sexta-feira, 23 de novembro de 2012

O Proença não terá nada a justificar aos trabalhadores?..

foto sacada daqui

Ironia... (IV)


«Todos sabem que o silêncio do Presidente da República é de ouro, hoje a cotação do ouro foi 1.730 dólares por onça»...

Os dias difíceis da imprensa regional…


Crónica de uma morte anunciada… “A da morte anunciada de «O Figueirense» para 28 de dezembro!” 
Pode lê-la, pela pena de Joaquim Gil, Director... 
Razão – mais uma vez na pena do Director: “a razão que me foi transmitida foi de natureza financeira. E eu só posso acreditar e só tenho razões para acreditar que a razão é financeira e, como sempre referi à administração, os números são números, não os discuto. 
Mas que outra razão poderia ser? 
Se acaso fosse a linha editorial, se se quiser, a linha dos meus editoriais, então teria bastado um sinal, um simples sinal, para que eu saísse espontânea, leal e imediatamente pela porta por onde entrei. Eu ando sempre com as chaves do carro no bolso… 
Se acaso fossem as eleições autárquicas que por aí vêm, eu teria lembrado que passei por três eleições sem uma nota de reparo, nomeadamente nas autárquicas de há três anos, com elogio de ganhadores e perdedores e até público louvor de um dirigente distrital do Bloco. 
Quero aliás referir aqui, expressa e formalmente, que eu só tenho uma agenda, qual seja, no plano jornalístico, a dos leitores e, como diretor, a do acionista. 
Por isso, ao contrário do que me foi sugerido e até recomendado, me mantive afastado dos poderes vários, do convívio e dos afetos – exceto daqueles que já eram os meus, pois sou de fidelidades e da lealdade! – que um dia, inevitável e inelutavelmente, cobram ou, pelo menos, condicionam. 
Agora, sim, vou andar por aí livre como o passarinho a que abriram a porta da gaiola… 
As razões deste encerramento só podem ser, pois, as financeiras.”
 



A imprensa regional  - e não é de hoje - vive dias difíceis.
(Por experiência própria, sei do que escrevo e sei o que sente neste momento o meu Amigo Jorge Lemos e restantes pessoas ligadas ao O Figueirense, a quem endereço uma palavra de solidariedade, pois estive ligado a dois projectos figueirenses que tiveram de encerrar por dificuldades económicas: Barca Nova e Linha do Oeste.)
Mas, infelizmente, O Figueirense não irá ser caso único, nos próximos tempos, na imprensa regional. Às dificuldades que já vinham do passado, a crise económica e a perda de hábitos de  leitura das novas gerações fizeram o resto em 2012.
Contudo, a crise agravou-se desde que o Estado praticamente acabou com a distribuição da publicidade institucional pelos jornais regionais, como sabemos um suporte financeiro importante para a sua sobrevivência. As dificuldades em cobrar as assinaturas, menos publicidade ou publicidade mais barata e menos apoios do Estado, através da abolição do porte pago, o que levou  ao aumento dos custos de distribuição, explica o resto.
Entretanto, os jornais reagiram, pensando apenas no presente: despediram  jornalistas e prescindiram de colaboradores, imprimiram  menos páginas, passaram a usar papel mais barato e, alguns, chegaram mesmo a mudar a periodicidade.
Resultado: os jornais tornaram-se  mais pequenos,  menos interessantes e pluralistas e, por consequência, perderam capacidade competitiva num mercado cada vez exigente e concorrencional.
A perda de títulos regionais é uma realidade em Portugal. O Figueirense é, apenas,  a próxima vítima de que tenho conhecimento.

