O mundo que temos é este em que vivemos. Portanto: «não importa para onde tentamos fugir, as injustiças existem em todo o lado, o melhor é encarar essa realidade de frente e tentar mudar alguma coisa.» Por pouco que seja, sempre há-de contribuir para aliviar...
"Santa Casa dá mais de 1,16 milhões de euros em vales de compras no El Corte Inglés aos funcionários. A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) deu um cartão-oferta de 200 euros a todos os funcionários, aos quais acresce ainda mais 15 euros por cada filho, para compras no El Corte Inglés. Para isso a SCML lançou um concurso público, no qual gastou 1,163 milhões de euros (multiplicando os 200 euros por cerca de 5500 mil funcionários somados aos 15 euros por cada um dos 4200 filhos dos funcionários com menos de 18 anos). Aliás, o valor-base do concurso público — publicado em Diário da República — era de 1.177.550 euros. Nos últimos anos — numa tradição que começou no tempo da gestão Santana Lopes — a SCML deu um bónus de 200 euros em dinheiro a todos os funcionários. Mas essa solução tinha um problema: o bónus era tributado e os funcionários ficavam com pouco mais de 100 euros extra. A SCML explica que esta é uma forma de valorizar e motivar os trabalhadores."
"As “fake news”, tal como entraram
muito recentemente nas nossas vidas, trazem no bojo uma ambição de
censura não institucionalizada mas muito mais eficaz. A operação “fake
news” impõe, de facto, as verdades oficiais do sistema dominante
transmitidas precisamente através dos meios que sempre produziram as
falsas notícias, os chamados mainstream. Ou seja, a comunicação social
de grande consumo não apenas continua a limitar o acesso dos seus
frequentadores – seguramente mais de 90 por cento da população mundial –
à realidade em que vivem como aponta o dedo inquisitorial aos que lutam
por desvendar e divulgar essa mesma realidade, transformados assim em
criminosos fazedores de “fake news”.Por isso, a operação “fake news” não apenas reforça o juízo moral,
político e económico, que pretende ser absoluto, como tenta asfixiar a
contestação fundamentada desse juízo. A operação “fake news”, no limite,
quer inviabilizar os efeitos dos mecanismos através dos quais se
divulgam realidades diferentes, factos contraditórios, opiniões
contrárias – desacreditando-os, perseguindo-os, caluniando-os."
Cem ou duzentos mil, a desfilarem do Marquês ao Rossio, enquadrados pela CGTP, com um caderno reivindicativo definido e propostas concretas, merece meio minuto no telejornal a seguir ao intervalo. Uma manif de palermas inventada pelas televisões, teve directos intermináveis, dois jornalistas por manifestante, drones com câmaras de filmar.
Discutiram-se, mais uma vez, em sessão camarária, os problemas de segurança e de acessibilidade na barra da Figueira. Estou a seguir a reunião com muitas dificuldades, por causa da péssima qualidade da transmissão que é proporcionada pela Câmara Municipal, via internet. "Espírito guerreiro", foi o pedido da Miguel Babo ao presidente da Câmara perante este problema que preocupa muitos figueirenses. Mais à frente, o senhor presidente mostrou disponibilidade para exibir o seu "espírito guerreiro", mas espera "que os vereadores vão à frente"... Espero, apesar das interferências, ter conseguido captar o espírito revolucionário em que está a decorrer esta sessão camarária. Por falta de condições, vou desistir. Vou deixar a secretária, para ir à procura das gaivotas a voejarem em contraluz de encontro ao, ora alaranjado, ora avermelhado do poente, que todos os dias tenho a soerguer-se deste meu mar lindo. Neste momento, o silêncio é total, mas a atenção e a maravilha estão presentes no voo das gaivotas. Elas planam, planam e planam neste crepúsculo gradativo que se repete dia após dia. Não quereria dizer uma boutade, mas diria que é invisível o som do seu planar... Tão invisível, quanto gracioso. Tão invisível, quanto belo! E assim vou estando em paz! Uma paz relativa, mas ainda assim paz! E, tudo por a qualidade da transmissão da reunião camarária que se está a realizar neste momento ser completamente insuportável. Mesmo para uma alma casta e inocente como a minha.
MUSEU DO MAR "Indagado acerca da localização do futuro museu do mar, João Ataíde mostrou-se inclinado para São Pedro, em detrimento de Buarcos, tendo em vista a existência de espaço no Cabedelo, zona da margem sul da cidade com rio e mar e cujas obras de requalificação arrancam em breve. No entanto, o edil ressalvou que ainda nada foi decidido, sendo certo que, segundo revelou, prefere um espaço museológico interactivo." Via DIÁRIO AS BEIRAS
A sucessão. Jot´Alves, cerca dos 47 minutos: "a propósito de Carlos Monteiro: se ele for o candidato à Câmara vai contar com o seu apoio?" Ataíde: "claro que sim. Se ele for candidato do PS à Câmara, claro que sim. O candidato terá de ser sempre escolhido pelo Partido Socialista." Jot´Alves: "vai fazer campanha ao lado dele?" Ataíde (engasgou-se ligeiramente...): "depende em que papel eu estiver nessa altura?" Se vai cumprir o mandato, se não pode candidatar-se mais à Câmara, o que obsta o presidente em exercício, nessa altura, de fazer campanha ao lado do candidato apresentado pelo PS em 2021?
