta estória exemplar, a meu ver, demonstra,
quarenta e um anos depois da queda da ditadura de Salazar e Caetano,
como este país continua afinal igual a si próprio e ao que sempre
foi: um pobre e bisonho paraíso paroquial para pequenos chefes
labregos que - no seu boçal entendimento, certamente inebriado pelo
esplendor do mando - pensam que podem apagar figuras de uma paisagem.
Mas, também, demonstra que há algo -
para além do talento, claro - que um artista consciente, ainda que
pobre, nunca admite que lhe seja escamoteado: o orgulho e o
amor-próprio.
O senhor presidente da junta de S.
Pedro, pelo que disse na passada quinta-feira na Assembleia Municipal
da Figueira da Foz, passados mais de 2 meses, continua sem perceber o
óbvio.
A exposição era do artista: na
totalidade - no talento e nos custos.
A Liberdade é isto, senhor presidente.
“Seu” era o espaço do Mercado
de São Pedro.
O senhor presidente, por não gostar de uma
fotografia que fazia parte da narrativa do fotojornalista, entendeu
interditar o acesso ao espaço. Problema seu, caro presidente da junta.
Neste momento, a exposição do Pedro
Cruz já foi mais longe do que o senhor pensa. E não vai ficar por
aqui.
Já passaram 41 anos do 25 de abril de
1974.
Quem mora em S. Pedro e recorda Abril,
sente que celebra um acontecimento já longínquo - daqueles
que começam a ressoar a liturgia morta. Essa é, infelizmente, a
realidade. Mas a memória tem de ser avivada,
sempre que estiver em causa a questão da
Liberdade. A dignidade não tem preço e, em
democracia, a comunidade não pode perdoar a indignidade de quem
governa.
V. Exa., na sessão da Assembleia
Municipal da Figueira da Foz, realizada no passado dia 30 de Abril de 2015,
mesmo descontando que não tem vocação para discursar, falou sem dizer nada perceptível, nem, ao menos uma
palavra autêntica de arrependimento. Na Assembleia Municipal da
Figueira da Foz, V. Exa. foi aos limites da náusea, sem carisma,
nem dignidade institucional – e estava lá, como deputado
municipal, por ser presidente, com maioria absoluta, da freguesia da
minha Aldeia.
Senti-me muito mal representado como
freguês de S. Pedro.
Admito que o momento foi difícil para V. Exa. Contudo, a grandeza dos homens emerge nos momentos
difíceis.
Admito que o momento foi difícil para V. Exa. Contudo, a grandeza dos homens emerge nos momentos
difíceis.
V. Exa., pelo que disse na Assembleia Municipal, desconhece a
palavra grandeza, só conhece a palavra poder. Desconhece a palavra
dignidade, só conhece a palavra arrogância. Desconhece a palavra
humildade, só conhece a palavra vingança.
Depois do que aconteceu na Assembleia
Municipal da Figueira da Foz, parece-me que no mais alto forum político de debate concelhio, a recuperação da imagem do presidente da junta de freguesia de S. Pedro – que é
V. Exa. - não tem retorno.
Antes tivesse permanecido calado.
Num palco da política – e a
Assembleia Municipal da Figueira da Foz é o maior palco político do
nosso concelho - os discursos valorizam-nos ou desvalorizam-nos. E a postura, as palavras e a falta de ideias dele, na qualidade de presidente da junta de S. Pedro, não foram
um bom sinal.
E, depois, como acontece com todos os
fracos, a sua atitude foi boçal, imprevidente e insensata.
Tive pena de V. Exa., principalmente
quando disse – ou deu a entender - que a exposição tinha
legendas, o que, como sabe, é uma completa e real mentira. Ponto.
Como escreveu um dia Albert Camus: “É
horrível ver a facilidade com que se desmorona a dignidade de certos
seres. Vendo bem, isso é normal visto que a dignidade em questão
apenas é mantida por eles através de incessantes esforços contra a
sua própria natureza.”
1º. de Maio na Figueira da Foz
Da comemoração do Dia do Trabalhador na Figueira da Foz, recordo o 1 de Maio de 1974 - o mais memorável dia do trabalhador da história figueirense que eu vivi.
O povo desceu à rua para celebrar a Liberdade.
As fotos dão conta da adesão em massa da população do concelho aos festejos.
Tal como na nossa cidade, o primeiro 1.º de Maio, depois do 25 de Abril, levou milhões de portugueses às ruas.
Celebravam a liberdade e uma mudança económica e social que, afinal, nunca se concretizou.
Esses milhões de portugueses - figueirenses incluídos - foram os verdadeiros protagonistas do primeiro 1.º de Maio em Liberdade vivido pela minha geração.
O povo desceu à rua para celebrar a Liberdade.
As fotos dão conta da adesão em massa da população do concelho aos festejos.
Tal como na nossa cidade, o primeiro 1.º de Maio, depois do 25 de Abril, levou milhões de portugueses às ruas.
Celebravam a liberdade e uma mudança económica e social que, afinal, nunca se concretizou.
Esses milhões de portugueses - figueirenses incluídos - foram os verdadeiros protagonistas do primeiro 1.º de Maio em Liberdade vivido pela minha geração.
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