2013 na Figueira

para ler
clicar na
imagem

Escrever, aqui pela Figueira, tem destas coisas…
Pelos vistos, o que se avizinha não irá ser especialmente  aliciante nem animador.
No entanto, nem tudo será necessariamente desolador.
Resta-nos a vida intelectual, a leitura e o conhecimento.
Sim,  porque em termos de vida coletiva, social e política, também a Figueira ficará mais pobre em 2013.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

«5.ªs de Leitura»

«No âmbito da iniciativa «5.as de Leitura», Emílio Rui Vilar estará hoje, às 22h00, na Biblioteca da Figueira da Foz. 
Esta é uma parceria entre o Programa Gulbenkian de Língua Portuguesa e Câmara Municipal da Figueira da Foz, através da sua divisão de Cultura.»

Via O Figueirense

À atenção do vereador da cultura da câmara municipal da Figueira da Foz, dr. António Tavares.
Nesta altura do ano, às 5 e tal da tarde anoitece...
Ainda por cima, as noites estão frias e pouco convidativas a sair do aconchego do lar...
Porquê, então, marcar a iniciativa para as 22h00?.. 
Certamente, que deverá haver uma razão plausível e lógica...
Só que, confesso, não estou a ver qual seja...

"Bons malandros"...




E ninguém poderá dizer: desta água não beberei…



Para sobreviverem, cada vez mais portugueses roubam água nas bombas de gasolina, desempoeiram candeeiros a petróleo e comem apenas o que não precisa de ser cozinhado. 
A VISÃO foi ver como se vive hoje em oito casas nas quais já só restam as memórias de banhos longos, assados no forno ou aquecedores elétricos - antigos luxos da classe média…

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Ironia (III)

"O dinheiro emprestado pela troika é muito barato", explica aqui o senhor FMI...
Abebe Selassie, o
 chefe da missão do Fundo Monetário Internacional disse
 também que Portugal tem "um ministro das Finanças muito impressionante".

É preciso ter lata...

Cavaco: "portugueses esqueceram o mar, a agricultura e a indústria"!.. 
Isto, depois de durante dez anos (1985/1995),  ter ajudado a desmantelar as pescas, a indústria e a agricultura, a troco de alguns (muitos) milhões que da Europa (CEE) vieram, para distribuir generosamente e torrar em cimento e alcatrão.
Valha-me Deus...
 "Em Belém já não mora ninguém e lá só se ouvem passos..."

Vamos ter cá o fantástico Santana…


imagem sacada daqui
Considero verdadeiramente fantástica a capacidade, que este ex-presidente da câmara municipal da Figueira da Foz, tem para continuar a projectar a voz em todas as suas intervenções políticas - na Figueira e no País!.. 
Do assunto mais comezinho à questão mais importante,  Santana engrossa o aparelho fonador e, qual barítono de opereta, faz estrondear as suas sentenças políticas sobre os amedrontados adversários políticos e jornalistas.
Sim, amedrontados... E eu não os censuro.
Confesso, aliás, que se eu fosse seu adversário político ou  jornalista  e tivesse de enfrentar a fúria retórica deste ex-presidente da câmara municipal da Figueira da Foz ficaria cagadinho de medo. Acham que estou a exagerar?.. Olhem em redor - para a Figueira e para o País.
Como certamente já perceberam, sou, desde sempre,  um atento  fã deste homem. 
A sua voz denota firmeza, carácter, força, convicção, pujança, ímpeto e integridade - talvez não por esta ordem, mas tudo isto ao mesmo tempo. 
Sim, porque aquela voz  só pode brotar de um genuíno e puro desejo de fazer o bem-comum. E aquele ribombar das palavras requer a certeza de quem sabe o que está a fazer e não admite dúvidas ou opiniões contrárias, porque estas são pura e simplesmente inadmissíveis,  por ignorantes.
É claro que,  em certas situações, todo este troar eloquente já chegou a ser um pouco ridículo... 
Mas, isso, foram as excepções…
  
Em tempo e antes que seja tarde de mais...
Não obstante toda a minha admiração, espero que o Santana nunca venha a ler este post. 
É que eu não o quero ver aborrecido comigo.
Pensando melhor, talvez este post não tenha sido uma grande ideia. 
Vocês não lhe digam nada, ouviram?..
Vejam lá!..  É que não posso correr o risco que se pense que estou a brincar com quem tem uma voz e um peso, que todos conhecemos e reconhecemos. 
Na Figueira... E não só!