Pelos vistos, Vossa Excelência, senhor presidente, a três anos de distância, tem já um problema. O problema, o grande problema, é que Vossa Excelência, tem dificuldades na forma como resolver o problema. É claro que, para Vossa Excelência, é um gravíssimo problema, uma vez que não foi eleito para resolver problemas. Nove anos são disso a melhor prova. Não se lhe conhece a solução de um problema, fosse ele qual fosse. A maneira como resolveu o caso Figueira Parques vai ser disso prova. Vossa Excelência quer estar de bem com todos, em especial com os da sua classe, portanto, o povo que se sacrifique. Quando há problemas, como o que ora existe, Vossa Excelência pode ouvir os "senadores da Figueira", mas ignora o Povo, os que o elegeram. Na Democracia, os problemas resolvem-se com o Povo, pelo Povo, nunca nas costas do Povo, em manobras palacianas, no escuro, na arrogância dos silêncios, como se quem elege nunca mais tivesse voz activa no que o eleito faz e vai fazendo. Os donos da Figueira, Vossa Excelência, neste momento, é um deles, discutem na sombra, nos sofás do poder, nos palácios e não prestam contas do que pensam, do que acham dever fazer, do que nos espera. Somos a "carne para canhão". Os eleitos exercem os poderes sem ter em conta a mais profunda natureza de um estado de direito e do significado de uma palavra tão simples quanto esta - Democracia. Impingem-nos um governante "eleito" por meia dúzia de confrades, no silêncio (sempre o silêncio) de um salão partidário, sem, ao menos, o acordo do partido em causa. É a sucessão monárquica. Neste momento, Vossa Excelência e a sua equipa tornou-se o problema - é o problema. Vossa Excelência deve saber, como há muito ensinam os pensadores sérios, que as crises geram condições para a acção. A Figueira permanece na crise porque não crê na acção e na força da acção democrática de quem a governa há mais de 9 anos. Vá lá, em 2021 preste um serviço à Figueira: não aceite um príncipe designado para o substituir na governação da Figueira e do concelho. Até lá decida-se e confie no Povo que o elegeu.
"A sapataria Quaresma da rua Cais da Alfândega (existe outra, na rua 5 de Outubro) é dos espaços comerciais mais antigos da cidade. E uma dos últimos representantes do comércio tradicional histórico da zona das praças da Baixa da Figueira da Foz. No entanto, vai encerrar, em finais de janeiro de 2019, dois meses antes de cumprir 97 anos. “Éramos quase os últimos resistentes dessa era”, frisou o empresário Hugo Quaresma. Os postos de trabalho poderão estar em risco. “Estamos a analisar a situação. Se houver transferência de clientes para a outra loja, não haverá despedimentos”, garantiu."
Uma hora e quase 50 minutos, neste tipo de programa, parece-me um formato muito longo. Dado que para o senhor presidente, "é mais fácil dizer mal", vou apenas referir o momento que, para mim, valeu a pena ter aguentado aquela estopada. Por volta da 1 hora e 22 minutos desta edição do Dez & 10 pergunta o Jot´Alves: "a tempestade Leslie foi o momento mais difícil dos seus mandatos?" Resposta, pareceu-me que sentida, de João Ataíde: "o mais difícil, aquele que verdadeiramente me tocou mais, foi a morte dos pescadores (em 2015). O ver aquele homem naquela situação, ainda hoje me está presente..."
A primeira temporada do ciclo de entrevistas ao vivo Dez&10, na Filarmónica Dez de Agosto, à quarta-feira, pelas 21H30, chega hoje ao fim. O último convidado da série é o presidente da Câmara da Figueira da Foz. João Ataíde, juiz desembargador em licença sem vencimento, cumpre o terceiro mandato como Presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz e lidera também, desde 2014, a Comunidade Intermunicipal da CIM Região de Coimbra. Motivos de conversa não irão faltar, numa entrevista informal e descontraída conduzida pelo jornalista Jot'Alves. Na sessão da passada quarta-feira a convidada foi Ana Machado.
"Numa das 21 lições para o Século XXI, Yuval Noah Harari fala-nos
sobre a ignorância. Nos seguintes termos. Numa experiência foi pedido a
vários pessoas que avaliassem o seu próprio conhecimento sobre o
funcionamento do fecho-éclair. A maioria vangloriou-se quão bem
compreendia o sistema. No entanto, quando lhes foram solicitados os
passos necessários ao seu funcionamento, a tal maioria, qual
fecho-éclair encravado, engasgou-se. Chegamos assim ao conceito da
“ilusão do conhecimento”: pensamos que sabemos muito, quando na verdade
não pescamos patavina, pois assumimos o conhecimento dos outros como
nosso.
A minha relação com o conhecimento em política viverá sempre esta
ilusão. Durante algum tempo casei com a sensação de que se tratava de um
mundo complexo, é certo, mas quando bem espremido, resumido em:
conquistar o poder, exercer o poder e manter o poder. No entanto, a recente
“quezília-para-se-resolver-internamente-na-comunicação-social” do PSD
figueirense diz antes que esta particular conquista do poder – “a
vitória de 2021” – , poderá sofrer várias metamorfoses ao longo do
processo, sendo mais correto afirmar-se que se encontra de momento na
fase “miragem do poder”, tal a quantidade de areia que os próprios
colocaram no seu caminho. Vá-se lá entender. Por isso, Pai Natal,
peço-lhe encarecidamente: para mim, são umas calças com botões, que isto
do fecho-éclair é um sistema muito complicado."