Apenas uma pergunta…

para ler melhor clicar em cima da imagem
Num Portugal virado ao contrário, pouca coisa já me parece surpreendente, estranha, errada, ou iníqua.
Se Portugal está como sabemos a Figueira poucas melhoras tem. O  que nos rodeia  está, de facto, de pantanas. Vejam isto: “religar o contador da água na Figueira passa de 50 euros para 92 euros"!..
Posto isto, o grande lamento, em jeito de questão, que eu gostava de colocar, hoje, aqui, é o seguinte: privatizar, é elevar o preço de um serviço básico até ao infinito?..

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Tem razão senhor primeiro ministro!..

Passos Coelho...
"Não são os Governos que criam empregos".
Tem razão senhor primeiro ministro.
Mas, já agora, penso eu...
Também poderiam evitar criar desemprego...
Ou, isso,  seria pedir muito?..
Em tempo.
"...Há cada vez mais gente desesperada, um sem--número de pessoas que não aguentam a situação em que sucessivos governos deixaram Portugal. Nos bairros dos subúrbios os filhos nunca tiveram emprego e os pais já não têm. Temos uma falsa democracia, em que os manifestantes são espancados mas os antigos responsáveis do BPN, banco em que desapareceram para os bolsos de alguns milhares de milhões de euros, nunca foram presos e tornam-se conselheiros do primeiro-ministro. Portugal é um país com milhão e meio de desempregados. As estatísticas falam de um número recorde de pessoas na pobreza, de gente expulsa das suas casas e sem dinheiro para comer. A violência é filha de um país sem saída. Como querem ter a paz social da Suécia com a miséria da vida da Grécia?"

“O executivo e a troika não alteraram as previsões para 2013, mas reviram em baixa o crescimento para 2014, o ano da retoma.”


A propaganda vale o que vale... 
Só convence quem quer (ou se deixa) ser convencido…
Infelizmente,  o país "inventado" por Vitor Gaspar, Passos Coelho e Paulo Portas está muito distante daquele que encontramos diariamente -  feio, pobre e triste, cuja única coisa que tem para nos oferecer, é conseguir esvaziar-nos as "carteiras" ...

Desgraças...


Pelo facto de ser covagalense, tive  obstáculos ao longo da vida…
Mas, ser covagalense  não foi uma escolha -  foi um destino.
Ainda que ser covagalense não me impeça de escrever, creio que só  vale a pena fazê-lo, a partir de uma lucidez exasperada.
Assim, afirmo que ter nascido covagalense  foi uma desgraça.
Como é uma desgraça ser figueirense, português,  pobre,  negro,  homossexual,  poeta – e outras coisas assim, marginais.
Tirando esse pormenor,  o importante é aquilo que fazemos com as nossas desgraças.

Memória curta?.. (II)

Outra Margem pode não ser o blogue mais bem escrito.
Outra Margem pode não ser o blogue com mais humor.
Outra Margem pode não ser o blogue mais irreverente.
Outra Margem pode não ser o blogue mais original.
Outra Margem pode não ser o blogue mais bonito.
Outra Margem pode não ser o blogue mais bem formatado.
Outra Margem pode ser o blogue mais foleiro.
Aceito isso, e muito mais, com toda a naturalidade…
Fica, porém, uma confissão: o que eu gostaria mesmo, é que  Outra Margem fosse  o blogue com os melhores comentários dos leitores. 
Obviamente, “conhecidos”.
A contribuição dos comentaristas para a elevação do nível dos blogues, é uma questão sempre pertinente na blogosfera local e nacional. Daí, o meu enorme regozijo ao receber, a propósito deste post, o seguinte comentário:

António Joaquim Rosa disse...
Boa noite.
Você adora ser do contra, contra tudo o que se faz e contra todos.
Se fosse na SUA cova-gala tinha sido bem feito, como foi em outra freguesia, que por acaso "é" do PSD, já têm memória curta.
Quando o sr. sorridente (pres. camara) fez promessas devia ter pensado que estas são para cumprir.
Obrigado”.

Meu caríssimo António Joaquim Rosa (que eu desconheço, em absoluto, quem seja):
Para minha grande irritação, este seu comentário consegue ter bastante mais piada e sentido de humor do que o meu post que motivou a sua reacção.
É pois com muito prazer que deixo acima a sua excelente contribuição para elevar o nível do Outra Margem.
Bem haja.
Tenha um bom dia.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

“O bom caminho”: miséria, miséria, sempre mais e mais miséria…


Isto não são políticas de redução de despesa pública: ela não tem sido reduzida. Não são políticas para colocar as finanças na ordem... são políticas de empobrecimento, de manipulação grosseira do valor do preço da mão-de-obra, e por arrasto, dos "mercados".
Estes liberais, que defendem que o estado tem de deixar o mercado trabalhar, estão a baixar o valor que cada trabalhador cobra pelo seu suor.
É esta a solução que encontraram para combater as deslocalizações para a Ásia: se não os podemos vencer, juntamo-nos a eles.
É este o “bom caminho"?..
Resumindo e concluindo: traduzindo para linguagem popular, em 2013, 2014, 2015 e por aí fora, vamos ser ainda mais "fodidos e mal pagos".

Memória curta?..


Segundo li nas Beiras e no Diário de Coimbra, “desconhecidos colocaram faixas negras contra fecho do Paço de Maiorca”.
Pois quanto a mim, esses tais desconhecidos, antes de  colocarem faixas negras, deveriam ter feito  o trabalho de casa.
Não há pior coisa para combater aquilo que se considera uma  má medida,  do que usar argumentos maus e errados...
Será que já se esqueceram que o negócio do Paço de Maiorca e a ruinosa parceria público-privada com a Quinta das Lágrimas, são da responsabilidade de executivos municipais PSD, liderados pelo dr. Santana Lopes e pelo falecido eng. Duarte Silva?.. 

Premonitório…


Portugal é um país pobre. Antigamente, no Natal, as famílias juntavam-se ao borralho e como não havia prendas, "o pai dava peidos e a gente ria-se.” Contudo já não é bem assim.
.
O país continua pobre mas as pessoas conhecem mundo. Diz-se até que vivem acima das possibilidades. Na Figueira, por exemplo, de manhã fazem jogging na Avenida; passeiam-se, à tarde, no Centro-Comercial; depois, despem o fato informal e vão, de noite, às tertúlias do Casino: ouvir, entre suspiros, Medina Carreira arrotar.
A notícia é que já ninguém se ri. Aplaudem de pé.

O que, na Figueira e entre figueirenses, pode ser premonitório.

Fernando Campos,  

Ironia (II)


Ontem, decidi ouvir a homília de Marcelo na TVI.
Surpreendentemente, a dado passo, penso que percebi  Marcelo dizer, nas entrelinhas, que Vítor Gaspar está a exercer o seu cargo neste Governo a pensar nas instituições onde irá trabalhar, quando deixar de ser ministro!.. 
Será assim?
Ou será que, também, estava apenas a ser irónico?...
Vamos esperar pela próxima semana… 

Quando dois gajos se zangam, o assunto é mesmo a sério!..


(Recorde-se.

Carlos Moreno explica o que vai acontecer a Portugal a partir de Janeiro


O ex-juiz do Tribunal de Contas explica as razões pelas quais os portugueses se tornarão, inutilmente, num país de 9 milhões de pedintes...
São 10 minutos e 8 segundos. Vale a pena ouvir com atenção.

domingo, 18 de novembro de 2012

Ironia!..

Como sabemos, sempre teve um sonho - ser artista…
Teve, finalmente,  uma promoção inesperada para  a sua ambição de sempre: o primeiro-ministro lamentou hoje não ter sido "possível" ao ministro da Administração Interna fazer "uma declaração mais esclarecedora" sobre a intervenção do Governo na sequência da tempestade no Algarve. Mais tarde, veio o esclarecimento: Passos estava a ser irónico.
Se era ironia, foi uma ironia tão subtil que ninguém percebeu!..

O Bordalo e o Fernando


Em vésperas de inaugurar uma exposição de caricaturas e de esculturas, o Fernando esteve  recentemente de visita às Caldas da Rainha, segundo ele, “em busca de, enfim, algo específico para construir uma das suas peças.”
A prova está nesta postagem, do lado direito. A filha do Fernando,  que sabe do apreço que ele tem pelo Bordalo, fez a foto.
E cá vemos o Fernando, em pose,  o mais dignamente que lhe  foi possível. Nota-se que está  “um tanto contrito e intimidado, para gáudio de Bordalo que, por detrás do monóculo e do bigodão, parece estar particularmente divertido.”
Meu caro Fernando:  pese embora a tua natural modéstia, deixa-me felicitar-te pelo teu  bom gosto humorístico. Não é amiúde que encontramos alguém que saiba apreciar uma alma verdadeiramente talentosa como o “nosso”  Raphael Bordalo Pinheiro, que com o traço irreverente e satírico construiu uma galeria de figurões políticos e financeiros "de todos os mil grotescos que por ahi fervilham como formigas num assucareiro", intervindo decisivamente na demolição das estruturas caducas duma monarquia decadente e na rápida ascensão e propagação dos ideais republicanos.
Mas, cá pelo país está tudo diferente e tudo na mesma. A política continua  uma “grande porca”.  Nos chamados partidos do chamado “arco do poder”, todos querem é mamar.
E como não chega  para todos, parecem bacorinhos que se empurram para ver o que consegue apanhar uma teta...
Ah, quase me ia esquecendo do pormenor, que presumo importantíssimo...
"O sinal do extintor não é montagem, estava mesmo lá."

Somos os primeiros!..

Naturalmente, por uma má razão: "Portugal é campeão do mundo em PPP"...

Bom domingo

sábado, 17 de novembro de 2012

Vivemos um tempo triste… Sobretudo, por estarem a pôr em causa um País que tanto prometia...


Houve um tempo, não foi há muito, em que a maioria dos portugueses nem sabia como se lavavam os dentes e só alguns o poderiam fazer com a torneira a correr. Os outros tinham que ir à fonte buscar água.
Nunca conheci ninguém que comesse bifes todos os dias. O que eu conheci, desde pequenino, foi gente de barriga cheia que se escandalizava se um pobre a queria encher. Mas isso, do mal o menos. Porém, se, além do bife, os pobres quiserem carro e casa, então há que fazer qualquer coisa e ainda bem que o governo não dorme.
Durante algum tempo, enquanto os ricos punham o dinheiro a salvo nos offshore, os pobres compravam casas e carros a crédito, e ainda dava para a picanha pois, ao contrário do que se diz na televisão, o bife nunca chegou a todos. Mesmo assim, dizia-se que a pobreza ia acabar. Felizmente  as pessoas de bom senso, (ricos, pois claro), conseguiram evitar tal tragédia e a tendência já se inverteu: agora há pobres em cada esquina - e são cada vez mais.
Mas dá um grande trabalho convencê-los de que não podem ter tudo, senão deixavam de ser pobres. E que seria dos ricos se não houvesse pobres? A quem dariam esmolas, e para quem fariam peditórios?
Um rico não é rico se não tiver a sua reserva de pobrezinhos a quem nunca falta nada para continuar a ser pobre. Se algum se queixa, há sempre uma palavra amiga: ai aguenta, aguenta…

Linha da Beira Alta - 130 anos


"Existe censura, claro que sim"...

Mário Zambujal,
 "um bom malandro"
“A crónica ainda é dos poucos espaços do jornal onde o jornalista se pode sentir liberto da condição de escravo dos acontecimentos, da agenda, e fazer algo mais pessoal”,  Mário Zambujal, na apresentação do livro «jornalistas escritores», que decorreu no Casino Figueira. Mas é na ficção, “muitas vezes inspirada na realidade com que se confrontam no exercício da sua prosfissão”, que os jornalistas podem, garante Mário Zambujal, “transgredir, fugir às regras” tanto do jornalismo - refém da ditadura dos factos - como dos próprios cânones da literatura. 
O estado da imprensa em Portugal também foi abordado na apresentação. “A transformação do jornalismo num negócio deu mau resultado, escravizou-o às vendas com uma pressão violenta”, defendeu Mário Zambujal. E censura, ainda há?, perguntaram da plateia. “Existe censura, claro que sim”, diz a autora. “Os jornalistas não escrevem o que querem nem como querem”, corroborou Mário Zambujal. Há diferenças em relação ao «lápis azul» de outros tempos? “A censura de hoje é económica e de interesses que não são os dos valores-notícia”, concluiu jornalista, crítica de cinema e docente universitária Fátima Lopes Cardoso, autora do livro «jornalistas escritores».

Via O Figueirense

Malabarismo do costume...


Que alívio! Já não é 4%, mas sim 3,5%!.. 
Lendo as primeiras páginas da comunicação social, até parece que saiu o EUROMILHÕES ao POVO português!..
Outra vez a mesma estratégia de sempre: atira-se o barro à parede a ver se pega. Depois: ah, afinal não vamos cortar as duas pernas e os dois braços… Só cortamos as duas pernas e um braço…
Tal como os jornais, o POVO deveria manifestar toda a sua felicidade por esta boa nova... 

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Saramago continua a desassossegar

José Saramago, 90 anosum prémio Nobel  levantado do chão

Paço de Maiorca: segundo os deputados municipais, um «crime financeiro» e um «negócio ruinoso», mas (digo eu...), «com charme»!..

imagem sacada daqui
Nelson Fernandes:
“Tudo isto sem dúvida que correu bem para a Quinta das Lágrimas. Isto é um buraco para a Câmara mas não é o pior. Isto é um padrão do que aconteceu no mandato anterior. Parceiros há aí aos montes, é preciso é escolhê-los bem como fizeram no mandato anterior”. 

Para ler os restantes depoimentos e outros pormenores relacionados com este lamentável e escabroso assunto, clicar aqui.
Mas, o charme nunca se perde...

Zero em comportamento ético e cívico

Com que então os sacrifícios eram para todos?...
"O PS já obteve do gabinete de Pedro Passos Coelho os números totais dos nomeados desta legislatura para funções públicas que receberam subsídio de férias em 2012.
Primeiro disse 233. Depois retificou: afinal são 1323."
Quase 1500 'boys' receberam subsídio de férias!.. 

BPN, um buraco cada vez mais negro…

... “que poderá agravar o défice em 600 milhões de euros este ano”!..

Recordando a Cova e Gala dos anos 50 e 60 do século passado - o tempo da caridadezinha…

O CENTRO SOCIAL DA COVA E GALA  comemorou no passado dia 31 de Outubro  o  43º aniversário do início oficial da sua actividade.
Na oportunidade, o Pastor João Neto, agora reformado, mas não acomodado (como sempre, continua atento e interessado ao que se passa em S. Pedro, freguesia de que fazem parte  a Cova e a Gala,  essas duas povoações tão importantes no riquíssimo, sob o ponto vista social e humano, percurso de vida do Pastor João Neto), publicou no jornal "A Voz da Figueira" o trabalho de que transcrevemos grande parte mais abaixo.
Sem pretender comparar-me com uma figura de referência (e não só a nível local e regional: é  uma figura respeitada  nacional e internacionalmente), fica aqui uma singela homenagem a um Homem com quem, pelo menos, ouso ter a veleidade de afirmar que tenho uma coisa em comum: nem eu, nem o Pastor João Neto, nos imaginamos a viver longe da Cova e Gala.
Fica o artigo do Pastor João Neto que me trás recordações da Cova e Gala de há cerca de 50 anos – o tempo difícil, mas feliz, da minha meninice.
Aceite a minha gratidão e um abraço, meu caro Pastor João  Neto.

Sous-développement ET COVA, VOUS CONNAISSEZ ?

“Cova é uma pequena aldeia de 2.500 habitantes, localizada à beira do Atlântico, perto da importante cidade balnear da Figueira da Foz (Portugal), onde se vive pior que nas localidades vizinhas: a ausência de esgotos, a corrente eléctrica considerada uma excepção, a miséria material, as condições de trabalho desumanas, a deterioração das células familiares, a má nutrição é, lamentavelmente, a situação de toda uma região economicamente desfavorecida”. Era assim que começava um artigo no “Journal de Genève”, de 12 de Setembro de 1970. Nesse dia um grupo de jovens suíços, que tinha participado, nesse verão, em dois campos de trabalho na Cova, organiza uma marcha silenciosa, partindo do Monumento da Reforma, percorrendo as ruas daquela cidade helvética, seguindo-se uma conferência de imprensa. O seu objectivo foi chamar a atenção da população local de que o subdesenvolvimento não é só um problema de certas regiões da África e da Ásia, mas que ele também existe na Europa, como era o caso da Cova.

Esses jovens não estavam longe da realidade. Algum tempo mais tarde, tendo o Centro Social da Cova e Gala convidado o então presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz, Eng. Jorge Pinho, a visitar a localidade, ele, acompanhado de vários técnicos camarários, concluía a sua visita, referindo-se aos muitos problemas  existentes : “Cova é como um novelo de lã em que não sabemos onde está a ponta por onde se deve puxar”. Quem conheceu a Cova desse tempo sabe que assim era. Foi por isso que a Igreja Evangélica Presbiteriana de Portugal, baseada na sua pequena comunidade da Cova e Gala, se lançou, em 1969, num Projecto de Desenvolvimento Comunitário. O primeiro passo foi abrir a aldeia ao exterior, chamar a atenção de quem de direito para ela e seus problemas. Apesar de Cova e Gala se encontrarem apenas a três quilómetros da Figueira da Foz, Cova era um lugar isolado, quase que perdido, onde ninguém se deslocava. Daí o termos organizado ao longo dos anos mais de cem campos internacionais de trabalho, em que participaram mais de três mil jovens de diversas nacionalidades europeias, do Canadá e dos Estados Unidos, tornando-se verdadeiros e singulares embaixadores do Projecto da Cova e Gala nos seus países. Ao mesmo tempo, foram organizadas, anualmente, viagens de informação pela Europa, acompanhadas pelo Grupo de Folclore Infantil e Grupo Coral de Adultos do Centro Social da Cova e Gala, em que se procurava dar a conhecer a situação social e política, mas também cultural da nossa região. A sua acção foi de um  valor inestimável, de tal maneira que, em 1980, uma editora alemã convida o jornalista germânico Hans Gerhard Gensch a escrever um livro sobre o Projecto de Desenvolvimento da Cova e Gala, com o título “Ernte in den Dunen” (Colheita nas dunas). Este livro chegou a ser usado em muitas escolas suíças e alemãs como livro de texto duma experiência de desenvolvimento. Também a televisão alemã desloca-se ao concelho da Figueira da Foz e faz um programa sobre o Centro Social da Cova e Gala. Muitos são os recortes de jornais europeus e americanos que noticiam e relatam as actividades da instituição e seu projecto. Dizia alguém, com certa graça : “Cova e Gala é mais conhecida no estrangeiro do que em Portugal”. E era verdade ! Cova e Gala tornou-se  internacional, abriu as suas portas e deixou para trás o seu isolamento inicial. Estava atingido o primeiro objectivo.

Sempre foi seu alvo prioritário ser um projecto ecuménico, aberto, colaborante e participativo, independente de ideologias, tendo como alvo servir o próximo, sobretudo, os mais fracos, mais pobres e desprotegidos, procurando dar voz a quem não tem voz.  A sua máxima “Não fazer sozinho o que puder fazer conjuntamente” é o princípio orientador de toda a intervenção do Centro Social da Cova e Gala desde o seu começo. Daí termos trabalhado conjuntamente com toda a equipa concelhia do então Instituto da Família e Acção Social, com destaque da assistente social Alzira Fraga, responsável pelo núcleo concelhio. Criou-se então o Grupo de Apoio à Primeira e Segunda Infância do concelho da Figueira da Foz, iniciativa inédita e única, num país burocrático e em que cada um  quer  ser senhor da sua quinta. Estivemos presentes em muitas  outras  iniciativas concelhias, distritais, nacionais e internacionais e participámos na organização de várias instituições. Sentimos que ao longo dos anos temos sido enriquecido nas nossas experiências, ainda que em certos momentos, sobretudo durante a Ditadura, sofrêssemos dificuldades e reveses. Porém, tudo contribuiu para o fortalecimento da instituição.
O Centro Social da Cova e Gala surgiu numa época de grandes aberturas internacionais. A acção libertadora do Conselho Mundial de Igrejas, o II Concilio do Vaticano, a Teologia da Libertação, o Centro Ecuménico Reconciliação, na Figueira da Foz, tudo contribuiu para que as pessoas se abrissem ao diálogo e as suas consciências fossem possuídas pelo espírito de revolta e desejo de libertação e destruição de todo o tipo de opressão e de injustiça. O Centro Social está nessa linha e, por isso, funda-se e segue a pedagogia de Paulo Freire (alfabetização, conscientização e politização), adaptada à realidade portuguesa e a experiência de desenvolvimento comunitário do Centro Social de Riesi (no interior da Sicília), dirigido pelo já falecido Pastor Tullio Vinay. O nosso programa procura responder às necessidades das famílias, das crianças, dos jovens e dos idosos. Dá atenção ao desenvolvimento da agricultura intensiva através de estufas. Promove acções culturais e está aberto a outras iniciativas que estejam de acordo com os seus princípios. Por isso, realizações  de avaliação periódicas. Em 1980, com a colaboração do Instituto Ecuménico para o Desenvolvimento dos Povos (INODEP), com sede em Paris, realizou-se o primeiro seminário sobre “Elaboração e Avaliação de Projectos de Desenvolvimento”, porquanto toda a instituição deve reflectir sobre a sua prática para avaliar até que ponto a sua intervenção está a contribuir para a transformação da realidade onde se insere e actua, tendo em consideração o projecto de desenvolvimento que assume e os objectivos que pretende atingir. Posteriormente outras acções de avaliação tiveram lugar.

Face à crise social, económica e financeira que se vive no nosso país, instituições como o Centro Social da Cova e Gala vivem momentos muito difíceis por falta de recursos para responder a todas as necessidades e apelos. Apesar de tudo, não fossem as instituições particulares de solidariedade social a tentarem responder, nesta hora,  às necessidades de quem precisa de apoio e solidariedade, e os dramas seriam muito maiores. Para realizarem o seu trabalho as IPSS precisam da colaboração das entidades oficiais. Elas não podem nem querem substituir o Estado nas suas responsabilidades sociais. Elas querem tão-somente colaborar, mas para isso precisam de ajuda empenhada por parte do Estado.

CICLO DE PALESTRAS

para ver melhor clicar na foto
Integrado nas comemorações do seu 50 aniversário, o Lions Clube da Figueira da Foz promove um ciclo de palestras sobre Ambiente, Território e Património que decorre no CAE da Figueira da Foz. 
A primeira palestra terá lugar no dia 17, sábado,  pelas 16 horas.